“O culto não pode nascer da nossa fantasia” – Bento XVI

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Se na liturgia não emergisse a figura de Cristo, que está no seu princípio e está realmente presente para a tornar válida, já não teríamos a liturgia cristã, toda dependente do Senhor e toda suspensa da sua presença criadora.

Como estão distantes de tudo isto quantos, em nome da inculturação, decaem no sincretismo introduzindo ritos tomados de outras religiões ou particularismos culturais na celebração da Santa Missa (cf. Redemptionis Sacramentum, 79)! O mistério eucarístico é um «dom demasiado grande – escrevia o meu venerável predecessor o Papa João Paulo II – para suportar ambigüidades e reduções», particularmente quando, «despojado do seu valor sacrificial, é vivido como se em nada ultrapassasse o sentido e o valor de um encontro fraterno ao redor da mesa» (Enc. Ecclesia de Eucharistia, 10). Subjacente a várias das motivações aduzidas, está uma mentalidade incapaz de aceitar a possibilidade duma real intervenção divina neste mundo em socorro do homem. Este, porém, «descobre-se incapaz de repelir por si mesmo as arremetidas do inimigo: cada um sente-se como que preso com cadeias» (Const. Gaudium et spes, 13). A confissão duma intervenção redentora de Deus para mudar esta situação de alienação e de pecado é vista por quantos partilham a visão deísta como integralista, e o mesmo juízo é feito a propósito de um sinal sacramental que torna presente o sacrifício redentor. Mais aceitável, a seus olhos, seria a celebração de um sinal que corresponda a um vago sentimento de comunidade.

Mas o culto não pode nascer da nossa fantasia; seria um grito na escuridão ou uma simples auto-afirmação. A verdadeira liturgia supõe que Deus responda e nos mostre como podemos adorá-Lo. «A Igreja pode celebrar e adorar o mistério de Cristo presente na Eucaristia, precisamente porque o próprio Cristo Se deu primeiro a ela no sacrifício da Cruz» (Exort. ap. Sacramentum caritatis, 14). A Igreja vive desta presença e tem como razão de ser e existir ampliar esta presença ao mundo inteiro.

Discurso de Bento XVI aos bispos do Brasil, região Norte-2,
em visita ad limina apostolorum

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5 thoughts on ““O culto não pode nascer da nossa fantasia” – Bento XVI

  1. antonio de pádua silva

    Enfim, um corretivo p’ra fazer sossegarem esses “liturgistas” desvairados! Há quanto tempo vêm eles esvaziando a dimensal sacrifical da Missa sem que alguém tomasse uma atitude?!
    Aqui, talvez se devesse levantar o questionamento também sobre as ditas “missas de padroeiros”. Estão enxertando culto de dulia na maior oração católica, que é a Missa, culto de latria por excelência. O alerta veio em tempo…

  2. Pingback: Feliz aniversário, Santidade! « “Erguei-vos, Senhor”

  3. Captare

    Prezado Jorge, Laudetru Dominus!

    A clareza teológica das palavras do Papa tendem a aumentar com o tempo. Nada mais incisivo do que dizer que “celebrações” sincréticas não passam de “fantasias”.

    Atitudes como essa me dão a esperaça de que, em breve, os que promovem este tipo de distorção não possam mais sustentar seu cinismo.

    Pax et Salutis

  4. Roberto

    Boa noite. “Paz a esta casa.” São Mateus 10, 12

    Well. Nosso Papa não está dizendo novidades.
    O problema é que nossos padres e, principalmente nossos Bispos, não obedecem. Criaram igrejas bem particulares.
    Bem mesmo!
    Alguns sacerdotes e bispos até querem obedecer, mas não são obedecidos. Deu para entender?
    Todo mundo cria! Querem “animar” a Missa.
    Disse uma vez para um sacerdote amigo que qualquer coisa que ele pedisse na Missa, o povo, em geral, obedecia. Fazem o que o padre manda, pois desconhecem a liturgia.
    São “macaquinhos” imitadores. Se um faz os outros tendem a imitar, pois é legal e acham que deve ser bom.
    Ah, e não adianta você comentar com algum deles, pois eles acham que o padre é que sabe. Ele estudou prá isso!
    Musicas protestantes são cantadas (já falei para os musicos, mas não adiantou.), pois acham bonitinhas.
    Pois é. Outros bagunças, aliás, “criatividades” se fazem na Santa Missa. E daí?
    Essas “coisinhas” não tornam a Missa inválida. Assim, continuarão a “criar”, “animar”, “o povo participar de verdade”, etc.
    A maioria dos padres não lêem a IGMR e outros documentos.
    Não sabem usar o Missal, Lecionário e outros.
    Só o folhetinho.
    Mas sabem tudo de Boff, Karl, Engels, e outros.
    Batalha difícil!
    Ainda bem que Jesus disse que as portas do inferno não prevaleceriam.Apesar de ele e sua fumaça já ter penetrado.
    Libera nos Domine.
    Abraços da Paz do Senhor e que Ele nos abençoe.