Quando as autoridades se calam

closeAtenção, este artigo foi publicado 8 anos 3 meses 19 dias atrás.

Algumas coisas me surpreendem verdadeiramente. A missa do dia primeiro de maio, celebrada na Catedral de São Paulo, deveria este ano – segundo disse Dom Odilo Scherer, cardeal arcebispo, no ano passado – fugir da politização e “reunir trabalhadores e empresários em torno do altar”, conforme esta notícia que foi dada no Estadão. No entanto, será – de novo! – uma missa voltada só para os trabalhadores, porque “a Pastoral Operária, da Arquidiocese de São Paulo, resistiu à mudança”!

Quem diabos pensa a “Pastoral Operária” paulista que é, para resistir à determinação de seu Cardeal Arcebispo? Por que misterioso motivo o senhor Cardeal – data maxima venia – não fez valer o báculo que carrega e a púrpura que veste, ao invés de permitir esta absurda insubordinação? Acaso a Igreja Católica virou agora uma democracia moderna, onde a voz do povo é a voz de Deus, ao invés de precisar se conformar à voz de Deus? Acaso agora as ovelhas gritam e os pastores condescendem? Tempos terríveis! O povo católico – as pessoas têm que entender isso – precisa de pastores! Se os legítimos pastores se calam, não vão faltar oportunistas usurpadores do lugar deles.

Escândalo! O “metalúrgico aposentado Waldemar Rossi, militante da Pastoral Operária”, que foi ouvido pelo Estado de São Paulo, chegou ao cúmulo de afirmar: “Os sindicatos e movimentos comprometidos com a luta por Justiça repudiam as atividades com caráter de conciliação com o empresariado, em conluio com o capital explorador”. Desde quando as pessoas que trabalham em pastorais são chamadas de “militantes”? E de onde vem o absurdo sem tamanhos de que um católico, com vida paroquial ativa, venha a público dizer que repudia “as atividades com caráter de conciliação”?! É este espírito que anima a “militância” da Pastoral Operária, repudiar a conciliação? Ninguém nunca disse ao sr. Rossi que tal espírito imundo não é o dos Evangelhos?

São essas as ovelhas [?] que mandam na Igreja em São Paulo, ousando afrontar publicamente a autoridade do bispo diocesano? No entanto [não sei se para o bem ou para o mal], dom Odilo não irá celebrar esta missa. Não sei se como sinal de discordância das “exigências” da Pastoral Operária. Não sei se isso é bom porque preserva a dignidade cardinalícia desta palhaçada, ou se é ruim porque abre espaço para que o sacrilégio alcance patamares ainda maiores.

Quem celebrará a Missa será Dom Pedro Stringhini, bispo da Região Episcopal Belém, que – já o afirmou – aproveitará as sugestões dadas pela Pastoral Operária para a homilia. Quais são elas? “Que os ricos paguem pela crise que eles criaram, não nós”, que seja feita “uma análise sobre acumulação de riquezas, especulação financeira e distribuição de lucros com acionistas, desfalcando as empresas”, que se denuncie o “assalto ao dinheiro público para ‘salvar’ empresas que se dizem em crise”, e ainda que Sua Excelência “defenda os direitos dos trabalhadores, aponte a precarização do trabalho (contratos temporários, bicos), fale do achatamento de salários e a pressão dos poderosos contra o movimento social”. Está de bom tamanho? Quando as autoridades se calam, os delinqüentes fazem a festa!

Ao Estadão, Sua Excelência ainda “informou que a nota [da CNBB] sobre o 1.º de Maio, que a Assembleia Geral de Itaici vai divulgar, seguiu a mesma linha da Pastoral Operária de SP”. Desgraçadamente, é verdade; este excremento de nota tornada pública ontem (sim, que o lixo seja chamado por aquilo que é, com todo o respeito devido à dignidade episcopal dos senhores bispos cuja parcela de responsabilidade na publicação desta porcaria eu não sei e nem quero saber, a qual a benedicência me obriga a considerar que foi nula ou quase nula) fala nos “direitos sociais do povo”, nas “conseqüências do atual modelo capitalista de desenvolvimento, incapaz de assegurar a dignidade humana, garantir os direitos sociais básicos e preservar a vida em nosso planeta”, no “sistema neoliberal globalizado”, no “clamor dos trabalhadores por vida e dignidade”, etc. Nas últimas cinco linhas (e somente nelas), o documento cita “Jesus Cristo Ressuscitado”, “Nossa Senhora Aparecida e São José Operário”. Quando os mestres se calam, os idiotas desandam a falar (e a escrever). Isto é uma vergonha. Senhores bispos, por Cristo Crucificado, tenham misericórdia para conosco! Como podem os católicos brasileiros seguirem o ensino da Igreja e condenarem o socialismo, se as exatas mesmas coisas por nós (e pela Igreja) condenadas estão presentes nos documentos emanados pela Conferência Episcopal dos Bispos do Brasil?

Que Nosso Senhor Se compadeça da Sua Igreja, e dos Seus fiéis que estão como ovelhas guiadas por lobos. E, amanhã, rezemos a São José Operário, em desagravo por estes descalabros perpetrados por nossos bispos. Que a Virgem Santíssima, Mãe da Igreja, santifique o clero. Que o Deus Altíssimo tenha misericórdia desta Terra de Santa Cruz.

P.S.: Sobre o assunto, ler também:

  1. Quando a CNBB publicará declarações sobre algo que importa?
  2. Trabalhadores vetam empresários em Santa Missa
  3. Bispos do Brasil – Reféns da própria teia
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13 thoughts on “Quando as autoridades se calam

  1. Marcelo

    Obrigado, Jorge!
    Vc. disse tudo o que eu gostaria de dizer sobre isso. Menos mal que D. Odilo não oficiará essa infausta cerimônia. Mas que é triste, isso é.
    Rezemos a Deus pela nossa Igreja.
    Sds.,
    de Marcelo.

  2. Gustavo

    Não podemos desencadear uma cruzada do rosário, com ampla divulgação na blogosfera católica brasileira, pedindo a misericordiosa intercessão de Nossa Mãe Santíssima para:

    1- Retomada do ensino da doutrina católica pelo episcopado nacional
    2- Campanha da fraternidade católica
    3- Liturgia católica e não essa protestantização generalizada da Santa Missa que se faz por aí.

    Outras que alguém quiser sugerir.

    [ ]´s

    Gustavo

  3. Emerson

    Teologia da Libertação dos infernos!

    O marxismo na Igreja Católica.

    A heresia mais destruidora que a nossa igreja enfrentou em sua história, porque
    ela tenta destruir ela por dentro, dando uma conotação geral totalmente mundana entre a luta de classes

    Veja o link e procure por Cardeal Ratzinger e a Teologia da Libertação

    http://www.padrepauloricardo.org/

  4. Laerte Rodrigues

    Eu costumo comparar as assembléias da CNBB a um congresso de médicos tratando de assuntos ligados à engenharia. O resultado certamente é ridículo. Eu pessoalmente creio que a CNBB não representa a opinião de todos os bispos do Brasil, mas aquela minoria “chata” consegue emplacar todas as suas opiniões e idéias nos documentos oficiais. E depois fazem mais reuniões para tentar entender a sangria de católicos para as seitas protestantes. Assisti a um debate de bispos na rede vida…é constrangedor… homens vestindo roupas civis com aquele ar de sociólogos fazendo sempre análises totalmente materialistas. O nome de Jesus quase não é ouvido na boca destes senhores. Parece um ser desconhecido…Deus tenha piedade dos católicos brasileiros…..

  5. Euripedes Costa

    Que a Paz esteja com vocês!

    É lamentável que integrantes de pastorais queiram internalizar nas Igrejas a luta de classes.

    Que sentido teria a missa? Por que essa visão de que o empregador não é um trabalhador?

    Muito triste!

    Paz e bem

    Euripedes Costa.

  6. Renato Lima

    Laerte, acontece que os teologos da libertação sempre tiveram espaço na nossa imprensa esquerdista.

    Pode reparar que é sempre a mesma coisa: Os teólogos da libertação incentivam o MST, trazem escândalos para o meio católico com os ”sarcedotes” socialistas (Fernando Lugo), a maioria esmagadora dos sacerdotes acusados de pedofilia são ligados a teologia dalibertação,… e a mídia aproveita esses escândalos – essa mesma mídia sempre apoiou, e apoia, os teólogos da libertação – para atacarem a Santa Igreja Católica.

    Essa história já é velha, e ainda assim funciona!

  7. Laerte Rodrigues

    Caro Renato, por questão de honestidade, não poderia afirmar que a maioria dos casos de pedofilia e escândalos outros se relacionam somente aos “liberacionistas”, mas concordo com suas palavras. Esta minoria que ainda teima em analisar tudo sob o prisma da teologia da libertação consegue fazer um estrago tremendo na Igreja do Brasil. Nós leigos que conhecemos a vida das ditas “comunidades” paroquiais sabemos o nível de formação doutrinária e de vivência da fé católica em sua integridade. Rezemos pelo triunfo do Imaculado Coração da Mãe de Deus!!!!!

  8. Pingback: Ainda sobre a CNBB e a Dom Scherer « Cooperador da verdade

  9. Julie Maria

    Bem lembrado pelo Danilo (Igreja Una):
    ——————————————–

    Em São Paulo eles farão exatamente o que o Vaticano II (a única linguagem que eles entendem) pede para NÃO fazer na missa – acepção de pessoas

    Na Liturgia, à exceção da distinção que deriva da função litúrgica e da sagrada Ordem e das honras devidas às autoridades civis segundo as leis litúrgicas, não deve fazer-se qualquer acepção de pessoas ou classes sociais, quer nas cerimônias, quer nas solenidades externas.

    SACROSANCTUM CONCILIUM – n.32

  10. Renato Lima

    Laerte, infelizmente não é verdade que existam poucos teoólogos da libertação hoje em dia na Santa Igreja Católica no Brasil.

    Não me lembro agora onde eu li, mas em uma matéria, em um site na internet, falava exatamente o oposto: ”A Teologia da Libertação(aberração), mesmo condenada pela Igreja Católica, cresce no Brasil.”

  11. Pingback: Dicotomias Marxistas « “Erguei-vos, Senhor”

  12. vanderley

    São Paulo – capital – é uma cidade que foi tomada pela TL.

    Por isso o Papa dividiu a Arquidiocese, para reverter a

    situação.

    Leva tempo. A parte central,onde está D.Odilo (aquela que se manteve com o Arcebispo da época) deve ser onde

    ainda hoje é maior a concentração/presença/influência desse pessoal.

    Eles não estão nem um pouco preocupados com a Igreja,

    com o Vaticano,com a Doutrina, etc.

    O que importa é agenda política/social de fundo

    marxista.

    Fosse diferente, não haveria necessidade desses
    comentários e da matéria.

  13. argo

    “O que importa é agenda política/social de fundo marxista.”

    Basta qualquer um começar a tentar ser contra a dominação eterna dos mais ricos, diminuir a pobreza e a exploração para ser logo tachado de “marxista”.

    Voces são mesmo “chaleiras” dos poderosos, não?

    Vade retro, sepulcros caiados!!!