Sobre o dízimo

closeAtenção, este artigo foi publicado 7 anos 9 meses 26 dias atrás.

Na minha paróquia tem “Pastoral do Dízimo”. E uma senhora veio certa feita falar comigo, porque ela estava confusa: aprendera que tinha que pagar o dízimo. Desde há muito tempo, pagava-o na forma de cestas básicas, quer distribuídas na capela da vila, quer entregues pessoalmente a pessoas necessitadas. No entanto, ouviu alguém da Pastoral dizer que isso que ela fazia não era dízimo, e ficou com problemas de consciência; afinal de contas, estava ou não estava cumprindo o preceito da Igreja?

A supracitada pastoral, preciso confessar, não me agrada. Tecnicamente, sim, a coleta da missa é diferente do dízimo, que é diferente das espórtulas, que é diferente das esmolas. No entanto, o mandamento da Igreja não diz simplesmente “pagar o dízimo”, e sim pagá-lo segundo o costume, o que faz toda a diferença. E, desde não sei quando – é assim desde que eu me entendo por gente -, no Brasil o costume de oferecer dinheiro durante o Ofertório da Santa Missa é muito mais difundido do que o de ser dizimista “cadastrado”.

Lembro-me de ter lido, em alguma edição da Pergunte & Responderemos (não a tenho à mão agora para procurar), Dom Estêvão falar [algo como] que o incentivo no Brasil ao pagamento do Dízimo na forma, p.ex., das pastorais do Dízimo, intentava exatamente mudar o costume brasileiro: abandonar a coleta da Santa Missa e os emolumentos, e deixar apenas o dízimo. E eu tenho ressalvas contra estas tentativas de se mudarem os costumes “de cima pra baixo”.

Obviamente, qualquer um pode ser dizimista regular strictu sensu (conheço muitos bons católicos que são). Podem também arranjar outras formas de socorrerem às necessidades materiais da Igreja, entre as quais tem lugar de destaque a própria coleta da Missa – conheço também muitos bons católicos que preferem fazer assim. Até entendo que se deseje difundir a prática – em si, santa – do dízimo regular, mas discordo da forma como vejo isso ser feito algumas vezes.

Primeiro porque não vejo necessidade de uma pastoral para isso. Segundo, porque sei por experiência que é muito complicado pastoralmente “separar”, para um fiel simples, a doação voluntária de um (inexistente) pagamento obrigatório. Terceiro, porque ser dizimista regular não é a única maneira de se cumprir o quinto mandamento da Igreja – aliás, o Papa Bento XVI, no Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, deu-lhe uma redação diferente: Contribuir para as necessidades materiais da Igreja, segundo as possibilidades.

Ninguém precisa ser “mais católico do que o Papa”. Incentive-se, mas não se imponha. Catequize-se verdadeiramente, ao invés de apelar para (falsos) argumentos de autoridade. E, acima de tudo, respeite-se a justa liberdade dos filhos de Deus. Porque, na minha opinião, agir de outra maneira não pode jamais redundar em benefícios para a Igreja de Nosso Senhor.

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22 thoughts on “Sobre o dízimo

  1. Alex A.B.

    Jorge

    A revista PR ( Pergunte e Responderemos) a que você alude, deve ser a de agosto de 2006, nº 530. Neste número, encontra-se o artigo O QUINTO MANDAMENTO DA IGREJA.

  2. Lelê

    Vejo que o dízimo não faz parte do costume, acho que até há uma rejeição, talvez porque a prática não seja bem vista considerando a forma com que é tratada por seitas evangélicas (falando no geral). E na verdade o católico pouco sabe sobre o dízimo na Igreja Católica… (quanto mais as suas três dimensões). Digo até por mim que fui saber melhor quando entrei para a Pastoral do Dízimo na minha Paróquia. Lá o que se faz é incentivar o pagamento do dízimo, com ênfase na evangelização e esclarecimentos durante as Missas sem que se confunda ou atrapalhe as outras formas de coleta, e prestação de contas. Acredito que aos poucos haverá maior esclarecimento e concordo que para isso não precisa sair atropelando costumes e formas humildes, muito menos impor o pagamento (como li num material). Um bom material sobre o dízimo é a coletânea em CD da pregação “Um Monge Fala Sobre o Dízimo” de Dom Bernardo Bonowitz (do Mosteiro Trapista N. Sra. do Novo Mundo, Campo do Tenente/PR) e livro de mesmo título. Abraços.

  3. Lisardo

    Quanta coisa muda e mudou de lá (dos anos 60) para cá. não é mesmo? E essa Pastoral do dízimo é mais uma “boa” idéia do Comitê!

  4. R. B. Canônico

    Na boa, eu vejo muitos aspects positivos na pastoral do dízimo.

    A mentalidade das pessoas mudou radicalmente nos últimos 40 anos. Veja o exemplo da paróquia em que cresci.

    Ali há uma das mais belas igrejas do norte do PR, e com certeza sua construção foi caríssima. Foi feita com o dinheiro do povo, de gente pobre mesmo. Gente magnânima.

    Hoje, os netos dos cnstrutores da igreja mal conseguem bancar uma reforma de pintura… as pessoas não dão mais dinheiro à Igreja.

    Quarenta anos atrás as pessoas faziam economias para, uma vez ao ano, ir à Aparecida rezar à Virgem… hoje, os norte-paranaenses guardam dinheiro para passar as férias em Balneário Camboriú…

    O costume perdeu-se. E incentivá-lo, com ações doutrinárias – mesmo utilizando alguma pastoral – parece-me, pelo menos, razoável.

    O que é tosco, em minha opinião, é aquele papo de marketing católico. Isso não dá.

  5. Marcelo

    Jorge,
    não vejo grandes problemas. A comunidade tem a obrigação de sustentar o sacerdote e as despesas necessárias à manutenção das atividades pastorais. Cada fiel também têm a obrigação, prevista na Bíblia, de dar o dízimo, embora a definição do valor tenha sido deixada ao critério de cada um, sem a obrigação dos 10% que os pastores-pedágio insistem em cobrar. Por sua vez, a oferta nas missas tem significado litúrgico de partilha. Talvez fosse melhor trocá-la por mantimentos para os necessitados. As várias formas de contribuição material se complementam. Nada impede que um dizimista cadastrado faça uma contribuição extraordinária à paróquia, ou que coloque dinheiro na sacolinha da coleta.
    A organização de uma pastoral para o dízimo também não me parece problemática. Pelo contrário: ajuda os fiéis a cumprir sua obrigação material com a Igreja.
    Sds.,
    de Marcelo.

  6. Jorge Ferraz Post author

    Caros,

    Sem dúvidas que o dízimo é uma coisa santa que deve ser incentivada – até porque é obrigação cristã. Parece-me incontestável que hoje as pessoas têm preocupações fúteis e deixam de lado seus deveres de batizado.

    Mas o problema que aponto é de outra ordem: é pastoral! Neste site sobre a Pastoral do Dízimo, por exemplo, pode-se ler que

    1. “A Pastoral do Dízimo é algo querido por Deus desde o princípio, caso contrário Deus não teria revelado a nós pela Bíblia”.

    2. “Para implantarmos a Pastoral do Dízimo em uma comunidade, necessitamos: 1º) FORMAR a Equipe (…) 2º) INSTRUIR essa Equipe (…) INVESTIR na divulgação (…) 4º) CONSCIENTIZAR todos os paroquianos através da CELEBRAÇÃO DO DÍZIMO nas missas de um domingo a ser escolhido (…) 5º) DISPOR de todo MATERIAL DE APOIO (ficha cadastral, ficha financeira, recibo, ou, carnê, ou, envelope) para atender no “PLANTÃO DO DÍZIMO” os fiéis que passarão a ser dizimistas após a Celebração”.

    3. “O trabalho da Equipe será ajudar os fiéis a manterem o compromisso assumido. Esse trabalho desse ser todos os dias em todas as horas. Do levantar-se ao deitar, tudo deve girar em torno do dízimo (!)”.

    4. “Já que o dízimo se apresenta na Igreja, devemos estar preparados para recebê-lo. Assim, vamos colocar uma mesa (escrivaninha) na porta principal da Igreja (!) e ali, antes e depois da Missa, atender os dizimistas”.

    Insisto que, no meu entender, é muito complicado para o fiel simples encontrar a gratuidade da doação “por debaixo” desta parafernália toda.

    Abraços,
    Jorge

  7. Magna

    Que visão ingênua, R. B. Canônico.
    Será que não sabe que as pessoas “cadastradas” pela Pastoral do Dízimo recebem privilégios, homenagens, congratulações, etc… enquanto as outras que não podem contribuir todo mês com aquele valor “x” são ignoradas.
    Será que teria a capacidade de ignorar este fato de “favoritismo”, “exclusivismo”?!
    Sabia que para estas pessoas são realizadas missas particulares?
    Mas para aqueles que só põe o dinheiro (mesmo que seja até superior que dos dizimistas) na coleta, pouco se importando vê seu nome naquele lista na porta da Igreja.
    Se alguém quer ajudar na Igreja, porque não o faz na coleta? Que é o costume. Mas apenas dizer “O costume perdeu-se.” Se alguém diz que as pessoas perderam o costume, porque então não as incentivam com este MESMO costume e não com outro que ao “favoritismo, exclusivismo”, como o caso da Pastoral do Dízimo.

  8. Marcelo

    Jorge,
    nós católicos até que somos discretos, mesmo com todo esse aparato. Estamos longe de mercadejar a fé, se é isso que vc. teme. Nunca vi ninguém vendendo indulgências… Mas vi, na Igreja de S. Paulo, no coração de Nova Iorque, uma senhora muito elegante sentada atrás de uma mesinha bonita e discreta, perto da entrada principal, com a função de receber as contribuições de dizimistas ou avulsas, além de prestar informações (o que eu precisava naquele momento). Nada que afetasse a beleza do lugar, nem que ofendesse a fé de ninguém.
    Há pastores neopetencostais que interrompem o preleção televisiva para indicar aos telespectadores o número da conta corrente para transferências eletrônicas imediatas. Há casos em que o fiel deve assinar um compromisso de doação mensal – é um contrato, com posterior emissão de boletos bancários. Deixar de pagar um deles significa ficar com o nome sujo no SPC ou Serasa.
    E o que a sra. Magna afirmou, confesso que, em 45 anos de vida católica, nunca presenciei. Há muitos dizimistas que permanecem absolutamente anônimos (exceto para o tesoureiro). Pode-se rezar pelos dizimistas, como se reza pelo pessoal do Apostolado da Oração, ou pelos Vicentinos. Nunca soube de benefícios especiais para dizimistas, como a sra. afirma. Se algum padre os concede, erra. Ninguém deve esperar algum benefício por cumprir a sua obrigação (está na Bíblia, desde o Antigo Testamento).
    Sds.,
    de Marcelo.

  9. Maria

    Caro Jorge,

    Para falar a verdade, também me incomoda o fato de se ter uma pastoral para incentivar, coletar e ficar falando sobre o dízimo em várias missas. Seria melhor que o padre encaminhasse as pessoas para fazerem isso na secretaria, e fim de papo. Aliás, tem-se hoje pastoral para um monte de coisa, até para distribuir folhetos na porte de entrada.

    Penso que o melhor seria investir na formação de bons sacerdotes. Uma vez bem formados, estes poderiam formar melhor seus fiéis. Isso não depende de doação em dinheiro, mas de compromisso dos bispos com tal formação.

    Quanto ao dízimo nas paróquias oficiais, no meu caso específico, eu não a frequento, pois assisto a Missa Tradicional em Latim em outra cidade. Como poderia eu contribuir com minha paróquia oficial se não a frequento e se esta tem uma linha litúrgica e teológica que me arrepia?

    Por outro lado, creio ser obrigação, na medida do possível, contribuir em todas as missas assistidas (na coleta), assim como contribuir com iniciativas de ajuda aos pobres, mesmo que não seja a paróquia oficial.

    Já para aqueles que querem justificar o dízimo obrigatório como costume bíblico porque fazem tanta resistência ao uso do véu pelas mulheres, uma vez que este também é um costume preconizado na Bíblia?

  10. vanderley

    É preferível que seja incentivado as pessoas a serem

    dizimistas, registradas, do que as “festas paroquiais”.

    Não podemos ser ingênuos e ignorar as necessidades

    financeiras, inclusive, para manutenção do templo.

    Via de regra , o católico “esquece” de colaborar com

    a paróquia. É claro que há excessões.

    O que tem que ser estimulado é a participação, principalmente através de folhetos.

    Mas sem esse caráter de “obrigatório” .

    A Igreja não pede isso.

  11. Magna

    Marcelo, o que tu dizes é um absurdo, veja:
    1º “Há casos em que o fiel DEVE ASSINAR um compromisso de DOAÇÃO MENSAL – é um contrato, com posterior emissão de boletos bancários. Deixar de pagar um deles significa ficar com o nome SUJO no SPC ou Serasa.” (Será que isso “está na Bíblia, desde o Antigo Testamento”? Faça-me o favor!)

    2º “confesso que, em 45 anos de vida católica, nunca presenciei.”
    Penso que moras nas Igrejas locais no “coração de Nova Iorque” e não nas das cidades deste Terra de Santa Cruz (mais para Foice & Martelo).
    Ou melhor, penso que és um ingênuo, e não vês que “Pode-se rezar pelos dizimistas, como se reza pelo pessoal do Apostolado da Oração, ou pelos Vicentinos.” Diga-me uma Pastoral em que se rezam Missas para seus participantes, ou que quando os mesmos fazem aniversário.
    Rezam Missas (também)para que eles continuem a contribuir (estaria equivocada?). É um benefício que recebem por aquilo que é obrigatório a todo cristão fazer: Pagar Dízimos, conforme o costume.
    Se o meu nome não estiver “cadastrado”, e mesmo eu contribuindo na coleta, teria que pagar pela intenção que desejo na Missa, por ex. ação de graças por alguma coisa.
    Mas os que já estão “cadastrados”, estão isentos de pagar por isso.

    3º”Apostolado da Oração, ou pelos Vicentinos” não são pastorais, são grupos!E eles pagam pela intenção que querem colocar na Missa, só se acaso estiverem com seus nomes “cadastrados” na Pastoral do Dízimo.

    4º”Há muitos dizimistas que permanecem absolutamente anônimos” (exceto para o tesoureiro).
    Errado. Não só ele, também todos que fazem parte (tesoureio, secretária…)da organização também, pois cada um tem um função específica. Portanto, os dizimistas não são anônimos.

    5ºO problema não está nos dizimistas (apesar que eles podem muito bem contribuir sem precisar se “cadastrar” numa Pastoral para poder fazer a sua parte), mas sim na própria Pastoral do Dízimo.

    6º O Jorge mostrou os documentos. Mas ainda há pessoas que vê de forma “tola”.

    7º Discrição é próprio dos cristãos.
    E se alguém acha que ter o nome completo na porta da Igreja como “dizimistas aniversariantes” é discrição; esta pessoa precisa fazer uma reflexão menos superficial.

    Ao Vanderley,
    Realmente “festas paroquiais” (em sua maioria) são uns horrores de profanações, imodéstia, mundanização etc.
    Mas a sua posição está para o “menos pior”.
    O fato não é “ser ingênuos”. O fato é não “ser desonesto intelectual”. E é o que acontece na Pastoral do Dízimo. Leia o site que o Jorge disponibilizou, e verás.
    E outra, observe que dizes:
    “O que tem que ser estimulado é a participação, principalmente através de folhetos.”
    Por que razão não se incentiva pelo modo do costume, que É preceito da Igreja? E foi por este mesmo modo que a Igreja sempre se manteve muito bem, diga-se de passagem. Mas sabe qual é o problema?

    O problema não “o católico “esquece” de colaborar com
    a paróquia.” Ou de não colaborar. Ou também não seria não ter condições.
    O problema é de Fé e de Caridade! Se os católicos procurassem aprofundar a Fé. Se procurasse ver a Igreja como a Casa de Deus nas suas vidas, tomaria outro comportamento. Teria maior zelo e cuidado.
    Veja o exemplo da paróquia que o R. B. Canônico cresceu. Numa época em que os católicos tinham maior fé, maior amor pela Igreja. Nós devemos é ir na raiz do problema:
    A crise de Fé!

  12. Francisco

    O texto estava no tópico errado. No da CPI do aborto. Coloquei no lugar certo.

    O dizimo paga regularmente evita as cobranças por ocasião da recepção dos sacramentos, suavemente chamada de espórtulas, mas que na cabeça do povo é pagamento mesmo. Pagar por missas, por casamento, por batizados. Ora, sacramento não se vende e nem muito menos se separa da forma material. Em minha paróquia há muito tempo não se cobra nada para receber os sacramentos, no caso os de iniciação cristã e se manteve também as ofertas durante a missa. E vejo isto como positivo muito mais do que cobrar taxas para casar, batizar os filhos e dizer que se está ajudando a Igreja e não comprando o sacramento. Isto nunca via ser entendido assim. Ate por que raramente se dispensa das esportulas paroquias que as mantem e outros pagam por pobres. Então o dizimo é a solução pra se evitar qualquer semelhança com a simonia.

  13. André Araújo

    Os padres do Rito Tridentino, não só aos que celebram esta venerável Missa, mas, em relação a todos os católicos da tradição, nunca foram obrigados a pagar dízimo. Fazem muito mais. Ajudam na medida de suas posses com dinheiro e com trabalho, é, trabalho. Doam seus dons. Aquele que sabe pintar, por exemplo, se encarrega deste serviço e ainda constitui uma comissão para este fim. Promovem festas, não festinhas, mas, festas onde não há música profana, leilões, etc.. Tudo com muita criatividade e requinte. E cada um ajuda como pode. Ao que tiver vontade de doar algo material, este o faz para maior honra e glória de Deus, e, não para entrar numa fila durante a Missa com uma carteirinha e o dinheiro dentro afim de jogar na cestinha e ser visto por todos. Nada falta de material nestas comunidades tradicionais. Sempre tem uma senhora que elva o almoço para o padre, muita das vezes, dentro de uma marmita. Não há luxo, há apenas o pão nosso de cada dia! Não falta combustível no tanque do carro, porque pessoas generosas ajudam o sacerdote sem necessidade de ficar patente. Deus sempre prov~e. O Dízimo não é impost, mas pode ser feito expontaneamente. Não há pastorais desnecessarias, já que muitas delas geram apenas brigas e trabalho extra para a vida do sacerdote que já é tão atribulada. Com estas “festinha”, doações expontâneas Igrejas com arquitetura sólida e clássica ou colonial são levantadas. Uma família doa um vitral, outra um banco, e assim se caminha. Demora muito a obra, demora. A Igreja que frequento apesar de humilde na fundação, custou muito suor e lágrimas, muita das vezes, mais o trabalho dos homens fiéis que de pedreiros. Até o padre trabalhou. Igrejas onde vemos o altar mór resplandecente e versus Deum. Altares laterais, os belos altares laterais que o Concílio e as orientações do novo missal proibiram nas novas construções. Mas, uma coisa é verdade, a Igreja Católica numa colocou faca no pescoço de ninguém por causa do dízimo, coisa que fazem os heresiarcas protestantes. Aonde o movimento da pastoral do dízimo existe com muita força, é porque o amor pela Igreja reduziu-se e os fiéis tornaram-se tíbios. Cabe, como já foi dito aqui, uma formação sacerdotal sólida e bastante discrição em relação ao delicado caso do dízimo. Folhetinhos custam muito dinheiro e por vezes são jogados ao chão da própria Igreja.

  14. André Araújo

    Correções: Com estas “festinhas” doações expontâneas resultam em…;
    Imposto, não impost; Deus provê, invés de prov~e.
    Leva; não há música profana, porém leilões de prendas, etc.

  15. Magna

    André Araújo, com alegria leio seu comentário.

    “Aonde o movimento da pastoral do dízimo existe com muita força, é porque o amor pela Igreja reduziu-se e os fiéis tornaram-se tíbios.”
    Se cada um procurasse ter uma fé adulta, um amor mais zeloso, se contribuisse de alguma forma (com verba, material, com seus talentos), com certeza não seria necessário esta Pastoral do Dízimo.

  16. Marcelo

    Dna. Magma,
    recomendo reforçar a sua dose de calmantes. Leia com atenção o que escrevi antes. A referência aos contratos de doação foram feitas em relação a pastores neopentecostais televisivos.
    Repito: pagar o dízimo é uma obrigação prevista no texto da Bíblia e está no catecismo católico. Nós, católicos, não usamos esse argumento como imposição, nem da obrigação, muito menos do valor (os tais 10%). Doa quem quiser e o quanto quiser.
    Caso a sra. não saiba, a maior parte das despesas paroquiais é fixa, com incidência mensal. O recebimento do dízimo garante alguma previsibilidade de receita para fazer frente a essas despesas. Não há nada de errado em facilitar aos fiéis o cumprimento de um DEVER, mediante uma postoral devidamente organizada e séria.
    Tenho 45 de vida católica, sempre atuei na comunidade (até ajudei, por uns tempos, na tesouraria). Nunca presenciei abusos e privilégios como os que a sra. relata. Lamento pela sua paróquia. Como boa fiel, a sra. deveria informar ao seu bispo sobre os absusos que presenciou.
    Sds.,
    de Marcelo.

  17. Magna

    Sr. Marcelo,

    Estes esses argumentos não me convence.
    Esta frase é uma realidade:
    “Aonde o movimento da pastoral do dízimo existe com muita força, é porque o amor pela Igreja reduziu-se e os fiéis tornaram-se tíbios.”

    Ou que é terrível a sua ingenuidade nestas palavras “postoral devidamente organizada e séria”, pois parece que não leste no site aquele “aparato” todo como afirmas. Cito alguns:

    “ENVIAR CARTÕES DE ANIVERSÁRIO e/ou CASAMENTO AOS DIZIMISTAS. O dizimista que no aniversário de nascimento ou casamento receber um cartão assinado pelo Pároco e/ou pelo Coordenador da Pastoral do Dízimo jamais deixará de ser dizimista. São gestos de carinho que tocam profundamente o coração.”
    (Portanto, quem não é dizimista “cadastrado” não poderá recebê-los.)

    E observe que coisa absurda: “OS NÃO-DIZIMISTAS LIBERAIS: São os que não combatem o sistema do Dízimo. Não são dizimistas, mas estão sempre dispostos a contribuir conforme as necessidades. Normalmente colocam na Oferta aquilo que dariam como Dízimo. Não são dizimistas porque ainda não entenderem seu valor histórico, bíblico, cristão, social e missionário. Com um pouquinho do nosso esforço, podemos transformá-los em dizimistas exemplares.”
    Quer dizer que se em toda a Santa Missa (e fora d’Ela)alguém (que não é cadastrado)desse uma quantia até o fim do mês, e este valor até chegasse superior a de um dizimista “cadastrado”, quer dizer que nao é considerado dizimista?
    Só é dizimista quem é “cadastrado”. Só ajuda a igreja financeiramente quem ficar no “cadastro”
    Francamente!

    “INVESTIR na divulgação através de folhetos explicativos, cartazes, faixas de rua, bandeirolas, etc., objetivando criar expectativa de algo que logo mais vai acontecer.”
    Será que vemos investimento na divulgação da Fé & Moral Católica durante a Santa Missa, instruíndo os fiéis?

    Façamos doações (neste caso, estamos falando financeiramente) de outras formas (nas coletas, nas caixas (de madeiras avulsas ou imbutidas nas paredes) de doações, no ofertório…) sem precisar ter nosso nome numa “listinha”!
    Se todos tiverem uma consciência cristã, uma formação sólida na Fé e Moral Católica não precisarão particpitar desta Campanha do Dízimo (cadastrado!), que mais se fala nisso nas igrejas que qualquer outra coisa.

    Não falando financeiramente, mas bem mais importante que isso: quem tiver livros, cd’s, filmes católicos façam doações. Construam uma mini-biblioteca católica, um acervo da História da Igreja no salão(ou em outros locais) da Igreja. Catequizem os fiéis!
    Que poder comprar materiais para igreja, compre. E entregue ao pároco. Quem tiver como fazer distribuição de folhetos religiosos durante a Santa Missa, façam.
    Quem poder iniciar uma cruzada de orações na igreja, convide as pessoas. Quem tiver talento para alguma arte, entregue ao serviço de Deus.

    Se cada um procurar vê aquilo que mais necessita na igreja, e tendo condições para ajudar, pode fazer sem precisar ter um nome na “lista”.

    Mas para que as coisas caminhem, mesmo que com passos lentos, é preciso Santa Missa, Eucaristia, Rosário, orações! E aquelas coisas difíceis de se conseguir, Deus proverá.

  18. Marcelo

    Dna. Magna,
    recomendo uma visita ao site: http://www.veritatis.com.br. Use a ferramenta de busca do site com a palavra: dízimo. Há vários bons artigos e respostas de cartas sobre o tema. Esse acervo é muito mais completo do que qualquer resposta que eu possa oferecer-lhe.
    Reitero: todas as contribuições para a manutenção da Santa Igreja e suas atividades são muito bem-vindas. Nenhuma delas é obrigatória, até as espórtulas (=taxas) podem ser dispensadas (e são, com frequência). Abusos devem ser combatidos com firmeza.
    Sds.,
    de Marcelo.

  19. Francisco

    Para mim, antes o dizimo, mil vezes, do que as vergonhosas taxas por ocasião do recebimento dos sacramentos. Quanto a pastoral do dizimo aí é outra questão…deve haver abusos mesmos e quem não ta na lista é contribuiu é considerado como católico iferior esta errado

  20. Magna

    Francismo, acredito que ainda não tem compreensão sobre o porquê das espórtulas. Visite o site que Marcelo indicou; tem coisas esclarecedoras por lá.

    E graças a Deus alguém entendeu o que eu quis dizer: dar o dízimo é uma coisa (“os fiéis cristãos têm ainda a obrigação de atender, cada um segundo suas capacidades [não quer dizer 10%], às necessidades materiais da Igreja.” (CIC – n. 2043), PASTORAL DO DÍZIMO é outra.

    Se a Pastoral do Dízimo apenas catequizasse os fiéis sobre a importância de atender às necessidades materiais da Igreja, ótimo!

    Nalgumas igrejas existem as “caixas avulsas” ou imbutidas nas paredes onde se põe o dinheiro de forma SECRETA, ninguém sabe o valor que o fiel contribuiuma. Qualquer um poderia fazer este ato DISCRETO sem precisar ter o seu nome numa “listinha”.