Pelo fim da hipocrisia

closeAtenção, este artigo foi publicado 8 anos 11 meses 20 dias atrás.

A VEJA entrevistou o Ministro Marco Aurélio Mello. A cretinice explícita alcançou patamares inauditos na entrevista, na qual o relator do processo que tenciona legalizar o assassinato eugênico de crianças deficientes destila o seu instinto assassino e o seu desprezo pelas questões éticas e morais mais elementares. Em situações normais, a entrevista deveria provocar horror e repulsa; hoje em dia, é bem capaz que ela seja aplaudida. Cito alguns trechos mais significativos e faço alguns comentários.

A propósito, o texto da matéria na edição impressa da revista é (diferente do que aparece na internet) “Pelo fim da hipocrisia”. Não poderia ser mais apropriado.

Por que o senhor defende o aborto de anencéfalos?
Para mim é pacífico: não há a menor possibilidade de sobrevivência quando não se tem cérebro.

Há. Marcela de Jesus que o diga. E há diversos casos de crianças anencéfalas mundo afora que viveram após o parto. Entre os diversos graus de anencefalia existentes, temos exemplos (todos diagnosticados como “anencéfalos” nos exames pré-natais; todos cujos pais receberam a sugestão de “interromper a gravidez”) dos mais variados: um dia, três dias, uma semana, doze dias, e até dois anos.

Contrapondo, então, a fala do Marco Mello aos fatos, chega-se inelutavelmente à seguinte conclusão: há muita possibilidade de sobrevivência quando não se tem cérebro. Chega-se até à Magistratura e ganha-se uma cadeira no Supremo Tribunal Federal!

Em 2004, o plenário do STF derrubou uma liminar concedida pelo senhor que autorizava a interrupção da gestação de anencéfalos. Por que o senhor decidiu trazer o assunto à tona novamente?
Tomei como base o resultado da recente votação na corte do uso de células-tronco embrionárias em pesquisas científicas. (…) Desta vez, a votação será menos apertada do que foi no caso das células-tronco. Diria que teremos um 7 a 4 ou um 8 a 3. E, depois que o Supremo bater o martelo, não adiantará recorrer ao Santo Padre.

Aqui, o Ministro confessa que o primeiro passo do plano orquestrado foi a aprovação das pesquisas com células-tronco embrionárias. O segundo passo é a aprovação do aborto para os anencéfalos. Os passos seguintes, ele dirá mais na frente. Saliento, outrossim, o desrespeito religioso do Ministro para com a figura do Santo Padre, junto com – de novo – a caracterização do problema como sendo uma questão religiosa, coisa que não é. A tática do Marco Mello é repetir o mesmo lenga-lenga ad nauseam até que a população absorva “por osmose” aquilo que ele não consegue demonstrar por via racional.

O senhor acredita que a maior flexibilização do STF abre a possibilidade para a discussão do aborto em geral?
Sem dúvida. O debate atual é um passo importante para que nós, os ministros do Supremo, selecionemos elementos que, no futuro, possam respaldar o julgamento do aborto de forma mais ampla.

Eis o terceiro passo da tática maquiavélica do Ministro: a legalização do aborto em geral. Eis, agora, os próprios abortistas a confessar que a questão das células-tronco era o primeiro passo para a legalização do aborto. Um verdadeiro efeito dominó bastante previsível, e que foi denunciado, mas infelizmente encontrou ouvidos surdos e céticos. É necessário fincar as bandeiras nos limites devidos, é necessário impedir o trem de encarrilhar; porque, uma vez que a primeira derrota é sofrida, as outras vêm quase como por conseqüência natural. Quem não oferece resistência às pequenas coisas não vai poder oferecê-la às grandes.

Para os que se opõem ao aborto, no entanto, a mulher não tem direito a essa liberdade. A Igreja Católica, por exemplo, argumenta que a vida deve sempre ser acolhida como um dom.
É preciso esclarecer que a vida pressupõe o parto. O Código Civil prevê o direito do nascituro, ou seja, daquele que nasceu respirando por esforço próprio.

Hein?!!! Cada vez mais o sr. Ministro dá provas de que é possível haver sobrevida longa sem cérebro. Em primeiro lugar, o Código Civil “põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro” (Código Civil, art. 2º). Em segundo lugar – e muitíssimo mais aberrante -, nascituro é justamente o ser humano concebido mas ainda não nascido, i.e., o feto no ventre da mãe! Onde o sr. Ministro foi buscar a definição dele, só Deus sabe.

Dessa forma, o debate se estende para outras áreas, talvez até mais pantanosas do que o aborto, como a eutanásia.
A eutanásia pressupõe uma irreversibilidade da vida. Mediante laudos médicos que comprovem o quadro, as decisões poderão ficar a cargo de outra pessoa. Afirmo isso com base no princípio da dignidade da pessoa humana. E não pode haver dignidade com uma vida vegetativa.

Quarto passo do plano do sr. Ministro: a Eutanásia. Trocando em miúdos, é a implantação da cultura da morte de maneira generalizada. E ainda há os que se recusam a ver.

Como católico, o senhor não entra em conflito por suas convicções a respeito desses temas?
Nenhum. Não potencializo a religião a ponto de colocar em segundo plano a razão. (…) Nós, integrantes do Supremo, os guardiões maiores da Constituição, não podemos nos render à apatia, que é o mal do nosso século.

O Ministro Marco Mello diz ser católico. Claro, tão católico quanto as Abortistas pelo Direito de Matar. Haja cretinice. Os “guardiões maiores da Constituição” são exatamente os criminosos que a seqüestram, desprezam, mutilam, deformam. O povo brasileiro deveria fazer uma campanha: pela liberdade da Constituição, e pela aposentadoria compulsória dos Magistrados descerebrados. Afinal, já basta de tanta hipocrisia.

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0 thoughts on “Pelo fim da hipocrisia

  1. Fabrício L.

    Minha nossa! Essa do “nascituro” como sendo “aquele que nasceu respirando por esforço próprio” foi pra chutar o balde…

    Misericórdia, Senhor!

  2. Sidnei

    Até que enfim leio algo que critica a esta reportagem na vesga, ops, veja, deste ministro, pois qualquer um, por mais débil que seja, já captou que aprovações de leis que vão contra DEUS, a Igreja e a própria natureza não irão para por aí, aprendi que se abrir uma pequena brecha para o mal, se estará escancarando todas as portas para todos os males, e esta ao o exemplo, se abriu uma porta para aos estudos com células troncos embrionárias, agora se esta abrindo para o aborto para bebes anencéfalos e logo, logo, se estará aprovando o aborto para bebes saudáveis até nove meses e até mesmo a eutanásia, e só uma questão de tempo, mas os maiores culpados desta história toda somo nós mesmos os católicos, desde os presbíteros até os leigos, os presbíteros, pois não são capazes de comentar estas coisas nas igrejas, nos sermões das missas, haja vista que a grande maioria dos católicos só tem contatos com assuntos religiosos por meio dos cultos dominicais ficando a mercê da manipulação tendenciosa da mídia, e é por isto que há muitos católicos que freqüentam missas aos domingos, comungam, mas quando é para pegar junto com a Igreja sobre estes assuntos, são capaz de dar as costas a ela, isto por culpa destes presbíteros omissos que não dão orientação ao seus fieis, e também aos próprios fieis, em que mesmo sendo orientados pelos seus pastores, são capaz de ouvir mais ao mundo que aos seus pastores, está na hora de todos acordarem, pois o mal não brinca em serviços, o mal é rápido no gatilho enquanto o bem caminha feito tartaruga, que os presbíteros façam sua parte e alertem o povo a respeito destas leis iníquas e o povo que se diz “católico”, que passem seguir mais a Igreja que é a continuação de CRISTO neste mundo e deixem de seguir o mundo, vivam ou morram, façam sua escolha.

  3. Eduardo

    Nunca ouvi tantas asneiras quanto as proferidas por este ministro. Ele não só ofende o Santo Papa e a fé católica, mas o conhecimento científico e jurídico. Só podemos rezar, parar de escutar as asneiras da imprensa, dar uma educação católica a nossos filhos e não votar nesta turma do PT para que este país tenha algum futuro, pois será difícil, com pessoas com uma mente tão doentia à frente do Tribunal Superior.

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