Palestra sobre Chesterton

closeAtenção, este artigo foi publicado 8 anos 10 meses 10 dias atrás.

Palestra gratuita em São Paulo (pelo que eu pude entender), no 16 de outubro, sobre Chesterton, conforme anuncia o site da Dicta & Contradicta.

A palestra tem vagas limitadas e as inscrições podem ser feitas pelo e-mail [email protected] (com nome, telefone, endereço e e-mail para contato) ou pelo telefone 11-2104-0100. A entrada é franca.

Chesterton é espetacular. Bem que eu gostaria de estar em São Paulo na próxima quinta-feira. Um exemplo do gênio do escritor britânico, quando nem católico era:

Nós é que fazemos nossos amigos. Nós é que fazemos nossos inimigos. Mas Deus foi quem fez nosso vizinho. Por isso é que o vizinho nos surge revestido de todos os inesperados terrores da natureza; ele é tão estranho como as estrelas, tão alheio e impassível como a chuva. É o Homem, o mais terrível de todos os animais. Donde as antigas religiões, bem como a linguagem bíblica, terem demonstrado tão profunda visão das coisas quando aludiram, não a nossos deveres para com a humanidade, mas a nossos deveres para com nosso vizinho. O dever para com a humanidade pode muitas vezes tomar a forma de pura escolha, que é ato pessoal e até agradável. Pode ser uma ocupação favorita, pode ser mesmo um passatempo. Podemos trabalhar em favor dos bairros pobres de Londres porque fomos de algum modo talhados para tal trabalho, ou porque cremos que o fomos; podemos lutar pela causa da paz internacional porque nos agrada lutar. Podem resultar de nossa própria escolha, ou de simples questão de gosto, o martírio mais atroz, ou a experiência mais repulsiva. Podemos ter sido feitos de molde a ter predileção pelos doidos ou a sentirmos especial interesse pelo problema da lepra. Podemos encantar-nos com os negros porque são pretos, ou como os socialistas alemães porque são pedantes. Mas quanto a nosso vizinho, a este temos de amar porque ele está ali — razão muito mais alarmante e que requer reações afetivas muito mais difíceis. Ele é a amostra viva da humanidade que nos coube. Precisamente porque pode ser qualquer pessoa, ele é como toda a humanidade junta. É um símbolo, no sentido de que é mero acidente.
[Heretics, Cap. XIV]

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