Sobre zelo e prudência

closeAtenção, este artigo foi publicado 8 anos 2 meses 21 dias atrás.

A [má] repercussão sobre o triste fato ocorrido em Brasília no domingo último ultrapassou os limites da razoabilidade. Diante de um tal acontecimento deveriam ter lugar na alma católica a penitência, a reflexão sobre as próprias atitudes, a oração; ao contrário, polarizou-se a discussão e se utilizou do fato para se fazer propaganda velada do próprio sectarismo anti-Vaticano II que estava na raiz mesma da supressão da missa tridentina na capital do país.

A missa tradicional já esteve por muito tempo nas mãos de pessoas que [sem fazer nenhum juízo de valor sobre as suas intenções, que acredito sinceramente serem as melhores possíveis] causaram muito mal à Igreja e forçaram as medidas necessárias para a solução da crise que atravessa a Esposa de Nosso Senhor a serem postergadas. Com a graça de Deus, o papa Bento XVI gloriosamente reinante tem dirigido com maestria a Barca de Pedro e conduzido-A (não sem percalços) pelos caminhos que Ela precisa singrar, a despeito dos escolhos existentes e dos riscos que Ela corre. É fundamental que os marinheiros não sejam um empecilho aos projetos do Capitão.

Com o motu proprio Summorum Pontificum, a Missa Gregoriana foi – graças a Deus! – arrancada das mãos dos filhos rebeldes da Igreja e solenemente entronizada no lugar que lhe pertence de direito: no coração da Igreja Católica. Aquela que antes era usada por extremistas como cavalo de batalha contra a própria Igreja, hoje está sendo – não sem dificuldades! – colocada novamente ao serviço da Esposa de Nosso Senhor. É da mais capital importância que este processo não seja sabotado.

A Missa Tridentina não é exclusividade daqueles que, em maior ou menor grau, têm problemas com o Concílio Vaticano II e as reformas que se lhe seguiram. Ao contrário, o Summorum Pontificum veio exatamente para dizer que ela pertence a todo o povo de Deus, a todos os filhos da Igreja, e é nesta catolicidade que ela deve ser sempre considerada. É inoportuno querer fazer “um pacote” onde estejam juntos o rito tridentino e o espírito anti-Vaticano II, e empurrá-lo aos fiéis em todas as dioceses e paróquias onde o motu proprio encontre um mínimo de boa vontade. Não precisamos desta “promoção”.

Há dolorosos exemplos (inclusive recentes) de situações onde más atitudes por parte de alguns católicos [repito, cuja boa vontade não está em discussão] provocaram graves danos à Igreja. Há o [ontem lembrado] caso do IBP em São Paulo, há as [já tristemente célebres] diatribes virtuais lançadas pelo Instituto do pe. Divino Lopes contra Sua Excelência Dom Manoel Pestana Filho – para ficarmos apenas nos mais notórios. Precisamos aprender com os nossos erros, a fim de que a nossa contribuição para o fim do incêndio não seja lançar mais gasolina ao fogo.

O Danilo entendeu isso muito bem e republicou as suas dicas para não perder a missa tridentina – vale a pena uma [re]leitura. Que os católicos que amam a Igreja possam unir as suas forças em torno de seus objetivos comuns: a maior glória de Deus, a salvação das almas, a exaltação da Santa Madre Igreja. Oremus pro invicem. E que a Virgem Puríssima, Auxilium Christianorum, seja em nosso favor; que São Miguel Arcanjo nos proteja a todos no combate, livrando-nos de todos os embustes e ciladas do demônio.

Gostou? Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Email this to someonePrint this page

10 thoughts on “Sobre zelo e prudência

  1. O Anciao

    Os acontecimentos em Limeira foram uma verdadeira aula de como NÂO pedir a missa tridentina. Mas começo achar que houve mesmo uma certa contaminação, e no pedido dava jáum pouco a entender (comento em mais detalhes em outro lugar). Faltou prudência. É uma pena.

  2. Pedro

    A má polêmica criada foi uma clara demonstração dos problemas que devem ter havido em Brasília e que determinaram a suspensão da missa tridentina.

  3. Jorge Ferraz Post author

    Caríssimos,

    Peço uma gentileza: que não tratemos aqui sobre o caso concreto ocorrido em Brasília. Senão este post vai virar o outro e eu vou ter que fechar também…

    Obrigado,
    Jorge

  4. Pe. Mateus Maria, FMDJ

    Caro Jorge Ferraz, que a paz esteja contigo!!!

    Estou recebendo as atualizações do vosso blog em meu e-mail e estou muito feliz, pelo conteúdo “Católico” transmitido. Confesso que me ajuda muito receber as atualizações, tanto para o meu conhecimento pessoal, quanto para transmití-los.

    Parabens!!!

    Que Maria Rainha da Paz, lhe abençoe com sua bênção especial e materna.

    Pe. Mateus Maria, FMDJ

  5. Gustavo

    Realmente não dá para entender.

    Se qualquer pessoa procurar por “supressão da Missa Tridentina em Brasília”, no sítio de nossa arquidiocese, não vai achar uma linha.

    Nem no sítio da Paróquia São Pedro de Alcântara.

    Porque, na verdade, não houve a decantada “supressão da Missa Tridentina em Brasília”.

    Na verdade, se pesquisar isso no Google, só vai ser levado para um lugar: aqui. Quem, na verdade, procurar pela Paróquia São Pedro de Alcântara em Brasília, no Google, encontrará, nos primeiros resultados, um link para cá, onde descobrirá que “a Missa Tridentina foi suprimida em Brasília”.

    Mas reforço: a informação é improcedente. A Missa Tridentina não foi suprimida em Brasília.

    O que houve, foi um domingo em que ela não foi celebrada.

    E só.

    Isso é diferente de supressão. No pai dos burros, supressão indica cessação, desaparecimento. Nem é a referida paróquia o único local onde se celebra a Missa Gregoriana em Brasília.

    E, como eu já havia avisado ao Jorge algumas vezes, a análise de fatos a longas distâncias, muitas vezes munidos de informações abstratas, subjetivas, que podem fugir a realidade de quem as vivenciou, frequentemente resulta em análises quase transcedentais e muito sujeitas ao erro.

    Como a questão entre o Revmo. Pe. Divino e o Excmo. D. Manoel Pestana, que nunca teve nada com o CVII, embora o post, ainda que subjetivamente, assim induza o leitor a pensar.

    E justiça seja feita ao Revmo. Pe. Divino e seu instituto: eles retiraram do site o material sobre suas pendengas com D. Manoel.

    http://www.filhosdapaixao.org.br/aviso_perseguidores.htm

    Mas numa coisa concordo – em absoluto – com o Jorge. Penitência, reflexão sobre as próprias atitudes e oração são essenciais para o católico.

    Do miserável aqui, ao Santo Padre – passando pelo Pe. Divino e, porque não, pelo seu Jorge.

    In Iesu et Mariae

    Gustavo

  6. Jorge Ferraz Post author

    Revmo. Pe. Mateus Maria, FMDJ,
    Sua bênção!

    Muito me honra e alegra a visita do senhor a este meu pequeno espaço virtual, bem como as gentis palavras que o senhor dirige a mim. Que a Virgem Santíssima possa recompensá-lo abençoando em profusão o ministério sacerdotal do senhor. Obrigado.

    Recomendando-me às orações do senhor,
    subscrevo-me, em Cristo,
    Jorge Ferraz

  7. Jorge Ferraz Post author

    Sr. Gustavo,

    1. Reitero o pedido de que não se façam mais comentários sobre o triste caso ocorrido em Brasília no domingo último.

    2. Quanto à desinformação que pode ser provocada por pesquisas superficiais no google, o senhor tem razão; para evitar confusões, coloquei um p.s. no artigo de anteontem avisando que o pároco de São Pedro de Alcântara decidiu que vai manter a celebração da missa tridentina na supradita paróquia.

    3. Quanto ao pe. Divino Lopes, se o senhor tiver contato com ele, avise-o por gentileza que há ainda no site duas páginas de “Arrancando Máscaras” que não foram retiradas:

    http://www.filhosdapaixao.org.br/arrancando_mascaras_05.htm

    http://www.filhosdapaixao.org.br/arrancando_mascaras_18.htm

    4. Quanto à penitência, à reflexão e à oração, o senhor tem razão mais uma vez: este verme miserável daqui é provavelmente o que mais precisa delas dentre todos os que aparecem no Deus lo Vult!.

    Abraços,
    Jorge

  8. Gustavo

    Jorge,

    Morre aqui o caso. Só comentei a despeito de seu pedido, porque achei que teria alguma utilidade, ajudando a evitar confusões. E parece que de fato foi útil. Muito obrigado pela compreensão.

    Nem da Missa rezada pelo Pe. Givanildo eu aproveito; só fui lá duas vezes, nas férias da catequese.

    Sobre o Pe. Divino, não tenho contato pessoal com ele, mas procurarei fazer com que a mensagem chegue a ele. Os links para essas páginas aparecem em alguma página específica do sítio deles?

    In Iesu et Mariae

    Gustavo

  9. Jorge Ferraz Post author

    Gustavo,

    Não sei se as páginas aparecem no site deles. A primeira eu encontrei no google ontem e, a segunda, encontrei hoje digitando diretamente a url, quando fui verificar se havia mais alguma que não havia sido removida [todas as outras o foram].

    Abraços,
    Jorge

  10. Luis

    Se não fossem os “filhos rebeldes da Igreja” não haveria o Motu Próprio… Vocês são uns palermas. A Missa antiga exige e exigirá uma releitura do Vaticano II, custe o que custar, doa a quem doer. As mazelas e erros deste concílio estão mais que escancaradas. Dois modos distintos de liturgia, a zoneada e herética (missa nova) e a correta (a missa de SEMPRE). Dois modos antagônicos, onde só uma vai sobreviver. E é desta batalha que depende o futuro da Igreja.
    A Missa “não foi arrancada das mãos dos filhos rebeldes (sic) da Igreja”: ela continua sendo realizada pelos verdadeiros tradicionais, que não são covardes, que defendem a verdade e não “colocam o rabo entre as pernas” com medinho da perseguição de bispos e padres modernistas. Não precisam implorar Missa para ninguém… A Missa de sempre é solenemente entronizada no lugar que lhe pertence de direito: no coração da Igreja Católica, e isto ininterruptamente, mesmo quando os tradicionais foram (e são) perseguidos e caluniados após o concílio da destruição.
    Vocês são bobalhões e querem se mostrar defensores da Missa Tridentina, quando na verdade nada fizeram para restabelece-la, ficavam em casa esperando um milagre, que veio através da luta dos católicos da Fraternidade. Agora querem assumir uma posição que não lhes pertence. Deus sabe quem foram aqueles que estavam dormindo e acovardados e os outros que “deram a cara para bater”.
    Fariseus!