Sobre músicas protestantes

closeAtenção, este artigo foi publicado 8 anos 8 meses 9 dias atrás.

Tenho uma natural repulsa a músicas protestantes. O problema não é propriamente teológico – porque, como alguém já apontou, se a música não contiver heresias ela é uma música católica, num sentido análogo àquele em que a “fé protestante” em Jesus Cristo como Deus e Senhor não é uma “fé protestante”, e sim a exata Fé Católica -, mas sim PASTORAL. É muitíssimo inconveniente que os católicos sejam levados a acreditar que não tem problema algum em ser herege protestante, já que as músicas deles podem ser usadas pelos católicos. É inconveniente que os católicos tomem gosto por músicas que são intrinsecamente pobres (já que há uma gama enorme de verdades da Fé Católica que os protestantes nunca colocarão em suas músicas, porque não as aceitam). É inconveniente favorecermos os grupos heréticos, quando poderíamos favorecer e fomentar os grupos católicos. Enfim, a utilização de músicas reconhecidamente protestantes (excluo deste rol aquelas que já se tornaram praticamente de domínio público, e que quase ninguém associa ao protestantismo quando a escuta) por católicos é muito inconveniente.

Trago as considerações do excelente Dom Estêvão, de saudosa memória, sobre o assunto, publicadas na Pergunte & Responderemos (n/] 516, 2005):

“Não é conveniente adotar cânticos protestantes em celebrações católicas pelas razões seguintes:

1)Lex orandi lex credendi (Nós oramos de acordo com aquilo que cremos). Isto quer dizer: existe grande afinidade entre as fórmulas de fé e as fórmulas de oração; a fé se exprime na oração, já diziam os escritores cristãos dos primeiros séculos.

No século IV, por ocasião da controvérsia ariana (que debatia a Divindade do Filho), os hereges queriam incutir o arianismo através de hinos religioso, ao que Sto. Ambrósio opôs os hinos ambrosianos.

Mais ainda: nos séculos XVII-XIX o Galicanismo propugnava a existência de Igrejas nacionais subordinadas não ao Papa, mas ao monarca. Em conseqüência foi criado o calendário galicano, no qual estava inserida a festa de São Napoleão, que podia ser entendido como um mártir da Igreja antiga ou como sendo o Imperador Napoleão.

Pois bem, os protestantes têm seus cantos religiosos através de cuja letra se exprime a fé protestante. O católico que utiliza esses cânticos, não pode deixar de assimilar aos poucos a mentalidade protestante; esta é, em certos casos, mais subjetiva e sentimental do que a católica.

2) Os cantos protestantes ignoram verdades centrais do Cristianismo: A Eucaristia, a Comunhão dos Santos, a Igreja Mãe e Mestre… Esses temas não podem faltar numa autêntica espiritualidade cristã.

3) Deve-se estimular a produção de cânticos com base na doutrina da fé.”

(Dom Estevão Tavares Bettencourt, OSB)

Recomendo ainda a leitura deste artigo do Amo Roma!. E que nos esforcemos para resgatar a riqueza da música católica.

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19 thoughts on “Sobre músicas protestantes

  1. R. B. Canônico

    (Ele está no domínio publico, como vc frisou, e escreveu Missas, inclusive).

    Só fiz esse comentario pro povo nao vir te acusando de fanatico hehehe. Afinal, sua ponderaçao deixa Bach, Handel e essa turma imune as criticas – e nao poderia ser diferente

    Abraços.

  2. vanderley

    Onde essas músicas são cantadas:

    Nas Missas.

    Ora, eles não creem na Santa Missa.

    Então é simples, fora com essa músicas.

    Isso vale tambem para os cantores/cantoras.

  3. Jorge Ferraz

    Rodolfo,

    Exatamente, obrigado por lembrar. Na verdade, há até mesmo músicas muito mais recentes do que as de Bach e Handel que têm essa característica de que estou falando (quero me referir àquelas músicas cuja associação com o protestantismo não é tão forte nem tão imediata); e, contra essas, não há que se reclamar.

    Como falei, o problema aqui levantado é, de certo modo, “pastoral”. A rigor, as músicas dos hereges não são “heréticas” (pelo menos eu não conheço nenhuma que cante Sola Fide, Sola Scriptura: / pois o que ensina a Igreja é impostura!, ou Memória, e não Sacrifício / é o que acontece no altar; / não sei porque é tão difícil / pra Igreja este fato aceitar); o problema apontado por D. Estêvão (e que eu subscrevo) é de outra natureza.

    Abraços,
    Jorge

  4. Antonio

    Caro R.B. Canônico,

    Uma coisa é tocar/ouvir Bach num palco. Outra é levar sua música para a Missa. A maioria das Cantatas de Bach (pelo menos dentre aquelas que conheço), apesar de terem sido escritas para o serviço luterano, não profere, por si, erros teológicos. No entanto, mesmo com respeito a estes bons casos, é no mínimo imprudente levá-los para a Missa católica porque pode-se com isso sugerir que, se uma música e um texto para o culto protestante é boa e digna também para o verdadeiro culto divino, outras coisas igualmente poderiam o ser. O limite entre o que é bom e o que é ruim nem sempre é claro para a maioria das pessoas, ainda menos quando o veículo é um produto (música) estética e tecnicamente belo, como é o caso das composições bachianas. É por isso que, penso, nenhum católico deveria ser (muito menos publicamente se dizer) grande apreciador das obras de um compositor eminentemente protestante, já que isso, sem as ressalvas/ponderações que não são tão fáceis de se fazer acompanhar, reforça indiscriminadamente o que se veicula de bom e também de ruim nas obras deles. Todavia, esse perigo, hoje, é menor, porque ninguém entende, nem quer entender, mais nada.

    Sobre sua Missa, nem mesmo ela, enquanto composição musical, se presta à musicar corretamente o ordinário da Santa Missa. Há uma fragmentação recorde dos textos litúrgicos, recebendo cada um destes fragmentos uma música diferente. Além deste, outras características fazem dessa composição muitíssimo inapropriada para a liturgia católica. Bach sequer pensou numa só composição, tendo suas partes sido compostas em épocas e lugares diferentes de sua vida, e provavelmente para serem executadas na forma de oratório músico-religioso (não necessariamente católico) e independentemente das demais partes. A compilação dessas partes forma uma bela obra, e vale a pena conhecê-la. Mas é só isso. Não é apropriada nem, muito menos, modelo para música sacro-litúrgica católica.

    Quanto às suas obras puramente instrumentais (para órgão, cravo, orquestra de câmara, etc) haveria pouco ou nenhum problema em levá-las para o espaço e culto católicos, com exceção à forma empregada em parte dessas composições que, de tão livres e fantasiosas, levam o ouvinte a um estado contemplativo incompatível com o culto católico (é o caso de suas fantasias para órgão, e de boa parte de seus prelúdios e toccatas para o mesmo instrumento). E em lugar de suas obras instrumentais adequadas, por que não levar a de outros compositores sabidamente católicos como Merulo, Frescobaldi, di Lasso, Victoria, dentre centenas de outros anteriores, contemporâneos posteriores a estes? Frescobaldi, organista/compositor principal da basílica de S. Pedro ao longo de três papados compôs, inclusive, um livro de composições para órgão (Fiori Musicali, 1635) cuja cópia manuscrita e autografada teria pertencido a Bach, na qual muito se inspirou este compositor para escrever suas composições para o mesmo instrumento. Para a Missa, se um protestante bebeu de uma fonte boa e segura, devemos a maior prudência de ir a essa fonte, evitando potenciais falseamentos e subproduto dela. Fora da Missa e demais sacramentos, até mais que suas cantatas, suas obras instrumentais são bem dignas de serem apreciadas, principalmente seus concertos.

    Comentários semelhantes meus valeriam para Handel. Eu apenas completaria que Handel é um tanto menos protestante — em freqüência, forma e intensidade — que Bach, no texto que elegou e/ou na música que compôs para suas obras.

    Abraços,

    Antonio

  5. Antonio

    Outra coisa que sugiro fortemente àqueles que queiram melhor apreciar o que há de bom na obra de Bach, Handel e outros contemporâneos é procurar gravações com instrumentos ditos “de época” (ou, às vezes, chamados de “instrumentos autênticos” ou “antigos”). Não somente porque esses instrumentos melhor evidenciam a beleza da música pensada pelos compositores de sua época, mas principalmente porque seus instrumentistas, via de regra, buscam também uma interpretação mais autêntica, afastando-se assim das releituras/reinterpretações românticas e modernas que nos últimos 150 anos inundaram os palcos e, há menos tempo, o mercado fonográfico, e que tiram muito do valor musical dessas obras antigas.

  6. Antonio

    Caro Jorge,

    A derrocada instituída da música sacro-litúrgica deu-se a partir do Vaticano II, quando as letras do Sacrossanctum Concilium e da Instrução do novo Missal inovaram em dizer que o canto na Missa não seria mais um serviço litúrgico por excelência, executado por clérigos, religiosos ou leigos (excepcionalmente) EM NOME do padre celebrante (que, em Missas não cantadas, reza os mesmíssimos textos). Prescreveram esses documentos que a partir de então o canto na Missa seria principalmente uma ação na qual todas as pessoas (em condições de utópica igualdade) praticariam uma bem distorcida “participação ativa” e que, portanto, esse canto deveria ser acessível e imitável pelo menos escolado e treinado dos fiéis presentes. Ora, isso seria inviável sem que a qualidade de forma e de conteúdo caísse drasticamente. Foi o que aconteceu.

    Até então, o canto na Missa nunca foi predominantemente composto de cantos vários, e sim da oração cantada; da liturgia própria do dia cantada ou recitada nas fórmulas salmódicas simples e bem tradicionais. Cantos vários eram via de regra acessórios e/ou suplementares, poucas vezes tomando o lugar da liturgia cantada prescrita para nos Missais.

    Em sede dessa permissão horizontalizante, sutilmente sem anunciar explicitamente uma ruptura formal com o passado, o Vaticano II desprestigiou o latim, o canto gregoriano e o canto popular verdadeiramente católico, para dar lugar a uma liberdade musical de culto sem precedentes, que foi exercitada com a importação de texto, melodia, instrumentação, estilo e qualidade de execução espúrios, protestantes e/ou protestantizados. Deixou-se de conhecer e praticar o enorme legado musical católico, porque esse foi composto ao longo dos tempos para a oração católica cantada, e não para simplesmente “animar” um determinado momento da Missa, tal como ocorre no culto protestante.

    Resultado é que hoje praticamente nenhum músico paroquial-modernista mais sabe que a Igreja entregou-nos pronto um esforço compilado ao longo de tantos séculos em livros seguros com cantos específicos para a liturgia de cada um dos ofícios e Missas. Nem que nos foi deixado centenas, senão milhares, de cantos vários. Nem se sabe ou se quer conhecer o legado polifônico, popular e instrumental que, inspirando-se muito no canto próprio e ordinário da Igreja, o Gregoriano, lhe prestava como alternativa e suplemento bem católicos.

    Abraço,

    Antonio

  7. Jorge Ferraz

    Caríssimo Antonio,

    A quê te referes, exatamente, quando falas que “as letras do Sacrossanctum Concilium e da Instrução do novo Missal inovaram em dizer que o canto na Missa não seria mais um serviço litúrgico por excelência”?

    A Sacrossantum Concilium diz que “o canto sagrado (…) constitui parte necessária ou integrante da Liturgia solene” (n. 112); manda guardar o patrimônio da música sacra e promover as Scholae Cantorum (n. 114), falando até na fundação de “Institutos Superiores de música sacra” (n. 115); fala que o gregoriano é “canto próprio da liturgia romana”, e que ele “na acção litúrgica, em igualdade de circunstâncias, o primeiro lugar” (n. 116). Isso obedecido e bem aplicado, não teríamos a enxurrada de cantos inadequados (pra dizer o mínimo) que temos nas nossas igrejas atualmente.

    Aliás, é importante lembrar que o canto popular desde sempre teve espaço na liturgia (pois nem toda paróquia tem condições de manter um coral para cantar a missa), mesmo antes da Reforma Litúrgica (como se faz, p.ex., em Campos até hoje). Isso evidentemente não é a mesma coisa que a Missa Cantada, e nem os cantos populares são a mesma coisa que ter as partes da missa cantadas; mas, pra mim, o pior é (i) a virtual hegemonia da missa “com cantos”, com proporcional proscrição da missa “cantada”; e (ii) o próprio nível dos cantos populares ter caído drasticamente. Isso empobrece a Liturgia e, na verdade, impede os fiéis de terem a “participação ativa” verdadeira que se exige daqueles que estão assistindo ao Santo Sacrifício da Missa.

    Abraços,
    Jorge

  8. Antonio

    Caro Jorge,

    Comecemos pelo nº 33 dessa constituição. Para o Vaticano II, as orações todas são ou devem adquirir caráter coletivo. Aquelas proferidas somente pelo sacerdote, assim o são EM NOME DO POVO, enquanto presidente da assembléia. Por imediata extensão, o Vaticano II sugere ser o povo, portanto, quem deva cantar essa mesma liturgia. Não é mais um serviço litúrgico, prestado pelo sacerdote e por assistentes preparados e investidos ordinária ou extraordinariamente nesse papel, mas uma prática litúrgica de todos para todos, igualitariamente. Ora, é virtualmente impossível, mesmo que todos os fiéis presentes fossem cantores profissionais, que eles participassem ativamente no canto dessa liturgia. Esperar tal nível de participação de fiéis comuns ou é fruto de ingênua loucura, ou convite-permissão para que se cante mal a Missa ou para que se deixe de cantá-la, em favor de cantos vários que frequentemente pouca ou nenhuma referência fazem à liturgia que substituem. É isso exatamente o que acontece. Antes que alguém me tache de elitista, orações como o Kyrie e o Credo (e outras mais, por participação, e não por incumbência de princípio) são permitidas ou próprias do povo recitar/cantar, e isso nunca foi proibido nem desincentivado. Não foi em relação a elas, portanto, que o Vaticano II veio a falar em participação mais ativa. A constituição diz mais que, se apenas uma parte da liturgia puder ser cantada, que o seja aquelas em que o sacerdote dialoga com o povo ou aquelas mais próprias do povo cantar. Voltando ao nº 33, derradeiramente esse artigo vai dizer que não é somente leitura [e/ou canto feitos por sacerdotes, diáconos e acólitos] que deverá ser instrumento da graça santificante sacramental, mas também o rezar, cantar e agir coletivos de toda a Igreja [incluindo aí todos os fiéis], como instrumento de maior graça. Ou seja, é convite para uma horizontalização quase total dos papéis e ações litúrgicas. No nº 113, vai-se reafirmar que o maior grau de solenidade da Missa com canto quando essa é feita segundo uma participação ativa dos fiéis, definida no nº 30. Para o Vaticano II, a participação ativa é plena quando existem aclamações dos fiéis, respostas, antífonas rezadas/cantadas por eles, cânticos, etc. Não é a participação espiritual no Santo Sacrifício do Altar celebrado pelo sacerdote “in persona Christi”, e que, vez ou outra, permite uma ação semelhante a do sacerdote ou de seus ministros. Ora, essa acumulação de papéis e afarezes litúrgicos leva a uma ocupação intensa e protestantizante, onde quase ninguém entende muito bem o que está fazendo ou imitando, nem tem tempo para uma meditação mais profunda sobre o santo mistério.

    A Instrução Geral do Missal novo vai, então, reforçar e implementar, com mais detalhes, todas essas prescrições e outras mais.

    Para desdizer ou relativizar muitas dessas malezas, imprudências e autorizações potencialmente protestantizantes, etc, pode-se citar do mesmo texto instruções ortodoxas e bem tradicionais. Um dos problemas do Vaticano II é exatamente esse. Numa página se exorta uma coisa; na seguinte, permite também algo completamente diferente e, por vezes, intensamente desincentivador daquilo que se exortou parágrafos antes. Essa permissividade/ambigüidade permite a modernistas usarem só o que lhes interessa, com a desculpa de que seria viável ou mais fácil. Mesmo para pessoas de boa-fé, quando se dá opções de dificuldades discrepantes a um grupo de cultura e instrução decadentes (já era bem o caso dos anos 60), é natural esperar que optem pelo mais fácil. Isso, vc há de convir comigo, de dar opções para atender as tendências e limitações de um povo não é ensinar. O nº 117 convida à confecção de livros de cantos mais simples, para igrejas menores. Desnecessário pois a rubrica para o canto da Missa sempre permitiu, quando conveniente ou necessário, o canto da liturgia em fórmulas salmódicas simples, bem acéssiveis a qualquer cantor ou coro. Houve, de alguns séculos para cá, inclusive, a publicação de Graduais facilitados/abreviados, contendo graduais, aleluias e tratos tanto pequenos quanto facílimos, para os casos de igrejas menores, Missas desejavelmente mais curtas ou cantores poucos educados. Portanto, a existência dessa instrução nessa constituição, além de desnecessária, alimenta entre os ignorantes o preconceito de que cantar a liturgia segundo os cantos do Gradual seria coisa difícil e/ou somente para especialistas. Finalmente, no nº 116, fala na primazia do canto gregoriano, mas somente numa enigmática “igualdade de circunstâncias”. Ora, se os padres conciliares quiseram dizer com isso que o gregoriano só deva ser privilegiado nas condições em que ele seja de tão fácil execução quanto qualquer outra forma de canto, então deu-lhe um primeiro lugar virtual e impraticável, pois nunca, mesmo num coro bem treinado, ele será tão fácil quanto um canto vário qualquer. Não estou dizendo que o gregoriano devesse ser praticado a qualquer custo, até porque, mal cantado, pode muito bem tirar certa beleza de culto. Mas o espírito dessa constituição é outro contrário; o de legitimar práticas um dia clandestinas, pouco virtuosas e mundanas.

    Abraços,

    Antonio

  9. Jorge Ferraz

    Caríssimo Antonio,

    Mas as orações da Liturgia têm e sempre tiveram “caráter coletivo”, não no sentido de que devem ser pronunciadas por todos os presentes (e não é isso que o Concílio diz, e nem é isso – salvo em alguns casos pontuais – o que acontece hoje em dia), mas no sentido de que a Liturgia é o culto público da Igreja e o Santo Sacrifício – ainda que seja celebrado pelo sacerdote sozinho – redunda em benefícios e graças para toda a Igreja. É parte fundamental da função do sacerdote agir como mediador, apresentando as orações a Deus em favor do povo e trazendo ao povo as graças dos Céus (mormente as palavras de Deus na exposição da Doutrina e a Palavra de Deus na Santíssima Eucaristia) da parte de Deus.

    Isso não é novidade alguma, de modo que não consigo ver a “imediata extensão” a qual tu te referes. Por exemplo, o próprio São Pio X na Tra le Sollicitudine afirma: “Procure-se nomeadamente restabelecer o canto gregoriano no uso do povo, para que os fiéis tomem de novo parte mais ativa nos ofícios litúrgicos, como se fazia antigamente” (n. 3).

    O problema, torno a dizer, é a proscrição da missa cantada em favor da virtual hegemonia da missa com cantos populares (a coexistência das duas nunca foi nenhum problema, pois sempre houve), bem como a (talvez causada pela proscrição supramencionada) progressiva perda de qualidade do próprio canto popular. Imagino que tu não discordes disso. Mas não vejo relação de causa-efeito entre isto e o que diz a Sacrossantum Concilium, pois não houve nenhuma novidade ao se afirmar nem que o sacerdote reza a Deus em favor do povo, nem que é coisa boa incentivar o povo a cantar nos ofícios litúrgicos. Se houve o problema de se buscar “o mais fácil” como tu falaste, isto sem dúvidas é um problema e uma atitude indigna de um católico que seja movido por verdadeiro amor a Deus, ao invés de por um legalismo farisaico; mas é preciso ter em mente que, às vezes, é perfeitamente coerente “simplificar” algumas coisas. O que me deixa indignado é quando vejo as pessoas utilizando a concessão como norma (e, aí sim, eu sinto falta de alguma coisa que obrigue mais do que faculte); mas as concessões precisam existir e, portanto, o problema está muito mais nas pessoas que abusam delas do que na sua própria existência… mas isso é um outro problema, sobre o qual o (parco) tempo me impede de tratar agora.

    Por fim, gostaria de dizer que concordo integralmente e subscrevo as tuas conclusões sobre o acúmulo de funções na liturgia que impede a verdadeira “participação ativa” dos fiéis na Santa Missa. É precisamente para resgatar o verdadeiro sentido de “participação ativa” e para facilitar aos fiéis a elevação da alma que propicia o Sagrada Liturgia que nós devemos nos esforçar para resgatar a sua solenidade.

    Abraços, em Cristo,
    Jorge Ferraz

  10. Antonio

    Caro Jorge,

    As orações da Santa Missa, algumas mais acentuadamente que outras, têm sempre utilidade e benefício coletivos, não somente nos casos em que a Missa é assistida por uma coletividade de fiéis (como vc bem lembrou, as Missas privadas, mesmo as sem povo, têm proveito coletivo), mas principalmente porque seu conteúdo visa a santificação dos presentes e, em geral, de todos os fiéis da Igreja. Até as orações ao pé do altar da Missa Gregoriana — a rigor, de sujeito privado, têm uma utilidade que se estende a todos, pois preparam o sacerdote (e demais ministros) enquanto mediador “in persona Christi” da Missa que se seguirá.

    Mas não é desse benefício coletivo de que estou falando, mas do próprio sujeito litúrgico. O Vaticano II vai inovar no nº 33 ao citar o sacerdote não como mediador (em toda a constituição, a palavra “mediador” é empregada somente a Cristo), mas como mero presidente de uma assembléia que, EM NOME DELA, e não somente mediando em benefício dela, profere as orações e leituras. Portanto, o sujeito das ações litúrgicas (se não em todas, na maioria delas, pelo menos) torna-se, segundo esse dispositivo, a coletividade presente, o que não é, para pouco dizer, a mais pura doutrina católica.

    Dentre as inovações prescritas para o novo Missal, algumas das muitas evidências disso são: o Pai-Nosso dito inteiramente por todos, um único Confiteor para todos, tudo dito em voz alta e a exclusão das mesmas orações ao pé do altar, de sujeito clara e predominantemente sacerdotal. Vêm daí mesmo as extrapolações de segunda e terceira gerações comuns hoje em dia, em que o povo recita todo o cânon com o padre, dentre outras ações tradicionalmente bem próprias. Não são invencionice sem procedência. Elas se inspiram nas permissões prescritas e engatilhadas nessa Constituição. A maior parte dessa permissividade não teve fundamento pastoral, mas teológico. Prestou-se a omitir/alterar ações e palavras que pudessem desagradar protestantes, tal como, entre tantas outras coisas, também o foi a remoção das tradicionais orações, nas Missas de advento, pelo papa, por Nossa Senhora e contra os inimigos contumazes da Igreja, de que falei dias atrás em comentário a outro artigo seu.

    Voltando mais especificamente ao canto, o canto popular, piedoso ou devocional, sempre houve em sede da Santa Missa, seja em Missas cantadas, seja ainda em Missas rezadas com cantos vários ou intercessionais. Sempre houve também, por necessidade, ou por bela e salutar conveniência. A constituição conciliar vai em direção à terraplanagem litúrgica, rebaixando a lei para abraçar/legimitar/universalizar muitas das práticas concretas que um dia foram tidas e toleradas como medíocres ou mesmo erradas. A mediocridade circunstancial (aquela advinda de razões não inteiramente queridas ou controláveis), sendo agora legalmente prevista e permitida, deixará de ter o reforço legal à mudança para melhor (adquirindo, portanto, o reforço contrário); aquela outra intencional vai agora considerar-se justificada e autorizada. Essas limitações poderiam muito bem ter sido atacadas pastoralmente a nível diocesano ou paroquial, e nunca universalmente sido legitimadas.

    Quanto à citação de S. Pio X, o papa não quis entregar ao povo o canto da Missa, mas resgatar a participação ativa desses, preferencialmente em gregoriano, nas partes que lhe cabem cantar. Isso porque àquela época, muitas das Missas romanas estavam se tornando palco de ópera, tomadas de canto lírico, de voz empostada, de polifonia por vezes ultra-complexa, que dificultavam a própria inteligibilidade da oração e, portanto, a participação mesma pelo entendimento literal que o povo poderia ter do canto litúrgico. Impossibilitava-lhes também, inclusive, a oração das partes que lhes eram tão próprias recitar ou cantar. Se S. Pio X quisesse que o povo cantasse mais, ou mesmo toda, a liturgia, não teria sido o Graduale Romanum o objeto principal de seu pedido de restauração e universalização.

    Claro que, mais uma vez, encontra-se em outros cantos do documento afirmações ortodoxas. Mas, repito em outras paalvras, para catalizar/legimitar a exceção ao lugar da regra, o erro ao lugar certo, o abuso ao lugar do uso, etc, os primeiros não precisam de exclusividade; basta-lhes algum espaço ao lado do certo. Os ignorantes e mau intencionados (esses últimos no espírito modernista que sucedeu e precedeu o concílio) saberão achar guarida no joio e na ambigüidade da letra.

    Finalmente, quanto à questão da indignidade do fiel que opta pelo mais fácil ou mundanamente agradável vs. o alegado legalismo farisaico em impor-lhe certas normas objetivamente boas, corrijo algumas de minhas palavras da mensagem passada. Com “natural esperar” quis, na verdade, dizer que é “comum acontecer” de muitos adotarem a mediocridade permitida/tolerada em desfavor da norma virtuosa. Na prática, mesmo concordando inteiramente com vc que esse gesto seja indigno de um católico ordinária ou extraordinariamente investido em fazeres litúrgicos tão nobres quanto o canto, é o que muito acontece e já acontecia mesmo antes do concílio. O concílio e o novo Missal vindo a lhes permitir na letra agir dessa forma, legislou no mínimo imprudentemente (não vou entrar aqui na seara da intencionalidade ou não disso), aí sim num legalismo idealista distante do que se poderia muito bem constatar e antever a partir da realidade do mundo e dos homens de sua época.

    Abraço,

    Antonio

  11. Vinícius

    Concordo. Além disso, se ajudamos a banda católica com a compra do cd, estamos indiretamente promovendo a qualidade da música católica a longo prazo.

  12. Amin Abou Faisal

    O que se executa hoje nas Igrejas Católicas em matéria de música? Livros de forte sabor protestante. São Pio X foi muito claro em seu motu próprio. Missa cantada, por exemplo, a conhecida missa de guardião em que o celebrante canta as partes do ordinário que lhe dizem respeito e o coral entoa Kyrie, Gloria, Sanctus, Agnus Dei em gregoriano nada tem haver com estes cânticos populares de ato penitencial, Hino de louvor, santo e cordeiro de Deus. Estes são cãnticos populares. Antes do Concílio Vaticano II, fora a missa de guardião, entoavam-se cantos populares cujas melodias genuinamente católicas, sem influência do gospel protestante. Composições por exemplo de Frei Basílio Rower, Padre J. Baptista Lehmann, dentre muitos outros. O que ocorreu após o concílio foi o desprezo pelo belo e o acolhimento de novas músicas já em linhas melódicas totalmente diferentes dos antigos compositores. O problema não é acração de novas músicas, outrossim, a perda da identidade na música. A Igreja católica assimila hoje músicas de fortíssimo sabor protestante. Não discordo do senhor Jorge ao defender as diretrizes do Concílio em relação á música sacra. Dá proeminência ao Cantochão (cantus planus) que infelizmente músicas tão fáceis de cantar como Veni Creator, Ave Maris stella, Virgo Dei Genitrix, Salve Mater misericordiae, Iesu Dulcis memoria, etc., forma postas de lado. Aí o povo mais antigo parou de cantá-las e as novas gerações nem imaginam. Outro problema: As missas ditas cantadas atualmente são completamente estranhas ao uso litúrgico, inclusive as partes que correspondem ao sacerdote. Digo as entoadas em vernáculo. O missal romano “traduzido” dá as partituras musicais das partes cantáveis dos sacerdotes e as respostas pelo povo, mas, nem isto é observado. Hoje vale a improvisação, invenção, pseudo-criatividade e tudo quanto traz à tona o profano para as Igrejas, no que diz respeito às (melodias). é algo sério, pois, em muitos seminários não há formação musical. Nas paróquias há desinteresse por resgatar tal como são, as músicas do livro Cecília, harpa de Sião, para as missas com canticos, e nas missas cantadas o Kyriale, cantus selecti, liber usualis etc. Deveria ter sido editado um novo liber usualis, mas, não foi feito. A falta de interesse é notória. Hoje vale o que vende muito, como uma ilustre pessoa aqui disse bem. A tendência é piorar. Tapem os ouvidos!!!!!

  13. Cleidson Araujo de Lucena

    Tenho observado que ultimamente tem- se cantado musicas de compositores evangélicos, por exemplo, (Régis Danese) , autor da música “Faz um milagre em mim”. Tendo muitos músicos católicos com músicas belíssimas, como por exemplo: Walmir Alencar, Dunda, Adriana, Celina Borges, Flavinho, Anjos de Resgate, Vida reluz, e por aí vai… É realmente necessário ser cantadas músicas evangélicas (protestantes) nas Missas? Nem esses músicos tem todas as músicas apropriadas para cantarem na liturgia da Santa Missa.

    Hoje em dia muitos Católicos se deixam levar pela influência de que tudo pode e tudo convém. Hoje existe uma proliferação de músicas de cunho protestante e muitos Católicos aderem ao “estilo Gospel”, freqüentemente ignorando a origem da música e as heresias que estão embutidas nas letras.

    Com relação aos Católicos escutarem tais músicas deixo aqui as palavras do saudoso D. Estêvão Bettencourt: “Lex orandi lex credendi (Nós oramos de acordo com aquilo que cremos). Isto quer dizer: existe grande afinidade entre as fórmulas de fé e as fórmulas de oração; a fé se exprime na oração, já diziam os escritores cristãos dos primeiros séculos. Pois bem, os protestantes têm seus cantos religiosos através de cuja letra se exprime a fé protestante. O católico que utiliza esses cânticos, não pode deixar de assimilar aos poucos a mentalidade protestante; esta é, em certos casos, mais subjetiva e sentimental do que a católica. Os cantos protestantes ignoram verdades centrais do Cristianismo: A Eucaristia, a Comunhão dos Santos, a Igreja Mãe e Mestre… Esses temas não podem faltar numa autêntica espiritualidade cristã. Deve-se estimular a produção de cânticos com base na doutrina da fé.”

    Vejam: “nós oramos aquilo em que cremos”, ao louvamos as músicas protestantes, nós não estamos coniventes à fé alheia? Isso soa como um adultério da fé; pecado grave! Infelizmente, por ignorância, muitas equipes de músicas tocam nas Missas cantos de origem não católica que não exprimem adequadamente o senso litúrgico. Mesmo algumas músicas Católicas não são adequadas à Missa!
    Já vi também desculpas relativistas do tipo: “Ah está falando de Deus e, então não há problema”. Antes recordo que esse discurso é combatido pela Igreja, pois nem tudo que fala em Deus é bom e correto. “Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mt 7,21). Quem faz a vontade do Pai é aquele que está dentro da Igreja; quem está fora fala, mesmo falando em nome de Deus, a Ele não pertence.

    Uma desculpa emotiva que é bastante difundida: “Ah o que importa é o coração, a música é bonita, então se pode escutá-la”. Bem, aí se vê uma mistura de relativismo e apelo emocional. “Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos arrebatadores” (Mt 7,15). Os falsos profetas vêm para conquistar nossos corações, nossa mente, se fazem de “bonzinhos”, de “bonitinhos” e nós caímos na conversa desses falsos profetas.

    A maior parte dos que defendem que devamos escutar tais tipos músicas se deixa levar pelo emocional. Alguns, mesmo sabendo que não é conveniente escutá-las, recalcitram. É lamentável que grande parte dos Católicos prefira dar ênfase às heresias e não se aprofunda na Igreja de Cristo. Aí lanço a seguinte questão: se a nossa Igreja já é completa, por que devemos pegar elementos protestantes?

    Não só não é necessário como também é ilícito, pois a Igreja determina que sejam usadas musicas adequadas e que desperte nos fieis uma piedade verdadeiramente cristã. Sendo assim, mesmo as musicas protestantes que parecem dizer a mesma coisa que a bíblia são vetadas de serem usadas.

    Pois primeiro, o próprio compositor dará um testemunho contra a piedade cristã, contra a doutrina e contra os dogmas. Caso essas musicas fossem usadas elas levariam os fiéis a uma confusão e a um indiferentismo, podendo quem sabe até mesmo a apostasia.

    O segundo ponto é que mesmo essas musicas próximas do que diz as escrituras, não são de fato o que dizem as escrituras, pois mesmo se fossem o que está literalmente escrito, no momento em que eu canto posso dar o destaque a parte do texto que mais me convir, com isso acaba-se alterando o verdadeiro sentido do texto bíblico.
    As músicas devem ser escolhidas com maior rigor litúrgico, as músicas protestantes não devem ser tocadas, não pelo autor, mas porque minuciosamente reparando a letra das músicas, veremos muitos equívocos teológicos. Nosso Senhor Jesus merece muito mais!
    Exemplo: Aquela do momento: “Quero amar somente a Ti”, do autor Régis Danese, a música “Faz um milagre em mim”…

    Amar somente a Ti? Então não posso amar a Igreja, a minha família, nada e ninguém?
    Adoração somente à Deus, mas amar, podemos amar…por exemplo: os estudos, nossa casa também, além da família e da Igreja, e etc…

    Além disso a Missa que é o mais perfeito ato de adoração prestado a Deus não deve ter em sua composição algo feito por alguém que despreza a completude da revelação.

    Eles não adoram a Jesus presente em Corpo, Alma e Divindade presente no altar, não veneram a Santa mãe de Deus, não veneram os Santos, não crêem nos sacramentos, não crêem na autoridade do Santo Padre, Não crêem em quase tudo o que nos revelou Nosso Senhor Jesus Cristo. Por esses motivos e por muitos outros não deve um fiel católico sequer cantarolar esse tipo de musica que fará mal a alma, afastando dos sacramentos e da Santa Igreja, porque como já dito antes a lei da oração e a lei do que se crê.
    Devemos valorizar mais nossos músicos, pois os protestantes valorizam os seus, e tenho plena certeza, pelo muito que já ouvi, ele não admitem música católica em seus cultos.
    Se continuarmos cantando tais músicas, estamos perdendo nossa identidade de cristão católico.
    Vejamos os critérios que a Igreja nos dá para escolha de músicas litúrgicas:
    Catecismo da Igreja Católica, páragrafo 1157 e 1158:

    “O canto e a música desempenham sua função de sinais de maneira tanto mais significativa por estarem intimamente ligados à ação litúrgica, segundo três critérios principais: A BELEZA EXPRESSIVA DA ORAÇÃO, A PARTICIPAÇÃO UNÂNIME DA ASSEMBLEIA NOS MOMENTOS PREVISTOS E O CÁRATER SOLENE DA CELEBRAÇÃO.” (1157)

    “A harmonia dos sinais é aqui mais expressiva e fecunda por exprimir-se na riqueza cultural própria do povo de Deus que celebra. Por isso, o canto religioso popular será inteligentemente incentivado a fim de que as vozes dos fiéis possam ressoar nos pios e sagrados exercícios e nas próprias ações litúrgicas, DE ACORDO COM AS NORMAS E PRESCRIÇÕES DAS RUBRICAS. TODAVIA, OS TEXTOS DESTINADOS AO CANTO SACRO HÃO DE SER CONFORMES À DOUTRINA CATÓLICA, SENDO ATÉ TIRADOS DE PREFERÊNCIA DAS SAGRADAS ESCRITURAS E DAS FONTES LITÚRGICAS.” (1158)

    Cân. 1374 Quem se inscreve em alguma associação que
    maquina contra a Igreja seja punido com justa pena; e quem
    promove ou dirige uma dessas associações seja punido com
    interdito.

    O ato de ouvir, consumir produtos ou demonstrar admiração se enquadra na promoção de associações que maquinam contra a Igreja. Por isso, não devemos, sob risco de pecado, dar qualquer tipo de audiência a produtos protestantes.
    Muitas vezes, quando nós, na maior inocência ouvimos uma música protestante, mesmo que essa não contenha erros doutrinários (outro problema grave que abordarei mais adiante), damos dinheiro ou audiência a movimentos contrários à Igreja, fortalecendo-os, e colaborando indiretamente com os constantes ataques sofridos pela Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo.

    Outro ponto importante são os erros doutrinários que se camuflam por trás das belas melodias. Evidentemente que devemos evitar, pois podemos causar escândalo e confusão em pessoas que possam nos usar como exemplo, pois ao verem que escutamos músicas com erros doutrinários, podem achar que esses erros não o são, e colocar em risco a própria alma.

    Lex orandi lex credendi (Nós oramos de acordo com aquilo que cremos). Isto quer dizer: existe grande afinidade entre as fórmulas de fé e as fórmulas de oração; a fé se exprime na oração, já diziam os escritores cristãos dos primeiros séculos.

    No século IV, por ocasião da controvérsia ariana (que debatia a Divindade do Filho), os hereges queriam incutir o arianismo através de hinos religioso, ao que Sto. Ambrósio opôs os hinos ambrosianos.

    Mais ainda: nos séculos XVII-XIX o Galicanismo propugnava a existência de Igrejas nacionais subordinadas não ao Papa, mas ao monarca. Em conseqüência foi criado o calendário galicano, no qual estava inserida a festa de São Napoleão, que podia ser entendido como um mártir da Igreja antiga ou como sendo o Imperador Napoleão.

    POIS BEM, OS PROTESTANTES TÊM SEUS CANTOS RELIGIOSOS ATRAVÉS DE CUJA LETRA SE EXPRIME A FÉ PROTESTANTE. O CATÓLICO QUE UTILIZA ESSES CÂNTICOS, NÃO PODE DEIXAR DE ASSIMILAR AOS POUCOS A MENTALIDADE PROTESTANTE; ESTA É, EM CERTOS CASOS, MAIS SUBJETIVA E SENTIMENTAL DO QUE A CATÓLICA.

    2) OS CANTOS PROTESTANTES IGNORAM VERDADES CENTRAIS DO CRISTIANISMO: A EUCARISTIA, A COMUNHÃO DOS SANTOS, A IGREJA MÃE E MESTRE… ESSES TEMAS NÃO PODEM FALTAR NUMA AUTÊNTICA ESPIRITUALIDADE CRISTÃ.

    3) DEVE-SE ESTIMULAR A PRODUÇÃO DE CÂNTICOS COM BASE NA DOUTRINA DA FÉ.”

    NÓS CREMOS O QUE REZAMOS E REZAMOS O QUE CREMOS E TAMBÉM CANTAMOS O QUE CREMOS!

    “Quanto chorei ouvindo vossos hinos, vossos cânticos, os acentos suaves que ecoavam em vossa Igreja!
    Que emoção me causava! Fluíam em meu ouvido, destilando a verdade em meu coração.
    Um grande elã de piedade me elevava, e as lágrimas corriam-me pela face, mas me faziam bem.

    (Santo Agostinho Bispo e Doutor da Igreja).

  14. Candido Rubim Rios

    Na dúvida prefiro o canto gregoriano do mosteiro de São Bento ou se não mãezinha do Céu da Escola de Música da Rocinha

    Mãezinha do céu, eu não sei rezar
    Eu só sei dizer: “Quero te amar”
    Azul é teu manto, branco é teu véu
    Mãezinha, eu quero te ver lá no céu
    Mãezinha do céu, Mãe do puro amor
    Jesus é teu filho e eu também sou
    Azul é teu manto, branco é teu véu
    Mãezinha, eu quero te ver lá no céu
    Mãezinha do céu, vou te consagrar
    A minha inocência, guarda-a sem cessar
    Azul é teu manto, branco é teu véu
    Mãezinha, eu quero te ver lá no céu
    Mãezinha do céu, em tua proteção
    Oh, guarda meus pais e a todos os meus irmãos
    Azul é teu manto, branco é teu véu
    Mãezinha, eu quero te ver lá no céu
    Mãezinha do céu, eu não sei rezar
    Eu só sei dizer: “Quero te amar”
    Azul é teu manto, branco é teu véu
    Mãezinha, eu quero te ver lá no céu.

    Esta letra foi retirada do site http://www.letrasdemusicas.com.br

  15. Leandro

    Confesso que estou me divertindo muito lendo as postagens de vocês! Faz muito tempo que seus padres e seu povo bebem nas águas protestantes. Isso deve-se ao fato que a maioria de nossos cânticos são bíblicos. Os que não são eu também repudio. Fico feliz porque os cânticos podem ser usados como instrumentos de Deus para a conversão de muitos. Sou um ex-católico que ama os católicos. Orando pela salvação de vossas almas…

  16. Jorge Ferraz (admin)

    Isso é verdade, Leandro: infelizmente, há muitos padres bebendo nos lamaçais protestantes. É por isso que o Catolicismo anda tão mal, e há tantas almas se perdendo nas doutrinas humanas do monge bêbado da Alemanha…

  17. Jônatas Vital

    Que medo de conhecer a Verdade e ela os libertar, nem que seja por uma música, hein? Hehehe