Sobre as declarações do pe. Lombardi

closeAtenção, este artigo foi publicado 8 anos 5 meses 1 dia atrás.

No sábado, Lombardi esclareceu que a condenação a toda forma de aborto na África pronunciada na véspera pelo papa não inclui os abortos “indiretos” nem casos limites como o ocorrido no Recife com uma menina de 9 anos. “A moral da Igreja desde sempre aceita o aborto indireto, como quando a mãe está gravemente doente e deve ser curada e a criança pode perder a vida em conseqüência disso. Se tenta curar a mãe”, afirmou.

“O papa não falou de aborto terapêutico, o que condena é que o aborto seja introduzido como meio de controle de natalidade”, explicou Lombardi, que citou o caso da excomunhão da mãe que autorizou o aborto na filha de 9 anos, estuprada pelo padrasto, anunciada pelo Arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, que foi criticado até em meios católicos.

“Foi um caso limite. Foi uma excomunhão declarada apressadamente em uma situação de extrema dificuldade”, disse Lombardi.
[Jornal do Commercio, 23 de março de 2009, “Internacional”, página 12]

Esta é uma das notícias que falam sobre uma declaração do pe. Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, referente às declarações do Santo Padre contrárias ao aborto. Não tive acesso ao original destas declarações do pe. Federico, que misteriosamente não estão (até o presente momento, ao menos) na Sala Stampa della Santa Sede. Mas estão em vários lugares além do Jornal do Commercio, como na “Renascença” portuguesa ou num artigo de Sandro Magister chamado “Minas Errantes. En África el preservativo, en Brasil el aborto”. Recomendo a leitura de ambos, e é desde último que trago as declarações do pe. Lombardi sobre o aborto.

Pe. Lombardi, apud Sandro Magister:

“Sobre esta cuestión [el episodio de la niña brasileña], son válidas las consideraciones de monseñor Rino Fisichella, quien en ‘L’Osservatore Romano’ ha lamentado la excomunión declarada demasiado rápidamente por el arzobispo de Recife. Ningún caso límite debe oscurecer el verdadero sentido del discurso del Santo Padre [hablando al cuerpo diplomático en Camerún], quien se refirió a algo diferente en extremo. […] El Papa no ha hablado en absoluto del aborto terapéutico y no ha dicho que debe ser rechazado siempre”.

Bento XVI nos Camarões, no discurso ao qual se referiu o pe. Lombardi:

Que amarga é a ironia daqueles que promovem o aborto como um dos cuidados de saúde «materna»! Como é desconcertante a tese de quantos defendem a supressão da vida como uma questão de saúde reprodutiva (cf. Protocolo de Maputo, art. 14)!

Sinceramente, estou com a incômoda sensação de que há autoridades vaticanas empenhadas em minimizar o alcance das palavras do Santo Padre, e em desacreditar as atitudes de bispos católicos fiéis à Igreja de Nosso Senhor. Sou capaz de apostar que, não fosse Bento XVI o Papa, as suas declarações nos Camarões receberiam um artigo na primeira página do Osservatore Romano dedicado a desqualificá-las…

Cumpre esclarecer alguns conceitos que não estão claros nestas declarações, não sei se por culpa do pe. Lombardi ou dos veículos de comunicação que transmitiram a notícia. Antes de mais nada, é preciso deixar claro que a Igreja não aceita o aborto direto em nenhuma condição, nem mesmo se for o único meio para salvar a vida da mãe. Os grifos que dei acima são importantes.

Não existe “aborto terapêutico”! Isso é jogo de palavras dos abortistas para propagarem a sua ideologia assassina; veja-se por exemplo (a) o dossiê sobre o caso do aborto ocorrido em Recife aqui publicado (em particular, el aborto mal llamado terapéutico) e (b) este artigo do pe. Lodi sobre o assunto. Portanto, ao contrário do que parece ter dito o porta-voz do Vaticano, o Papa condenou, sim, expressamente, o aborto mal chamado “terapêutico”, porque isso não existe e é empulhação abortista para promover o assassinato de crianças no ventre de suas mães.

E ainda que existisse – o que, como já vimos, não existe – um “aborto terapêutico”, i.e., uma intervenção médica que consistisse na restauração da saúde da mãe por meio do assassinato do bebê que ela leva no ventre, tal ato seria gravemente imoral e de maneira alguma permitido. É o que o pe. Lodi explica magistralmente neste texto sobre a chamada causa de duplo efeito, que é leitura fundamental para quem deseja entender a questão sem leviandades. São palavras do reverendíssimo sacerdote: “matar diretamente um ente humano inocente é um ato intrinsecamente mau, que não pode ser justificado nem pela boa intenção, nem pelas possíveis boas conseqüências, nem sequer pelo estado de extrema necessidade. Nunca é lícito matar diretamente um inocente, nem sequer para salvar outro inocente”.

Existe, no entanto, uma outra coisa, que é tolerável, que a Igreja chama de “aborto indireto” (evitando propositalmente a expressão errônea “aborto terapêutico”) e que se resume a uma causa de duplo efeito. Uma causa de duplo efeito ocorre quando um ato em si bom produz, além do efeito bom que se almeja, um segundo efeito mau e inevitável. O pe. Lodi, no artigo citado, explica que os atos que têm dois efeitos, um bom e um mau, podem ser praticados quando se verificarem as seguintes condições:

a) que a intenção do agente seja obter o efeito bom, e não o mau;

b) que o efeito bom seja obtido diretamente da ação, e não através do efeito mau;

c) que o efeito bom seja proporcionalmente superior ou ao menos equivalente ao efeito mau;

d) que não haja outro meio de se obter tal efeito bom, a não ser praticando a ação boa que produz tal efeito secundário mau.

E dá um exemplo que ajuda a ilustrar:

Uma mulher grávida sofre de uma infecção renal. O médico prescreve-lhe um antibiótico. Há, porém, o perigo remoto de a droga causar danos ao nascituro. No entanto, não há outro antibiótico que seja menos nocivo ao bebê e nem é possível esperar o nascimento da criança para iniciar o tratamento.

Nesse caso:

a) a intenção do agente é curar a infecção renal (efeito bom) e não causar dano ao nascituro (efeito mau);

b) a cura da infecção renal (efeito bom) é obtida diretamente da ação de tomar o antibiótico, e não através do dano causado ao nascituro (efeito mau). Se, absurdamente, a mulher não tomasse o antibiótico, mas lesasse diretamente seu bebê, tal dano não iria causar a cura de sua infecção renal.

c) como a chance de lesão à criança, embora exista, é pequena, e como o tratamento é urgente, o efeito bom (a cura da infecção renal) é proporcionalmente superior ao possível efeito mau.

d) não há outro meio de se obter a cura da infecção, a não ser pela ingestão de um antibiótico. O médico poderia prescrever outro antibiótico, mas nenhum seria isento de riscos para a criança.

Logo, o ato pode legitimamente ser praticado.

O princípio da causa com duplo efeito foi descrito de maneira lapidar pela Academia de Medicina do Paraguai (1996):

“Não comete ato ilícito o médico que realize um procedimento tendente a salvar a vida da mãe durante o parto ou em curso de um tratamento médico ou cirúrgico cujo efeito cause indiretamente a morte do filho, quando não se pode evitar esse perigo por outros meios”.

Entender isso é absolutamente fundamental para se entender a Moral Católica. O aborto direto, usado como meio, não é lícito em nenhuma situação; o aborto indireto, obtido como um segundo efeito de um ato em si bom, é tolerado pela Igreja quando se cumprem as condições supracitadas.

Na verdade, a maior parte das pessoas entende a distinção entre um efeito mau indesejado e um meio mau utilizado para se obter um fim bom; são só alguns “intelectuais” que misturam as bolas. Por exemplo, o Hélio Schwartsman, em coluna publicada pela Folha de São Paulo em dezembro de 2007, assim confundiu as duas coisas:

Vamos ver alguns exemplos: Denise é passageira de um trem cujo maquinista desmaiou. A locomotiva desembestada vai atropelar cinco pessoas que caminham sobre a linha. Ela tem a opção de acionar um dispositivo que faz com que o comboio mude de trilhos, e, neste caso, atinja um único passante. Denise deve acionar a alavanca? Cerca de 90% dos entrevistados cederam à razão utilitária e responderam que sim. É melhor perder uma vida do que cinco.

Hauser então coloca uma variante do problema. Frank está sobre uma ponte e avista um trem desenfreado prestes a abalroar cinco alegres caminhantes. Ao lado dele está um sujeito imenso, que, se lançado sobre os trilhos, teria corpo para parar a locomotiva, salvando os cinco passantes. Frank deve atirar o gordão ponte abaixo? Aqui, a maioria (90%) responde que não, embora, em termos puramente racionais, a situação seja a mesma: sacrificar uma vida inocente em troca de cinco.

Oras, “em termos puramente racionais”, a diferença ululante entre um caso e outro é justamente a diferença entre um duplo efeito indesejado e inevitável e um meio mau utilizado na obtenção do fim bom. A situação só é “a mesma” em termos puramente matemáticos; em termos morais, a diferença é gritante, e tão evidente que 90% das pessoas a percebe até intuitivamente, já que provavelmente a maior parte delas nem mesmo ouviu jamais falar em causas de duplo efeito.

Esta, pois, é a Moral da Igreja, e não outra.

Feitos esses necessários esclarecimentos às declarações do porta-voz do Vaticano, é necessário (uma vez mais…) lamentar profundamente que o pe. Lombardi tenha preferido dar ouvidos à mídia anti-católica e referendar as declarações inoportuníssimas do Mons. Fisichella em detrimento de Dom José Cardoso Sobrinho. Parece ser orquestrado: quando as coisas parecem se acalmar e quando achamos que tudo vai voltar à normalidade, surge uma outra bomba, explode um outro escândalo, um outro alto prelado vaticano vem a público – data maxima venia – falar besteira. É frustrante.

Rezemos pelo Papa, rezemos pela Igreja; e subscrevo o Sandro Magister, no final do artigo já citado: “foi um golpe que, quase uma semana após a difusão dos ‘Esclarecimentos’ da Arquidiocese Brasileira, o porta-voz oficial da Santa Sé tenha mostrado que a ignora completamente, tanto na oposta reconstrução dos fatos quanto nas objeções de caráter doutrinal e moral”. Que Virgem Santíssima, Maria, Mãe da Igreja, rogue por nós.

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26 thoughts on “Sobre as declarações do pe. Lombardi

  1. Lício Cataldi

    Como pode ser porta-voz do Vaticano um sacerdote que faz côro com os que se opõem à Voz de Pedro? Está na hora de se mostrar ao Pe. Lombardi que a porta da rua é serventia da casa…
    É repugnante ler estas declarações e mais repugnante ainda a visão da ofensiva nefasta contra S.S.Bento XVI por parte da Cúria Romana e dos católicos (pela cultura de morte) em geral.

  2. André Víctor

    Santo Deus!!!

    Rezemos sim pelo Santo Padre… Existem lobos disfarçados de cordeiros bem pertinho dele… (Sic!) E com o encargo de levar a ‘voz’ do Santo Padre a todo mundo…
    Isso é gravíssimo!!!! O que seria melhor neste caso?! Sinceramente não sei. Mas acredito que o Santo Padre tem que dizer com TODAS as letras, o que realmente ele quer falar… e que se substitua, imediatamente, este ‘porta-voz’ sabe-se lá de quem!!!

    Que Nossa Senhora nos cumule de Graças e que proteja o Santo Padre…

    André Víctor

  3. Pingback: Update sobre o aborto « Julie Maria

  4. Luciano Perim

    Jorge,

    “Entender isso é absolutamente fundamental para se entender a Moral Católica. O aborto direto, usado como meio, não é lícito em nenhuma situação; o aborto indireto, obtido como um segundo efeito de um ato em si bom, é tolerado pela Igreja quando se cumprem as condições supracitadas.”

    Apenas uma dúvida. Recentemente aluguei uma série sobre Napoleão Bonaparte. Muito boa por sinal. Em uma das cenas, a segunda e jovem esposa de Napoleão está com problemas para dar a luz ao seu filho. Depois, creio eu, de doze horas de trabalho de parto, os médicos perguntam a Napoleão, qual dos dois ele gostaria que salvasse, já que se não houvesse intervenção morreriam os dois. Para surpresa dos médicos, Napoleão abre mão da vida do herdeiro, para poupar a vida da mulher. Milagrosamente os dois sobrevivem, mas… a escolha havia sido feita….

    Diferente do caso da menina de Alagoinha, havia risco iminente de vida para mãe e feto. Minha dúvida: Nesse caso, o que seria moralmente mais correto, não escolher, e por conseguinte não intervir, o que possivelmente causaria a morte das duas (mãe e criança), ou arbitrar para poupar ao menos uma vida.

    Esse foi sem dúvida, um caso limite.

    Paz e bem.

    Luciano

  5. Luciano Perim

    Jorge,

    Explicando: no caso da 2ª esposa de Napoleão, a intervenção direta foi o aborto.

    Paz e bem.

    Luciano

  6. Jorge Ferraz

    Luciano,

    Penso que complicações *no parto* são diferentes de um risco *na gravidez*. Acredito que a definição da Academia de Medicina do Paraguai, citada pelo pe. Lodi, contemple esses casos:

    “Não comete ato ilícito o médico que realize um procedimento tendente a salvar a vida da mãe durante o parto ou em curso de um tratamento médico ou cirúrgico cujo efeito cause indiretamente a morte do filho, quando não se pode evitar esse perigo por outros meios”.

    Abraços,
    Jorge

  7. Felipe Coelho

    Muito prezados Jorge e Luciano, Ave Maria Puríssima!

    “El fin no justifica jamás los medios, y es preferible que mueran inculpablemente los dos que salvar la vida de uno a base de asesinar al otro.” (Frei Antonio ROYO MARIN, O.P., Teología Moral para Seglares, vol. I: Moral Fundamental y Especial, Madrid: B.A.C., 1957, p. 432, n. 565).

    Notem que, na citação do Pe. Lodi, ele usa o advérbio “indiretamente”, o que não parece se aplicar ao caso proposto, em que se fala de “intervenção direta… o aborto”.

    Penso que a distinção entre gravidez e parto quando muito pode ser talvez atenuante ou agravante, mas não influi na licitude ou ilicitude essencial do ato.

    Um abraço,
    Em JMJ,
    Felipe Coelho

  8. Luciano Perim

    Ok Felipe,

    Concordo com você. Sintetizando o seu post, o meu e o do Jorge, chego a conclusão que no caso relatado no documentário sobre Napoleão, a opção mais aceitável seria a não realização do aborto, arriscando as duas vidas.

    Alguém mais a comentar ?

    Luciano

  9. Jorge Ferraz

    Caríssimos Luciano e Felipe,

    Sim. Se, “no caso relatado no documentário sobre Napoleão”, tratava-se de um verdadeiro e direto assassinato do bebê inocente, esta opção não seria moralmente lícita, ainda que os dois estivessem em risco de morrer.

    Só seria lícito, quer durante a gestação, quer durante a gravidez, o aborto indireto, que é aquele obtido de uma causa com duplo efeito. Quando fiz a distinção entre a gravidez e o parto, foi porque julguei – à luz da citação da Academia de Medicina trazida pelo pe. Lodi – que, neste último, fosse mais comum a ocorrência de situações onde o duplo-efeito se configure. Em uma palavra: eu quis dizer que, talvez, no caso aventado, a morte do bebê fosse decorrente de aborto indireto, sendo portanto tolerada, e não que o aborto direto pudesse, em tal caso, ser tolerado. O Felipe explicou muito bem a questão.

    Abraços, em Cristo,
    Jorge

  10. Felipe Coelho

    Muito prezado Luciano, Ave Maria Puríssima!

    Uma observação final: você fala em “a opção mais aceitável, mas, na verdade, trata-se da única opção aceitável, sendo qualquer outra opção totalmente inaceitável.

    Mas pode ficar sossegado: os moralistas observam que esse dilema, com o avanço da medicina, tornou-se hoje em dia praticamente uma quimera.

    Abraços,
    Em JMJ,
    Felipe Coelho

  11. Luciano Perim

    Ok Felipe.

    Obrigado pela correção. É importante que nesse tempo em que reina a confusão, busquemos cada vez mais cristalizar em nossas mentes e corações as verdades morais da Santa Mãe Igreja.

    Deus te abençoe.

    Luciano

  12. Emanuelle Carvalho Moura

    Luciano Perim,

    Não se pode matar a criança para salvar a vida da mãe, nem muito menos, a mãe para salvar a vida da criança. Porque nunca se pode matar *diretamente* nenhum ser humano inocente .

    Deve-se distinguir entre males físicos e males morais . Entre um mal físico e um mal moral, só pode haver opção pelo primeiro caso e nunca pelo segundo. Se um indiano obrigar um católico a adorar um vaca indiana sob pena de matá-lo, o católico deverá escolher a morte, o que não equivale a suicídio pois a culpa recai sobre o perseguidor.

    Entre dois males morais, a obrigação é rejeitar os dois . Por mais que as conseqüências disso sejam duríssimas.

    Logo, Napoleão Bonaparte deveria dizer que não se pode fazer nada porque ele não tem o direito de escolher qual vida salvar pois não é Deus. Um católico deve se entregar inteiramente a Deus nesse caso e aceitar resignadamente sua cruz.

    Essas informações são disponibilizadas no Curso de Bioética do Pe. Lodi que podem ser baixadas também neste link:

    http://palestrascatolicas.wordpress.com/o-palestrante-pro-vida/

  13. Luciano Perim

    OFF TOPIC

    Perdão Jorge, mas aproveitei o tópico para aprofundar a questão.

    Emanuelle
    Mais uma vez obrigado por sua contribuição. Acredito que essa dúvida que expressei não era somente minha, mas de muitas pessoas. Não tenho dúvidas que muitos considerarriam mais moral salvar uma das vidas do que nenhuma delas(risco), no entanto, é a Igreja, guardiã da moral que nos mostra o que devemos fazer nessas situações limites.

    Outra dúvida:

    Em um naufrágio por qual motivo se dá preferência a mulheres e crianças no salvamento ? Uma vez que ser homem numa situação dessas não é nenhuma garantia de salvamento.

    Isso seria também um arbítrio indevido ?
    Paz e bem.

  14. Emanuelle Carvalho Moura

    Luciano Perim,

    Sim. Deve-se sempre tentar salvar as duas vidas, é claro . Mas o caso que v. colocou não tinha essa opção maravilhosa por conta do pouco desenvolvimento da medicina para este tipo de situação na época. E, ainda falando nele, é bom registrar que a mãe (e não Napoleão Bonaparte) poderia decidir, de livre espontânea vontade, heroicamente, que o médico salvasse a vida do seu filho, mesmo que isso implicasse a morte dela .

    Existe um dever moral de enfrentar o perigo da parte dos responsáveis pela prole e do responsável por qualquer coisa . Até uma pessoa que atravessa a rua com uma velhinha cega não pode largá-la no meio do caminho se, de repente, vem um carro em alta velocidade (ele tem de tentar por a velha nos braços e sair correndo, mas não largá-la para salvar sua vida, pois, a partir do momento em que se responsabilizou por deixá-la do outro lado da rua, tem de deixá-la do outro lado da rua custe o que custar).

    No caso do naufragio que v. colocou está um outro claro exemplo de heroismo . É um situação extrema e seria uma covardia (você não acha?), os marmanjões todos entupindo o bote salva-vidas enquanto as mulheres e as crianças, mais frágeis, tentando se salvar e gritanto histericamente no navio.

    A preferência se dar a mulheres e crianças por isso. E porque um homem de verdade, naturalmente, as protege. É uma característica da virilidade ser corajoso. Se um homem não fizesse isso, estaria negando sua condição sexuada.

  15. Euripedes Costa

    Que a Paz esteja com vocês!

    Luciano Perim e Emanuelle, parabenizo-os pelas colocações que fizeram e que muito contribuem para do debate.

    Trouxeram exemplo que demonstram quão difícil é o exercício da profissão Médica que cotidianamente lidam com essa questão da VIDA e da MORTE.

    Demonstraram que em função das circunstâncias, o que resta é fazer escolhas. Infelizmente a situação daquela criança-mãe de 9 anos de Alagoinha…

    Por isso é de suma importância o debate sobre o tema a fim de que fiquem bem claramente definidas as balizas éticas em circunstãncias análogas.

    O que seria necessario avaliar é se após os médicos terem estimulado via medicamentos as contração e a explusão dos fetos para a vida extrauterina, sob pena de TAMBÉM a criança-mãe morrer, os gêmeos encontravam-se vivos ou mortos e se seria possível mantê-los incubadoras neo-natais?

    POR ESSAS E OUTRAS QUE FAZ-SE NECESSÁRIO QUE OS ÓRGÃOS COMPETENTES SE MANIFESTEM SOBRE O OCORRIDO E QUE SE FAÇA UM DEBATE DENTRO DO RACIONAL, DA BOA-FÉ, DO BOM SENSO, A FIM DE QUE NÃO SE EXTRAPOLE PARA A IRRACIONALIDADE…

    Parabéns a vocês!

    Paz e Bem

    Euripedes Costa.

  16. Jorge Ferraz

    Ah, claro!!

    Após ministrar o veneno abortivo, os médicos deveriam… verificar se os fetos “expulsos” estavam vivos!

    Francamente. É melhor ler besteira do que ser analfabeto…

    – Jorge

  17. Emanuelle Carvalho Moura

    Acho que esse caso da menina-mãe de 9 anos já está bem batido. Ela não corria risco de morte. Não se poderia pôr em risco a vida dos gêmeos, mas esperar eles crescerem até uma idade gestacional em que pudessem sobreviver fora do útero. A medicina, hoje, tem condição de fazê-lo, tanto que uma menina, no final da década de 30 do século XX, aos 5 anos, deu à luz um bebê no Peru .

    Quando uma mulher toma venenos para matar o filho, não equivale a um parto porque a criança se debate no ventre da mãe até ser expulsa, podendo ferir o ventre materno e se machucar bastante. Com certeza, ninguém estava interessado em preservar a vida dos bebês e pô-los em incubadoras tomando esse tipo de atitude… Se quisessem preservá-los os três, daria tranqüilamente, esperando os gêmeos atingirem uma idade gestacional em que sobreviveriam em incubadoras.

    Sobre isso, a médica ginecologista Elizabeth Kipman Cerqueiro já falou exaustivamente.

  18. Euripedes Costa

    Que a Paz esteja com vocês!

    Jorge, é claro que as crianças estavam vivas… a grande questão é: (a) haveria de fato a necessidade de se antecipar a vinda dos bebês ao ambiente extrauterino? (b) já que provocaram isso por meio de indução medicamentosa, quais foram os procedimentos face ao entendimento deles de que era necessário interromper a gestação sob pena da mãe TAMBÉM morrer? Lembrete era UMA GESTAÇÃO DE GÊMEOS.

    Jorge, o que ministraram tornou-se VENENO porque induziu a uma contração NÃO espontânea, trazendo ao ambiente extrauterino precocemente duas VIDAS que todos sabemos de que não sobreviveriam… A questão é: seriam corretas as alegações feitas pelos médicos. Uns afirmam que SIM outros que NÃO.

    Emanuelle, eu já me pronunciei aqui no blog que em vista do que declararam tanto a Dr. Elizabeth quanto outros que inclusive divulgou seu CRM é IMPERATIVO que o Conselho de Ética Médica realize audições e se manifeste sobre o caso.

    Você também afirma que a medicina teria condições de dar prosseguimento à gestação nesse caso da criança-mãe de gêmeos. Se isso que dizes se constitui em VERDADE então me PERFILAREI com sua posição; assim sendo aguardo as manifestações do Conselho de Ética se manifeste.

    NÃO ESTOU A DIZER QUE NÃO HAJAM MÉDICOS QUE REALIZEM TAL BRUTALIDADE, PORÉM NO CASO DA CRIANÇA-MÃE AINDA NÃO ESTOU CONVICTO DESSA INTENCIONALIDADE DOS MÉDICOS… AGUARDAREI AS MANIFESTAÇÕES DOS ÓRGÃOS COMPETENTES…

    Paz e Bem

    Euripedes Costa.

    Paz e Bem

    Euripedes Costa.

  19. Jorge Ferraz

    Eurípedes,

    Que parte de “os médicos mataram as duas crianças e isto não é aceitável nem que fosse para salvar a vida da mãe” tu AINDA não entendeste? =(

    – Jorge

  20. Emanuelle Carvalho Moura

    Sr. Eurípedes,

    Eu não sou ginecologista, nem obstetra. Mas a Dra. Elizabeth Kipman é. Ela já ajudou milhares de mulheres a dar a luz, inclusive inúmeras meninas, então, é melhor o Sr. se apoiar nas declarações dela. No Brasil ocorrem várias gravidezes em adolescentes e não há registro de nenhuma que tenha morrido, nem, muito menos, as extremamente jovens. Isso significa que, com acompanhamento médico pré-natal, é quase imposssível que alguma morra.

    Os atos moralmente bons devem supor:

    A bondade do objeto, da intenção do agente e a circunstância envolvida.

    No entretanto, a intenção boa não torna um ato, desordenado em si mesmo, bom. Matar *diretamente* um inocente é sempre errado.

    Lembre-se do velho ditado popular que de boas intenções, o inferno está cheio .

    O Pe. Luís Carlos Lodi da Cruz, em seu Curso de Bioética, nos explica tudo isso de um modo extremamente didático e nos traz um tratado sobre as “boas e más intenções” bem interessante.

    Se quiser apreciar o trabalho dele e retirar muitas dúvidas que passam pela cabeça de quem lida com tais casos de bioética, fundamentando-se na reta razão, leia esse curso também está disponibilizado aqui:

    http://palestrascatolicas.wordpress.com/o-palestrante-pro-vida/

  21. Luciano Perim

    Caro Sr. Eurípedes,

    Fico feliz que tenha gostado de minhas contribuições.

    No entanto, quero deixar claro que no caso da menina de 9 anos de Alagoinha, em nenhum momento tive dúvida sobre a imoralidade dos atos dos médicos que realizaram o aborto.

    Esses médicos deveriam ser condenados e presos pelo que fizeram, mas infelizmente, nossa lei dá guarita a abortos resultantes de estupros.

    Já que nossa lei é frágil nesses casos, a lei da Igreja, precisa sim, ser realçada, divulgada, para que as conciências adormecidas dessa nação sejam iluminadas, e para que mais médicos pensem 100 vezes antes de cometer tal atrocidade.

    Não tenho dúvidas, que D. José Cardoso foi imbuído da força do Espírito Santo ao fazer tais declarações, que muitos julgavam desnecessárias, mas não eu. Ser omisso e evitar problemas é muito mais cômodo.

    Pena que nem todos em nossa Igreja, que é tão combatida, cerraram fileiras com D. José, prefindo antes sair pela tangente.

    Paz e bem.

    Luciano

  22. Euripedes Costa

    Que a Paz esteja com vocês!

    Prezada Emanuelle,

    Eu gostaria de me manifestar sobre o seu comentário… mas em virtude do cerceamento à palavra, só porque penso diversamente do autor do blog, porque reservo-me no direito de NÃO levantar FALSO-TESTEMUNHO, foi-me subtraído, de MODO INADIMISSÍVEL, o direito à livre manifestação, peço-lhe desculpas e rezo para que o Pai Celestial possa clarear mentes e corações…

    Paz e Bem

    Euripedes Costa.

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