Anna & Mia

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Eu sempre fui bastante cético com relação às frases de efeito utilizadas por uma espécie de “cultura de auto-ajuda”, segundo a qual o maior problema do Universo é o fato das pessoas terem baixa estima, e se acharem, tipo, um “joão-ninguém”. E sempre fui assim cético porque a enorme maioria das pessoas com quem eu convivo tem uma consideração exagerada por si própria; os piores casos de baixa auto-estima com os quais me deparei tinham-se, sempre, em conta muito mais alta do que lhes era devido por justiça.

Não acho que eu seja exagerado. Uma das passagens de escritores espirituais que mais me marcou foi quando, há alguns anos, li pela primeira vez o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, e vi que São Luís de Montfort, citando São Bernardo, não tinha um pingo de autocomiseração, pois propunha uma meditação (n. 228) com as seguintes palavras de São Bernardo: “cogita quid fueris, semen putridum; quid sis, vas stercorum; quid futurus sis, esca verminum” (pensa no que foste, semente pútrida; no que és, vaso de esterco; no que serás, comida de vermes). Lembro-me muito bem de que, à primeira vez, foi um choque considerar-me como um vaso de esterco: eu me tinha em alta conta, mais alta do que me era devida, e não o sabia.

Não pretendo tecer considerações detalhadas sobre este curioso fenômeno (já o fiz há algum tempo aqui); gostaria apenas de me perguntar se existem pessoas com “baixa auto-estima”, e se isso pode vir a ser um problema para elas. E o faço sob uma ótica específica: a das garotas que têm anorexia. Nunca havia tido contato com nenhuma anoréxica antes; conheci no entanto, recentemente, uma garota assim, e me impressionei com a quantidade – e, mais ainda, com a “qualidade” – do “material” sobre o problema disponível na internet.

Existe um verdadeiro empenho para se “embelezar” e transformar num ideal o “estilo de vida” anoréxico; é perturbador! Veja-se, por exemplo, o vídeo acima, de “thinspiration” (um curioso e intradutível jogo de palavras com “thin”, “magro”, e “inspiration”, inspiração). My wish: to be pretty (meu desejo: ser bonita). My hope: to be loved (minha esperança: ser amada). My love: anorexia (meu amor: anorexia). Veja-se o desenho da menina vomitando (bulimia; voltamos já já para isso) borboletas: I hate myself (eu me odeio)… I want to be seen as someone breakable and soft (eu quero ser vista como alguém frágil – “quebrável” – e delicada). Nothing tastes as good as thin feels … nothing hurts the way being unloved does …. and WE ALL will reach our goal, if we believe (nada é tão saboroso quanto ser magra … nada machuca tanto quanto não ser amada… e NÓS TODAS vamos atingir nosso objetivo, se nós acreditarmos). WE WILL (NÓS VAMOS)! É incrível – é uma verdadeira lavagem cerebral! And someday you will be proud of today’s not-eating (e um dia você vai ser recompensada por não ter comido hoje)… because you WILL be beautiful (porque você VAI ser bonita). E surge uma Barbie anoréxica (a gente volta daqui a pouco para isso também). If you stop, you’ll never feel the freedom you search for (se você parar, você nunca vai sentir a liberdade que procura); then, you will never see the light you reach for (então você nunca verá a luz que busca). Dare to dream (ouse sonhar).

É, verdadeiramente, um ideal de vida, a ser buscado custe o que custar, e que vale todos os sofrimentos: a fome, os laxantes, o vômito, a solidão, a fraqueza, tudo. É a perfeição a ser atingida, cuja posse recompensa todo e qualquer sacrifício; é a verdadeira liberdade, reservada àquelas que ousam sonhar alto e se empenhar na busca dos seus sonhos. Qualquer semelhança com um ideal religioso às avessas não me parece mera coincidência.

Este tipo de panegírico à doença circula livremente pela internet – é horrível. Existe toda uma “cultura” associada à anorexia vista como um ideal de vida: desde as borboletas e o desejo de ser “leve para voar”, passando pelas “amigas” Anna e Mia (a “Anna” é a anorexia e a “Mia” é a bulimia) que são aquelas que dão apoio às garotas que estão tentando emagrecer (estão “em busca da perfeição”)… Este blog traz em certo momento uma espécie de lista dos jargões: “LF” = “low food” (pouca comida), “NF” = “no food” (sem comida), “miar” = “vomitar” (vem da amiga Mia…), “tive uma compulsão” = “comi muito”… E isto não é o pior, porque as cartas das amigas “Anna e Mia” são verdadeiramente pra provocar estupor. Este profile do orkut, que achei por acaso, traz versões de ambas (aliás, hoje a garota está de “NF” – quer dizer (como só soube depois) que está sem comer). Vejam só (todos os absurdos tipográficos são do original):

CARTA DA MIA

Oi! Meu nome é Bulimia, mas os íntimos me chamam de Mia. Sou sua companheira e vou estar com vc nas horas de mais aperto e desespero, estou com vc e quase sempre com a Anna. Somos o trio perfeito e espero que vc não nos decepcione,pq nós sim somos suas verdadeiras amigas ! Não te decepcionamos e vamos sempre te ajudar. Vc com certeza terá momentos de extrema tristeza,mas passa pq nossa amizade é mais forte. Vc tem aquelas amigas que não te entendem, e se vc contar pra elas, nossa amizade estará em risco, elas irão querer te “ajudar”, mas não é isso o que elas queerem.. elas querem é destruir nosso laço e eu tenho certeza que vc não quer isso, portanto fique de boca fechada, pq vc não tem permissão da Anna de comer, e tem permissão minha de botar tudo pra fora se for necessário ! A escolha é sua, mas nós estaremos SEMPRE com vc e nunca iremos te abandonar ! Vc é forte o bastante para dizer não a seus familiares e “amigos”, nós sabemos disso. Te amamos…  Beijinhos da Mia.

CARTA DA ANA

Meu nome é Anorexia,mas você pode me chamar de Anna. Nós podemos nos tornar grandes amigas. Diziam que vc era tão madura,inteligente,que vc tinha tanto potencial. E eu pergunto, aonde tudo isso foi parar ? Absolutamente em lugar algum !Vc perde tempo falando com seus amigos ! Logo,esses atos não serão mais permitidos. Seus amigos não são verdadeiros. Quando inseguramente vc perguntou a eles: -Estou gorda? E eles te disseram: -Não,claro que não ! Vc sabia que eles estavam mentindo ! Apenas digo a verdade ! E sem falar nos seus pais ! Irei te contar um segredo agora: Bem no fundo,eles estão desapontados com vc. Porque vc se transformou em uma gorda,lerda,e sem merecimento de nada ! Vc não pode contar a ninguém. Se vc decidir o contrário,todo o inferno vai voltar ! Ninguém pode descobrir ! Eu criei vc,magra,perfeita,minha criança lutadora ! Vc é minha,e só minha! Sem mim,vc é nada ! Então,não me contrarie. Quando outras pessoas comentarem,ignore-os ! Esqueça eles,porque todos querem me fazer ir embora. Serei seu melhor apoio,e pretendo continuar assim.

Sinceramente, eu fiquei escandalizado quando encontrei estas coisas ao acesso de todo mundo, com a roupagem bonitinha e as cretinas insinuações de que é preciso afastar-se dos familiares e dos amigos, para não perder o ideal de vida anoréxico. Por isso é que eu volto a dizer que há coisas que não deveriam ser divulgadas… mas este é um outro assunto. Sobre este aqui, que já está ficando longo por demais, só mais dois comentários e um exemplo.

O primeiro comentário é sobre a Barbie anoréxica que aparece no vídeo. Este blog toca, quatro anos atrás, no assunto, e reproduz um comentário de uma anoréxica que vale a pena ser de novo reproduzido aqui:

A comunidade [do orkut] está crescendo espantosamente, numa rápida pesquisa, encontrei um número enorme de blogs com depoimentos chocantes (especialmente para uma mãe, como eu!). Entre esses textos, encontrei um que me chamou muita atenção pela lucidez da menina.

“Vocês podem até ser contra sites destes tipos, mas saibam e vejam que antes de tentar nos mudar vocês vão ter que mudar o mundo. Algumas perguntas relevantes:

1) Por acaso vcs já viram alguma gorda sexy como garota propaganda em alguma grande revista como Marie Clare ou Boa Forma?

2) Por que os maniquins das lojas femininas são baseados em números de 36 a 42 em sua maioria ?

3) Já viu alguma protagonista de filme ou novela realmente gorda???

4) Se o normal é comer porque todo dia lançam no mercado mais e mais produtos e dietas para emagrecimento?

5) Porque nunca colocam um gorda na campanha do Mac Donalds?”

Infelizmente, ela está certíssima. Antes de tentar mudá-las, precisamos mudar o mundo.. Não é o caso de criticá-las, mas de tentar compreendê-las e ajudá-las a superar esse problema. Nesse passeio pelos blogs, minha vontade é de colocá-las no colo. Fico imaginando, quantas mães sabem o que está se passando com essas meninas?

E a “ditadura da beleza” tem, sim, a sua parcela considerável de culpa no drama que estas meninas vivem; cansei de ler coisas como “é melhor morrer magra do que viver gorda” nos profiles de orkut pelos quais andei passeando. Trago o exemplo: este blog é de uma menina de Recife de 16 anos (não sei quem é, e gostaria muitíssimo de saber). O que tem escrito ao lado? “Se você nunca chorou ao ver sua imagem no espelho… Se você nunca sentiu odio de todo o mundo… Se você nuca foi motivo de piada… Se você nunca sentiu vontade de se trancar em seu quarto e nunca mais sair e lá…então você não sabe o que se passa comigo, portanto não venha me julgar”. A menina quer chegar aos 35 kg. E eu, sinceramente, acho um completo absurdo que exista um mundo no qual as meninas sejam forçadas a “se enquadrarem” n’algum perfil obtuso de beleza, sob pena de “ser motivo de piada” ou de chorar “ao ver sua imagem no espelho”. Vontade de chorar tenho eu, ao me deparar com uma situação dessas…

E, aqui, termino com o segundo comentário, retomando o que falei acima, sobre a auto-estima das pessoas. Estas meninas provavelmente sentem-se muito mal; qual a diferença, portanto, delas para o ideal proposto pelos santos para meditação? A diferença é que o problema  – combatido pelos santos – está relacionado à estima do jeito que o mundo a entende. Não basta sentir-se um sapo e desejar ser um rouxinol; não é suficiente ter consciência de que é um patinho feio, mas cultivar secretamente o desejo de vir a ser cisne. Não adianta saber-se um vaso de esterco e desejar, custe o que custar, ser um vaso de bálsamo. Em uma palavra: evidentemente não é para cultivar o desprezo por alguma coisa terrena mantendo, ao mesmo tempo, uma enorme insatisfação e um desejo desordenado de se obter alguma outra coisa terrena. À estima do jeito que o mundo a entende (e que praticamente todo mundo tem – mesmo que seja só “em potência”, em desejo, como as anoréxicas), opõe-se uma espécie de “santa estima”, que é a consciência clara de ser amado por Deus, de que se é filho de Deus e se tem o Céu por herança – isto deve nos bastar. É porque somos filhos de Deus que podemos desprezar as consolações do mundo; não é um mero masoquismo, e sim uma correta ordenação das graças que nos são concedidas. Todo filho de Deus tem do que se orgulhar, tem um bem que não lhe podem arrancar, tem uma riqueza mais valiosa do que qualquer outra que poderia almejar. É na verdade esta a auto-estima – e não a que o mundo apresenta – que deve ser buscada. Porque, na verdade, nem todo mundo pode ser o cisne branco – ou “a borboleta” – apresentado(a) pelo mundo como ideal supremo: no entanto, na casa do Pai há sempre – e sempre haverá, independente das modas do mundo – muitas moradas.

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12 thoughts on “Anna & Mia

  1. Julie Maria

    Que tema tão complexo! Vi um clip há um tempo atrás maravilhoso sobre isso (http://www.youtube.com/watch?v=iLXiyB5SwrE) mostrando a realidade desta ditadura de uma beleza que simplesmente não existe, como mostra o comercial da campanha da Dove (http://www.youtube.com/watch?v=2DiHXFaCHWk). No post que mostro este vídeo cito o Papa Bento XVI que diz algo que merece ser publicado em todo canto!:

    “Uma busca da beleza que fosse alheia à busca humana da verdade e da bondade transformar-se-ia, como infelizmente acontece, em mero esteticismo, e – sobretudo para os jovens – num itinerário que desemboca no efêmero, num aparecer banal e superficial, senão mesmo numa fuga para paraísos artificiais que escondem o vazio e a inconsistência interior… Uma razão que pretendesse desembaraçar-se da beleza ficaria truncada, como também uma beleza privada de razão reduzir-se-ia a uma máscara vazia e ilusória.”

    Falta Jorge uma conscientazão das duas realidades que vocês cita: o reconhecer que somos servos inúteis, que somos comida de vermes… e que ao mesmo tempo, com a visão e certeza sobrenatural da fé, reconhecer que somos a única criatura querida por Deus na terra, que somos filhos do Rei e da Rainha… que somos criados para a vida eterna e que isso é incomparavelmente melhor do que qualquer coisa que nos possam oferecer como “tapeação” nestes livros de auto-ajuda. Lembro-me algumas páginas do “Segredo” (venvido até nas Paulus!) que li na mesma livraria do aeroporto enquanto esperava alguém, que chega a ser tão ridículo que vira comédia. Tudo é questão de “querer… e querer é poder” para estes gurus. Mas.. basta ter um mínimo de senso comum para saber que o nosso querer não se transforma em poder. Basta meditar (alguém ainda tem tempo para isso?) que nada que eu faça pode acrescentar um minuto da minha vida e me dou conta que… não sou Deus! A auto-estima desta ditadura é falsa, se fundamenta na mentira e por isso não satisfaz. Mas a verdade é que muitos que estão no lixo e nem sequer sabem da existência de um Banquete, preparado pelo Pai para cada um de nós!

    Obrigada pelo post! Excelente!

    PAX

    Julie Maria

  2. Pingback: Anorexia « Julie Maria

  3. Josiane

    Parabéns, Jorge,ótimo post,aliás excelente post…na verdade não esperava menos de vc (=

    Li e reli tudo o que vc escreveu e os comentários tbm,vi o vídeo (velho conhecido meu) e realmente tudo na teoria é muito fácil, até mudar o mundo!!!Mas, sinceramente não vou sair daqui sem deixar uma pergunta p/ vc ou p/ quem queira responder:

    Como mudar o mundo de uma pessoa que passou, qd. cça, 4 anos letivos,durante o horario de recreio,trancada dentro do banheiro p/ não ser motivo de piadas?

    Dificil né? Bom ,essa pessoa encontrou na MIA a solução e em seguida, a ANNA apareceu e até hj as 3 vivem juntas ou quase morrem juntas…não sei !

    Sem mais.

    Josiane.

  4. LP

    Boa noite.

    ” Os Santos abriram seu caminho através das impossibilidades; ao passo que nós paramos diante de teias de aranha”, dizia um grande pensador.
    Tanto a MIA como a ANNA são loucuras impostas pela moda para escravizar; as mulheres principalmente.
    Nelas são existe solução apenas destruição, são “teias de aranha” que devem ser arrancadas.

    Segue um texto muito interessante do Padre Baeteman tratando sobre a moda, segue para apreciação.

    Porém há ” a moda”! dir-se-á. E, quando se pronuncia esta palavra, dis-se tudo. A moda é uma deusa, uma divindade à qual se sacrifica tudo! Por ela a pessoa torna-se escrava de um costureiro de fama; por ela, sacrifica os seus gostos, e veste-se de maneira excêntrica; por ela, vestidos luxuosos, berrantes, arriscados, extravagantes em excesso; por ela não cora de se parecer com as “virgens loucas”; por ela fecham-se os ouvidos aos avisos que nos vêm da Igreja, autoridade a mais sagrada que há na terra. Por ela, pra “seguir a moda”, que é que se não faz?
    A invasão desses vestuários indecentes tornou-se tão grande, que os Bispos se viram obrigados a publicar contra aquelas que não se pejam de arrastá-los até o templo de Deus….até o confessionário. ..até a Mesa santa…puniçõ es que deveriam fazer tremer uma cristã…mas que não bastam para corrigi-la disso!
    No seu número de 15 de outubro de 1924, a ” Revue des objections” publicou uma série de instruções do Cônego Coubé sobre está questão mais do que nunca na ordem do dia. Citamos algumas passagens dela:

    ” Depois da guerra, um vento de loucura tem feito virar muitas cabeças.Não creio que nas épocas mais depudoradas do paganismo antigo se tenha ido jamais tão longe na libertinagem do vestir. E me pergunto se as mulheres mais desmoralizadas de Roma e de Babilônia não tinham mais recato, ao menos em público, do que certas cristãs dos nossos dias.”

    ” A rainha Vasthi, esposa de Assuero, que preferiu renunciar ao trono a renunciar à modéstia e ao pudor no seu afeite régio, certamente faria pena a certas emancipadas do nosso tempo e passaria aos olhos delas por uma pequena ‘otária’.”

    ” A moral não é aqui a única a protestar; o bom gosto, a arte, a estética também protestam contra essas criações francamente ridículas que afeiam aquelas que as usam. Uma prova de que essas modas são horríveis é a rapidez com que passam. Há um plano diabólico concebido e executado para ridicularizar e desmoralizar a mulher; e um dos meios escolhidos para isso é a criação de modas cada vez mais cínicas.”

    Refleti, pois, jovem cristã, no que o dever aqui vos impõe.
    Querem descristianizar a Sociedade pela família, a família pela mulher e a mulher pela sua vaidade ou pela sua fraqueza. E haveríeis de deixar a impiedade urdir a sua trama sem nada tentardes para rompê-la? E haveríeis de consentir em vestir-vos como uma pagã?

    ( Formação da Donzela – pág.213 a 314 – Padre Baeteman)

  5. Julie Maria

    Estimado LP, belas palavras. Me fez lembrar de um texto que estou terminando de traduzir do Cardial Siri sobre “mulheres vestindo roupas masculinas”. Obrigada pelas citações do livro “formação da Donzela”, já que estou pesquisando este tema e tudo o que encontro me ajuda muito!

    Deus lhe pague,

    JM

  6. Jorge Ferraz

    Josi,

    Como mudar o mundo de uma pessoa que passou, qd. cça, 4 anos letivos,durante o horario de recreio,trancada dentro do banheiro p/ não ser motivo de piadas?

    Querida, isso é muito, muito, muito triste. É o que falávamos sobre a “ditadura da beleza”, com a conseqüente exclusão e discriminação daqueles que não se adequam aos seus padrões.

    Um mundo desses não deveria existir; uma criança não deveria precisar ter passado por situações vexatórias e traumatizantes, dentro do “mundo” dela – que era exatamente o único mundo que ela tinha, o primeiro com o qual ela estava tendo contato. Claro que isso provoca traumas.

    Uma vez, no entanto, que a injustiça já foi feita… como mudar o mundo desta ex-criança? Não sei… e, no entanto, avisando de antemão que reconheço ser injusto eu me arvorar em falar algumas palavras sobre assuntos que manifestamente ignoro, gostaria de dizer que… as crianças crescem. Elas não precisam – e, aliás, nem podem – passar o resto da vida escondidas no banheiro com medo dos gracejos dos demais. O valor que tem essa criança crescida (como o valor de qualquer pessoa) é-lhe inerente, e não depende em absoluto das opiniões que fulanos ou sicranos tenham sobre ela. O mundo dos adultos é diferente do mundo das crianças, e ninguém precisa operar essa transformação porque ela se opera sozinha, com o próprio passar do tempo – resta à ex-criança apenas constatá-la. Tu não precisas dar importância à opinião dos outros porque, na verdade… elas não importam. Nem para te rebaixar e nem para te elevar: tu não tens valor porque eu digo isso, e sim porque tens, simplesmente, ainda que ninguém o diga.

    Como mudar, não o mundo, mas a ex-criança (que é o que realmente importa nesta história toda)? Ninguém pode fazê-lo, se ela não quiser mudar, e esta talvez seja a coroação das tristezas deste drama: imaginar como pode ser possível que uma porcaria de um estereótipo possa ter amordaçado numa pessoa aquilo que ela tem (ao lado da inteligência) de mais sagrado e precioso: a sua vontade. Mas esta, dada por Deus, pode ser adormecida, enfraquecida, humilhada, aviltada, mas não destruída, pois ninguém tem poder sobre ela. Há um Deus, que faz novas todas as coisas, e que faz as pessoas com sede do Infinito, com desejo do Eterno, com ânsias pelo Céu; quando as pessoas percebem isso, então as futilidades terrenas passam a ter bem pouca importância, porque o que elas realmente querem – aquilo do que realmente precisam – não se encontra por aqui.

    Enfim! Como eu sei que as palavras não adiantam, rogo à Virgem Mãe de Deus por ti, Josi; que Ela possa te reconduzir aos braços do Pai, onde és amada, e onde não há espaços para carências ou insatisfações porque Deus é pleno e nunca Se entrega senão plenamente.

    Abraços,
    Jorge

  7. Pingback: Anna & Mia : emagrecer

  8. Anna y Mia

    Ola…Sou uma garota de 14 anos…
    Quando eu encontrei este post naum esperava me emocionar tanto ao ler…
    Sou anna e mia a pouco tempo, mais sei oke eh sofrer com isso…
    Eu gostei de ver pessoas q tentam entender o nosso lado, nos compreender, msm naum concordando, pois há mtos sites por ai q nos umilham, chingam, e nos tratam como lixo, coisa q naum somos…
    Eu sei q eh uma obessão essa procura tão interminavel pela beleza, mais eh uma necessidade q nos temos, eh preciso alcançar as metas…
    A ditadura da beleza nos persegue, e naum eh uma escolha nossa, eh uma coisa q ven de dentro, como diz a carta da anna, ela preenche nossa alma e eh a unica a conpreender realmente, eh loucura dizer isso e eu sei q a ana e a mia são doenças mais eh como a ana disse: ela nos criou assim magra e perfeita…e eh isso q eu busco, a perfeição…

    obrigada pela conpreenção…

    com carinho….

    J….anna e miaa

  9. Jorge Ferraz

    Caríssima J.,

    É diante de casos como os teus que a gente se sente impotente, por não saber o que fazer. Como dizer que beleza não é importante para uma menina que passou a vida inteira “respirando” a necessidade da beleza, na família, com os amigos, na escola, na televisão, na rua, no trabalho, etc… ? No entanto, é isso que precisa ser dito.

    As pessoas precisam entender o valor que têm; e isto independe do corpo delas, da estética, do que as pessoas que vivem junto com elas acham ou deixam de achar. As pessoas precisam entender que o valor que elas têm vem de dentro, vem daquilo que elas são, e não de fora, do que o mundo pensa delas. Tu não és um “lixo”, querida, nem nada parecido, muitíssimo pelo contrário: és uma garota muito amada por Deus e chamada à filiação divina.

    Há coisas mais importantes a serem buscadas. Há metas mais nobres a serem abraçadas. Há a perfeição verdadeira à qual todas as pessoas aspiram, e perto da qual tudo é fumaça. É esta perfeição – e não nenhuma outra – que “sacia a alma”, afinal.

    Que a Virgem Santíssima interceda por ti, a fim de que consigas caminhar pelo caminho estreito que conduz a Deus – e não às modas do mundo.

    Abraços, em XC,
    Jorge Ferraz

  10. Pingback: Miss Australia 2009 « Beleza Real

  11. Alexandre Magno

    Josiane disse: “Como mudar o mundo de uma pessoa que passou, qd. cça, 4 anos letivos,durante o horario de recreio,trancada dentro do banheiro p/ não ser motivo de piadas?”

    Eu penso ter entendido o que Josiane desejou expressar, e parece besteira (para alguns) o que eu vou observar agora, mas não é: Josiane considerou “noção de mundo” = “mundo”. Esta é uma marca do relativismo de nosso tempo.

    Infelizmente Jorge Ferraz entrou na onda: “O mundo dos adultos é diferente do mundo das crianças, e ninguém precisa operar essa transformação porque ela se opera sozinha, com o próprio passar do tempo – resta à ex-criança apenas constatá-la.”

    Apesar disso, suspeito que a intenção de Jorge foi falar em “noção de mundo”.

    Gente, o mundo é um só!

    Quanto mais vemos o mundo diferente do que ele é, mais mergulhados na mentira estamos. Se consideramos, meio que inconscientemente, a existência de vários mundos, pior ainda.

    Ele (o mundo) “muda”? Sim. Alguém pode emendar: “então ele deixa de ser o mesmo e não é um só”. Mas não penso que seja tão simples assim…

    Então temos que ver o mundo da mesma forma? Alguns não vão me entender, mas… sim, “pelos menos em ‘essência'” nós temos (para o nosso bem) que ver o mundo da mesma forma. Isso parece totalitário? Só se você inferir por conta própria uma série de aberrações, misturar óleo com água.

    Algo a não perder de vista é que há um só mundo, que é compartilhado por todos, sendo ele mais ou menos compreendido, ou não-compreendido.

  12. amanda

    oi,preciso da ajuda de vcs………
    me sinto horrivel e ninguem me entende…..
    preciso emagreser urgente!!
    por favor me ajunde!!