O Anjo

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O Anjo

Bem lembro-me de ti, na outra montanha,
Aonde o velho Abraão subiu contrito,
Levando o filho atado qual cabrito
A ser assado em sua própria banha…

Bem me lembro de ti e do teu grito
Congelando o cutelo e sua sanha…
E a alegria do velho foi tamanha
Que iluminou as nuvens no infinito!

E agora, mensageiro, que nos trazes?
Por que motivo, agora, tu não fazes
O mesmo que fizeste em Moriá?

Pronto a voltar ao céu na luz de um raio,
O anjo disse: – “Da outra vez foi ensaio…
Mas, desta vez, o filho morrerá!”

Antonio Santini

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