“Reforma contra o Modernismo”

closeAtenção, este artigo foi publicado 9 anos 9 dias atrás.

A Montfort publicou uma interessante entrevista concedida pelo pe. Joseph Luzuy, do Instituto Cristo Rei (instituto que, segundo insinua o Fedeli, não poderia contar com o apoio da Montfort porque “aceita a Missa Nova”; o que confere uma certa isenção à entrevista). Destaco alguns aspectos que julguei mais relevantes.

[S]obre a cruz[,] Cristo, morrendo[,] não  foi compreendido. Ele expirou no mistério e não houve necessidade de tradutores ou de divulgadores para explicar aquele mistério. Portanto, se Cristo morto na Cruz é o mistério por excelência, por que razão a Missa deveria ser toda e racionalmente compreensível?

A comparação é primorosa, e confesso ser a primeira vez que a vejo! Se por um lado é verdade que os ritos litúrgicos “devem adaptar-se à capacidade de compreensão dos fiéis” (Sacrossantum Concilium, 34), por outro lado é igualmente verdade que a Paixão de Cristo – tornada presente em cada missa – é um dos principais Mistérios da nossa Fé e, portanto, por definição, transcende a compreensão humana. Esta verdade anda bem esquecida nos nossos dias, e neste sentido o latim ajuda a manter o Santo Sacrifício envolto num saudável véu de mistério, até mesmo por dificultar aos fiéis a compreensão completa e meramente racional de todas e cada uma das partes da Liturgia.

Sempre defendi que existem “graus de ignorância”. Oras, a Santa Missa simplesmente não pode ser compreendida em sua totalidade. Portanto, o latim (não-compreendido) ajuda os fiéis a saberem que não entendem por completo o que está se desenrolando diante dos seus olhos. Eles não sabem e sabem que não sabem. O vernáculo, ao contrário, passa a falsa impressão de que se entende completamente tudo o que está acontecendo, afinal, o significado das palavras é conhecido… portanto, hoje em dia, não é que as pessoas “compreendam mais” a missa por causa do vernáculo, é exatamente o contrário: eles não compreendem e julgam compreender, e isso é muito pior do que o primeiro caso. É uma ignorância muito mais grave.

Creio que esteja se dando, especialmente após o Vaticano II, mas não por culpa dele, um processo de protestantização da cultura religiosa, da liturgia e nos próprios estudiosos.

A acusação é grave, mas respeitosa e digna de atenção. O problema – já infinitas vezes reportado – é a utilização indevida de textos conciliares para que sejam “justificadas” as maiores barbaridades. Creio já ter falado aqui, mas repito: urge resgatar o Concílio da mão dos hereges e colocá-lo de novo a serviço da Igreja de Cristo, para a maior glória de Deus.

Circulam rumores que esteja em estudo uma reforma da liturgia, com a troca da paz antes do Ofertório, a comunhão de joelhos e o canon em latim, o senhor confirma isso?

“Não sei quando isso se dará. Mas eu também ouvi os mesmos rumores e me congratulo com eles. Posso confirmar lhe que essas  indicações estão em vias de serem feitas: nada sei sobre a real atuação e o tempo. Mas o projeto existe.”

Não é a primeira vez que isto é noticiado; permita Deus que o Papa Bento XVI, gloriosamente reinante, possa ser conservado ainda por muitos anos no trono de Pedro! E, às vésperas do aniversário de um ano da entrada em vigor do motu proprio Summorum Pontificum (próximo domingo, dia 14 de setembro, festa de Exaltação da Santa Cruz), rezemos pelo Papa e pelo triunfo da Santa Igreja:

V. Oremus pro Pontifice nostro Benedictus.
R. Dominus conservet eum, et vivificet eum, et beatum faciat eum in terra, et non tradat eum in animam inimicorum eius.

Pater Noster.
Ave Maria.

Deus, omnium fidelium pastor et rector, famulum tuum Benedictus, quem pastorem Ecclesiae tuae praeesse voluisti, propitius respice: da ei, quaesumus, verbo et exemplo, quibus praeest, proficere: ut ad vitam, una cum grege sibi credito, perveniat sempiternam. Per Christum, Dominum nostrum. Amen.

Gostou? Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Email this to someonePrint this page

0 thoughts on ““Reforma contra o Modernismo”

  1. Antonio

    A conveniência e a juridicidade do latim na liturgia católica melhor e mais objetivamente se exprimem no seguinte:

    “Aquele que disser que a Missa deve ser celebrada somente em língua vernácula — Seja anátema”. Conc. de Trento, Sessão XXII, C. 9, D. 956;

    “A Língua Latina é a Língua própria da Igreja Romana”. S. Pio X – Inter Pastoralis Officii;

    “A Língua Latina é um claro e nobre indício de unidade e um eficaz antídoto contra todas as corruptelas da pura doutrina”. Pio XII – Mediator Dei;

    “Que o antigo uso da Língua Latina seja mantido, e onde houver caído quase em abandono, seja absolutamente restabelecido. Ninguém por afã de novidade escreva contra o uso da Língua Latina nos sagrados ritos da Liturgia”. João XXIII – Veterum Sapientia;

    “Seja conservado o uso da Língua Latina nos Ritos Latinos”. Conc. Vat. II, Const. Lit. nº 36;

    “Providencie-se que os fiéis possam juntamente rezar ou cantar em Língua Latina as partes do Ordinário que lhes competem”. Conc. Vat. II, Const. Lit. nº 54;

    “O Latim exprime de maneira palmar e eficaz a unidade e a universalidade da Igreja”. João Paulo I – Discurso ao Clero Romano.

  2. presentepravoce

    Menino de Deus !!!!

    Sabe que lendo este comentário de Antonio acabei por entender, porque Fedeli atacou tanto o Filme de Mel Gibson sobre Jesus e o acusou de ser um anti semita.

    Não entendo a ligação, também não entendi porque um fã do Rito Tridentino viesse a ser tão criticado por seus próprios companheiros.

    De fato, a Igreja por muitos anos usou o “Latim” na Sagrada Liturgia, mas como todo mundo sabe, não foi sempre assim. Porque razão deveriamos escolher esta ou aquela lingua para falar das coisas de Deus ?
    O próprio Deus usou de diversas “Linguas” ou de “Diversas compreensões de uma mesma Lingua” no dia de Pentecosntes, claramente para demonstrar que o Pai nos ouve na nossa própria “maneira de falar” nem diria eu “Linguagem” e se ficar difícil entender assim diria então, qualquer lingua que eu fale as pessoas deveriam entender já que receberam o dom da interpretação diretamente de Deus.

    Porém Mel Gibson, sendo um fã do “Latim”, preferiu fazer um filme de Jesus usando as palavras que Ele escolheu para falar quando esteve entre nós, palavras estas, que digam de passagem foram lhe ensinadas por Maria sua Mãe que falava o Aramaico e não o “Latim”.

    Jesus não escolheu linguagem alguma, escolheu sim uma maneira de falar que as pessoas lhe entendessem e por sinal, percebemos que as pessoas não entenderam nada do que Ele disse e por isso precisamos ensinar e explicar estas palavras para as pessoas para que elas entendam, aceitem, creiam e sejam salvas.

    O nosso objetivo é atingir o maior numero de pessoas possível, e por isso eu prefiro falar de uma forma que elas me entendam, já que mesmo assim muitos preferem não entender mesmo de forma alguma.

    “8. et aliud cecidit in terram bonam et ortum fecit fructum centuplum hæc dicens clamabat qui habet aures audiendi audiat
    9. interrogabant autem eum discipuli ejus quæ esset hæc parabola
    10. quibus ipse dixit vobis datum est nosse mysterium regni Dei ceteris autem in parabolis ut videntes non videant et audientes non intellegant ”
    http://www.bibliacatolica.com.br/09/49/8.php

    Deus vos abençoe