Recife – Adoração ao SSmo. Sacramento

closeAtenção, este artigo foi publicado 8 anos 9 meses 20 dias atrás.

Esta eu vi no The Blogger, que reproduzia uma reportagem do Diário de Pernambuco: Católicos de volta às igrejas. O “fenômeno” relatado pelo jornal é a redescoberta do valor da Adoração Eucarística pelos católicos da cidade – as igrejas onde há exposição do Santíssimo Sacramento estão atraindo cada vez mais fiéis em profusão, sedentos de Deus, desejosos das graças do Alto.

Comento algumas das coisas que foram ditas pelo Diário (algumas boas, muitas nem tanto):

Nesse momento acontece a Adoração do Santíssimo, quando o padre leva aos fiéis a hóstia consagrada, considerada o corpo de Cristo.

Bom… não. A menos que o jornal esteja chamando a exposição/procissão do SSmo. de “levar (…) a hóstia consagrada”, o momento em que os fiéis recebem o Corpo de Cristo é a comunhão, que é no interior da Missa, e não após ela (a reportagem está falando da adoração que ocorre após a missa).

Para os católicos, apenas o toque no ostensório seria suficiente para conseguir um milagre.

Não, para os católicos o milagre não necessita de “toques” no ostensório (para quem não sabe, é a custódia onde se coloca o Santíssimo Sacramento para ser exposto e/ou levado em procissão) ou onde quer que seja, pois depende somente de Deus. As pessoas que vão à adoração não vão para conseguirem um “toque no ostensório” como condição para alcançarem milagres. Vão para rezar.

Alguns especialistas acreditam que esse ritual seja um retrocesso da igreja, já que foge do catolicismo mais racional e remete à magia, ao encantado.

Não sei quais “especialistas” disseram uma besteira dessas (talvez seja o gênio citado mais abaixo na reportagem), mas não há retrocesso algum em se adorar a Deus, no Santíssimo Sacramento do Altar, coisa que a Igreja sempre fez há séculos.

Um pouco semelhante ao que acontece em alguns cultos evangélicos.

Claro… vá dizer a algum evangélico que uma igreja cheia de pessoas de joelho dobrado em adoração ao Deus escondido sob as espécies do Pão Consagrado é parecido com o que ocorre nos cultos dele! Qual é a semelhança? A que ambos rezam? Nossa!

Para os fiéis que lotam as igrejas (…) esse é um momento de fé e nada tem a ver com o sobrenatural.

Considerando que a fé é por definição sobrenatural, estou até agora tentando entender o que o jornal quis dizer…

A Adoração do Santíssimo vem acontecendo em pelo menos cinco igrejas (Santa Luzia, Torre, Espinheiro, Boa Viagem e Piedade).

Acrescento a igreja da Imbiribeira (também na quinta à noite) e a igreja Matriz de Santo Antônio (igreja do Santíssimo Sacramento), que tem exposição diária do Santíssimo.

A pequena Capela São Francisco de Assis, na Vila Santa Luzia, comunidade de baixa renda no bairro da Torre, vem se destacando. A cerimônia atrai centenas de católicos de outros bairros de classe média alta. Lado a lado, advogadas, médicas e merendeiras, unidas na mesma fé.

Sim, conheço a capelinha de São Francisco. Atrai, realmente, muita gente. E felicíssima a última frase do jornal, que mostra a catolicidade da Igreja e a comunhão dos santos: “lado a lado, advogadas, médicas e merendeiras, unidas na mesma fé”. Excelente!

O especialista em religião e professor de filosofia da Universidade Federal de Pernambuco, Inácio Strieder, acredita que essa prática seja uma maneira de atrair as pessoas para a igreja, mas critica a cerimônia. “Voltar a incentivar esse tipo primitivo de religiosidade é um retrocesso. Essas iniciativas são mais parecidas com rituais que os evangélicos fazem, quando os pastores benzem água pela televisão, por exemplo. Trazer objetos diante do santíssimo exposto é algo questionável, pois dá um certo aspecto de magia. Isso é uma negação da religiosidade cristã que tem um culto racional”

Ahh, deve ser esse o “especialista” citado acima. O que o Strieder fala não se escreve, nós já sabemos disso; a cerimônia de adoração ao Santíssimo Sacramento faz parte da tradição da Igreja Católica e é uma coisa muito boa e muito santa. Não sei de onde vem a comparação com “pastores [que] benzem água pela televisão”, porque nem a Eucaristia é a mesma coisa (nem mesmo semelhante) a água benta, e nem as cerimônias citadas pela reportagem são feitas “pela televisão”. Tenho as minha próprias críticas ao modo como são conduzidas (em Recife, ao menos) a Adoração ao SSmo. n’algumas igrejas, mas elas não têm nada a ver com a cerimônia em si. Esta, é santa, justa e agradável a Deus. Que o Altíssimo possa abençoar o nosso país, em atenção aos milhares de fiéis que se aproximam para vê-Lo na Hóstia Consagrada; e que a presença diante de Deus em contemplação possa transformar as almas cada  vez mais n’Aquele que é contemplado.

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0 thoughts on “Recife – Adoração ao SSmo. Sacramento

  1. Fabrício L.

    Pelo menos em minha paróquia, todas as Adorações ao Ssmo. Sacramento são “monopolizadas” pelos carismáticos, ao menos na condução. Ou pelo menos, pelo “modo carismático” de o fazer.

    Não há uma condução que resgate os fundamentos da Doutrina da Igreja sobre o Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo.

    Os cantos tradicionais, tão belos, profundos e catequéticos, como “Tão Sublime Sacramento”, “Panis Angelicus” e “Glória a Jesus na Hóstia Santa”… são omitidos, enquanto cantos “de louvor” carismáticos, com a profundidade teológica de um píres, são cantados em seqüência repetitiva e monótona.

    De qualquer forma, a Hóstia Consagrada é o próprio Deus presente entre nós. “Seja adorado e seja amado, nesta Terra de Santa Cruz”.

    Pax et Bonum!

  2. André Víctor

    Jorge,

    Sempre nos deparamos alguns destes ‘filósofos’ pós-modernos que falam tanta besteira em nome da razão, que eu diria mesmo que seria uma ‘razão irracional’.
    É gritante as vezes o que estes ‘filósofos’ dizem… argh!!!!

    Algumas coisa chegam mesmo a dar náuseas!!

    “Isso é uma negação da religiosidade cristã que tem um culto racional”.

    Sic! Quanta besteira.

    Sugeriria a ele ler (se já leu não entendeu) “Fides et Ratio” de nosso saudoso Papa João Paulo II. Só pra começar!!

    Até mais ‘ver’.

  3. cainanan

    Olá!

    É triste ver tantas coisas erradas escritos a nosso respeito, mas acho que isso não obscura o fato principal:

    Jesus sacramentado tem atraído fiéis às igrejas! Que notícia ótima!!!
    É lógico que tem muitos erros, mas através desse primeiro chamado, quem tiver um real encontro com Jesus, vai buscar ir mais a fundo na sua verdade e vai se tornar um católico convicto.

    Desculpe Fabrício L., admiro muito e prefiro essas adorações tradicionais que você citou, com esses cantos tão ricos, mas para alguém que nunca foi a uma Igreja ou que acha a Igreja um bando de tradições sem sentido porque ninguém nunca lhes mostrou a verdade do Cristo, é preciso esses cantos carismáticos sem profundidade teológica, mas que podem atingir um coração que não teve a sua catequese ainda.

    Abração!!!

  4. Jorge Ferraz

    Caríssimos,

    Só alguns ligeiros comentários

    1. Sim, a despeito de tudo, é altamente louvável que os católicos estejam redescobrindo o valor da tradicional adoração ao SSmo. Sacramento.

    2. As minhas críticas pessoais, às quais me referi no post, são de cunho litúrgico (desobediência às rubricas, excesso de criatividade, etc). O que prejudica, sem dúvida, mas não invalida o fato de que as pessoas estão ajoelhadas diante do Deus Todo-Poderoso a suplicar-Lhe graças.

    3. Não discordo in totum de que ALGUMAS músicas cantadas sejam “populares” e “sentimentais”. Só que
    – 3.1. Pode haver música popular e carismática que tenha, pelo menos, a profundidade de uma xícara; o que já é alguma coisa.
    – 3.2. Nada justifica a permanência ad aeternum na pobreza dos cantos. Até concordo que são importantes para uma “primeira aproximação” com quem esteja chegando agora, mas o virtual monopólio delas é um problema a ser enfrentado.

    Abraços, em Cristo,
    Jorge Ferraz

  5. Fabrício L.

    Caro Jorge,

    Minha crítica, mais do que diretamente à profundidade teológica das músicas carismáticas (ou à falta de), foi ao monopólio das adorações eucarísticas pelas mesmas.

    Que fique bem compreendido.

    Paz e Bem!

  6. Jorge Ferraz

    Fabrício,

    Sim, sim; é que estou comentando trinta coisas e não estou com tempo de detalhar o suficiente as minhas intervenções. Mas eu só quis dizer que, ainda que eu reconheça a importância das músicas “mais simples” para os “recém-chegados” (afinal, já diz São Paulo que as crianças se alimentam de leite e, só depois, de comida sólida), não podemos cair no erro oposto de justificar o monopólio dos “pires musicais”. Dirigia-me ao cainanan. :-)

    Abraços,
    Jorge

  7. cainanan

    Olá!

    Quanto aos erros, eu também me referia aos litúrgicos =]

    Agora quanto às músicas, me dirigia ao Fabrício…
    Sou contra o monopólio também, aqui na minha comunidade as poucas vigílias eucarísticas que temos, cada pastoral tem seu momento de conduzir a adoração, acho interessante pois assim unimos a paróquia em torno desse ato tão belo, mas mantendo a pluralidade de maneiras com que nossa igreja se manifesta… e temos também as adorações que o próprio padre conduz, essas feitas conforme a tradição da igreja, lindíssimas.

    A RCC conduz adorações dentro de seus grupos de oração aqui, o que é bem interessante para aquele que está entrando na igreja agora… mas para quem já está lá há um tempo, é sim, superficial.

    Obrigado! Abração! Fiquem com Deus