Ainda as Indulgências

closeAtenção, este artigo foi publicado 8 anos 5 meses 22 dias atrás.

Aqui, faço eco àquilo que o Marcio Antonio já disse há quase um mês no “Eles não sabem o que escrevem”. Não me detenho muito em analisar o porquê das reportagens sobre as indulgências estarem erradas; o Marcio já fez isso. Há, no entanto, outra raça de gente que tem bem menos direito de errar sobre o assunto do que a mídia secular: são os hereges do Centro Apologético Cristão de Pesquisas que escreveram um artigo sobre o assunto.

Logo o subtítulo já revela a seriedade do “estudo”: Indulgência agora é gratuita. Voltou com João Paulo II e, sob Bento XVI, cresceu para varrer pecados do mundo. Três erros em uma única linha! Primeiro, indulgências sempre foram gratuitas; segundo, elas não “voltaram” com João Paulo II (porque sempre existiram); terceiro, as indulgências apagam as penas temporais dos pecados já perdoados, no máximo “varrendo”, portanto, as penas, e não os pecados em si. Eis um exemplo verdadeiramente invejável de como conseguir falsear uma notícia maximizando o número de erros por frase escrita! Tem coisas que só o CACP faz por você…

Aliás, eu tenho a impressão de que este site se baseia na mídia secular para escrever os seus artigos, porque não é possível uma tão grotesca coincidência: em certo ponto, o artigo aqui comentado diz que [o] Concílio Vaticano II (1962-1965) a aposentara [a indulgência] com a missa em latim e a dieta de carne às sextas-feiras. Permito-me citar o Marcio:

Como a missa em latim e as sextas-feiras sem carne, a indulgência foi uma das tradições separadas da prática da maioria católica nos anos 60 pelo Concílio Vaticano 2º

Não, não adianta você ir aos documentos do Vaticano II. Lá você não encontrará nada sobre acabar com a missa em latim, a abstinência das sextas-feiras (ela ainda existe, sabiam?) e as indulgências. Acho que deve haver uma regra nas redações. Se o jornalista não sabe por que algo mudou no mundo católico, coloca a culpa no Vaticano II. Hoje as casulas góticas são mais usadas? “Deve ter sido coisa do Vaticano II”, pensa o repórter. Temos padres cantores? “Humm, acho que foram incentivados pelo Concílio”, dirá ele.

Não, o Marcio não está comentando o artigo do CACP, e sim o do NYT reproduzido pela Folha. Não acredito que um erro tão absurdo quanto o acima exposto possa ter surgido, simultânea, idêntica e independentemente, em duas cabeças distintas; portanto, a única explicação plausível para o fenômeno é que os consultores teológicos do CACP são os jornais leigos como o New York Times! É uma verdadeira piada; com fontes dessas, como é que o site tem a cara de pau de pretender oferecer “apologética” na internet?!

É muita cretinice; os “apologetas” hereges do CACP manifestamente não fazem a mínima idéia daquilo sobre o que estão falando e, mesmo assim, têm a pachorra de apresentar, julgar e condenar uma doutrina cujo conteúdo lhes escapa completamente. Um mínimo de honestidade intelectual é exigido de quem pretende comentar idéias alheias; caso contrário, pode-se falar em fraude, pode-se falar em engodo, pode-se falar em empulhação, pode-se falar em mentira, pode-se falar em safadeza, pode-se falar em engano, pode-se falar em desonestidade, pode-se falar em qualquer coisa, mas – por razões óbvias – não se pode, de modo algum, falar em apologética.

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7 thoughts on “Ainda as Indulgências

  1. Sidnei

    Diante destas coisa as vezes eu me pergunto, se a Igreja quisesse processar esta gente toda que distorce ao bel prazer a sua doutrina haveria uma enxurrada de processos, porém, do jeito que anda a justiça em cobrir o crime dos outros e condenar o que realmente se deveria ser condenado só resta esperar a justiça divina, no fim dos tempos.

  2. Vinícius

    Pois é, o pior é que tem gente que usa e abusa de argumentos vindos da mídia para atacar os católicos. Uma amiga minha de faculdade quase me bateu um dia afirmando de pés juntos que o papa era nazista. Será que há alguma diferença entre ser nazista e ter participado da juventude hitlerista? Claro que há! Mas quando a mídia fala, parece que nada mais importa. As pessoas não costumam ler direito as notícias e fazem o seguinte processo mental:

    Por exemplo, a notícia é:

    “Um fato curioso sobre o novo papa”Bento XVI é que quando mais novo participou da juventude hitlerista, mas não é nazista”.

    Para mim está tudo ok. Mas junta a preguiça com a má fé e a pessoa só pega os nomes mais importantes: Bento XVI-participou-Juventude Hitlerista-nazista.

    A partir daí sai espalhando a notícia:”Meniiiina, você não sabe da última, sabe o novo papa? Ele é nazista…”. “É mesmo?”. “siiim, acabei de ver no jornal que ele participou da juventude hitlerista”. Como quem não teve o mínimo interesse em saber o que é a Juventude hitlerista.

    Assim caminham os inimigos da Santa Igreja.

  3. Dionisio Lisboa

    C.A.C.P. = Comunidade da Associação dos Contadores de Piadas

    Já entrei uma vez naquele site produzido por canalhas e vi tantas aberrações que nunca mais acessei aquele excremento. Acho que o artigo já diz tudo: desonestidade intelectual!

  4. Renato

    Vinícius, também tenho um exemplo para mostrar como se distorce a verdade!

    Preste atenção na frase:

    ”’Adolf Hitler era um austriaco ocultista.”

    Com o tempo tiraram a última palavra, ocultista.

    Bem, os inimigos da Santa Igreja Católica Apostólica Romana, aproveitaram a frase restante: ”Adolf Hitler era austriaco” e pensaram: A Austria é um país de maioria católica apostólica romana, então Adolf Hitler, já que sua mãe era católica fervorosa, também era católico.

    É assim que o diabo, o pai da mentira, começa atacando a Santa igreja Católica Apostólica Romana!

  5. Renato Lima

    Jorge, não sei se você sabe, mais aquele fanfarrão do Silas Malafaia também coloca em seus programêcos ataques diretos, ou indiretos, contra a Santa Igreja Católica Romana!

    Não me lembro agora qual é o vídeo – se alguém souber coloque aqu,i por favor – onde o mostro compara a Santa Igreja Católica com o nazismo e com o diabo!

  6. Dani Acioli

    Este CACP tem por objetivo atacar o catolicismo e em especial a Santíssima Mãe de DEUS. O tal do aírton baba de raiva quando o assunto é a Santíssima Virgem. Mas o cristiano e o flávio também não são muito diferentes. Felizmente, eles não tem credibilidade nem mesmo entre seus pares e desta forma grande partes de suas heresias, blasfêmias, ataques a Igreja de Jesus Cristo e deboches/escárnios nem mesmo são notados pelos protestantes.