No mundo animal…

closeAtenção, este artigo foi publicado 8 anos 9 meses 16 dias atrás.

A coisa mais ridícula do mundo! Impressionante! Não conheço Paulo Rangel, mas é forço admitir que ele parece ser uma pessoa com extremo bom senso – coisa rara hoje em dia.

O “Blog ANIMAL – Em Defesa dos Direitos de Todos os Animais” lançou uma campanha na qual conclama os seus leitores a enviarem uma carta de protesto à presidência do Partido Social Democrata (partido português), em repúdio a algumas declarações do sr. Paulo Rangel numa entrevista que foi publicada no sábado passado. O que foi que o “Presidente do Grupo Parlamentar do PSD” fez para provocar o ódio dos defensores dos direitos de todos os animais? Bom, ele teve a ousadia de dizer algumas frases como:

– “Não faz sentido haver um Dia do Cão.”
– “Também não [faz sentido haver um Dia dos Animais]”.
– “Um cão nunca deixa de ser um cão. Trocaria a vida do meu cão pela vida de qualquer pessoa em qualquer lado do mundo, mesmo não a conhecendo. Uma pessoa vale sempre mais do que um animal.”
– “Os animais merecem protecção mas não são titulares de direitos.”
– “Não são eles que têm esse direito [de ser bem tratados e protegidos]. Nós é que temos essa obrigação.”
– “Para mim essa é uma concepção errada [a de que os animais devem ter direitos]. Acho que só as pessoas devem ser titulares de direitos.”
– “Os animais [também sofrem], mas não sofrem como nós.”
– “A caça ou as touradas, enquanto tradições com determinadas características e determinados limites, são toleráveis. Fazem parte da Cultura.”
– “Muitas tradições não acabaram e estas [caça e touradas] são daquelas que para mim não devem acabar.”
– “Faço uma separação ontológica entre as pessoas e os animais.”
– “Num contexto cultural devidamente integrado, certas tradições [como a caça e as touradas] – ainda que possam chocar algumas pessoas – são admissíveis. É a minha posição.”
– “Não sou contra [a exibição de touradas na RTP].”
– “Desde que devidamente contextualizado [a transmissão de touradas pela RTP, televisão do Estado, expondo as crianças à violência contra os animais], não vejo nisso qualquer problema.”
– “A menos que esteja em causa a extinção de espécies, não acho mal [utilização de peles para confecção de vestuário].”
– “A dignidade humana é um valor superior ao da dignidade dos animais. O Homem é ontologicamente diferente dos restantes animais.”

Ora, são afirmações completamente verdadeiras e impressionantemente sensatas. Como podem declarações deste calibre provocar manifestações de repúdio de quem quer que seja? No entanto, a carta de repúdio proposta pelo “Blog ANIMAL” (que nome adequado!) ainda tem a capacidade de questionar, como se estivesse diante de uma blasfêmia intolerável:

Como é possível alguém poder pensar desta maneira nos dias de hoje? Como pode, além do mais, um importante dirigente político e parlamentar ter uma visão tão pré-científica e racionalmente oca dos animais e da importância que têm? E, mais do que isso, como pode alguém que ocupe este cargo cometer o erro grosseiro e monumental de produzir declarações deste calibre e continuar em funções?

Isto deve ser uma piada de português, não é possível. A tal ANIMAL se define como “uma organização não-governamental de defesa dos direitos fundamentais dos animais não-humanos”. De fato, parece que os direitos dos “animais humanos” são completamente alheios à compreensão de mundo desta ONG nonsense. Eu simplesmente não acredito que alguém pode discordar de afirmações auto-evidentes como “[u]ma pessoa vale sempre mais do que um animal” e “[o] Homem é ontologicamente diferente dos restantes animais”. Ninguém está propondo o extermínio dos animais, a extinção das espécies, o sadismo puro e simples, nem nada disso – o sr. Rangel está apenas fazendo a (justíssima e devida) separação entre os animais e o homem. É incompreensível a revolta do Blog ANIMAL. No Brasil do projeto MATAR, no entanto, talvez haja necessidade de convidar Paulo Rangel para que ele faça aqui o discurso do óbvio… e, infelizmente, é até possível que os “animais” tupiniquins proponham algum repúdio parecido com o da ONG lusitana.

Gostou? Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Email this to someonePrint this page

0 thoughts on “No mundo animal…

  1. André Víctor

    Jorge,

    No Brasil, é crime inafiançável destruir um ovo de tartaruga, mesmo que para matar a fome, mas estão querendo descriminar o aborto.
    Entendo perfeitamente seus sentimentos.

    Per Christum Dominum nostrum. Amem.

    André Víctor.

  2. João C.

    Aqui em Portugal também é assim, André… Todo o animal tem de ter direitos… Irracionais são os defensores da ideia de que estas declarações “ofendem” os animaizinhos… Como criaturas de Deus, devem ser respeitados e protegidos como tal…mas daí a terem direitos… enfim… Mas numa vida acabada de iniciar, a preocupação é destrui-la conforme for melhor ou pior para os pais…

  3. Eduardo Araújo

    De fato, André Víctor!

    Essa incoerência foi muito bem apontada por Cícero Harada em um artigo magistral no qual faz um anagrama do nome do projeto das tartarugas -Tamar, para nomear em conjunto as iniciativas abortistas de Projeto MATAR.

    Nesse texto, o autor, que é procurador, não se opõe ao trabalho de preservação das tartarugas marinhas e muito menos trata as mulheres como aqueles animais. Acredite, se quiser, foi esse pseudo argumento o utilizado por uma socióloga com uma empáfia do tamanho do mundo para, no seu entendimento, rebater o artigo de Harada. Essa réplica (se bem que é preciso um bocado de esforço para admitir assim), contém ataques do mais baixo nível à Igreja Católica e mais ainda a SS. Papa João Paulo II.

  4. Johnny Garden

    Não sei que religião minha cocker black and tan segue mas ela reza a Deus todos os dias por ter um dono espírita. Bom, ela que me disse…

  5. Danielle Aran

    Muito bem colocado os argumentos do sr. Paulo Rangel.

    Tenho dois cachorros e um porquinho da índia. Digo que tenho muito estima por eles. Mas tudo no seu devido lugar.

  6. juliemaria

    Me lembro como se fosse hoje, na aula de Ética no terceiro ano da Faculdade… todo mundo sempre estava “louco” para ir embora, pois era sexta à noite esta aula (e eu que amava a aula era tido como “louca” rs); mas quando o tema dos direitos foi tocado e o professor disse o mesmo que o Rangel: “eles não sao titulares dos direitos e… não vão para o céu”.. vixi, os alunos acordaram neste hora! :)

    Quanta confusão em coisas tão essenciais, tão “SENTIDO COMUM.” Mas cada vez estar do lado do sentido comum está virando “anormal”.

    Estou seriamente pensando que defender que cachorro não é gente nos pode levar para a cadeia… ou defender a vida do homem e da mulher… ou até mesmo que o “casamento válido só existe entre um homem e uma mulher”…