Obama ganhou o prêmio Nobel da Paz. O mundo reagiu. Lula o cumprimentou, Fidel Castro gostou, Chávez reclamou; aliás, registre-se que, finalmente, eu concordo em alguma coisa com o presidente venezuelano! “[E]stamos testemunhando uma premiação com o vencedor não tendo feito nada para merecê-lo: premiando alguém por intenções que estão muito longe de tornarem-se realidade”.
E, realmente, um ilustre desconhecido tornar-se o homem mais poderoso do mundo e ganhar o Nobel da Paz sem ter feito absolutamente nada é coisa que não se explica. Eu julguei – de verdade – que era piada, quando pus os olhos na notícia pela primeira vez.
Contra a idolatria obâmica, parece que – finalmente! – até o Osservatore Romano resolveu protestar:
O artigo de L’Osservatore, firmado por Lucetta Scaraffia, chama o presidente a reconhecer que “a guerra mais longa, e com o maior número de ‘quedas’, é a prática do aborto, legalizado e facilitado pelas estruturas internacionais”.
Pede também ao presidente que recorde das palavras da ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 1979, Madre Teresa de Calcutá, que chamou o aborto de “o grande destruidor da paz hoje, [...] porque é uma guerra direta, uma matança direta – um assassinato direto por parte da própria mãe”.
Enquanto isso, um outro Nobel – José Saramago – chama Igreja de “reacionária” e acusa Bento XVI de “cinismo”. “As insolências reacionárias da Igreja Católica precisam ser combatidas com a insolência da inteligência viva, do bom senso, da palavra responsável”. E as insolências nonsense de um velho que parece estar ficando gagá, não podem ser combatidas?
As supostas “insolências reacionárias” da Igreja não foram especificadas uma única vez. É pura verborragia raivosa de Saramago. Impressionante como o simples fato de um sujeito esbravejar contra a Igreja, sem se preocupar em dar à sua crítica um mínimo de consistência que ultrapasse a rebeldia sem causa, é já motivo suficiente para ganhar manchetes mundo afora. Vai ver, Saramago ficou com inveja de Obama; vai ver, o velho português quer ganhar outro Nobel sem fazer nada.
P.S.: Leiam também na blogosfera sobre o Nobel de Obama e sobre José Saramago.
