A Santa Sé e a Ordenação de Mulheres

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Encontrei uma excelente notícia no Fratres in Unum, segundo a qual a Congregação para a Doutrina da Fé ameaçou excomungar um padre que defende publicamente a ordenação de mulheres. É motivo de profunda alegria e grata satisfação ver que temos pastores zelosos e vigilantes, empenhados em expurgar as heresias que possam pôr em risco a salvação das almas dos fiéis a eles confiados.

Analisar a questão das condenações de Roma à defesa da ordenação feminina nos últimos anos é gratificante. Percebe-se o levantar gradual de muralhas e o desenvolvimento paulatino da saudável intransigência. Na minha opinião, são três os marcos principais desta batalha travada pela Igreja de Nosso Senhor:

1994: João Paulo II afirma categoricamente “que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja”.
2007: a Congregação para a Doutrina da Fé diz que, “seja aquele que tenha tentado conferir a ordem sagrada a uma mulher, seja a própria mulher que tenha tentado receber a ordem sagrada, incorrem na excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica”. Só há sete excomunhões automáticas no Direito Canônico; esta é a oitava.
2008: a Congregação para a Doutrina da Fé pede que se retrate um padre que defende a ordenação de mulheres, sob pena de excomunhão.

Percebam a gradação: primeiro, a Igreja define que Ela não pode ordenar mulheres (i.e., o Sacramento é inválido); depois, pune com excomunhão automática quem tente ordená-las; agora, exige retratação de um padre que defenda a ordenação feminina. Primeiro era apenas o ensino sem as punições, depois as punições passaram a valer para os que fizessem alguma coisa contra o ensino e, agora, as retratações são necessárias para os que defendem alguma coisa contra o ensino! É nítido o progresso no levantamento das defesas, é notória a construção das muralhas cada vez mais sólidas. Os maus católicos têm cada vez menos espaço, graças a Deus.

E, da carta de protesto enviada pelo pe. Roy Bourgeois à Congregação para a Doutrina da Fé após o recebimento do comunicado que exigia a sua retratação (vejam no Fratres in Unum), destaco e comento apenas um trecho escandaloso, para que se veja até que ponto são capazes de chegar os maus católicos na desobediência à Igreja:

Durante a entrevista [à Radio Vaticano, oito anos atrás], afirmei que eu não poderia apoiar a injustiça da SOA e permanecer calado sobre a injustiça em minha Igreja. Terminei a entrevista dizendo, “Nunca haverá justiça na Igreja Católica até que as mulheres sejam ordenadas”. Permaneço fiel a esta posição hoje.

Então, para o pe. Bourgeois, a Igreja de Cristo é injusta. Conseqüência lógica imediata deste despautério é que nunca houve justiça na Igreja até hoje, pois nunca houve n’Ela ordenação feminina, e até mesmo que Nosso Senhor foi profundamente injusto, já que Ele não ordenou mulheres. Mas o orgulho cega tão profundamente as pessoas que elas não conseguem ver as coisas mais elementares, as conseqüências mais imediatas das posições que adotam. É lamentável que o padre permaneça fiel à sua posição disparatada até hoje, apesar das admoestações da Santa Sé.

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0 thoughts on “A Santa Sé e a Ordenação de Mulheres

  1. André Víctor

    É Jorge,…

    Acho que seria oportuno, se você puder, ou quem quer que seja, relacionar aqui as outras sete ocasiões que abrangem a excomunhão automática. O que você acha disso?
    Será que a ocasião de apoiar o ‘casamento’ gay também estaria nesta lista?

    Ultimamente, pelos ‘comentários’ aqui postados, acho que seria muito interessante um testo assim. Mais ou menos tipo do “Doutrina Católica Básica”.

    Quem sabe aqueles que se dizem católicos, com isso, pudessem ‘acordar’ hein?

    Abraços e fiquemos com Deus!

    André Víctor

  2. Jorge Ferraz

    André,

    As outras sete excomunhões automáticas são (perdoe-me, cito fora de ordem, porque de memória):

    violação de sigilo sacramental (o padre que revela o que ouviu em confissão);
    absolvição de cúmplice em pecado contra o sexto mandamento (p.ex., um padre que absolve uma mulher com quem ele teve relações);
    profanação da Eucaristia (p.ex., roubar hóstias para profanar);
    agressão física ao Romano Pontífice (p.ex., aquele turco que atirou em João Paulo II);
    aborto (tanto para quem faz quanto para as pessoas sem as quais o aborto não ocorreria, como o pai que forçou a menina a abortar, a amiga que arranjou dinheiro, o médico, etc);
    sagração episcopal sem mandato pontifício (i.e., ordenar bispos sem Roma autorizar);
    heresia, apostasia e cisma (onde “heresia”, é negar algum dogma de maneira pertinaz; “apostasia”, repudiar abertamente toda a Fé Católica; “cisma”, recusar-se à submeter-se ao Papa).

    Abraços,
    Jorge

  3. André Víctor

    Valeu Jorge!!

    Mais uma vez, parabéns!!

    Que sirva para que pessoas possam enxergar seus erros e se corrigirem.

    Abraços, e fiquemos com Deus.

    André Víctor

  4. Christiano

    Pois é, a CDF deu trinta dias para ele se retratar e o sujeito escreve uma carta aberta para dizer que não vai mudar de opinião… e também que esta é uma questão de “fé” e de “consciência”, que ele tem que defender, como se fosse um mártir. Muito triste.

    Deus tenha piedade dele.

    []’s

  5. Johnny Garden

    Oi, Jorge,

    Como vai você?

    Pelo jeito ocupado, todo dia o mundo te horroriza com algum pecado novo ou antigo. Não deve ser fácil, é preocupação demais.

    Sempre passo por aqui para ler as novidades. Os posts “O Amor à verdade e o ódio à mentira” e “Doutrina Básica Católica” mostram bem no que você e seus amigo acreditam e não cabe a mim dizer nada contra, apesar de discordar de quase tudo que foi descrito. Mas realmente respeito.

    Acredito que alguns fatos que te afligem – como a situação com os gays, aborto, “invasão” do islamismo – em breve não lhe serão tão relevantes pois provavelmente no futuro próximo serão incorporados à rotina mundial e perderão essa “importância” que tem hoje em dia, não serão mais campos de batalha. O mesmo aconteceu com o divórcio há anos atrás. Seria “o fim da família” e não aconteceu isso.

    Achei interessante a lista de excomunhões. O que é uma “excomunhão automática”? Você fez, pronto, está excomungado, sem ninguém dizer nada?

    Eu caí em 3 ali, heresia, apostasia e cisma. Mas tudo bem, me “auto-excomunguei” (isso é possível?) faz 3 anos quando tive de passar pelo curso de batismo para batizar meus filhos (eu sou coerente, já não queria batizá-los porque não era mais católico mas ainda existia uma pressão familiar, mesmo dos não praticantes, então…). O curso foi de doer e daí decidi me afastar de vez, fiz um acordo meu com Deus e estamos resolvidos.

    Já não aceito ser padrinho de batismo ou de crisma ou de casamento ou de bingo de ninguém, não seria justo. Você pode não acreditar, Jorge, mas (não aplique seu ódio explicado a mim) eu sou um cara legal.

    Boa sorte e um abraço,

    Johnny

  6. Jorge Ferraz

    Oi Johnny,

    Acredito que alguns fatos que te afligem – como a situação com os gays, aborto, “invasão” do islamismo – em breve não lhe serão tão relevantes pois provavelmente no futuro próximo serão incorporados à rotina mundial e perderão essa “importância” que tem hoje em dia, não serão mais campos de batalha.

    De modo algum. A “rotina mundial” não tem nenhuma importância diante da pregação da Igreja; Ela precisa anunciar a Sã Doutrina, ainda que o mundo inteiro considere “muito natural” o contrário. Aliás, esta é precisamente a situação atual.

    O mesmo aconteceu com o divórcio há anos atrás. Seria “o fim da família” e não aconteceu isso.

    Como não aconteceu isso? Hoje em dia, contam-se nos dedos as famílias que ainda sobrevivem às “modas” modernas.

    O que é uma “excomunhão automática”? Você fez, pronto, está excomungado, sem ninguém dizer nada?

    Exatamente isso. É uma excomunhão que prescinde de declaração, na qual o sujeito incorre no ato mesmo de cometer o delito.

    Você pode não acreditar, Jorge, mas (não aplique seu ódio explicado a mim) eu sou um cara legal.

    Mas eu acredito! A discussão religiosa não é para saber quem é “legal” e quem é “chato”, e sim onde está a Verdade. Nada impede que um herege, um apóstata, um pagão, um ateu, sejam legais. Eu conheço muitos.

    Abraços,
    Jorge

  7. sandra nunes

    Johnny Garden

    Eles não vivem no nosso mundo, no mundo real.

    olha o absurdo!

    “Como não aconteceu isso? Hoje em dia, contam-se nos dedos as famílias que ainda sobrevivem às “modas” modernas.”

    Definitivamente, não vivemos no mesmo País, ou no mesmo Planeta!

    Imagima, se eles morassem no bairro onde moro.

    Aqui tem uma escola Islâmica (onde tem uma Mesquita), um Judia (onde tem uma Sinagoga), Duas Católicas (onde tem várias Igrejas), Uma escola que ensina japonês para os “dekaseguis”.(onde tem um templo Budista)
    Temos também, Centros Kardecistas e de Umbanda , sem contar dezenas de igrejinhas e igrejonas neo-evangélicas.

    Alguns deles, teriam um enfarte, por não suportar tanta diversidade.

  8. Luciano Perim

    Cara Sandra,

    Acho que você não consegue ou não quer compreender a missão de nosso irmão Jorge.

    Ele não quer impor a Fé católica a todos, mas quer anunciar a doutrina na sua totalidade, como a Igreja nos pede sem concessões ao erro e as modas atuais.

    Se olhar melhor, verá que suas críticas(do Jorge) se dirigem mais aos maus católicos do que aos participantes de outras crenças e religiões…. isso é tão claro !

    O que o irmão condena, em comunhão com a Igreja, é um catolicismo de conveniência, que já trouxe dano demais a Igreja. Ninguém põe uma faca no nosso pescoço e nos obriga a ser católico ( basta ver as diversas opções que você citou no seu post), mas se quer ser católico, que o seja de verdade, e coerente com a Fé da Igreja.

    Só uma geração corroída pelo orgulho como a nossa é capaz de querer pretensiosamente mudar a Igreja fundada por Cristo em vez de se emendar.

    Paz e Bem !

  9. sandra nunes

    Luciano Perim

    “O que o irmão condena, em comunhão com a Igreja, é um catolicismo de conveniência,…”

    Você nem imagina, o que ele diz de outras religiões.

    Leia, tudo que conversamos, e entenderá o que eu disse.

  10. Johnny Garden

    Jorge,

    conhece muitos, inclusive eu. Não sou pagão -embora não tenha nada contra, já que a igreja católica utilizou muitas datas pagãs para legitimar algumas de suas datas. Também não sou ateu, mas não tenho nada contra porque sei que Deus compreende a má vontade de Sartre, Schopenhauer e Camus. Apóstata e herege, va bene, eu sou.

    QUis dizer que você não luta mais contra o divórcio. Nem deve ter lutado, devia ser criança. Nem passa pela sua cabeça lutar por algo estabelecido há mais de década. Com a passagem dos anos lutas presentes serão perdidas e novas lutas surgirão. Isso que eu quis dizer. Sei que você não desistirá nunca, e se puder matar os muçulmanos invasores de jerusalém matará.

    Quanto ao divórcio, as famílias continuaram se formando, as pessoas continuaram casando e tendo filhos. A família não acabou. Se você chama a adaptação das famílias à realidade de “modas modernas” (tipo assistir televisão, mexer na internet) acho que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Comprar Euros, ser amigo da natureza sem ter religião e ter amigos gays, muçulmanos e corinthianos talvez seja “moda moderna” (concordo em execrar os corinthianos).

    O divórcio não acabou com as famílias, há de concordar, é realidade. Se as famílias não agem como você gostaria (tá bom, a Sã doutrina gostaria) é outro papo.

    Se continuar do jeito que vai a Sã Doutrina vai ficar doente porque como o corpo humano precisa de sangue uma religião precisa de parceiros, seguidores…e a Sã doutrina parece expulsar, excluir e ser intolerante com muitos dos parceiros que já tem e com os que poderia vir a ter.

    Poxa, então passei por uma excomunhão automática ao mesmo tempo que me auto-excomungava, talvez um pouco antes, quando cheguei a conclusão…curioso como as coisas casam nesse universo…

  11. vanderley

    Ainda bem a Congregação para a Doutrina da Fé funciona !.

    Tem que enquadrar quem distoa.

    Ninguém é obrigado ser católico muito menos padre.

    Caso diga sim, tem que obedecer.

    Senão: Fora !!!!

  12. sandra nunes

    Johnny Garden

    o Johnny, QUE DECEPÇÃO, não esperava isso de você!

    “Orra mêu, eu sô conrintia!” O cara, o coringão voltou!

    Só te desculpo, porque você deve ser santista e amor da minha vida também era. ( santista fanático )

    Se for dos “porco” não tem desculpa.

    Nós vamos até Hollambra, e vamos todos “fardados” com camisas do Timão!

    O Leandro tem 1:90m o Gabriel tem 2:05m e o Vilmar deve ter 1:30m uns “alemãozão”

    ” se cuida latorraca” (rsrsrsrsrsrsrsrsrs)

    bjs no coração.

    ps. minha nora é japonesa baixinha, mas brava pra caramba.

  13. Luciano Perim

    Johnny,

    A Sã Doutrina não ficará doente, porque deriva do próprio Deus, e não depende da quantidade de adeptos.

    Falta-te abertura, meu amigo. Abertura de mente e coração para acolher a Jesus Cristo e a sua doutrina. Exorto-te a não insistir por esse caminho obstinado e irreverente. Lembra-te que ao final de nossas vidas prestaremos conta ao Deus de Misericórdia, que é também o Justo Juiz. Não despreze as oportunidades que a Providência tem te dado. Seja dócil a Deus.

    Empenha-te em buscar a Verdade. “conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará”.

    Paz e Bem !

  14. Jorge Ferraz

    Johnny,

    As famílias foram destroçadas, é evidente. “Uniões estáveis”, “casamentos civis”, segundos, terceiros e quartos casamentos, pais e mães “vivendo juntos”, casais evitando filhos, pessoas cogitando afirmar que duplas homossexuais são famílias… como eu falei, contam-se nos dedos as famílias que escaparam disso.

    De facto, não pude lutar contra a lei do divórcio à época, é uma pena. Mas se cumpriram à risca todos os males que os que se levantaram contra a lei ilegítima avisaram.

    Vou escrever alguma coisa sobre divórcio, bem lembrado…

    Abraços,
    Jorge

  15. sandra nunes

    Luciano Perim

    Então tá.

    Acredita que o Vaticano não está fazendo nada para “recuperar” os Católicos que foram para seitas neo-evangélicas?

    A RCC fundada nos EUA com o povo batendo palmas e até dançando, você acha que foi por que?

    Esse novo tipo de católico, que grita, pula, fala em “línguas estranhas? ( pentecostais )

    Tem uns malucos que ACREDITAM que recebem o ESPÍRITO SANTO!!!

    O fanatismo da turma da Canção Nova.

    E o Vaticano não se importa com quantidade mas qualidade?

    Realmente, você é MUITO bem informado em assuntos do Vaticano.

  16. Demerval Jr.

    Huuuum… a liberal tem preconceito contra a RCC…

    Sintomático…

    Vai acabar presa, viu? Na sua peculiar e tão manifestada linha de “raciocínio”, ao perseguir assim uns pobres coitados e lunáticos como nós, vai acabar presa, viu?

    Então, sandra mumes? Quer dizer que agora é ultra-conservadora, é?

    Além de escrachada, é vira-casaca também…

  17. Johnny Garden

    Jorge,

    você disse acima que “As famílias foram destroçadas… “Uniões estáveis”, “casamentos civis”, segundos, terceiros e quartos casamentos, pais e mães “vivendo juntos”, casais evitando filhos, pessoas cogitando afirmar que duplas homossexuais são famílias… como eu falei, contam-se nos dedos as famílias que escaparam disso.”

    Não foi o divórcio que provocou tudo isso. Já existiam “famílias destroçadas”, como você adjetivou, onde casais tinham de viver um casamento de aparências para que a sociedade pudesse ‘fingir” que tudo estava bem. Hipocrisia. Já existiam pessoas desajustadas, violência doméstica, já existia muita coisa feia…só que era empurrada para baixo do tapete. O divórcio deu uma segunda chance para muita gente. Se a pessoa errou ao casar pela primeira vez não dá para discutir, mas não haveria porque suportar um erro até o final da vida.

    Compreendo que a Igreja não goste e não aceite casais divorciados para novos casamentos, direito dela, mas como alguém por aqui disse certa vez ninguém é obrigado a ser católico, por isso pelo menos quem não é pode usufruir desse expediente. Não acharia certo proibi-lo para todos.

    Ninguém “virou” gay ou passou a evitar filhos por isso. Acho que gays sempre existiram mas antigamente eram obrigados a representarem os papéis que a sociedade obrigava (de novo a hipocrisia). Para essas pessoas não o divórcio mas as liberdades pessoais fizeram a diferença. (não acho legal que tomem certas liberdades em público assim como um casal hétero também deve saber se comportar).

    Quanto às famílias, a maioria das pessoas que conheço (da minha faixa etária) são casadas há + ou – 10 anos, se não tem filhos é porque não conseguiram ainda e não pretendem casar e descasar 3 ou 4 vezes só “porque pode”. De novo a grande questão é estar preparado, estar maduro para isso.

    Acho que é isso.

    Fiquem com Deus.

    Ah, Sandra,

    sou santista mesmo, mudei de cidade mas não mudei de time.

    Vou mandar avisar a guarda municipal que se aparecer uma alemãozada com camisas do Corinthians é pra barrar no pórtico da cidade.

    Abração,

    Johnny.

  18. Jorge Ferraz

    Johnny,

    Já havia tudo isso, sim, mas em um número incomparavelmente menor. O que tu chamas de “hipocrisia”, eu prefiro chamar de tentativa (não raro) sincera de salvaguardar o que é digno de ser salvaguardado.

    Recomendo a leitura de “Claro Escuro” de Gustavo Corção. Sempre houve casos que simplesmente não dariam nunca certo, mas a enorme maioria deles está no meio termo, no “claro-escuro”, onde tanto seria possível continuar quanto desistir. São estes os mais solapados pela lei do divórcio.

    O Matrimônio Indissolúvel não é “para os católicos”, e sim do Direito Natural. Você precisa entender que as coisas que são “somente para os católicos” (como, p.ex., a obrigatoriedade de assistir missa nos domingos) a Igreja nunca reclamou que fizesse parte da legislação do Estado.

    Abraços,
    Jorge

  19. Johnny Garden

    Jorge,

    Não sei se havia num número menor ou se “aparecia menos”.

    Quanto ao Matrimônio Indissolúvel ser do “Direito Natural” depende se você acredita nessa teoria filosófica ou não. É uma teoria, não uma verdade.

    Se você resolve fazer parte de um grupo deve se sujeitar às regras desse grupo.

    Se você não faz parte de um grupo não é uma teoria filosófica que vai ditar seu comportamento.

    Entendo o conceito da teoria mas assegurar como uma verdade uma forma uniforme de comportamento independente de tempo, espaço geográfico e contexto cultural é fora de cogitação.

    O traço mais marcante é que a aplicação do “direito natural” não só nos tempos de hoje mas nos que virão não combinam com a diversidade que existe e que nunca existiu antes.

    Eu espero que meu casamento dure para sempre. Mas isso depende de mim e de minha esposa e não de uma pseudo-cartilha de leis (bem influenciada, pelo que li, pelo católico São Tomas de Aquino).

    Sou leigo no assunto mas nem por isso me entrego a qualquer coisa que queira reger meus pensamentos.

    Abraço chuvoso,

    Johnny.

  20. Jorge Ferraz

    Johnny,

    Qualquer sociedade humana que deseje se manter precisa estar radicada em alguma coisa. E o “denominador comum” mais… razoável é a Razão. Havendo multiplicidade de culturas, lógico está que o elemento “unificador” precisa ser, digamos, “supra-cultural”.

    Há todo um ramo do direito, o jusnaturalismo, dedicado ao estudo disto. Não é simplesmente “uma teoria filosófica”, é a teoria mais razoável. Negando a concepção de que os direitos e deveres existem naturalmente, cai-se no positivismo puro e simples, ou seja, a lei é o que os cidadãos acharem que deve ser a lei. E se os cidadãos puderem legislar sem nenhum embasamento racional, impera a simples vontade – e, historicamente, mostrou-se que isto é uma tragédia. Afinal, não havendo um Direito Natural, nada impede que prevaleça a mera “lei do mais forte”.

    Reconhecendo, portanto, que existe um Direito Natural, os debates que fazem sentido são aqueles em que se procura descobrir se alguma coisa é exigida pela Lei Natural (ou se A contradiz ou não). É só assim que é possível manter as sociedades humanas.

    Cuidado com a apologia incondicional que você faz da própria liberdade; se puder, leia o passo da República de Platão onde ele mostra a gênese da tirania (acho que é o livro VIII).

    Abraços,
    Jorge

  21. Johnny Garden

    Sim, eu li sobre o jusnaturalismo. Você mesmo coloca o Direito Natural como uma teoria (a mais razoável, em suas palavras) mesmo assim, como qualquer teoria, sujeita a prós e contras.

    É um certo otimismo achar que possa haver uma “tábua de leis” supra cultural já que as culturas são tão diferentes entre si. Isso me lembrou sua defesa, por exemplo, às touradas, já que são manifestações culturais. Se um detalhe tão pequeno como este deve ser respeitado por ser cultural outros muito maiores e importantes para os seres humanos envolvidos também deverm ser.

    Temos a Constituição de cada país que, na prática, é o que rege o país. Por isso não estamos tão perdido a ponto de “necessitarmos” da Direito Natural para não cair na barbárie. Entendo a idéia mas daí a considerá-la aplicável há uma distância boa.

    Um abraço,

    Johnny

  22. sandra nunes

    Gente, eu fui ouvir os discursos “filosóficos” do “ídolo” de vocês Olavo de Carvalho no Youtube!

    Acredito, que nem no cais do porto, ( com todo respeito aos estivadores ) tem um vocabulário tão chulo e tão vulgar.

    Minha mãe, lavaria a boca dele com água sanitária.

    Eu jamais usaria uma pessoa dessa como “referencia” de pensamento.

    Cada um tem o paradigma que merece.

  23. Jorge Ferraz

    Johnny,

    Mas a minha defesa às touradas pressupõe, justamente, a existência de uma Moral com “M” maiúscula, supra-cultural, em referência à qual brasileiros e espanhóis podem discutir se é lícito ou não haver touradas (ou caça, ou o que seja). E é precisamente pelo fato dos seres humanos serem muito maiores e mais importantes que não se lhes pode deixar ao arbítrio das decisões individuais.

    Na tua opinião, então, qual é a teoria que é aplicável?

    Abraços,
    Jorge

  24. Jorge Ferraz

    Sandra,

    Dupla falácia:

    Primum, do fato de Olavo de Carvalho ser citado aqui uma vez ou outra, não segue que ele seja o nosso ídolo nem que subscrevamos tudo quanto ele diz (aliás, creio que eu já tenha falado isso expressamente aqui);

    Secundum, do fato dele falar palavrões não segue que as idéias dele estejam erradas.

    Abraços,
    Jorge

  25. sandra nunes

    Jorge Ferraz

    Como disse você mesmo:

    “dize-me com quem andas…”

    Usar uma pessoa dessa como exemplo, de algo, é inacreditável!

    Que homem horroroso.

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