A grande farsa da gripe suína?

closeAtenção, este artigo foi publicado 8 anos 3 meses 18 dias atrás.

É certo que ninguém é tão inimigo das teorias da conspiração quanto os próprios conspiracionistas, mas existem algumas delas que me fazem realmente torcer o nariz. Li agora à noite um texto que lançava a seguinte questão: será que a gripe suína é uma farsa? E, por mais que eu tente pensar sobre o assunto, não consigo deixar de considerar inverossímil a possibilidade de que o seja.

Como assim, “uma farsa”? O vírus tem nome – Influenza A(H1N1) – e tem 15.000 referências no Google Scholar [sendo inclusive algumas antigas]. Apesar de ser parcialmente verdade o que disse o Edson Carlos [a imprensa que a cada novo título de artigo não deixava de colocar a palavra “suspeita” ou “suspeita-se” e outras do gênero], há mortes confirmadas pela mesma imprensa. Não me parece nada verossímil, portanto, que A Guerra dos Mundos vá se repetir.

Pelo menos não da mesma maneira. Há, no entanto, uma coisa que parece ser verdade: o diabo não é tão feio quanto parece, e o vírus não possui a letalidade que lhe atribuíram da primeira vez. Graças a Deus, e tomara que assim o seja! Como comentei aqui ontem, o Brasil não me parece ter condições nenhuma de enfrentar uma pandemia; permita Deus que o vírus possa ser tratado só com um pouco mais do que é necessário para uma gripe comum.

Do fato do vírus não ser tão terrível quanto se vem falando, não segue que ele seja uma farsa. Pode ser apenas que as avaliações preliminares sobre ele tenham sido equivocadas – e, repito, tomara que o tenham sido! Insinuar, no entanto, que estes equívocos foram deliberados “para o Estado nos impedir de irmos aos aeroportos, terminais de ônibus, escolas, as missas (…) e a todos os lugares onde possa haver aglomerações de pessoas”, parece-me realmente um pouco exagerado.

Ah! A propósito, fiquei sabendo de algo curioso hoje; lá na paróquia – vejam só que coisa! -, por “recomendação médica e do pároco”, foram suprimidos o “abraço da paz” e as mãos dadas durante o Pai-Nosso, por causa da tal gripe! Deus não permitiria o mal se, dele, não pudesse tirar um bem ainda maior: quem poderia imaginar que o medo das pessoas iria redundar num maior decoro litúrgico? Dentro desses limites, estou muito satisfeito com a gripe suína. Que a Virgem Santíssima nos afaste da doença, mas nos deixe com a sobriedade na Santa Missa.

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11 thoughts on “A grande farsa da gripe suína?

  1. tht

    foram suprimidos o “abraço da paz” e as mãos dadas durante o Pai-Nosso, por causa da tal gripe! Deus não permitiria o mal se, dele, não pudesse tirar um bem ainda maior: quem poderia imaginar que o medo das pessoas iria redundar num maior decoro litúrgico? Dentro desses limites, estou muito satisfeito com a gripe suína. Que a Virgem Santíssima nos afaste da doença, mas nos deixe com a sobriedade na Santa Missa.

    kkkkkkkkkkkkkk A moda bem que podia pegar hein?!

    Mas tem que tomar cuidado pra não implicarem com a Comunhão.

  2. Daniel

    Huéhuéhuéhuéhué…

    Pombas, tava indo tão bem o seu texto, até parecia que eu ia concordar completamente com ele (exceto pelos “graças a deus” e “queira deus” que eu poderia relevar considerando meras expressões liguísticas e não enterndendo que você realmente estivesse dizendo que foi com a graça de deus que o vírus não se apresentou TÃO letal :P)

    Mas aí você tinha que arranjar uma ponte entre o vírus e a crítica às pessoas se abraçando e apertando as mãos durante a missa. Que anti-social hahahahaha.

    Bom, pelo menos no que é mais importante você conseguiu ver as coisas do jeito que elas são. Não entrou no discurso conspiracionista. Me surpreendeu :D

    Abração ;)

  3. Jorge Ferraz Post author

    Daniel,

    Não é questão de ser “anti-social”, e sim de respeito às regras estabelecidas pela Igreja para a celebração da Liturgia.

    Thiago,

    É verdade! Não havia atentado para o fato de que é uma faca de dois gumes; eu inclusive já havia lido [mas não me lembrava…] que no México já começou a implicância :(

    Abraços,
    Jorge

  4. Lívia Guimarães

    Peçamos a Deus que o mal passe: o perigo da gripe e o perigo da incoerência na Santa Missa!! =)
    Peçamos que as pessoas se acostumem com uma liturgia voltada, DE VERDADE, para o Senhor Jesus e esqueçam este “social” que nos faz errar.

    Virgem Santíssima, rogai por nós!

  5. Alexandre Magno

    Sobre na paróquia que Jorge Ferraz frequenta terem sido suprimidos o “abraço da paz” e as mãos dadas durante o Pai-Nosso, por causa da gripe suína, ele escreve: “quem poderia imaginar que o medo das pessoas iria redundar num maior decoro litúrgico?”

    Depois, nos comentários, ele comenta: “[é questão] de respeito às regras estabelecidas pela Igreja para a celebração da Liturgia.”

    Eu gostaria de ter acesso a um aprofundamento nesse assunto. Sou ignorante dessas regras que expressamente proibiriam o abraço da paz” e as mãos dadas durante o Pai-Nosso. Eu gostaria de saber onde posso consultá-las.

  6. Jorge Ferraz Post author

    Caríssimo Alexandre Magno,

    É fundamental conhecer a IGMR:

    http://www.pastoralis.com.br/pastoralis/html/modules/rmdp/down.php?id=117

    E o documento mais recente que estabelece a correta forma de se celebrar a Liturgia é a instrução Redemptionis Sacramentum:

    http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/ccdds/documents/rc_con_ccdds_doc_20040423_redemptionis-sacramentum_po.html

    Saliento que as rubricas da Liturgia não são negativas, e sim positivas; ou seja, só é permitido fazer o que estiver expressamente autorizado. O que não se diz que pode fazer, é porque não pode fazer.

    Abraços,
    Jorge

  7. Edson Carlos de Oliveira

    Olá Jorge,

    Obrigado por entrar no debate, essa era a minha intenção maior. Pois assim posso ler o que os outos pensam do assunto e refletir melhor sobre ele.

    Gostei de suas considerações e as levarei em conta para fazer um melhor juízo da matéria.

    Apenas quero aproveitar o ensejo para dizer que não tentei insinuar que tal equivoco foi feito deliberadamente para o Estado interferir na vida pública, conforme os exemplos citados. Mas apenas tentei ressaltar – talvez não de forma clara, cedo – que se a imprensa continuar em seu frenesi alarmista – e tudo não passar de um equivoco, pelo menos no que diz respeito ao carater apocaliptico do vírus -, isso dará motivos, justos até certo ponto, para Estado tomar medidas para prevenir a propagação do tal vírus. Como aliás foi feito em medida branda – pois não se tratou de uma imposição – pelo governo do México, onde, na capital deste país, o Cardeal, acatando as recomendações do presidente Felipe Calderón, suspendeu as celebrações que seriam realizadas no domingo do dia 3 de maio.

    Conforme diz esta mesma notícia divulgada no meu blog: o presidente mexicano “solicitou que não fossem realizados eventos de caráter esportivo, religioso e social capaz de proporcionar aglomerações de pessoas durante os primeiros cinco dias de maio.”

    Termino enfatizando que suas considerações foram importantes para eu fazer um melhor juízo da matéria.

  8. Marx Lima

    Catastrofismo barato e infundado é o que estão fazendo dessa gripe, de fato o vírus é novo, mas nem de longe pode ser comparado a outros bem mais letais (SARS p.ex.), cogita-se uma pandemia de um vírus que não chegou a matar nem 10% dos infectados e que não infectou nem 1% da população mundial, é fato que cuidados devem ser tomados, mas convenhamos que há limites. Quanto a relação entre a doença e o decoro na Missa, não acho que seria necessário um vírus para regular o comportamento na missa, afinal catequese serve para isso, ou pelo menos deveria, mas…

  9. Pingback: Deus lo Vult! » Notas Ligeiras

  10. Alexandre Magno

    “O bispo [de Tehuacán, Dom Rodrigo Aguilar Martínez] indica que há duas posturas extremas a evitar: «por um lado, entrar em pânico, pelo medo de que em qualquer momento fiquemos contagiados; por outro, minimizar o problema, pensando que não é verdade, que se distorceu ou exagerou a notícia, ou que não nos vai acontecer nada».”

    FONTE: México frente à gripe suína: evitar tanto pânico como minimização do problema – Mensagem do bispo de Tehuacán por ocasião da gripe suína. ZP09050508 – 05-05-2009. Permalink: http://www.zenit.org/article-21500?l=portuguese