Entre a Lua e a Estrela

closeAtenção, este artigo foi publicado 8 anos 7 meses 8 dias atrás.

Dentre uma infinidade de outras coisas que eu recebo no meu email, vez por outra vem um texto do PSOL. Tenho por hábito não apagar absolutamente nada antes de, ao menos, passar a vista por cima da mensagem (por isso que minha caixa de entrada sempre tem centenas – literalmente – de emails não lidos…); foi o que me levou a abrir o email do Partido Socialista e descobrir este texto pró-palestina escrito pela Executiva Nacional do partido.

O PSOL exige que o governo brasileiro mude sua atitude e assuma uma posição ativa de apoio a causa palestina, seguindo no campo diplomático os passos da Venezuela – diz o texto. Penso cá com os meus botões; quem é o PSOL para exigir alguma coisa? Qual a necessidade de que o Governo Brasileiro aja com a mesma insensatez da ditadura venezuelana? Hoje em dia, parece que qualquer um se sente no direito e no dever de fazer exigências passionais, baseando-se em qualquer coisa ou mesmo em nada, e esperando que sua histeria seja sinceramente levada em consideração!

Não tenho conhecimento de causa suficiente para tecer considerações aprofundadas sobre o conflito no Oriente Médio. Outros já o fizeram; em particular, há vários textos do Reinaldo Azevedo no seu blog sobre o assunto nos últimos dias, que podem e devem ser lidos e levados em consideração. Pra ficar em um só exemplo de vários que poderiam ser dados, há um post do dia 05 de janeiro que diz o seguinte:

É dever de todo governo defender o seu território e a sua gente. Mas, curiosamente (ou nem tanto), pretende-se cassar de Israel o direito à reação. Por quê? O que grita na censura aos israelenses é a voz tenebrosa de um silêncio: essa gente é contra a existência do estado de Israel e acredita que só se obteria a paz no Oriente Médio com a sua extinção. Mas falta a essa canalha coragem para dizer claramente o que pretende. Nesse estrito sentido, um expoente do fascismo islâmico como Mahamoud Ahmadinejad, presidente do Irã, é mais honesto do que boa parte dos hipócritas europeus ou brasileiros. Ele não esconde o que pretende. Aliás, o Hamas também não: o fim da Israel é o segundo item do seu programa, sem o qual o grupo terrorista julga não cumprir adequadamente o primeiro: a defesa do que entende por fé islâmica.

Evidentemente, sou muitíssimo mais simpático à posição defendida pelo Reinaldo do que àquela proposta pela Executiva Nacional do PSOL. Ademais, é reconfortante saber que a condenação (virtualmente unânime na mídia nacional) a Israel não é compartilhada pelos próprios israelitas: eles estão unidos.

“Esta é uma Guerra justa, e não nos sentimos culpados quando civis que não pretendemos ferir são feridos porque nós sabemos que o Hamas usa esses civis como escudos humanos”, afirma Elliot Jager, que cuida da página editorial do Jerusalém Post.

Há todavia um outro aspecto da questão que, a meu ver, é posto um pouco de lado. Claro que, no caso presente, a condenação aos judeus repetida ad nauseam et ubique é uma estupidez; claro que Israel tem o direito de se defender, e não há desproporcionalidade alguma. No entanto, e quanto à solução definitiva? O Reinaldo reproduz Ali Kamel:

[P]ara que haja paz, os dois lados têm de ceder em questões tidas como inegociáveis, o apelo às armas têm de ser abandonado, o Estado Palestino deve ser criado ao lado de Israel, cujo direito a existir não deve ser questionado. Se isso acontecer, muitos árabes e israelenses daquela região não se amarão, terão antipatias mútuas, mas viverão lado a lado.

E eu não consigo ver as coisas com esta simplicidade toda, porque existem questões religiosas em jogo, e estas são sempre inegociáveis. Como vão dividir Jerusalém? Como vão distribuir entre as duas partes litigiosas o Monte Sião? A resposta definitiva ao problema, que sempre apontam como se fosse a criação de dois estados – um israelita, um palestino -, é tão absurda que me causa repugnância. O aspecto religioso – o predominante nesta confusão toda – é simplesmente descartado, e querem oferecer soluções “na canetada” que não o levem em consideração. É estúpido.

Então, como se resolve o problema de uma vez por todas? Eu não sei e, sinceramente, não consigo ver nenhuma solução humanamente possível. Não me sinto à vontade para tomar partido entre os infiéis e os pérfidos judeus – ou, para dizer as coisas de outra maneira, entre os descendentes de Ismael e os nossos “irmãos mais velhos” (os descendentes de Esaú), entre árabes e judeus. Não há solução definitiva nestes moldes; há males menores e maiores, mas sempre condicionados a diversos fatores, sempre contingentes.

Não me parece correto dizer, simpliciter, que “a Terra Santa pertence aos judeus”, simplesmente porque – como Esaú – a Sinagoga perdeu a primogenitura, e o verdadeiro povo de Deus é, hoje, a Igreja Católica e Apostólica. Incomoda-me um pouco um certo entusiasmo exagerado pró-judaísmo que eu encontro por aí: afinal, ainda sendo justa a reação israelita atual (e isso é ponto pacífico), não muda o fato de que os judeus não são o lado branco da Força. No entanto, ainda falando sob uma ótica humana, creio ser importante lembrar que, historicamente, há uma diferença muito grande entre os dois povos. Basta olhar para a Guerra da Reconquista, ou para a degradação promovida pelos filhos de Maomé em países que eram prósperos antes das cimitarras chegarem…

Qual é, portanto, a verdadeira solução? Só consigo ver uma, expressa magnificamente nas orações que a Igreja faz na Sexta-Feira Santa: oremus et pro Iudaeis e oremus et pro paganis. É somente quando Cristo vencer, que poderá haver paz no Oriente Médio; e é somente sob o signo da Cruz – não da Lua Crescente, nem da Estrela de David – que a terra onde foi derramado o Sangue do Salvador poderá enfim ter aquilo que lhe compete por direito.

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7 thoughts on “Entre a Lua e a Estrela

  1. Demerval Jr.

    Jorge,

    É um tanto espinhoso opinar sobre fatos ocorridos em outras culturas, considerando aí o modus vivendi delas, as suas tradições e mesmo a diversidade religiosa, tudo isso para se chegar ao núcleo gerador dos conflitos de tais povos. Nesse tocante, sempre corre-se o risco de ser antropocêntrico, fato que, definitivamente, não ajuda em nada além de servir para atrapalhar a coisa toda, ainda que supostamente.

    A verdade, irmão, é que a meu ver, ao menos até agora, só a Igreja vem se manifestando mediante um parecer adequado, ou seja, nem tanto ao mar e nem tanto à terra. É claro que um Estado tem direito a se defender (e mesmo o dever) e nisso Israel é e sempre foi muitíssimo eficiente, mais do que qualquer outra nação no mundo nestes nossos tempos modernos. Mas é evidente a sua atual má fé no uso extremamente desproporcional da força bélica numa situação que é para lá de corriqueira na sua realidade, já historicamente vista por seus cidadãos (desde os tempos da ocupação) como parte de seu cotidiano, no que se refere ao risco de ataques de grupos extremistas.

    O que há mesmo é uma politiquice desavergonhadamente provocativa por parte do Hamas e outra politicalha descaradamente cínica por parte do governo israelense; e no meio de todo esse lixo sociológico estão dois povos cegos literalmente em meio ao tiroteio… Há muito de marcação de território das raposas partidárias (que inclusive se estendem pelo mundo afora!), misturada em conchavos midiáticos, além de interesses que vão do micro ao macro econômico. Enfim, um grande volume de pequenos interesses amealhados por alguns antigos interesses mais graúdos, entre estes o desejo mútuo de liquidar o vizinho para dominar todo o povo. Ou seja, interesses espúrios são a força motriz dessa torpeza.

    Mas em tudo isso, o que mais espanta é o sofrimento causado a uma massa enorme de pessoas simples que querem apenas ter uma vida normal, pessoas que estão em ambos os lados da fronteira – e aqui não se pode misturar as religiões com as nacionalidades. Prova disso é o fato de que o apoio dos israelitas ao seu exército NÃO É unânime, há muita contrariedade sendo exposta inclusive pela imprensa de lá ( vide http://porquenaodizem.blogspot.com/2009/01/verdade-sobre-faixa-de-gaza.html apenas como ponta de lança para maiores pesquisas). E se é verdade que há muitas manifestações violentas vindas da Faixa de Gaza também não é verdade que a violência é fruto da falta de perspectiva de futuro em uma sociedade? Que futuro a Palestina vislumbra: uma nação saudável e próspera para seus filhos ou um deserto regado de sangue? Tal perspectiva, tal iniciativa!

    O que entendo, Jorge, é que há que se condenar a violência entre povos, quaisquer que sejam; mas, antes, deve-se minar (desculpe o trocadilho infeliz) a causa da beligerância, sob pena de perpetuar os conflitos incubados por uma repressão irrestrita.

    É claro que há muito mais a dizer sobre isso, mas o importante é que nossa Igreja já se posicionou contra o uso da força excessiva, que só faz vítimas inocentes e fortalece a causa dos incendiários socialistas (de todos os naipes, seja onde quer estejam).

    Enquanto isso, rezemos pela paz no Oriente Médio…

  2. João C.

    Sim, rezemos todos para que a Paz de Cristo, primeiramente que a paz dos homens, pois de uma novem a outra, chegue à Terra Santa, àquele lugar onde foi derramado o Sangue Santíssimo para a nossa salvação!

    Que a Cruz de Nosso Senhor vença as “estrelas” e as “luas” e as trevas que se fazem sentir por todo o mundo!

    Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi,
    Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum!

  3. juliete

    Mas antes da criação do Estado de Israel em 1948, a região da Palestina era habitada por povos de várias religiões e conviviam em paz. Porque não se cria um estado democrático único que abarque toda essa população: judeus, mulçumanos e cristãos? Pela lógica é claro que não mais existiria um estado judeu, mas existiria paz, ou será que isso não interessa?
    O pior de tudo isso é que não há um poder capaz de parar esse massacre. Não é desconsiderando o lado judeu, não, mas os números de mortos falam por sí.

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