Corpus Christi

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ECCE PANIS ANGELORUM
FACTUS CIBUS VIATORUM
VERE PANIS FILIORUM
NON MITTENDUS CANIBUS

Hoje a Igreja celebra a festa do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. É uma festa móvel, que sempre cai numa quinta-feira: a primeira quinta-feira após a Oitava de Pentecostes (i.e., após a Solenidade da Santíssima Trindade). Pentecostes também é móvel, porque é celebrado no 50º dia após a Páscoa. A festa de hoje, portanto, é celebrada 60 dias após o Domingo de Páscoa.

A solenidade de Corpus Christi remete à Idade Média, ao século XIII; vale a pena ler o texto escrito pelo pe. Elílio sobre o dia de hoje, é um excelente resumo. Foi Santo Tomás de Aquino quem compôs a liturgia do dia de hoje, em particular a seqüência – o Lauda Sion – de onde foi retirada a estrofe em epígrafe.

“Eis o Pão dos Anjos, feito alimento dos peregrinos”: de nós, degredados filhos de Eva, que estamos neste mundo em peregrinação rumo à Pátria Celeste. O Pão dos Anjos, a Santíssima Eucaristia, o Santíssimo Corpo de Nosso Senhor é alimento para a nossa alma, que tem absoluta necessidade de se fortalecer para que possa vencer o mundo, o demônio e a carne. O Catecismo de São Pio X elenca cinco efeitos da Eucaristia naqueles que A recebem dignamente (dos quais os dois primeiros são os principais – cf. Catecismo Maior de São Pio X, q. 623-624):

  1. conserva e aumenta a vida da alma, que é a graça, como o alimento material sustenta;
  2. perdoa os pecados veniais e preserva dos mortais; produz consolação espiritual;
  3. enfraquece as nossas paixões, e em especial amortece em nós o fogo da concupiscência;
  4. aumenta em nós o fervor e ajuda-nos a proceder em conformidade com os desejos de Jesus Cristo;
  5. dá-nos um penhor da glória futura e da ressurreição do nosso corpo.

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Há uma curiosa história de Santo Antônio de Pádua associada à Eucaristia. Um incrédulo daqueles tempo – porque incrédulos sempre houve – disse ao santo que só acreditaria que Cristo estava realmente presente na Eucaristia caso a sua mula se ajoelhasse diante dela. O santo aumentou o desafio: disse que deixasse a mula três dias sem comer e, ao cabo deles, colocasse diante dela um feixe de feno e a Hóstia Consagrada, que a mula iria deixar o feno para se prostrar diante do Deus escondido sob as espécies do pão. Dito e feito: diante do povo, a mula – após três dias de jejum – “fez genuflexão” quando foi apresentada à Santíssima Eucaristia, desprezando o alimento físico que lhe era oferecido. Até as mulas são menos teimosas do que alguns incrédulos; até uma mula reconheceu Deus no Santíssimo Sacramento!

Visitemos uma Igreja hoje [aliás, a missa é de preceito, como a dominical], e ofereçamos a Nosso Senhor um pouco do nosso tempo, “em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido”, como pediu o Anjo em Fátima. Nas condições habituais (confissão, comunhão e oração pelas intenções do Santo Padre), adoração eucarística de meia hora pelo menos é ação por meio da qual pode-se lucrar indulgência plenária (não só hoje; qualquer dia). Hoje é um dia propício para visitarmos Jesus Eucarístico. Que Ele tenha misericórdia de nós, e nos dê sempre forças para continuarmos na nossa peregrinação rumo ao Céu. Como canta a piedade popular:

Que o Santo Sacramento
que é o próprio Cristo Jesus
seja adorado e seja amado
nesta Terra de Santa Cruz!

Bendito seja Deus, no Santíssimo Sacramento do Altar.

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23 thoughts on “Corpus Christi

  1. Blog Mallmal

    Jorge, uma coisa que eu não sei, espero que você possa me esclarecer:

    Qual é a origem do dia de Corpus Christi?

  2. Jorge Ferraz Post author

    Mallmal,

    Foi instituída no século XIII pelo Papa Urbano IV, em honra à Santíssima Eucaristia.

    Tem um pequeno resumo em português aqui:

    http://www.paulinas.org.br/diafeliz/datacom.aspx?Dia=11&Mes=6&DataComID=543

    E uma tradução para o inglês da bula “Transiturus” que a instituiu:

    http://thecrossreference.blogspot.com/2009/05/pope-urban-iv-transiturus-de-hoc-mundo.html

    E o verbete na Enciclopédia Católica:

    http://www.newadvent.org/cathen/04390b.htm

    Abraços,
    Jorge

  3. Sue

    Jorge,

    A Celebração da Santa Missa hoje no Mosteiro de São Bento foi particularmente linda. Dom Roberto, o Abade, a celebbrou e fez uma linda homilia falando dos paixonados de Cristo e do que significa a Eucaristia. Falou sobre São Padre Pio de Pietrelcina, mencionou ter tocado as luvas que este usava para esconder seus estigmas.

    Saí de lá tão cheia de luz que não consegui me manter acordada… deitei por uma hora e sonhei com anjinhos!

    Tenha um santo dia

    Sue

  4. Sindei

    Sue você teve mais sorte do que eu em assistir uma missa com a reverência e o sagrado que uma missa não só neste dia mas em todos os outros dias devem ter, hoje, (11/06/2009) fui a igreja que eu freqüento assistir a missa de Corpus Christi, e DEUS que me perdoe, mas não fiquei até o fim, me retirei da igreja pois não pude me conter diante de tamanha dessacralização da Santa Missa, ao contrário dos anos anteriores em que o coral sempre cantava, este ano deixaram a cargos dos seminaristas, e estes querendo inovar, resolveram colocar uma bateria no acompanhamento musical, e pediram para todos baterem palmas nas canções, foi horrível, não se ouvia ninguém cantar só se escutava o barulho da bateria, e que constrangedor, uma parte da igreja batia palmas e outra não, sinceramente, quando leio o Jorge Ferraz e mais um monte de gente reclamar das inovações litúrgicas eu ajo meio exagerado o que escrevem, mas depois de hoje acredito que vocês estão cobertos de razão.

  5. Marcelo Cardoso

    caso queira ir à [CENSURADO] com suas [CENSURADO] de suas [CENSURADO] a fossa da sua casa é a serventia

  6. Alex A.B.

    A missa da Solenidade de Corpus Christi é de preceito, como a de Domingo!
    Gostaria de saber se a procissão de Corpus Christi também é de preceito?!
    É obrigatório participar da procissão de Corpus Christi?!
    Quem deixa de fazê-lo comete pecado mortal?!

  7. Jorge Ferraz Post author

    Alex,

    Nunca ouvi falar em “procissão de preceito”.

    O mandamento é ouvir missa inteira aos domingos e dias de guarda, e a missa “inteira” é via de regra entendida como do sinal da cruz inicial à bênção final. A procissão é depois da missa e, portanto, não faz parte do preceito.

    O único problema que vejo com isso seria no caso do sacerdote não dar a bênção final após a Ação de Graças depois da Comunhão e iniciar a procissão direto, deixando para o fim da procissão a bênção final.

    No entanto, nunca vi isso acontecer e, caso acontecesse, acredito que o fiel teria, s.m.j., cumprido o preceito se assitisse à missa do sinal da cruz inicial à saída do povo da Igreja, porque deveria haver uma bênção final ali que, se não houve, não foi por culpa dele.

    Abraços,
    Jorge

  8. Jorge Ferraz Post author

    Sr. Marcelo,

    Doravante, todos os comentários do senhor irão diretamente para a lixeira sem que eu nem me dê ao trabalho de lê-los. Abraços, um bom final de semana, deixe-nos em paz e desapareça.

    – Jorge

  9. Cleber

    “Felizes os perseguidos por causa de mim!”

    Salve Maria!

    Aqui em Brasília meus caros, não temos Missas de preceito (no Rito Antigo), somente aos domingos e as vezes ainda corremos o risco de não tê-la.

    Quem pode, por condições e disposições, vai até a belíssima Capela Santa Maria das Vitórias do saudoso Pe. João Batista, em Anápolis, cerca de 200kms. Quem não pode, e não se dispõe a correr o mesmo risco do nosso amigo Sindei, fica “a ver navios”, sem Missa, sem graça.

    É uma situação calamitosa a qual se encontram nossas paróquias. Ontem, dia de Corpus Christi, fiquei até 22:00 sendo obrigado a ouvir o “SHOW de preceito” da RCc, mesmo morando a quase 1km da Igreja, pois, o que ouvia não pode ter sido uma missa, mas um show, que iniciou-se no final da tarde com a oração do santo terço, estranhei, mas depois decepcionei-me por ver que mudou do vinho pra água. É um horror!

    Iniciou-se muito bem, com o terço, mas o encerramento, a base de bateria, gritaria, palmaria e ainda, com uma música pentecostal.

    E ainda me perguntam por que ando tanto para ir à Missa se há uma igreja perto de minha casa.

    Cleber

  10. Alex A.B.

    Caro Jorge
    Muito obrigado pela atenciosa resposta!
    De fato, você percebeu bem a minha dúvida!
    Ontem, na Solenidade do Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, o bispo não deu a benção ao final da missa, mas ao final da procissão de Corpus Christi!
    Um abraço fraterno, Alex.

  11. Jorge Ferraz Post author

    Caríssimo Alex,

    Bom, como disse antes, e salvo melhor juízo, cumpre perfeitamente o preceito de ouvir missa o fiel que saiu antes da bênção final se tem motivos razoáveis para não se demorar mais do que tinha originalmente previsto. Afinal, não é culpa dele se a bênção deveria ter sido dada e não o foi.

    Abraços,
    Jorge

  12. Antonio

    Depois da Revolução Litúrgica de Bugnini, tanto se falou que se teria querido acentuar um tal de “aspecto catequético da Missa”, mas incoerentemente é da Missa de Corpus Christi que deixaram opcional (e, desgraçadamente, quase nunca usada) a seqüência “Lauda Sion”, puríssima, simples e das mais eficientes catequeses acerca da Sagrada Eucarístia, cujo excerto encontra-se na epígrafe do tópico.

    O Gradual reformado, em mais uma evidência da sanha cientificista e anti-tradicional que imperou entre os membros do comitê protestante de Bugnini, levanta inclusive dúvida acerca da autoria, dessa seqüência e de outros cantos dessa Missa, de S. Tomás de Aquino, desacreditando uma informação que sempre a tradição havia afirmado. Dessa festa não pouparam nem o título original, tendo sido a ele desnecessariamente acrescentado “et Sanguinis”, provavelmente como argumento de desmerecimento da festa de 1º julho, do Preciosíssimo Sangue (instituída por Pio IX e elevada à categoria de 1ª classe pro Pio XI), que foi excluída do calendário litúrgico e relegada à uma mera dentre várias Missas Votivas.

    Nota-se aí mais um fruto do liberalismo litúrgico querido pela Sacrosanctum Concilium e colocado em prática na reforma de Bugnini: quase sempre promove uma espécie de “totalitarismo da mediocridade” ao se prestar a instrumento, nas palavras e ações de maliciosos ou nos ouvidos de ignorantes, de desmerecimento do dogma, da tradição e/ou de costumes católicos.

    Registre-se, com justiça, uma possível vantagem que a liturgia de Corpus Christi do Missal de 1969 tem sobre a do Missal de 1963. No último caso, o prefácio é simplesmente o comum, tendo sido colocado, na década de 1950 pelo mesmo Bugnini, no lugar do [bem oportuno] prefácio de Natal. Anos depois, ele precisava dar vazão a tantos prefácios recém-instituídos, e a liturgia de Corpus Christi não pôde ficar de fora.

    Graças a Deus, é a doutrina professada por essa seqüência a que Bento XVI tanto se referiu em sua homilia na Missa que celebrou ontem. E são os prefácios do Missal de 1963 que ele, no motu proprio de 2007, diz estarem sujeitos à revisão (permita Deus que seja para melhor).

  13. Jose Carlos

    “E ainda me perguntam por que ando tanto para ir à Missa se há uma igreja perto de minha casa.”

    Sinceramente, não entendi. As igrejas não pertencem todas à mesma congregação católica? Voces querem que tenha uma igreja para cada gosto?
    E quanto à hierarquia, como fica? Esse tipo de atitude não é considerado como rebelião? Não é uma divisão?
    Não tomem essas perguntas como provocação, por favor. São perguntas humildes, mesmo. Queria só entender como funciona essa questão de preferencia por ritos, se a igreja é uma só.

  14. Jorge Ferraz Post author

    Sr. Jose Carlos,

    É um problema católico interno que não lhe diz respeito. Sim, estou tomando a pergunta como provocação.

    Não somos nós que queremos “uma igreja para gosto”, são os maus católicos que querem isso. Nós queremos justamente não precisar procurar igrejas longe de casa. Se o fazemos, é exatamente porque a confusão hoje em dia reinante faz com que as paróquias sejam completamente diferentes – no quesito litúrgico, ao menos – umas das outras.

    – Jorge

  15. Everth

    Jorge, me desculpe mas acho que a Missa termina é na Bênção final. Se por exemplo houve a procissão e depois a volta à Igreja, penso que os fiéis devam esperar o final da Missa mesmo…

    Aqui na nossa igreja aconteceu isso. O padre fez a procissão, depois voltou à igreja e deu a benção final…

    Então, a gente não deve esperar a benção final para ir embora?

  16. Cleber

    Sr. José, salve Maria!

    Quanto a hierarquia, somos submissos naquilo que está de acordo com o que a Santa Igreja sempre ensinou.

    A Igreja permanece UNA, como Cristo a instituiu, o que hoje causa divisão entre os fiéis é a forma de crer e de agir, porque muitos, a maioria, aderi a práticas e crenças que sempre foram condenadas pela Igreja, como a missa protestantizada que mencionei.

    E como o Jorge disse, é por estes motivos e muitos outros que andamos muito para ter acesso a uma celebração digna, Católica, que não está contaminada pelo jeito “rccista de ser” e assim, mantermos íntegra a fé.

    Cleber