Candidato petista cassado em Recife

closeAtenção, este artigo foi publicado 8 anos 10 meses 22 dias atrás.

Faço uns ligeiros comentários sobre o funcionamento da política no Brasil, usando o Recife como espécimen investigativo.

Só recapitulando: o candidato do PT – ou seja, o candidato da prefeitura atual – conta com uma coligação partidária incomparavelmente maior do que a de qualquer outro candidato; a “Frente de Recife” totaliza dezesseis partidos políticos. Como os brasileiros acham que uma eleição é algum tipo de “corrida de cavalos” e os votos são “apostas”, e como só vale a pena votar/apostar em quem vai ganhar (para não “perder o voto”), João da Costa estava – na última pesquisa – com 54% das intenções de voto.

A associação entre João da Costa (o candidato petista) e João Paulo (o atual prefeito petista) é tão forte – inclusive oficialmente, pois o slogan da campanha de João da Costa é “a grande mudança vai continuar!” – que houve (alegadamente) casos de utilização da máquina pública para a promoção do candidato do PT. Resultado: João da Costa teve o seu registro cassado na última terça-feira, às portas do pleito, e com chances inclusive de ganhar a eleição no primeiro turno.

Conseqüência: na própria quarta-feira, já havia carros de som pelas ruas fazendo acusações a pessoas indeterminadas (do tipo “eles estão fazendo o mesmo jogo sujo”; “eles querem ganhar de João da Costa no tapetão”). E os petistas, evidentemente, não estão nem aí para a decisão judicial, posto que todos estão candidamente convencidos de que isto tudo foi uma grande armação. No senso comum, havendo divergências entre o PT e a Justiça, é o partido quem está com a razão.

João da Costa vai disputar a eleição sub judice. Eu não entendo de Direito Eleitoral e não sei exatamente quais as implicações disso; em contrapartida, sei que, na minha opinião, foi uma tremenda estupidez “criar um mártir” no cenário político local. Comentando com um amigo, falei que era óbvio que o PT só iria perder um julgamento destes se quisesse. Ele comentou, esperançoso, que para Deus nada é impossível. Verdade; mas temo que, na atual situação política brasileira, nem para o PT.

Hoje, sexta-feira, vai haver um grande comício no centro da cidade para que os petistas – “traga a sua família!” – possam sair às ruas em defesa de João da Costa. O mega-evento vai alterar o trecho de 160 linhas de ônibus que passam pelo centro da cidade. Incrível! Eleição é motivo de festa como se fosse um campeonato de futebol. E viva a política brasileira!

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0 thoughts on “Candidato petista cassado em Recife

  1. Claudemir Júnior

    Jorge,

    tenho informações seguras de que – muito ao contrário do que o candidato segue afirmando em seus programas eleitorais – as provas contra o João da Costa (um mero desconhecido da população até o início das eleições) são extremamente contundentes. Há documentos de todo o tipo e até fotos reveladoras.

    Qualquer juiz de bom senso confirmaria a cassação da candidatura. Mas, o bom senso passa longe quando o PT está envolvido.

    Resta esperar. E rezar também.

  2. sandra nunes

    Jorge, a eleição é a festa da democracia.
    Acredito que o voto não deve ser obrigatório ( mas isso é outro assunto)
    Realmente é uma festa. Vc como jovem não viveu o período da ditadura. Havia dois partidos.
    Na maioria das cidades era Arena 1 contra Arena 2.
    Somente nas grandes cidades havia uma oposição de verdade. Nas Capitais sequer era permitido votar no Executivo.
    E os legisladores eleitos, que não concordavam com os ditadores, eram mortos ou tinham que fugir e viver no exílio
    Sou de 58 e vivi minha infância e juventude os anos de chumbo.
    Graças a Deus, não sou sou 5 ou 6 anos mais velha, pois acredito que teria ingressado na luta armada, contra a ditadura.
    Prefiro ver a Justiça funcionando contra péssimos políticos, do que viver na ditadura novamente.

  3. Jorge Ferraz

    Sandra, caríssima,

    No Brasil atual, as eleições são a festa da demagogia. Tenho uma enorme lista de “ajustes” que EU PESSOALMENTE faria no sistema eleitoral (pra ficar só em dois exemplos, acho que nem o voto deveria ser obrigatório, e nem os jovens deveriam votar), mas talvez eu escreva um post sobre isso em outra oportunidade.

    O bi-partidarismo não é um problema (aliás, reduzir o número absurdo de partidos políticos existentes atualmente seria outro ponto da minha lista…), até porque é, na prática, o modelo que funciona nos Estados Unidos até hoje. Muito mais sério é haver um milhão de partidos políticos iguais em muitos aspectos, o que impede o eleitor de conhecer devidamente as nuances [às vezes bizantinas] que diferem um do outro.

    Graças a Deus – faço coro – que tu não eras mais velha e, portanto, não te transformaste em criminosa durante os “anos de chumbo”. Os fins não justificam os meios, e os terroristas que na prática forçaram a Ditadura a existir deveriam estar presos até hoje, e não posando de heróis. Sugiro a leitura de um livro chamado A Verdade Sufocada, da autoria de um militar que trabalhou durante a Ditadura.

    A Ditadura foi uma coisa ruim, mas foi um mal menor, necessário frente à ameaça esquerdista que se impunha e ameaçava transformar o Brasil numa Cuba gigantesca. E, por fim, “Justiça” com péssimos políticos não é Justiça, é Injustiça Institucionalizada, e é isto que nós – com raríssimas exceções – vivemos hoje no Brasil.

    Abraços, em Cristo,
    Jorge Ferraz

  4. franc1968

    Jorge,
    Aplaudo de pé o seu comentário a respeito do que foi dito pela Srª Sandra Nunes. Já virou um mito – para alguns até inquestionável – de que os terroristas daquele tempo eram heróis. E o governo militar, uma ditadura pura e simples. Em meu blog, recentemente publiquei um texto em que comparo as personagens Donatela e Flora, d’A favorita, com o governo militar e os terroristas da época. Assim como Flora distorceu a história e deu um jeito na Donatela, os terroristas de ontem mudaram a história, na intenção de surgirem como os “mocinhos” (http://franc1968.wordpress.com/2008/09/23/210/). É interessante observar que a própria Igreja Católica tem sido vítima dessas distorções históricas. Afinal, para as esquerdas, a verdade é aquilo que eles querem que seja e não o que de fato ocorreu.

  5. sandra nunes

    MEU DEUS, vocês defendem os ditadores?
    Que idade vocês têm?
    Eu vivi minha infância e juventude num regime militar ditador.
    Só um exemplo simples, esses nossos papos NÃO EXISTIRIAM.
    Era proibida a liberdade de expressão. Terminantemente proibida.
    As pessoas “sumiam” sem mais nem menos.
    Leia ” Brasil-tortura Nunca Mais” de Dom Paulo Evaristo Arns e outros.
    Quanto existir apenas 2 partidos nos Estados Unidos, vc está enganado.
    Existem inúmeros partidos independentes, que são nanicos como os daqui.
    Não entendi sua analogia, Franc, pois não assisto novela (sou fanáticas em filmes)
    Isso era IMPOSSÍVEL durante a DITADURA MILITAR. Era decreto e mais decreto, e os famigerados Atos Institucionais que fecharam o congresso, acabou com a liberdade de expressão, com a imprensa, bem com tudo.
    Mais de dois na rua era aglomeração.
    Me entristece vocês que adoram debater nos blogs e se mobilizarem contra leis que não aceitam, falarem que são favoráveis à ditadura.
    Muitas, muitas pessoas foram torturadas e muitas morreram, para vocês terem o direito de falarem mal delas hoje.
    Respeito os militares, mas lugar de militar é na caserna Não respeito ditadores, quer sejam militares ou civis!
    Quer de esquerda quer de direita.
    Que Deus os ilumine, pois quem esquece a história tende a cometer os mesmos erros.

  6. Jorge Ferraz

    Caríssima Sandra,

    Não “defendo” a Ditadura. No entanto, tampouco defendo terroristas criminosos como os comunistas que travaram guerra com os militares nas décadas passadas. A Ditadura foi um mal menor, necessária à manutenção da ordem no Brasil quando o país era ameaçado por baderneiros esquerdistas.

    Leia o livro que lhe indiquei do Carlos Ustra. Leia o post que o franc indicou. Leia sobre o projeto Orvil (que encontrei na íntegra e indiquei aqui no blog). Por favor, não defenda criminosos, porque o discurso esquerdistóide é inútil para as pessoas que – como eu – discordam do revanchismo comunista no Brasil.

    Sobre os U.S.A., eu sei que há partidos pequenos e que há a possibilidade de candidatura independente, e foi exatamente por isso que eu frisei que o bi-partidarismo era aplicado na prática (porque, na prática, há republicanos e democratas e basta).

    E acolho integralmente o teu conselho: quem esquece a História termina por cometer os mesmíssimos erros. Portanto, procure conhecer a história do regime genocida comunista em geral e da sua versão tupiniquim.

    Abraços,
    em Cristo,
    Jorge Ferraz

  7. sandra nunes

    Eu não preciso pesquisar eu TESTEMUNHEI os crimes cometidos pelos ditadores, aqui no Brasil.
    Perdi professores e padres amigos.
    O saudoso D. Luciano Mendes foi um protetor do povo, salvou muitas vidas acolhendo na Igreja. ( Era o Bispo da minha região, era amigo da minha família)
    Voce diz ter vinte e poucos anos, portanto Graças a Deus, não viveu no inferno da ditadura.
    É fácil, agora, que você tem liberdade de expressão, pisar em cima daqueles que morreram para você ter essa liberdade.
    Mas acredito, como democrata, que a luta e a mortes deles foram exatamente com essa finalidade.
    Então considero que os que lutaram e morreram pra você ter o direito de repudiá-los hoje, são heróis.
    Que descansem em paz.
    Fique certo que a maior luta não foi armada, foi a voz e o clamor da população.
    Eu estava na praça da Sé, com mais 1.000.000 de pessoas pedindo pelas diretas, e pela anistia (que anistiou os ditadores e torturadores também)
    Fique certo que se o regime ditatorial ameaçar de voltar ao Brasil, estaremos em lados opostos.
    Liberdade, Justiça e Democracia SEMPRE

    bjs no seu coração

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  9. sandra nunes

    Eu não acompanho os autos, mas a lei especifica, quando se pode argüir SUSPEIÇÃO do magistrado.
    Não havendo provas da suspeição a preliminar não é apreciada.
    Aguardar e ver!

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