A discoteca e o showman

closeAtenção, este artigo foi publicado 7 anos 8 meses 23 dias atrás.

Vi no Fratres in Unum a discoteca austríaca. Sinceramente, eu não consigo entender o que leva uma pessoa a abandonar tudo para abraçar a vida sacerdotal e, tendo recebido um báculo e uma mitra, promover [ou participar] [d]este tipo de aberração.

A Santa Missa é o Sacrifício de Cristo. Para louvar ao Deus Altíssimo, a Santa Igreja possui as riquezas da Liturgia, que ao longo dos séculos foram lapidadas por pessoas santas com o intuito de oferecer à Trindade Santa o culto melhor e mais perfeito possível. É angustiante ver a Liturgia ser jogada no lixo exatamente pelas pessoas que deveriam guardá-la e promovê-la; é decepcionante deparar-se com um prurido doentio por novidades que destrói até mesmo o senso estético mais rudimentar.

Missa não é “discoteca”. Provavelmente poucas coisas são tão dissemelhantes. Como suponho não ser possível haver ignorância quanto às discotecas, presumo que o problema só pode ser de desconhecimento sobre o que é a Santa Missa. Como, no entanto, as pessoas a promoverem o nonsense litúrgico são prelados da alta hierarquia da Igreja, torna-se absurdo imaginar que eles não saibam o que significa o culto básico da Igreja da Qual fazem parte. Como explicar a loucura? Mysterium Iniquitatis. Alguns não gostam da expressão, mas alguém é capaz de dar uma explicação mais plausível para estas coisas que, atônitos, contemplamos a todo momento?

Enquanto isso, falando em discoteca, vi que o pe. Joãozinho escreveu sobre [e – ouso ler nas entrelinhas – contra] o “Sacerdote Showman”. Recebeu comentários e voltou a escrever. Deo Gratias; arrisco-me a esperar que seja um grito do sensus fidei acorrentado, que não consegue mais manter-se inerte diante do bombardeio diuturno de ataques que sofre tudo aquilo que é católico e santo.

“Sacerdotes-Showmen” talvez celebrem “Missas-Discotecas”. Mas nenhuma das duas aberrações faz sentido. Nenhuma das duas coisas – digamo-lo francamente – tem espaço na Igreja de Nosso Senhor. No entanto, encontramo-las amiúde! Mysterium iniquitatis, torno a dizer. Que o Deus Altíssimo tenha misericórdia de nós, e envie santos trabalhadores para a Sua messe. Afinal, o problema dos nossos dias não é simplesmente de “falta de vocações”; muito mais sério é a falta de vocações santas. De padres que se esforcem para serem seguidores radicais de Nosso Senhor. De missas onde transpareça o Sacrifício do Calvário oferecido ao Pai Eterno.

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11 thoughts on “A discoteca e o showman

  1. profeta do profano

    não tem correlação com o topico, mas essa me deixou ressabiado:

    “A Justiça do Ceará condenou o blogueiro e estudante de Jornalismo Emílio Moreno da Silva a pagar indenização de R$ 16 mil à freira Eulália Maria Wanderley de Lima, por comentário postado na internet”.

    melhor eu ter mais cuidado daqui pra frente, antes que o Jorge [acena] queira me processar…

  2. Maria

    Assino em baixo de seus comentários. Você fez uma análise muito feliz do que está acontecendo no meio eclesial.

    Temos que rezer muito e sempre por nossos sacerdotes.

  3. Francisco

    Meu conterrâneo. Li hoje no jornal por causa deste tópico. Vou tomar muito cuidado também com meus comentários daqui por diante. Deus me proteja!

  4. Lúcio Clayton

    a Paz para todos,
    essa da Missa discoteca é realmente uma coisa vergonhosa,
    não consigo entender como a santa Sé permite tais coisas, ou não venha a reprimir de forma enfática o acontecido.

    porém levanto uma outra questão, que são as tais cristotecas que ocorrem na paróquias brasileiras, são todas regadas a um bate-estaca, luzes e sensualidades juvenis e esperar que os Bispos brasileiros façam alguma coisa para impedir essas profanações seria pedir muito.
    quantas vezes mais teremos que aturar essas sandices?
    cristotecas, carnaval de cristo, axé-cristão e outras coisas mais?
    até quando essa juventude envaidecida e insandecida vai pisar e escamotear o Santo Nome de Cristo e nenhum sacerdote ou purpurado vai se revoltar com isso e repreender tais delírios juvenis?

    olha, não quero fazer julgamentos condenativos, isso não cabe a mim, porém se não fizermos algo num sentido de barrar essas loucuras, logo,logo, devido a fértil imaginação dos nossos sacerdotes aliadas a ânsia por novidades do juvenil “povo de Deus” teremos uma missa semelhante aqui nessa Terra de Santa Cruz.

    que a Virgem Santissíma nos socorra dessas investidas do demônio!

    obs: antes que pensem qualquer coisa, não sou nenhum velho anti-juvenil,aliás sou um “jovem” de 30 anos.

  5. Renato Felipe

    Jorge,

    Mais incrível, e iníquo, que haver missas-discoteca é não haver autoridade que as puna. Quem tem autoridade parece não querer exercê-la, ou o faz muito sem querer, dando-nos a impressão de que a liberdade está acima da autoridade.

    Abraço, em Cristo.

  6. Pe. Mateus Maria, FMDJ

    A paz Jorge e amigos:

    Acredito que o principio de tudo é a queda dos valores e a grande distorção da figura do sacerdote e de suas funções.

    O padre é padre para celebrar e presidir os sacramentos, para dar o perdão de Deus, a Eucaristia, o Batismo, para estar a disposição do povo, o padre não é um artista, não é um cantor, é um ungido para uma missão mais sublime, para salvar almas, para ser um outro Cristo, e não para encher o bolso de dinheiro, o padre é padre para fazer o papel do padre! Mas em nome do “devemos criar meios para evangelizar”, se perde a verdadeira vocação, feita de oração “joelhos no chão”, e assim o padre perde a sua identidade de padre!

    Aceno tudo isto, pois no dia do Santo Cura de Ars, São João Maria Vianey, me questionava sobre as Cristotecas, que agora estão em moda, as quais na minha opinião nada mais são do que uma obra de satanás, digo isto, pois conversei com muitos jovens que foram a estas cristotecas, e lá se perverteram no pecado, usaram drogas, arrumaram garotas para ir para o motel, um até me contava que o seu colega fez sexo com uma das garotas que lá estava, no banheiro da própria cristoteca, e diante de tudo isto eu me perguntava: “Isto é evangelização?”. Mas o mais triste é que muitos sacerdotes apóiam, são cúmplices do pecado, se vendem ao dinheiro, ao aparecer! A quem estão evangelizando? Como também outro ponto discordante é o chamado “barzinho de Jesus!”, que banalização!!!

    Nestas Cristotecas e barzinhos de Jesus acontece, muita mais baixaria que nos próprios bares e discotecas do mundão!

    Na época em que são João Maria Vianey chegou em Ars, o povo estava perdido com a depravação, e o santo Cura, não foi nos butecos buscar as ovelhas, não foi na discoteca buscar os jovens, mas foi sim, diante do santíssimo buscar as almas, dobrando os seus joelhos para a salvação daquele povo, e este foi o seu plano pastoral! Resultado? Toda Ars se converteu! Este sim é o modelo do sacerdote, do pastor! Agora parece que não entendemos os sinais que a Igreja nos dá, pois neste ano sacerdotal, o Papa colocou o Santo Cura, como modelo de todos os sacerdotes, e estes agem ao contrário! Os tempos mudaram? Mudaram sim, mas o homem e o pecado, continuam os mesmos, como também a única resposta que é a oração!

    O santo Cura dizia que quando um jovem entra na discoteca, o seu anjo da guarda fica do lado de fora e lhe acompanha um demônio! Vejam que contradição pastoral! Tudo porque nem os padres querem mais rezar, e porque não rezam, não sabem o que fazer, e em vez de ganhar as almas, as dão de presente a satanás, e perdem também as suas.

    Um fraterno abraço!
    Pe. Mateus Maria, FMDJ

  7. Jorge Ferraz Post author

    Revmo. pe. Mateus Maria,

    As palavras do senhor são uma lufada de ar fresco no meio do calor escaldante deste deserto espiritual dos nossos dias. Obrigado, padre. Que a Virgem Santíssima possa olhar com particular afeição para o senhor; e que Ela consiga, do Seu Divino Filho, mais sacerdotes inspirados no modelo do Santo Cura d’Ars.

    Sua bênção!

    Em Cristo,
    Jorge Ferraz

  8. Pe. Mateus Maria, FMDJ

    Que Deus o abençoe caríssimo.
    Obrigado pelas matérias e pelo trabalho missionário na internet.
    Te quero bem!
    Coragem!
    Padre Mateus Maria

  9. Pingback: O padre não é um artista « Ecclesia Una

  10. Renato Lima

    Faço minhas as palavras do Danoloa Augusto:

    ”Corrigindo – Qual a utilidade se não [HÁ] uma conclusão final?”

    ”Sobre os padres-show vai acontecer a mesma coisa. Muito blablabla, muito “vc não entendeu o que eu escrevi” etc…”

    ”Qual a utilidade se não uma conclusão final?”

    ”Já posso antecipar toda conclusão dos debates de @padrejoaozinho – nada! Lembra do embate com a Montfort? Cadê as conclusões do coloquio?”

    http://twitter.com/igrejauna