Ovelhas sem pastor

O “semanário litúrgico-catequético” da Paulus – O Domingo – estava hoje pior que de costume. Mas, por ironia, as leituras da Santa Missa do 16º Domingo Comum estavam perfeitamente adequadas ao jornalzinho que as continha.

Primeira leitura, do profeta Jeremias: “ai dos pastores que deixam perder-se e dispersar-se o rebanho de minha pastagem, diz o Senhor!”. Evangelho segundo São Marcos: “ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor”. Talvez numa irresponsável tentativa de colocar-se como exemplo daquilo que as Sagradas Escrituras condenam, O Domingo publicou uma vergonhosa “Oração da Assembleia”, que é como segue:

PR: Entre os próximos dias 21 e 25 será realizado, em Porto Velho, Rondônia, o 12º encontro intereclesial das CEBs. Rezemos, em dois coros, para que esse encontro traga novo ânimo e vigor às comunidades cristãs.

L1: Deus da vida e do amor, / Trindade santa, a melhor comunidade: / queremos acolher vossa palavra, partilhar a eucaristia, / assumir a missão na comunidade eclesial / e no movimento popular.

L2: Somos as CEBs do Brasil, / seguidores e seguidoras de Jesus / em missão profética, ecumênica e transformadora.

L1: Na opção pelos pobres / e na defesa da terra, da água, da vida.

L2: Do ventre da terra, profanada pelo latifúndio depredador, / nos chega o clamor dos povos indígenas / e do povo sem-terra.

L1: Dos nossos campos e das nossas cidades / nos chega o clamor por justiça, partilha e paz.

L2: Animados pelo Espírito do ressuscitado, / sob a proteção de Maria, a mãe, / e com tantas testemunhas de vida e de martírio, / seguiremos a caminhada, / como Igreja de Jesus, / nas lutas e na esperança do reino.

AS: Amém!

Os erros litúrgicos, catequéticos e pastorais, ao lado dos de colocação pronominal e de minúsculas recorrentes nas referências às Pessoas da Trindade Santa, são da lavra dos responsáveis pelo Semanário. Sinceramente, é difícil acreditar que pessoas capazes de colocar um lixo desses na celebração da Santa Missa ainda possuam Fé. Contemplando estarrecido os católicos revezarem-se na recitação desta porcaria, deparo-me com uma imagem viva das imprecações do profeta Jeremias e da compaixão sentida por Nosso Senhor, recém-proclamadas: verdadeiramente, os católicos que acompanham a missa pel’O Domingo estão como ovelhas sem pastor. Que o Altíssimo tenha misericórdia de nós todos.

Publicado por

Jorge Ferraz (admin)

Católico Apostólico Romano, por graça de Deus e clemência da Virgem Santíssima; pecador miserável, a despeito dos muitos favores recebidos do Alto; filho de Deus e da Santa Madre Igreja, com desejo sincero de consumir a vida para a maior glória de Deus.

33 comentários em “Ovelhas sem pastor”

  1. Misericórdia! Que tragédia esta “prece”! Como faço questão de não seguir o “Seminário” durante a Missa, e faço questão de não escutar as “preces” héreticas, só agora olhei no folheto isso que você critica aqui Jorge.

    Realmente é um besteirol sem fim, no entanto, no ato mais sagrado que possa haver na face da terra: na Santa Missa. Como deve ferir o Sagrado Coração do nosso Pastor, Jesus Cristo!

    Há alguns meses atrás tentei entrar em diálogo com o coordenador – que nunca disse o nome – por e-mail. Eu pedia que as imagens do “Seminário” fossem menos ridículas para que nos inspirassemm e não estas caricaturas que fazem que espanta qualquer um. Mas de fato, quando não se reconhece a diferença entre Doutrina Católica e opinião, qualquer diálogo termina rapidamente.

    Um grande lástima nos dá ao saber que muitos católicos não tem opção de ter um folhetim ortodoxo, com reflexão de verdade e sem o blá blá blá da TL.

    Até me ofereci para buscar um sacerdote que pudesse nos dar “alimento espiritual” pelas reflexões da última folha através do Seminário, mas infelizmente estão tão mal acomodados de serem os “únicos” que este monopólio os cegou.

    Realmente, estão sem pastores os que seguem este Seminário e não à Igreja Católica!

    Paz

    Julie Maria

    pd: Leu a entrevista do Gutierrez na revista Pastoral? Por acaso a li e dava para fazer uma boa reflexão!Vou tentar encontrar pela inet!

  2. Jorge,

    Não sei se te contei, mas estou aqui em Rondônia e na cidade onde estou, ainda domingo passado, estavam falando sobre as CEB’s. Confesso que sou meio leigo nesse assunto de ‘intereclesiais de base’, mas percebi, pelo menos da maneira que foi mostrado, que não é nada bom.

    O padre, ao falar das CEB’s, dizia na homilia: “Isso nos mostra que a Igreja está no caminho certo…!” Pelo amor de Deus, isso mostra que a fumaça de Satanás tratou de entrar mesmo na Igreja. E no fim da Oração da Assembléia, ao invés de falarem só Amém, disseram: “Amém, axé, auê”.

    Essa tal de CEB me dá uma impressão de comunismo…

    Miserere nobis, Domine!

  3. Eu e minha esposa estamos como casal-piloto dos pais dos catequizandos e muitas pessoas da Igreja são da Heresia da Libertação, vem sempre com aquele papinho mole de comunidade que co-celebra, banquete da partilha, essas porcarias.

    Aliás, quando eles falam em “comunidade” meu sangue já ferve, porque sei bem o que eles querem dizer.

    Na “comunidade” padre é igual a todo mundo – mas que raio tem de problema o padre ser mais do que eu?

  4. Parabens pela observação! Infelizmente estes malditos resquícios da Teologia da Libertação, ainda contaminam e deturpam a fé do nosso povo.
    Que Deus nos salve destes falsos pastores que falam dos pobres, mas não vivem com eles, pelo contrário arrancam-lhes o pouco que tem.

    Um fraterno abrtaço!
    Pe. Mateus Maria, FMDJ

  5. Não sei porque tamanha indignação.

    Ainda ontem o Santo Padre estava falando em reforma agrária, distribuição de riqueza, valorização das comunidades…

  6. Quando li esta oração no folheto de O Domingo, sobre esta assembléia das CEBs, pensei: “O Jorge Ferraz não vai deixar passar isto”, foi dito e feito, e bem feito, porque nem eu orei estas preces que mais parecem cartilha de propaganda política e não de orações da Igreja.

  7. Vocês estão distorcendo as palavras d'”O Domingo” e interpretando-as de acordo com seus próprios esquemas ideológicos.

    A rigor, nada do que está escrito aí é contrário à Doutrina Social da Igreja, a qual realmente fez a opção preferencial pelos pobres, seguindo o exemplo de Jesus Cristo.

    O texto citado pelo Jorge Ferraz apenas reflete o conteúdo da encíclica Populorum Progressio de Paulo VI, atualizado pela Caritas in Veritate de Bento XVI.

    Quando o Bispo de Roma fala em reforma agrária, vocês aplaudem. Quando o Bispo de São Félix do Xingu fala em reforma agrária, vocês rasgam as vestes farisaicamente.

    Por falar em caridade, é uma tremenda falta de caridade recusar-se a participar dessa “Oração da Comunidade” e é no mínimo um perigo querer conformar a Doutrina Social da Igreja às nossas opções políticas.

  8. “Do ventre da terra, profanada pelo latifúndio depredador, / nos chega o clamor dos povos indígenas / e do povo sem-terra.”

    Acho que nem Gramsci acharia que as coisas chegariam a esse nível…

  9. JB,

    O problema é exatamente este: é [quase] sempre possível dar uma interpretação ortodoxa às besteiras da Teologia da Libertação, e, IMMO, é precisamente o excesso de tolerância que temos com ela que faz o monstro sobreviver por tanto tempo.

    Todos nós sabemos que expressões como “opção pelos pobres”, “comunidade”, “movimento popular”, “missão transformadora” e congêneres têm um significado muito específico dentro da Teologia da Libertação e muito destoante da Doutrina Católica. É exatamente isso que faz com que instintivamente torçamos o nariz ao escutar esta conversa fiada.

    Quando o Bispo de Roma fala em Reforma Agrária, ele pensa na destinação universal dos bens segundo a Doutrina Social da Igreja. Quando algum bispo da TL tupiniquim fala em Reforma Agrária, ele pensa no MST. Não é uma questão de esquema ideológico, nem de opção política e nem de farisaísmo, mas de compreensão da realidade: é assim.

    A oração de ontem tem incontáveis problemas, como já falei, entre litúrgicos (porque não respeita a estrutura da Oração da Assembleia indicada na IGMR, com oração pelo Papa, pela Igreja, pelos poderes constituídos, etc), catequéticos (porque não explica os conceitos que utiliza e – pior – utiliza-se precisamente daqueles que têm interpretação heterodoxa majoritária nesta Terra de Santa Cruz; porque não fala em um só instante em conceitos-chave como sacramentos, vida de graça, oração, penitência, redenção, arrependimento, etc) e pastorais (porque faz todo mundo rezar como se fôssemos CEBs; porque confunde os incautos sobre a periculosidade da Teologia da Libertação). Falta de caridade é deixar de apontar o lobo onde quer que ele se encontre, tão logo seja identificado. Falta de caridade é continuar com a tolerância, enquanto os maus pastores lançam as almas à perdição.

    Abraços,
    Jorge


  10. “Na opção pelos pobres / e na defesa da terra, da água, da vida.


    L2: Do ventre da terra, profanada pelo latifúndio depredador, / nos chega o clamor dos povos indígenas / e do povo sem-terra.”

    Ontem, na Missa, notei algo estranho … O Padre que geralmente celebra no horário que costumo ir não estava (talvez esteja de férias). Entrou um Padre sem casula. Meu radar anti-TL já acendeu uma luz fraca. Depois, na hora do Ato Penitencial, coisas estranhas também. Pensei: “isso só pode ser folheto”. O alerta-TL começou a emitir sons repetidamente. Tentei ver, não consegui. Depois, na hora da “Oração da Assembléia”, ouvi isso aí. Aí o bipe tornou-se um zunido constante … Virei pra minha esposa e falei: “isso só pode ser folheto”. Os Padres da paróquia, que celebram sempre, costumam usar só o Missal. É só vir um diferente pra avacalhar tudo …

    Fiquei mais triste ainda quando, saindo da Missa, encontrei um Padre amigo que ia celebrar a seguinte. Pensei comigo: que azar, bem que poderia ter vindo em outro horário :-(

    Cada uma, viu?

    Abraços e fiquem com Deus,

    Léo

  11. Caro Canônico:

    Você é a favor de latifúndios depredadores? Você é contra os índios e os sem-terra? Veja que nenhum bom católico pode ser…

    Já o Jorge foi direto ao ponto, como de costume.

  12. Talvez o João de Barros me acuse de ter faltado com a caridade, mas me recusei a acompanhar esse oração do Intereclesial. Sou de Porto Velho e vejo a movimentação para o Intereclesial. O que me entristece é que se está montando uma estrutura imensa, para a defesa de uma bandeira socialista. Aliás, durante a celebração, tive uma visão assustadora: músicas típicas da TL se revezaram com o clássico protestante “Noites traiçoeiras”… Senti-me cercado!

  13. Outra coisa: a missa nem chegou a terminar direito e muitos tomaram o rumo de casa. Havia uma tristeza no ar, apesar da “batucada” da equipe de “liturgia”. Essas pessoas pareciam ovelhas sem pastor…

  14. Léo,

    Aqui o folheto é sempre lido “no lugar” do Missal! Por isso se sinta privilegiado nesta Terra da Santa Cruz!

    Rondônia realmente precisa de muita oração!

    Julie Maria

  15. Caro Francisco:

    Não se preocupe. Eu estava sendo irônico. Acho que você está certíssimo. Na minha paróquia é a mesma coisa. Eu nem chego perto do folheto.

    Sempre que presencio um abuso grave durante a Missa, eu fecho os olhos, abaixo a cabeça e rezo uma Ave-Maria pelo clero e por todos os fiéis que foram infectados pelo modernismo.

    Aprendi isso com a minha avó beata, falecida em 1979, que costumava rezar todos os dias um terço pela alma de Paulo VI, cuja salvação ela achava muito incerta.

  16. João, não há necessidade de explicar o óbvio, muito embora o JOrge o tenha feito.

    Eu não sou contra índios, nem a favor de latifúndios depredadores.

    Eu sou contra a ideologia marxista desses folhetos.

  17. Dá impressão de coisa pior. O comunismo assume sua total divergência e rejeição da Religião (Não sou católica) e de Deus. As CEBS instrumentalizam a Palavra de Deus, distorcem a doutrina e reduzem todo o mistério da salvação a nada!.

  18. Carpissimos:

    PAX!

    E o pior é que o autor desta “oração”, que mais se parece com um panfleto comunista, é D. Pedro Casaldáliga:

    Cliquem aqui

    Que o Senhor Deus nos envie bons pastores!

    []´s

  19. Francisco Silva de Castro, você pode dizer qual é a sua religião?

  20. Renato,

    Eu também não entendi direito quando li, mas estou quase certo de que foi um erro de digitação: no lugar de “[n]ão sou católica”, ele quis dizer “não católica”. Querendo dizer que o comunismo é não somente anti-católico, como também anti-religião, qualquer que seja ela.

    Abraços,
    Jorge

  21. Na igreja em que eu frequento tem um cartaz que faz indicações para vagas de trabalho, darei a idéia para trocar por um cartaz com os 10 mandamentos.
    Será que eles vão aceitar?

  22. ”França: como se o Concílio não tivesse acontecido… ao menos para os tradicionalistas.

    De La Cigüeña de la Torre: Os seminaristas: eram 4.536 em 1966; 784 em 2005; 756 em 2007; e 740 em 2008. Dioceses como Pamiers, Belfort, Agen, Perpignan, etc. não têm nenhum seminarista. Ordenações: Depois da brutal queda nos anos que seguiram o Concílio (825 ordenações diocesanas em 1956 e 99 em 1977), houve ultimamente 90 em 2004, 98 em 2005, 94 em 2006, 101 em 2007 e 98 em 2008″. ” O peso moral do tradicionalismo é muito importante na França: com 388 lugares de culto dominicais, isto é, mais de quatro por diocese (204 “autorizados” e 184 atendidos pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) e suas comunidades amigas (”lefebvristas”), a sensibilidade tridentina, considerando todas as suas tendências, representa o equivalente de duas dioceses francesas de média importância. Além dos lugares de culto, dispõe de uma rede importante de escolas não conveniadas (sem subvenção), que são um viveiro de vocações. Os sacerdotes que celebram missa de São Pio V são de 250 a 300 (150 FSSPX), de idade média muito inferior aos sacerdotes em atividade. Os seminaristas para o modo extraordinário eram 160 (dos quais uns quarenta da Fraternidade Sacerdotal São Pio X) em 2008-2009, frente a 740 seminaristas diocesanos. Em um ou dois anos, um seminarista a cada quatro será do modo extraordinário. Ordenações: em 2009 foram ordenados para o modo extraordinário 15 sacerdotes franceses (dos quais 6 eram da FSSPX). A “taxa de fecundidade sacerdotal” do meio tradicionalista é idêntica à do catolicismo francês anterior ao concílio”.”

    Esta é a diferença entre modernismo ( Teologia da Libertação, carismáticos, …e outros blá blá blás ) e tradicionalismo.

    http://fratresinunum.com/2009/07/20/curtas-da-semana-13/

  23. Caro João de Barros,
    Só para registrar: quando o Bispo de Roma fala em reforma agrária, eu não aplaudo.
    A propósito, você diz que nenhum bom católico pode ser contra os sem-terra. Depende. Se for um sem-terra do MST, todo bom católico TEM que ser contra, porque os integrantes do MST são esbulhadores, isto é, ladrões de terra. Quanto a um joão-sem-terra qualquer, evidentemente ninguém pode ser contra ele só pelo fato de não ter terra. Mas nenhum católico também pode ser contra alguém só pelo fato de este alguém possuir terra.
    Essa luta de classes entre proprietários e não proprietários de terra não é coisa de católico, mas de comunista da teoloheresia da escravidão, tão ao gosto do comunista D. Pedro Casaldáliga.
    Um abraço.
    Carlos.

  24. Caro João de Barros,
    Já antecipo o pedido de desculpas, antes que você me responda, pois me apressei em comentar e só depois li sua declaração de que estava sendo irônico. Realmente, estava achando muito estranho, mas faltou-me perspicácia para entender logo.
    Um abraço.
    Carlos.

  25. Caro Renato Lima,
    Essas estatísticas falam por si. Contra fatos, ou melhor, contra números, não há argumentos.
    Um abraço.
    Carlos.

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