Direitos Humanos, Bento XVI e Paulo VI

closeAtenção, este artigo foi publicado 8 anos 8 meses 9 dias atrás.

O Papa diz que Deus é o fundamento verdadeiro dos Direitos Humanos, conforme notícia de ZENIT desta quarta-feira. Lembrança muitíssimo oportuna, pois o caráter anti-cristão da Organização das Nações Unidas – evidente de modo particular em questões como o aborto e o homossexualismo – apresenta-se hoje sem máscaras e sem subterfúgios. Quarenta e três anos atrás, o Papa Paulo VI disse algumas palavras num discurso proferido na ONU – data vênia, ingênuas e otimistas por demais – onde afirmava estar convencido “de que esta Organização representa o caminho obrigatório da civilização moderna e da paz mundial”. Creio que, se o Pontífice pudesse contemplar a degradação da ONU que hoje se apresenta sem máscaras e sem enfeites, choraria amargamente.

Hoje, Bento XVI é mais realista, e ataca o ponto nevrálgico da questão – o que transforma a Declaração Universal dos Direitos Humanos em uma coisa, na melhor das hipóteses, meramente naturalista, incapaz de se estabelecer como uma referência necessária a todos os povos e, na verdade, carregando em si uma incoerência intrínseca, na medida em que rejeita Aquele que é capaz de dar sustentação aos verdadeiros direitos humanos. A Declaração não fala uma única vez em “Deus”; o Papa Bento XVI vai dizer que “os direitos do homem estão fundamentados em última instância em Deus criador, que deu a cada um a inteligência e a liberdade. Quando se prescinde desta sólida base ética, os direitos humanos se enfraquecem, pois ficam sem seu fundamento sólido”.

Os tempos mudaram. Também Paulo VI, no final do já citado discurso à ONU, disse a mesma coisa:

Numa palavra, o edifício da civilização moderna deve construir-se sobre princípios espirituais, os únicos capazes não apenas de o sustentar, mas também de o iluminar e de o animar. E esses indispensáveis princípios de sabedoria superior não podem repousar —  é Nossa convicção, vós o sabeis —  senão na fé em Deus.

À época, no entanto, tenho a impressão de que ficou apenas o elogio feito pelo Papa, e não o chamado à necessidade de que os Direitos Humanos fossem em Deus radicados. Sempre ouvi críticas a Paulo VI por ele ter dito que a ONU era “o caminho obrigatório (…) da paz mundial”; em contrário, nunca ouvi ninguém defendê-lo dizendo que o mesmo papa, no mesmo discurso, chamou a atenção para aquilo que hoje recorda o Papa Bento XVI gloriosamente reinante: os verdadeiros direitos humanos se fundamentam em Deus e, sem Ele, enfraquecem-se necessariamente.

Os verdadeiros direitos humanos são, assim, o que a Igreja chama de lei natural, “escrita por Deus na consciência humana”; a primeira defensora e promotora dos verdadeiros direitos humanos é, portanto, a Igreja Católica Apostólica Romana, a quem Deus Nosso Senhor confiou a plenitude da Verdade Revelada e a missão de fazer esta Verdade conhecida de todos os homens e povos. Em sentido estrito e próprio, por conseguinte, é a Igreja Católica que é o “caminho obrigatório da civilização moderna e da paz mundial”, pois é somente a Igreja Católica a defensora dos verdadeiros direitos humanos em sua integridade e sem incoerências. Qualquer outra realidade existente – pessoas, nações ou organizações – só poderá apresentar-se como “um caminho para a paz” na exata medida em que estiver em estreita sintonia com a Igreja de Nosso Senhor. Esta regra aplica-se também à ONU; se as circunstâncias históricas fazem com que os papas tenham convicções diferentes – Bento XVI não recomenda hoje a ONU como caminho obrigatório de absolutamente nada, ao que me conste -, tanto na década de 60 como hoje os sucessores de Pedro afirmam em uníssono a mesma verdade incontestável: somente Deus é o alicerce seguro dos direitos humanos.

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0 thoughts on “Direitos Humanos, Bento XVI e Paulo VI

  1. sandra nunes

    vanderley

    eu falei com você?

    Sua opinião foi pedida?

    Então fique quietinho, e não entre na conversa dos outros, que é falta de educação,

  2. Jorge Ferraz

    Sandra,

    Reitero, novamente, NEM TODOS OS CATÓLICOS PENSAM COMO VOCÊ!

    Eu penso como a Igreja e MOSTRO que penso como a Igreja.

    Se a senhora está dizendo que “nem todos os católicos pensam como a Igreja”… bom, eu só posso dizer o que estou dizendo aqui desde sempre: nem todos os que se dizem católicos são católicos de fato.

    Abraços,
    Jorge

  3. vanderley

    “Então fique quietinho, e não entre na conversa dos outros, que é falta de educação”,

    Aqui não é o quintal da tua casa.

    Parece-me que o blog é do Jorge e não teu, portanto,

    abaixe a crista.

    Se falar besteira, vai (“escutar”) ler.

    Toda vez que você entrar no assunto de doutrina, saiba

    que vou estar atento.

    Com relativista não tem moleza não.

  4. Euripedes Costa

    Que a Paz esteja com vocês!

    Caro Jorge,

    Permita-me inicialmente fazer referência a uma passagem do Evangelho de Lucas:

    “Um especialista em leis se levantou, e, para tentar Jesus perguntou: Mestre, o que devo fazer para receber em herança a vida eterna? Jesus lhe disse: O que é que está escrito na Lei? Como você lê? Ele então respondeu: Ame o Senhor, seu Deus, com todo o seu coração, com toda a sua alma, com toda a sua força e com toda a sua mente; e ao seu próximo como a si mesmo. Jesus lhe disse: Você respondeu certo. Faça isso, e viverá! Mas o especialista em leis, querendo se justificar, disse a Jesus: E quem é o meu próximo? Jesus respondeu: Um homem ia descendo de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos de assaltantes, que lhe arrancaram tudo, e o espancaram. Depois foram embora, e o deixaram quase morto. Por acaso um sacerdote estava descendo por aquele caminho; quando viu o homem, passou adiante, pelo outro lado. O mesmo aconteceu com um levita: chegou ao lugar, viu, e passou adiante, pelo outro lado. Mas um samaritano, que estava viajando, chegou perto dele, viu, e teve compaixão. Aproximou-se dele e fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas. Depois colocou o homem em seu próprio animal, e o levou a uma pensão, onde cuidou dele. No dia seguinte, pegou duas moedas de prata, e as entregou ao dono da pensão, recomendando: ‘Tome conta dele. Quando eu voltar, vou pagar o que ele tiver gasto a mais’. E Jesus perguntou: Na sua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes? O especialista em leis respondeu: Aquele que praticou misericórdia para com ele. Então Jesus lhe disse: Vá, e faça a mesma coisa.“(Lc 10, 25-37)

    Acima é apresentado os mandamentos nos quais toda Doutrina (com suas leis, regras, normas, encíclicas, bulas etc) está subordinada. Se tudo que a compõe é observado então Ela é a expressão da Verdade.

    Há outras duas passagens do apóstolo Paulo em sua Carta aos Gálatas que ressalta aspectos muito importantes.

    Os Gálatas eram pagãos e havia entre eles judeus-cristãos da comunidade que não o reconheciam como alguém que possuía autoridade para falar sobre os ensinamentos do Cristo, pois não fizera parte dos Doze, ou seja, não participara da atividade pública de Jesus.

    Segue então o Carta de Paulo aos Gálatas destaco o seguinte trecho:

    “Irmãos, eu declaro a vocês: o Evangelho por mim anunciado não é invenção humana. E, além disso, não o recebi nem aprendi através de um homem, mas por revelação de Jesus Cristo. Certamente vocês ouviram falar do que eu fazia quando estava no judaísmo. Sabem como eu perseguia com violência a Igreja de Deus e fazia de tudo para arrasá-la. Eu superava no judaísmo a maior parte dos compatriotas da minha idade, e procurava seguir com todo o zelo as tradições dos meus antepassados. Deus, porém, me escolheu antes de eu nascer e me chamou por sua graça. Quando ele resolveu revelar em mim o seu Filho, para que eu o anunciasse entre os pagãos, não consultei a ninguém, nem subi a Jerusalém para me encontrar com aqueles que eram apóstolos antes de mim. Pelo contrário, fui para a Arábia, e depois voltei para Damasco. Três anos mais tarde, fui a Jerusalém para conhecer Pedro, e fiquei com ele quinze dias. Entretanto, não vi nenhum outro apóstolo, a não ser Tiago, o irmão do Senhor. Deus é testemunha: o que estou escrevendo a vocês não é mentira. Depois fui para as regiões da Síria e da Cilícia, de modo que as igrejas de Cristo na Judéia não me conheciam pessoalmente. Elas apenas ouviam dizer: Aquele que nos perseguia, agora está anunciando a fé que antes procurava destruir. E louvavam a Deus por minha causa.” (Gl 1, 11-24)

    A narrativa a seguir relata o comportamento de Pedro em relação aos irmãos pagãos, fazendo com que Paulo o repreendesse. O episódio assim é narrado:

    “Quando Pedro foi a Antioquia, eu o enfrentei em público, porque ele estava claramente errado. De fato, antes de chegarem algumas pessoas da parte de Tiago, ele comia com os pagãos; mas, depois que chegaram, Pedro começou a evitar os pagãos e já não se misturava com eles, pois tinha medo dos circuncidados. Os outros judeus também começaram a fingir com ele, de modo que até Barnabé se deixou levar pela hipocrisia dele. Quando vi que eles não estavam agindo direito, conforme a verdade do Evangelho, eu disse a Pedro, na frente de todos: Você é judeu, mas está vivendo como os pagãos e não como os judeus. Como pode, então, obrigar os pagãos a viverem como judeus?”(Gl 2, 11-14)

    Atente para o lapso temporal de mais de três anos até o encontro com Pedro em Antioquia. Relembremos ainda que Pedro esteve com Jesus, ceava com Ele, caminhava com Ele, esteve no Pentecostes, no entanto, não aplicara com fidelidade o Magistério do Cristo; enquanto que Paulo, que não havia estado com Ele, ceado com Ele, caminhado com Ele, manifestou com fidelidade a prática de Jesus.

    Pedro agia com hipocrisia e estava influenciando de modo negativo no comportamento de Barnabé. Foi necessário a intervenção de Paulo a fim de que Ele observasse o ensinamento (doutrina) transmitida pelo Cristo.

    Se a Igreja (entenda-se como Assembléia do Povo) vivencia a prática de Jesus então Ela estará testemunhando a Verdade.

    Portanto, só estaremos transmitindo uma Sã Doutrina se vivenciarmos com fidelidade o Magistério do Cristo.

    Enfim, não adianta termos conhecimento do Evangelho se não o incorporarmos em nossas atitudes e ações.

    E, assim como foi para Pedro um desafio, esse também é o nosso.

    Jesus convida a Todos para constituir uma Sociedade fundada na Solidariedade, na Fraternidade e no Amor.

    Paz e Bem

    Euripedes Costa.

  5. Jorge Ferraz

    Caro Euripedes,

    Se “o Magistério do Cristo” for deixado ao arbítrio de cada um, então cada um vai entender o que bem quiser da Doutrina por Ele exposta e, em pouco tempo, tudo o que Jesus ensinou vai se perder completamente – veja, p.ex., as seitas protestantes, que pululam como micróbios em água suja.

    Foi por isso que Jesus sobre um só edificou a Sua Igreja (cf. Mt 16, 18), que é “coluna e sustentáculo da Verdade” (cf. 1Tm 3, 15), sobre a qual as portas do inferno jamais prevalecerão (cf. Mt 16, 19ss).

    Todo relacionamento verdadeiro com Cristo, portanto, passa necessariamente pelo Seu Corpo Místico que é a Igreja Católica, fora da qual Jesus não pode ser encontrado senão para trazer os extraviados de volta à Sua Igreja.

    Abraços,
    Jorge

  6. Euripedes Costa

    Que a Paz esteja com você!

    Caríssimo Jorge,

    Antes de tecer qualquer comentário sobre o último post, gostaria que você respondesse a TRÊS perguntas:

    (1) O que está escrito nos Evangelhos sobre o que consiste o Magistério de Cristo? Como você lê?

    (2) O que é que está escrito nos Evangelhos sobre como deve ser exercida a autoridade entre os Doze? Como você lê?

    (3) O que é que está escrito nos Evangelhos sobre “as chaves do Reino dos Céus” ? Como você lê?

    Paz e Bem

    Euripedes Costa

  7. Jorge Ferraz

    Euripedes,

    (1) O que está escrito nos Evangelhos sobre o que consiste o Magistério de Cristo? Como você lê?

    http://catecismo-az.tripod.com/conteudo/a-z/m/magisterio.html

    (2) O que é que está escrito nos Evangelhos sobre como deve ser exercida a autoridade entre os Doze? Como você lê?

    http://catecismo-az.tripod.com/conteudo/a-z/a/apostolo.html

    (3) O que é que está escrito nos Evangelhos sobre “as chaves do Reino dos Céus” ? Como você lê?

    http://hjg.com.ar/catena/c179.html

    Abraços,
    Jorge

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