O elogio da censura

closeAtenção, este artigo foi publicado 8 anos 9 meses 17 dias atrás.

– Ora, tu sabes que, em qualquer empreendimento, o mais trabalhoso é o começo, sobretudo para quem for novo e tenro? Pois é sobretudo nessa altura que se é moldado, e se enterra a matriz que alguém queira imprimir numa pessoa?
– Absolutamente.
– Então, havemos de consentir sem mais que as crianças escutem fábulas fabricadas ao acaso por quem calhar, e recolham na sua alma opiniões na sua maior parte contrárias às que, quando crescerem, entendemos que deverão ter?
– Não consentiremos de nenhuma maneira.
– Logo, devemos começar por vigiar os autores de fábulas, e selecionar as que forem boas e proscrever as más. As que forem escolhidas, persuadiremos as amas e as mães a contá-las às crianças, e a moldar as suas almas por meio das fábulas, com muito mais cuidado do que os corpos com as mãos.
[Platão, “A República”, Livro II (377a-e); Editora Martin Claret, São Paulo, 2006, pp. 65-66]

Há um princípio fundamental e basilar, não só da Doutrina Católica como também da Lei Natural, segundo o qual o erro não tem direitos. Pode e deve, portanto, ser coibido, principalmente se houver pessoas que, indefesas contra o erro, puderem ser por ele gravemente prejudicadas. Isso tem uma particular validade quando se trata de crianças, seres humanos em formação e que, mais que ninguém, são indefesas diante dos estímulos externos e grandemente influenciáveis por eles.

Platão já tinha percebido isso há mais de dois milênios! N’A República, ele expõe – pela boca de Sócrates – os princípios que, na concepção dele, deveriam nortear a construção – virtualmente ex nihil – de uma cidade. Embora seja verdade que o projeto ao qual se lança o filósofo grego é repleto de abstrações e de sugestões impraticáveis, muitos dos princípios apresentados são verdadeiros. Como, por exemplo, o trecho em epígrafe, que trata sobre a educação das crianças (no caso particular da obra, das crianças que serão soldados, mas é válido para a educação das crianças no geral), e diz que, neste particular de extrema importância, nem tudo é conveniente e algumas coisas podem e devem ser proibidas. Censuradas.

A palavra “censura” é capaz de provocar horror diante de alguns paladinos dos (supostos) direitos humanos modernos, fazendo-os rasgarem as vestes e soltarem gritos histéricos de repulsa. Associam-na imediatamente (talvez porque rime) com outra palavra à qual eles têm horror absoluto, que é “ditadura”. Não pretendo tratar dos dois assuntos, que – ao contrário do que muitos podem querer fazer acreditar – são bastante diversos. Apenas lembro que a histeria supramencionada é particularmente ativa em uma espécie de gente que, em maior ou menor grau, do flerte ao concubinato, é simpática às idéias esquerdistas; o que não deixa de ser cômico, porque o marxismo, não somente em suas manifestações históricas (URSS, China, Cuba) como também em seus princípios, é abertamente ditatorial ([a] purificação da sociedade dos males feudais só é possível se o proletariado, liberto das influências dos partidos burgueses, for capaz de se colocar à frente do campesinato e estabelecer sua ditadura revolucionária. Marx & Engels, “Manifesto do Partido Comunista”). Para essa gente, as mesmas coisas são, ao mesmo tempo, enorme virtude ou pecado abominável, dependendo somente se são aplicadas por elas ou contra elas. É um impressionante cinismo.

Embora todas as ditaduras comunistas apliquem descaradamente a censura (ao mesmo tempo em que todos os esquerdistas repudiam completamente quer a censura, quer as ditaduras), é preciso deixar claro que a censura, como inúmeras outras coisas, não é uma coisa má em si. Ela pode ser má ou boa, infame ou virtuosa, dependendo daquilo que é censurado e do porquê da censura. Um regime assassino censurar a pregação do Evangelho é evidentemente uma coisa má; mas os pais censurarem as coisas que os filhos vêem na internet é uma coisa boa, justa e necessária até. Repetimos o que foi dito acima: o erro não tem direitos. O que a Igreja condenou não foi a censura, e sim – ao contrário – a “liberdade absoluta”: a liberdade de pensar e publicar os próprios pensamentos, subtraída a toda regra, não é por si um bem de que a sociedade tenha que se felicitar; mas é antes a fonte e a origem de muitos males (Leão XIII, Immortale Dei, 38).

Digamos, pois, ousadamente, que a censura é necessária, sim; não censura da Verdade (como nos países comunistas), mas censura dos erros e dos vícios, dentros dos justos limites: porque é verdade que há as liberdades individuais, mas há também o bem comum que precisa ser especialmente considerado. Em particular, os pais têm o direito de educarem os seus filhos na Lei de Deus e, por conseguinte, têm o direito de não quererem expôr as suas crianças aos erros e aos vícios. A bandeira da “liberdade absoluta” ostentada por esquerdistas e filo-esquerdistas é falsa em si (já que a liberdade absoluta é um grande mal) e cínica considerando os que a levantam (já que não há liberdade nos países comunistas). O espantalho não nos assusta. Há um Deus, há uma Verdade e, por conseguinte, há coisas dignas de louvor e coisas dignas de repreensão, não sendo justo que ambas tenham o mesmo tratamento – certas coisas podem e devem ser censuradas. Afinal, as coisas justas são dignas de serem incentivadas e, as ímpias, de serem reprimidas, se quisermos que os nossos jovens “sejam tementes aos deuses e semelhantes a eles, na máxima medida em que isto for possível ao ser humano” (Platão, op. cit., p. 73).

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0 thoughts on “O elogio da censura

  1. Sidnei

    Sandra, em 1º lugar não é eu que penso assim, é a Igreja o qual a senhora também diz seguir, e depois se meu filhos não vir a dar a atenção ao ensinamentos que eu der, que são embasados nos ensinamentos da Igreja, aí o problema vai ser de meu filho, a minha parte eu fiz, agora quem quiser dar ouvidos ao que Igreja diz ao que os pais ensinam, que dêem, agora que não quer, paciência, confia-se a misericórdia divina, o que não se pode deixar de fazer é avisar aos outros que temos uma lei divina a seguir e não e por pretexto de que a coisa não funciona é que devemos então deixar de lado isto, não, isso seria omissão, vamos orientar e sermos orientados, tentações todos nós estamos acometidos, caímos muitas vezes, DEUS nos dá a graça de levantarmos, levantamos, seguimos em frente, e assim, sucessivamente, mas devemos estar atentos aos buracos que há na estrada pois mais tarde muitos acharão que esses buracos fazem parte da estrada mesmo e sair desse buraco vai ser o maior sufoco.

  2. sandra nunes

    Nossa, como vocês são perfeitos.

    O pior, que sei que alguns só têm o discurso.

    Sei por experiência própria.

    Pregam o amor, a vida de como ser um Católico perfeito.

    Mas no dia a dia, não são nada daquilo que escrevem.

    Inventam mentiras, caluniam, são falsos.

    Eu pelo menos não tenho “duas caras”

    Procuro viver minha vida, de forma que não prejudique meu próximo.

    Procuro entender as fraquezas dos que me cercam e espero que eles me aceitem com as minhas.

    É muito fácil você respeitar, aceitar e amar uma pessoa que pense exatamente como você.

    O difícil é você respeitar, aceitar e amar uma pessoa diferente.

    Quem tem filhos, entende o que eu digo.

    Cada um tem sua personalidade tem sua forma de pensar, apesar de você criar todos da mesma maneira.

    Simplesmente os amamos, incondicionalmente.

    Acredito, que com o Pai Celestial é a mesma coisa.

  3. Fabrício L.

    Sandra escreveu:

    «O pior, que sei que alguns só têm o discurso.

    Sei por experiência própria.

    Pregam o amor, a vida de como ser um Católico perfeito.

    Mas no dia a dia, não são nada daquilo que escrevem.

    Inventam mentiras, caluniam, são falsos.»

    Sandra, Sandra…

    Cuidado com o juízo temerário! Acaso você conhece tão bem “o dia-a-dia” de alguém aqui deste fórum a ponto de poder chegar a tais conclusões?!

    Quanto ao:

    «Cada um tem sua personalidade tem sua forma de pensar, apesar de você criar todos da mesma maneira.

    Simplesmente os amamos, incondicionalmente.

    Acredito, que com o Pai Celestial é a mesma coisa.»

    Se Deus tratasse da mesma forma seus filhos obedientes e desobedientes, ele não seria o Justo Juiz. Quem lê o Evangelho, sabe que a Verdade é esta:

    “Deixai-os crescer juntos até a colheita. No tempo da colheita, direi aos ceifadores: arrancai primeiro o joio e atai-o em feixes para o queimar. Recolhei depois o trigo no meu celeiro.” (Mt 13,30).

    Paz e Bem!

  4. Sidnei

    1. Sandra, será que s outros é que julgam ou é você quem está emitindo juízos aos outros, principalmente aqueles que tentam, note bem para aquilo que estou escrevendo, QUE TENTAM, seguir as leis de CRISTO e da Igreja, porque em nenhum momento se disse que alguém aqui é santo 100% mas todos corremos atrás da santidade, ninguém aqui julga ninguém, mas tentamos observar o que é pecado e como devemos desviar dela, só você que não vê isso. Veja só o que você disse: “Inventam mentiras, caluniam, são falsos.”, por favor, pode me dizer a onde eu caluniei, aonde eu inventei alguma mentira, aonde eu fui falso, tanto que disse: “tentações todos nós estamos acometidos, caímos muitas vezes, DEUS nos dá a graça de levantarmos, levantamos, seguimos em frente, e assim, sucessivamente,” se eu disse isso é porque também me incluo entre os pecadores e procuro me aperfeiçoar a cada dia por isto também disse: “o que não se pode deixar de fazer é avisar aos outros que temos uma lei divina a seguir e não e por pretexto de que a coisa não funciona é que devemos então deixar de lado isto, não, isso seria omissão, vamos orientar e sermos orientados”, visse dona Sandra, pode ser que não sou o mais perfeito dos católicos mas pelo menos tento seguir e não distorço o que a Igreja ensina.

  5. Jorge Ferraz

    Caríssimos,

    En passant (hoje estou todo assim; não pude acompanhar “passo-a-passo” todas as intervenções porque só agora estou tendo acesso ao computador, após a missa de Finados, a visita ao cemitério, a aula hoje de manhã, etc), gostaria de pontuar o seguinte:

    1. Sem dúvidas é necessário ter “intervenções positivas” na sociedade (como a propaganda – aliás, muito boa! – que o Rodolfo trouxe). O problema está na filosofia de que isso, sozinho, seria suficiente para manter a ordem moral da sociedade – quando não é. Mas o problema de que não há lugar para a censura no “pensamento moderno” é verdadeira e não pode ser ignorada. É por isso que eu estou tentando contribuir para “des-demonizar” a coitadinha :-).

    [off]Julie, acho que sei qual é o teu comercial: é o do padre tomando banho de praia, sendo “admirado” por uma menina, que termina com o padre saindo da água, pondo a camisa preta e encaixando o clergyman, deixando a garota com a maior cara de decepção que eu já vi em comerciais… não é? Eu vi na França… é muito bom :-)[/off]

    2. A exposição indiscriminada das pessoas, “o tempo todo”, ao vício e à imoralidade, tem efeitos deletérios sobre a formação moral dela. Imagino que isso seja evidente e não se esteja discutindo aqui. A questão sobre “o que é vício” e “o que é virtude” é mais metafísica e não vale a pena entrar em detalhes sobre ela agora; gostaria apenas de chamar a atenção para o fato de que a censura do vício é um expediente lícito (notem que estou dizendo “lícito”, e não “que precisa ser aplicado o tempo inteiro”) para a proteção dos cidadãos; ou até disso vocês discordam?

    3. A dialética “dominadores versus dominados” é esquerdista (marxista, em particular). Quando você, Johnny, imagina a relação “Igreja x Rebanho” como uma relação unicamente de interesse e de “opressão” dos “poderosos” através da “dominação” dos “oprimidos”, você está pensando em termos marxistas e não entende absolutamente nada do que seja a Igreja Católica. No mundo moderno, é a coisa mais comum do mundo haver esquerdistas que não se identificariam com a esquerda, se lhes perguntassem.

    4. A masturbação é pecado mortal e leva ao inferno. O blá-blá-blá naturalista de psicalistas é uma besteira, porque Santo Tomás de Aquino já diferenciava a masturbação entre adolescentes e homens formados. Um adolescente de quinze anos que se masturbe e depois, com a consciência pesada, vá se confessar é muito melhor do que alguém que não tenha noção alguma de certo e errado e, mesmo após o casamento, continue com o seu vício solitário. Os princípios a serem colocados não têm nada a ver com a experiência particular de quem quer que seja. É óbvio que há uma diferença muito grande entre reconhecer a existência de pecadores e “liberar geral” o pecado.

    Abraços, em Cristo,
    Jorge Ferraz

  6. Sidnei

    1. E mais: quando você disse: “É muito fácil você respeitar, aceitar e amar uma pessoa que pense exatamente como você. O difícil é você respeitar, aceitar e amar uma pessoa diferente” o que eu falei com o exemplo que você citou anteriormente: “se meu filhos não vir a dar a atenção aos ensinamentos que eu der, que são embasados nos ensinamentos da Igreja, aí o problema vai ser de meu filho, a minha parte eu fiz, agora quem quiser dar ouvidos ao que Igreja diz ao que os pais ensinam, que dêem, agora que não quer, paciência, confia-se a misericórdia divina”, visse Sandra, não disse que iria dar as costas e que não iria amá-lo mais, simplesmente disse que iria confiar na misericórdia divina, que se não adiantasse mais as palavras colocaria meus joelhos no chão e iria orar por ele, mas amá-lo sempre iria amá-lo sobretudo ainda se for um pecador obstinado pois foi para estes que JESUS veio, pois ELE veio para aos enfermos e não aos que tem saúde.

  7. Julie Maria

    Estimado Johnny, não sabia que era espírita. Sou relativamente nova no mundo do blog mas estou encantada com os posts do Jorge. Eles me fazem ver, com tamanha claridade que me cega (a la São Paulo) que a minha radicalidade no seguimento de Cristo é frouxa e medíocre perto da sua! Louvo a Deus pela vida dele!

    Bom, sobre o seu texto, creio que muitos dos meus colegas já responderam por mim. Quando somos católicos de fato, isto é, temos a vontade de conhecer, amar e servir a Deus e à Sua Santa Igreja temos todos uma só Doutrina, pois formamos um só corpo e por isso eles ou eu respondendo vale, pois a Doutrina não é nossa “invenção”, ela é divina e nós a recebemos como nossa pelo Batismo (e ai de nós se não aprofundarmos!). Apesar dos vários carismas, espiritualidades, riquezas insondáveis que só no céu iremos conhecer (se Deus quiser!) somos um só corpo, Corpo Místico de Cristo e por fundamentar nossas posturas na Doutrina da Igreja podemos dizer várias coisas e vários pontos, mas nunca contraditórios, pois a verdade é só uma e então se nota nos comentários daqui quem segue a Doutrina e quem segue seus pensamentos.

    A verdade é Cristo e é sua Palavra, da qual a Igreja é a única interprete. Sim, é audacioso da parte de Deus instituir sua Igreja sobre um pobre pescador… é audacioso um Deus que no dá o dom da liberdade para chegar até Ele por amor.. é audacioso a Igreja ser a Esposa Santa e Imaculada de Cristo com tantos membros pecadores, começando pelo Jorge, que se define no seu perfil como p-e-c-a-d-o-r e que no entanto, sabe que é chamado à santidade pelo Batismo. Deus é audacioso em nos criar à sua “imagem e semelhança” e nos criar homem e mulher, de tal forma que o masculino e o feminino sejam reflexos (através da doação total de homem a mulher no matrimônio) do Amor Trinitário!!! Sim, nosso Deus é um Deus audacioso! Por isso o tema da masturbação é tão caro para a Igreja, pois ela, experta em humanidade, quer nos ensinar a viver a nossa sexualidade de forma digna à nossa altíssima vocação (imagem e semelhança de DEUS!).

    Sim, a globalização insiste em que “reprimir pode causar vários danos”. A Igreja, que é Divina diz que existe uma diferença entre os animais e nós, humanos e que só quem vive a castidade sabe amar verdadeiramente. Este texto de João Paulo II resume isso de forma magistral: “Só no mistério da Redenção de Cristo se encontram as «concretas» possibilidades do homem. «Seria um erro gravíssimo concluir (…) que a norma ensinada pela Igreja é em si própria apenas um “ideal” que deve posteriormente ser adaptado, proporcionado, graduado — dizem — às concretas possibilidades do homem: segundo um “cálculo dos vários bens em questão”. Mas, quais são as “concretas possibilidades do homem”? E de que homem se fala? Do homem dominado pela concupiscência ou do homem redimido por Cristo? Pois é disso que se trata: da realidade da redenção de Cristo. Cristo redimiu-nos! O que significa que Ele nos deu a possibilidade de realizar toda a verdade do nosso ser; Ele libertou a nossa liberdade do domínio da concupiscência. E se o homem redimido ainda peca, não é devido à imperfeição do ato redentor de Cristo, mas à vontade do homem de furtar-se à graça que brota daquele ato.” Veritatis Splendor n.103

    A vida moral Johnny, para o homem que vive como se Deus não existisse (o que é tido como ultra moderno para a tal globalização, que desde já é um termo bem vago) é um peso insuportável. Para os católicos é bem diferente, ela está intimamente ligada ao amor (e não à “repressão de leis sub-humanas”): a vida moral “implicada na gratuidade do amor de Deus, é chamada a refletir a Sua glória: «Para quem ama a Deus, basta-lhe agradar Àquele que ama, uma vez que não se deve procurar qualquer outra recompensa maior do que o próprio amor; a caridade, de fato, provém de Deus de modo tal que o próprio Deus é caridade». (João Paulo II, Veritatis Splendor, n. 10

    Então, frente à sua desilusão do Catolicismo tenho a minha experiência pessoal com o Catolicismo: não preciso olhar nem para o bispo nem para a diretora da escola que você cita. Olho para mim mesmo, todos os dias, e vejo que miséria que eu sou. Tantas graças recebidas do meu Pai e tantas desperdiçadas por minha preguiça. Todos os dias recebo o Corpo e o Sangue do Senhor (que logicamente não dependem da santidade do sacerdote, mas muito nos inspira um sacerdote que seja zeloso e santo!), e mesmo assim… a minha miséria é visível (passe um dia comigo e verás!). Não preciso olhar para a história “mundial”, olho para a minha história pessoal e vejo como estou longe de ser uma filha digna do Rei dos Reis, o quanto uso e abuso em vez de amar! E… no entanto… quem me livrará do pecado? Cristo Jesus! Como? Por sua libérrima vontade Cristo quer que eu receba todas as graças necessárias para minha santificação através da Santa Igreja, da Sua Esposa pela qual Ele se entregou! Não é longe dela e sim no seio dela que eu me santifico, que eu sou “cada vez mais” imagem e semelhança” dAquele que me criou por amor! É no seio dela, por meio da confissão e da Eucaristia que eu recebo a força espiritual para ser aquilo que Deus quer de mim. Não reduza a Igreja aos seus membros, começando por mim e por você, que não suportou o escândalo e a abandonou. Não Johnny, a solução não é buscar uma seita ou um grupo que já nos sintamos todos caridosos! A solução é lutar até o fim com ela, nela e por ela. Não é a toa que São Paulo fala de combate!!

    Veja. O primeiro e único com autoridade para dizer “vai embora Pedro porque fostes infiel e me renegaste” seria o próprio Cristo. Mas sua Palavra é eterna e fiel e ao contrário do que você ou eu o faria, Cristo diz: “Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como o trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua confiança não desfaleça; e tu, por tua vez, confirma os teus irmãos.” Lc 22, 32

    Deus é Deus, e não pensa com nós! Somos nós que devemos ser de fato “imagem e semelhança” dEle!

    Bom, me desculpe ter fugido do tema, mas não poderia deixar de relatar a minha experiência com minha Mãe Igreja, depois do triste relato do Johnny.

    Sobre a sua pergunta “não entendi bem seu último parágrafo:“Para formar um justo juízo sobre a responsabilidade moral dos sujeitos e orientar a ação pastoral (…)” creio que ficou claro com os comentários dos outros colegas, especialmente do José, Fabricio, Sidnei, Luciano e Jorge. Mas se ainda restar dúvidas, não duvide em nos falar. A Igreja tem a resposta, nós iremos buscá-la!

    PAX

    Julie Maria

    Pd: escrevi um artigo sobre a diferença entre o que a “globalização-mundo” fala sobre a castidade para quem quiser ler mais sobre o tema está aqui http://juliemaria.wordpress.com/2008/10/24/quem-sabe-mais-sobre-sexo-deus-ou-voce/

    Pd 2. Errei ao escrever “juanino”. Estudei em espanhol e volta e meia erro no “portunhol”, me desculpem. A palavra certa é “joanino”, isto é, referente ao Evangelho de São João (San Juan!)

  8. sandra nunes

    Sidnei, não quis dizer que você dará as costas pra seus filhos.

    Me desculpe se o ofendi. Não foi minha intenção.

    Jesus em suas parábolas, nos ensina que o pai recebe o filho pródigo com uma festa!

    Foi nesse sentido que eu falei.

    Amar o perfeito é fácil, amar o imperfeito aí que é o problema.

  9. Sidnei

    Podes crer, que o imperfeito também amarei, pois afinal foi JESUS quem ordenou que amassemos uns aos outros mesmo com seus pecados, pois todos nós somos pecadores.

  10. Fabrício L.

    Amar o imperfeito é alto totalmente diferente de amar ou aprovar a imperfeição.

    Em resumo: Deus ama o pecador, mas isso jamais significou ou significará que ele aprova o pecado. Esta frase está ficando até batida, de tanto termos que ficar repetindo.

    Paz e Bem!

  11. Pingback: Pastorais, Aids e Doutrina da Igreja Católica « Julie Maria

  12. juliemaria

    Jorge, desculpe responder tão depois… tinha esquecido! Sim, o vídeo da coca cola era aquele mesmo!

    PAX

  13. Mike

    E as o regimes católicos(Ex: nazismo,fascismo, ustasha, Vietnam do Sul etc.) sempre aplicaram “boas censuras”, né??
    você me diverte!!!

  14. Mike

    A força e a fraqueza da igreja católica repousam na sua crença inabalável de ser a única depositária da verdade. visto como a verdade tem o direito de eliminar o erro, segue-se que o seu dever é eliminar qualquer coisa que não esteja de acordo com a verdade, isto é, a sua verdade.

    Como não pode haver duas verdades, qualquer verdade que não seja a dela é, portanto, considerada como erro. como a verdade tem o direito de eliminar o erro, a igreja católica se acha no dever de opor-se e aniquilar o erro. isto significa obviamente que ela se apodera de qualquer meio de persuasão, e até mesmo da força, se necessário achar, no sentido de evitar que o erro se oponha à verdade, isto é, à sua verdade.

    Sua lógica é absolutamente descompromissada, daí resultando o seu dogmatismo tanto teológico como operacional. estes não se confinaram a abstrações, itens morais ou especulações escatológicas. Sua lógica tem ultrapassado as fronteiras da prudência concreta e permeado sua conduta desde o princípio.

    Tão logo Constantino reconheceu-a oficialmente como religião, ela começou a embaraçar tanto os verdadeiros cristãos como os não-cristãos que não se adaptassem a ela. A perseguição de quem não a apoiava começou logo no século 4 d.C. Esse comportamento tornou-se uma tradição, perdurou e tem progredido por mais de 16 séculos. O ápice de sua intolerância eventualmente tornou-se condensada pela Inquisição. A última foi a Inquisição Espanhola, que aterrorizou toda a Europa, durante mais de cinco séculos.

    Sua alegação de ser a única igreja verdadeira e, portanto, dona absoluta da verdade, é a mola de sua intolerância, que jamais foi por ela revogada. Ela a tem mantido com determinação cada vez mais crescente e muita ferocidade, até os dias de hoje. Todos os seus atos no passado confirmam a constância dessa imutável intolerância. A partir do século 4 sua conduta tem sido sempre baseada nesta intolerância e em nada mais.

    Sua imutabilidade em decidir compelir tudo e todos a aceitarem a sua crença junta-se à sua outra crença de que tem o dever de salvar as almas de todos os cristãos. Isso culmina com outra crença de que precisa estender a salvação católica a toda a humanidade. Não é por causa do capricho teológico esporádico de indivíduos super zelosos. A Igreja fez disso a sua política oficial e tem sido este o seu objetivo desde os primeiros tempos.

    O Papa Inocêncio III deu instruções precisas a todos os inquisidores para reforçarem esses regulamentos através de toda a Europa. Eventualmente se tornou uma Lei Estatutária. O clero comum hesitou, de modo que os papas se voltaram para a mais fanática, intolerante e obtusa seção da estrutura eclesiástica, as diversas ordens monásticas. As duas que mais se destacaram nessa tremenda tarefa foram os Dominicanos e Franciscanos. Armados de quase ilimitado poder da parte dos papas, esses inquisidores irromperam como enxames de vespas teológicas, através de toda a Europa, estabelecendo tribunais, em todo lugar onde apareciam.

    Logo a seguir, indivíduos, comunidades, nações e até mesmo a hierarquia começaram a tremer, só com a menção dos seus nomes. Onde quer que chegassem, logo denúncias, acusações, traições, perjúrio, tortura, inquietação e mortes resultavam.

    Os inquisidores de batina não se contentavam apenas em estabelecer o seu tribunal nas várias terras da Europa. O Papa Gregório IX nomeou um grande inquisidor dominicano para toda a Armênia e Rússia. O Papa Urbano VI ordenou que o Geral dos Dominicanos nomeasse os inquisidores da Armênia, Grécia e Tartária (China). O Papa Nicolau IV pediu ao Patriarca de Jerusalém para criar inquisidores a partir dos frades mendicantes de sua terra. O Papa Gregório IX deu ao Franciscano Provincial autoridade sobre a Terra Santa no sentido de agir como Chefe Inquisidor na Síria, Palestina e até mesmo no Egito.

    Quando um inquisidor chegava, todos eram comandados à obediência ao papa e à Igreja Mãe, e a revelar o nome de qualquer pessoa suspeita do menor desvio da fé católica. Os inquisidores sempre faziam uma ameaça e uma promessa. Um delator receberia indulgência de três anos. Os que não cumprissem com esse dever seriam excomungados.

    Algumas denúncias eram fatuais, porém outras eram feitas por vingança, despeito ou ciúme. Os denunciados, mesmo sob as mais ínfimas acusações ou mera suspeita, deviam ser detidos e enviados diretamente à prisão. Esta era um cárcere comum, frio e úmido, sem iluminação ou qualquer instalação sanitária, e lá dentro havia degoladores, ladrões e semelhantes. Dentre estes os frades procuravam espiões para induzirem o acusado, através de falsa amizade, ameaças ou outros métodos, a admitir a sua culpa. Se este primeiro passo não desse resultado o herege suspeito seria acorrentado com pesadas correntes de ferro e ficava abandonado nas trevas, em buracos chamados durus carcer (prisão cruel). Depois o acusado era conduzido até o tribunal da Inquisição composto de frades. Se ele indagasse o nome de seus delatores, respondiam-lhe que somente os juizes tinham o direito de saber os seus nomes. Ele não tinha esse direito.

    Pediam-lhe para confessar a sua culpa. Se ele declarasse inocência, seria enviado de volta ao cárcere. Depois de um segundo ou terceiro comparecimento diante do tribunal, se ele persistisse em afirmar inocência era torturado. O propósito absoluto do julgamento era forçar uma confissão de heresia. A tortura era infligida mesmo sem a confissão de culpa. Duas pessoas queixosas, ou até mesmo um simples acusador, eram suficientes para a sujeição, agonia e torturas, mesmo que o acusado tivesse sido sempre uma pessoa de caráter impoluto, honestidade patente e genuína piedade.

    Os métodos, tipos e graus de tortura eram intermináveis. Os mais basicamente empregados eram levantar o acusado até o teto, com as mãos atadas às costas, deixando-o cair deslocando a sua musculatura, massacrando-o de dor, ou colocando óleo em seus pés e atirando-os ao fogo.

    Se, contudo, suportando todos os tipos de tortura, o herege se recusasse a admitir sua culpa, então os inquisidores passavam-lhe a sentença capital por heresia. Para completar a farsa macabra, os Santos Inquisidores pediriam aos mesmos poderes temporais, em nome da Igreja, para não matarem o acusado. Essa formalidade era mera farsa legalista para dar a impressão de que a Igreja estava inocente do sangue que seria derramado – quando o herege não era levado à fogueira. As autoridades civis nem deviam pensar em atender o pedido hipócrita de clemência para que a Santa Inquisição não caísse sobre elas. Recusar-se a queimar um herege era o bastante para que as autoridades temporais fossem julgadas e perdessem a vida – por heresia, é claro!

    Logo ninguém estava a salvo de detenção em potencial. A espionagem, denúncia e caça aos hereges atingiam o clero, leigos, homens e mulheres, nobres e comuns. Ninguém estava imune a onipresença aterrorizante da Santa Inquisição. Este reinado de terror católico durou muitos séculos. Centenas de milhares de homens, mulheres e até mesmo crianças foram assassinados… queimados vivos na estaca. Simplesmente por terem se atrevido a discordar da Santa Igreja Católica ou dos seus papas.

    Este terror do Vaticano terminou há menos de 200 anos atrás. Nos idos de 1762, um pastor protestante foi condenado à morte na França. Por que? Simplesmente porque era protestante. Por quem? Pela Igreja Católica! Sim, pela mesma Igreja que agora finge amar os seus “irmãos separados”.

    De fato, a tortura na Europa ainda estava vigorando em todos os tribunais da Santa Inquisição até o século passado, quando o papa foi forçado a abolir a mesma, em 1816. Foi Napoleão, ao entrar em Madri em 1808, quem aboliu a Inquisição. Quando o Parlamento Espanhol em 1813, declarou-a incompatível com a Constituição, o Vaticano protestou. O super católico Rei Ferdinando VII a restaurou em 1814, com a cabal aprovação da Igreja. A Santa Inquisição foi suprimida, finalmente, pelos Liberais em julho de 1834.

    O Vaticano protestou durante décadas por ter a Espanha suprimido a Inquisição. Por que? Porque a Igreja Católica estava convencida, como no passado, de que tinha o direito de IMPOR a sua verdade. A crença de que é o seu dever agir desse modo, continua ainda hoje em pleno vigor. E assim continuará no futuro próximo e também no futuro distante.

    Os apologistas da Igreja Católica asseguraram ao mundo contemporâneo que os horrores da Inquisição jamais se repetiriam. Mas o Estado Católico da Croácia provou que eles estavam errados. O golpe tentado na Hungria, quando o Cardeal Mindszenty tentou estabelecer um Estado Católico totalitário, provou que estavam errados. O terrorismo católico no Vietnã provou que estavam errados. O terrorismo católico na Irlanda tem provado que estavam errados.

    O fato da Igreja Católica desposar tão repentinamente o Ecumenismo foi um método enganoso de fazer o povo esquecer que o seu espírito básico de intolerância ainda permanece dentro dela. Deve-se lembrar que se a Inquisição foi banida, e contra a vontade dela, somente em meados do século passado, o Santo Ofício, seu inspirador e instrumento, foi “abolido” somente há alguns anos atrás. De fato ele ainda está operando disfarçado sob um nome falacioso (Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé), dentro das paredes silenciosas do Vaticano, até o dia de hoje. Uma de suas principais tarefas no presente é certificar-se de que o Holocausto da Croácia e a Ditadura Católica do Vietnã sejam esquecidos, tornando-se mera nota de rodapé de uma história remota. E quase o tem conseguido, visto como o mundo contemporâneo sabe muito pouco a respeito da verdadeira natureza do pano de fundo das intrigas religiosas destes dois tenebrosos episódios do fanatismo católico. E isso a tal ponto que, ao contrário dos campos de concentração de Hitler e Stalin, os horríficos campos croatas e as auto-imolações dos Budistas no Vietnã, em protesto contra a interferência terrorista religiosa do Vaticano, já se tornaram tabus na mídia mundial de massa. Esse é um perigoso trunfo da pressão católica contemporânea e de seus parceiros políticos e econômicos. O esquecimento e até mesmo a ignorância são dois gêmeos perigosos neste mundo turbulento. Eles são os nutridores de inescrupulosas intrigas ideológicas eclesiásticas e, desse modo, de potenciais novas Croácias e novos Vietnãs.

    As exigências básicas do Catolicismo jamais mudaram sequer um til. A insistência da Igreja Católica sobre sua exclusividade tem permanecido tão graniticamente firme agora, como sempre tem sido. São as mesmas exigências que produziram a Inquisição e as ditaduras católicas da Croácia e do Vietnã.

    Se o passado é um indicador das coisas porvir, dando as oportunidades certas e apropriadas ao clima político, novas Inquisições, novas Croácias e novos Vietnãs serão criados novamente. Quando, onde e como, somente o futuro nos dirá.

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  16. Eduardo Araújo

    Com a volta à tona deste tópico, li as afirmações acima do Mike.

    Embora o meu comentário seja extemporâneo, já passado mais de um mês, entendo ser interessante pontuar sobre algumas “verdades” insinuadas nesse texto, colhidas em fatos distorcidos de versões “oficiais” de governos assumidamente inimigos da Igreja.

    Tal é o caso da referência ao Cardeal Mindszenty, como idealizador de uma tentativa de golpe na Hungria para implantar um “estado totalitário católico”. Uma mentira que correu décadas até o desmanche do regime comunista naquele país, revelando as práticas de acusações fajutas em simulacros de julgamentos, que serviam para mostrar um véu de justiça (falsa) na condenação sistemática de inimigos do regime.

    O Cardeal Jozsef Mindszenty era primaz da Hungria em 1948, quando o governo comunista anunciou que iria por em prática a estratégia de Moscou para exterminar a religião católica no Leste Europeu. O primeiro passo estabelecido por Moscou era “nacionalizar” a Igreja, estatizando o clero e as escolas confessionais. Obter-se-ia, desse modo, o esfacelamento da unidade da Igreja, garantida pelo vínculo com o Vaticano.

    Foi justamente a oposição enérgica do primaz à nacionalização decretada que o levou à prisão pelos comunistas, em dezembro de 1948, sob a acusação forjada de conspirar contra a República em favor das “potências imperialistas” e dos Estados Unidos, a quem prestaria serviços de espionagem.

    A farsa resultou na condenação sumária do cardeal à prisão perpétua, logo acompanhado nesse destino pelo decano do episcopado húngaro, o Monsenhor Grosz. Uma vez retirados de ação os principais clérigos opositores, o governo não tardou em agir com a maior truculência, ocupando os conventos e expulsando mais de 12.000 religiosos e religiosas.

    Em todo o Leste Europeu, avolumou-se a onda do sangue de religiosos perseguidos e fuzilados pelos governos comunistas. Alguns destes declararam-se oficialmente ateus, caso da Albânia, sob Henver Hoxha (que jactanciava-se disso). Naqueles países quase nada ligado à religião ficava de pé: demolia-se tudo, de mesquitas a igrejas católicas, de templos protestantes a igrejas ortodoxas. Enquanto isso, os governos tentavam criar nos cleros focos de dissidência colaboracionista, lembrando em muitos aspectos a teologia da libertação nos países latino-americanos. Naturalmente, a infiltração política descaracterizava a autêntica religiosidade, confundindo-a com obediência irrestrita ao estado comunista.

    Vale acrescentar que a mesma tática de estatizar a religião é aplicada hoje pelo governo chinês, que também persegue e assassina os discordantes que ainda se atrevem a manter fidelidade ao Vaticano.

    Católicos, ainda hoje, são assassinados em países como a Índia, a Indonésia, por vezes sob a chancela governamental. Na América Latina, Cuba e, agora entrando no “clube”, Venezuela, Equador e Bolívia encetam um tratamento diferenciado negativamente quanto à religião, em particular à Igreja Católica.

    A nossa mídia, politicamente ideologizada e engajada, faz vista grossa desses crimes, omitindo-os cretinamente da divulgação, tão atuante quando se trata de desvios de membros do clero ou de xingar a Igreja de obscurantista e retrógrada quando Ela ousa fazer o seu legítimo papel de se posicionar em assuntos afetos à moral, à família e à vida humana.

    Eis, então, o citado “trunfo da pressão católica contemporânea” …

    Outras colocações feitas na postagem em comento chegam a doer de absurdas. Parecem clichês originados de uma doutrinação ideológica maciça: “ditadura católica” … No Vietnã do Sul?! Nazismo e fascismo, regimes … católicos?! E o que dizer do “estado católico da Croácia”? Deve ser alguma piada comunista. Tal qual a desonesta associação do IRA com o Catolicismo, como se o terrorismo irlandês fosse uma determinação central de Roma. Simplesmente medonho.