Entrevista blasfema com Marcelo Barros

closeAtenção, este artigo foi publicado 8 anos 5 meses 20 dias atrás.

O vídeo acima mostra uma entrevista do monge Marcelo Barros no programa do Jô; não sei a data. O escândalo maior não é o monge “disfarçado” de leigo, nem as loas que são feitas a Dom Hélder, nem a confissão de Dom Barros – “o Dom Hélder já entrou num processo de Igreja que ele queria transformar, e ele trabalhou nisso com todo o amor, a profecia é isso, você fica dentro, você não sai, apesar de ser incômodo” -, nem as besteiras sobre as almas dos animais, nem nada disso. O que realmente me chocou foi a blasfêmia da “história da prostituta que procurou Dom Hélder”.

É importante deixar logo bem claro, logo desde o início, que Marcelo Barros não é fonte fidedigna para nada; é um princípio filosófico elementar que, quem pode o mais, pode o menos, e um monge que é capaz de esculachar com a Igreja obviamente é também capaz de esculachar com a memória de um bispo. Assim sendo, atenho-me muito mais à história contada do que às personagens (supostamente) nela envolvidas.

Qual a história? Em linhas gerais, uma prostituta – uma senhora – havia feito uma promessa pra Jesus (!) segundo a qual, toda Sexta-Feira Santa (!!), “em homenagem a Jesus” (!!!), ela ia até um presídio e oferecia os seus serviços gratuitamente ao “preso mais abandonado” que encontrasse (!!!!). Procurando aconselhamento com o Arcebispo, este ter-lhe-ia dito: “vá em paz, Jesus está muito contente com você” (!!!!!).

Não consigo imaginar qual o interesse que alguém pode ter em propagar uma história blasfema dessas. Se ela for verdadeira, errou e errou muito feio o Sucessor dos Apóstolos que, ao invés de dar bons conselhos à senhora que (provavelmente por uma moção da Graça de Deus) o procurou, mentiu e, blasfemando desgraçadamente, chamou o mal de bem, as trevas de luz, o amargo de doce (cf. Is 5, 20), dando apoio ao sacrilégio e aconselhando a prostituta a permanecer na sua má vida.

Se tal coisa realmente aconteceu, merece orações em desagravo, e não elogios na televisão. Se tal história é verídica, merece que choremos pelos nossos pecados e peçamos a Deus misericórdia; e não que a aplaudamos. É triste ouvir o Jô dizer que esta é uma história “das mais cristãs” que ele já ouviu; o amargo continua sendo chamado de doce, e a blasfema inversão de valores contida na história se propaga a cada vez que ela é contada como se fosse um santo exemplo a ser admirado. Que Deus tenha misericórdia de nós todos.

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38 thoughts on “Entrevista blasfema com Marcelo Barros

  1. João Maevo

    Jesus andou no meio de prostitutas, ladrões, perdoou seus algozes, ensinou o amor aos inimigos, porém, o que vocês deste site fazem? Condenam monges que falam a respeito da tolerância e do amor. Vocês são exatamente como os inquisidores que lançavam pessoas na fogueira.

    O que entendem de amor, de paz, de Cristo, se a única coisa que sabem fazer é condenar, julgar, e mostrar a espada? Cristo condenou a espada e falou de amor.

  2. João Maevo

    Dizer que não houve inquisição, que não houve cruzadas, que não houveram mortes promovidas pela Igreja. Vocês são loucos, fanáticos. Tenho pena dos loucos, pois além de não conhecer história, se apóiam em fanatismos que a negam. Que absurdo! Loucos! Assassinos!

  3. Eduardo Araújo

    Não, imbecil, ninnuém aqui afirmou que não houve inquiasição – houve, aliás, três inquisições – assim como as cruzadas, seu analfabeto funcional. Fanatismo é vir num blogue católico vomitar esse lixo anticlerical bobo e anacrônico (é tão intelectualmente deficiente que precisa de uma muleta da pseudo história anticatólica para xingar a Igreja). Acho, até, que estúpidos como você carecem de uma psicoterapia, para averiguar a motivação por trás de tamanha imbecilidade.

  4. Lele

    Excelente comentário do sr. Araújo! Num dia de Natal com espírito amoroso e cristão, cheio de ternura e delicadeza!!! Parabéns pelo exemplo de conduta católica romana!

  5. Sócrates

    Sábios são capazes de ir além de discuções infatiliziantes e procuram refletir com ternura de forma tranquila, madura e paciente, diantes de concepções diversas.

  6. Eduardo Araújo

    1 – não me considero sábio;

    2 – interessante: repliquei – de fato, num tom nada moderado – a um sujeito que vem num blogue católico chamar quem não pensa igual a ele de “inquisidor da idade média”. Aí, aparece (extemporaneamente) um(a) juiz(a) da minha “conduta católica” e um “filósofo” da obviedade, sem dúvida se dirigindo a mim, ignorando completamente o agressor que deu origem ao meu comentário; Tão imparciais …

    3 – quando repliquei estava consciente de que não estava no ar nenhuma DISCUSSÃO, muito menos “infantilizante” (sic). Sábio não sou, mas também não sou reducionista simplório, a ponto de tomar uma simples resposta numa caixa de comentários de um blog por uma suposta manifestação intelectual e reduzir minha “conduta católica” a uma reação dessas. Para os ditos católicos, recomendaria uma leitura da vida dos santos, começando com S. Josémaria Escrivá e depois aplique a eles seus conceitos de ternura e delicadeza …

    4 – refletir diante de concepções diversas é via de mão dupla. Toda reflexão, para ser proveitosa, deve considerar sempre o contexto e a PROPORÇÃO daquilo que se examina. Sinto que tais pré-requisitos faltaram a quem indiretamente me trata por ignorante, imaturo, impaciente e infantil.

    Aliás, nada mais “infantilizante” que dar prosseguimento a uma “discussão infantilizante” há muito terminada.

  7. Paolo Câmara Murra.

    Sou sobrinho neto de Helder Câmara….A blasfêmia nessa história está no coração de quem ainda se sente no direito de julgar ou atirar a primeira pedra….
    Uma prostituta antes de tudo também é filha de Deus…. Nem toda prostitua se tornou prostituta por querer, ainda mais naquela época… E se o que ela fazia era de coração, não nos cabe julgar, muito menos condenar…. Deus não precisa de porta voz, e nem de quem tome suas dores… Existem pecados muito maiores nos corações de cada um de nós…
    Meu Tio era um homem sábio e um dos católicos mais cristãos no exato sentido da palavra que já conheci. E posso lhe garantir que no reino de Deus é mais fácil que exista um lugarzinho vago para essa prostituta habite do que para a maioria de milhões de seguidores de várias igrejas e de diversas religiões que decoram a bíblia de cabo a rabo sem entender realmente e de seguir o que nela está escrito…
    Essa “Prostituta” tem meu respeito e caso muitos se esqueçam, Só para lembrar!!! Somos todos filhos de Deus… Inclusive ela.

  8. Jorge Ferraz (admin)

    Sr. Paolo,

    Se o sr. prestar atenção às prostitutas que aparecem (v.g.) nas Escrituras Sagradas, verá que elas nos precedem, sim, no Reino dos Céus, na medida em que se arrependem dos seus pecados e se emendam de sua má vida. Não existe, na hagiografia cristã, na teologia moral, na História Sagrada, em canto algum, a possibilidade do pecador “pecar firmemente” e ser digno de louvor e aprovação por causa disso. Ao contrário, isso é uma blasfêmia sem precedentes.

    Sim, pecadores somos todos, e sim, os pecadores vão para o céu. Mas eles vão para o céu apesar dos seus pecados e nunca por causa deles, como o senhor dá a entender nesse seu discurso anti-cristão. Como assim, se ela se prostituía “de coração” não nos cabe julgar? O que significa essa frase absurda? E se ela roubasse “de coração”, a gente ia ter que aplaudir também? Se ela matasse “de coração”, mereceria também o nosso respeito? Se ela mentisse e enganasse “de coração”, teria o seu lugar garantido no céu também?

    A prostituição, meu caro, é pecado. Ponto final. Se alguém peca “de coração” (repita-se, seja lá o que signifique esta frase absurda) deve ser admoestado a deixar de pecar, é óbvio!, e não incentivado a isso. E quem confunde os pequeninos – abstendo-se de lhes ensinar o caminho reto quando é perguntado – não merece a consideração e nem o respeito de ninguém. Independente de de quem seja sobrinho.