O Altar. O Céu.

closeAtenção, este artigo foi publicado 7 anos 2 meses 5 dias atrás.

De Recife para Garanhuns são boas três horas de viagem. Fi-las, ontem, duas vezes: indo e voltando. Seis horas de estrada (um pouco mais, devido às adversas condições climáticas tanto na Veneza quanto na Suíça brasileiras), junto com mais alguns amigos: fui à Cidade das Flores porque, lá, estava acontecendo (terminou hoje) o Encontro Sacerdotal sobre o Motu Proprio Summorum Pontificum. Alguns padres meus amigos estavam lá presentes; outros, conheci lá. No total, cerca de trinta padres de todo o Brasil reunidos em um congresso sobre a Forma Extraordinária do Rito Romano.

E fui ontem porque o único evento aberto para leigos no referido encontro foi o Pontifical celebrado por Dom Fernando Arêas Rifan, Bispo de Cedamusa e Administrador Apostólico da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney. Quis estar presente à referida Missa, para agradecer ao Altíssimo por este encontro e pedir-Lhe que ele dê frutos para o bem de toda a Igreja Santa de Deus. Claro que tiramos fotos, mas não as tenho ainda – elas virão (Pacheco?). Por enquanto, as principais imagens são as que ficaram impressas n’alma.

Que, aliás, eu não tenho palavras para exprimir. Não sei o nome de todos os acólitos presentes (cruciferário, “tocheiro”, “candelário”…), nem de todos os sacerdotes que estavam junto ao senhor bispo no Altar (fora o diácono, o sub-diácono e o presbítero-assistente, havia pelo menos mais dois), não sei os nomes de todos os paramentos e objetos litúrgicos que eu vi serem utilizados (entre aqueles, as luvas e as “sapatilhas” do bispo celebrante e, entre estes, a “candela”)… enfim, eu não saberia descrever, até por ignorância das expressões, a celebração que assisti ontem à noite. Sei apenas que foi portentosa.

E, na homilia, Sua Excelência falava sobre a importância de se dar o melhor a Deus. E contou a história do índio que assistia à Primeira Missa celebrada no Brasil (sobre a qual eu já falei aqui) e que, falando a outros recém-chegados, apontava para o Altar e apontava para o Céu. “O melhor comentário sobre a Missa que já vi” – disse ontem Sua Excelência. E eu me sentia então um pouco como aquele índio anônimo que, com tanta naturalidade, provavelmente até sem o perceber, foi o autor de um tão valioso comentário sobre a Santa Missa, que atravessa os séculos sem perder a sua força de expressão. O Altar, o Céu.

Porque não é necessário conhecer a língua, não é necessário entender pormenorizadamente o significado de cada uma das orações, dos gestos e das partes da Missa, não é necessário perceber cada um dos detalhes das funções de cada um dos sacerdotes e acólitos presentes no presbitério. A única coisa necessária é colocar-se humildemente em oração e deixar-se impressionar pelo espetáculo que se desenrola diante dos olhos. O Sacrifício do Filho de Deus. A Presença Real na Santíssima Eucaristia. O Altar. O Céu. E, com isso, colocar-se na presença de Deus, sem saber precisar ao certo se é a alma que se eleva ao Trono do Altíssimo ou se é o Céu que desce até tocar a alma. O que importa é que a alma – digamos – “deixe-se tocar” pelo Sagrado e, desse contacto propiciado pela Liturgia, possa haurir as graças necessárias para viver bem esta vida na Terra, a fim de um dia poder participar das Bodas Eternas do Cordeiro que a Santa Missa de certo modo antecipa. O Altar, o Céu. A Santa Missa. O Céu na terra.

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7 thoughts on “O Altar. O Céu.

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  4. Antonio

    “TRADICIONALISTA!”

    NOTA: Para quem não conhece o autor do texto abaixo, trata-se de Dom Fernando Arêas Rifan, bispo da Administração Apostólica São João Maria Vianney. O escrito é representativo da antiga “face” do prelado, isto é: de quando era apenas um padre “excomungado” por Roma e pregava, na região norte fluminense, à sombra do leão da fé Dom Antônio de Castro Mayer, nos passos de Dom Marcel Lefebvre, os ensinamento milenares da Igreja. Outra é a face atual de Dom Rifan. Recebendo báculo e deixando a Santa Fé, hoje, contrariando o verdadeiro Magistério da Igreja, apóia tudo o que antes condenara: o Novus Ordo Missae, o ecumenismo, a liberdade religiosa, a colegialidade, dentre outros erros propalados por Vaticano II. Deixamos o texto abaixo, como sinal de grande e oportuna confusão e temor, além de boa definição do que nós, católicos apostólicos romanos, queremos e esperamos seguir até a morte.

    “Tradicionalista” é o católico apostólico romano, fiel à Tradição católica, isto é, à doutrina, à moral, à liturgia tradicional da Igreja de sempre.Este termo “tradicionalista” não significa retrógrado, antiquado, oposto ao progresso, radical, fundamentalista, avesso às sadias novidades, ou qualquer coisa parecida. Aliás, “Tradição” significa progresso, só que na mesma linha do passado. É um processo contínuo, ligado ao que o antecedeu, um enriquecimento, uma soma do passado com o presente que lhe é similar, enfim, um crescimento, como o de uma árvore ou de uma pessoa.

    Esta palavra foi consagrada pelo Papa São Pio X, na sua carta encíclica “Notre charge apostolique”, quando disse: “Os verdadeiros amigos do povo não são os inovadores, mas os tradicionalistas”.

    Como a Igreja Católica não é só de hoje, ou de 30 anos para cá, mas é de ontem, de hoje e de sempre, a conclusão lógica é que a Tradição é algo essencial à Igreja Católica. Tradicionalismo não é um partido ou um movimento dentro da Igreja: é o catolicismo como tal. E único. Ser católico fiel a Tradição, ou tradiconalista, não é um dos modos de ser católico; é o único modo de ser católico. Aliás, dizer católico tradicionalista vem a ser até um pleonasmo, uma repetição que nem se precisa dizer, mas que hoje se faz necessária já que muitos hoje se dizem católicos mas rejeitam a Tradição multissecular e perene da Santa Igreja, e por isso já não são mais verdadeiros católicos de fato.

    Mas há vários modos de ser ou se tornar católico tradicionalista:

    Tradicionalista por saudosismo: saudade do passado.
    Tradicionalista por sentimento: “eu me sinto melhor assim!”
    Tradicionalista por tradição: avós, pais, família…
    Tradicionalista por simpatia: “eu me simpatizo com a Tradição e tenho amigos lá…”
    Tradicionalista por imposição: pais, família, namorada, emprego…
    Tradicionalista por obediência: pais, patrões, superiores…
    Tradicionalista por companheirismo: amigos…
    Tradicionalista por proximidade: “a igreja fica perto de minha casa…”
    Tradicionalista por política: para angariar votos…
    Tradicionalista por escândalo: escandalizado pelas loucuras que viu no progressismo…
    Tradicionalista por interesse: conseguir emprego, namorada, etc.
    TRADICIONALISTA POR CONVICÇÃO: por causa da doutrina e, em conseqüência, da liturgia tradicional, do respeito e da seriedade que a acompanham.

    É claro que, mesmo que se tenha vindo para Tradição por qualquer um dos modos acima, o único modo verdadeiro e digno deste nome é o último. Só por convicção pela doutrina é que você será um verdadeiro tradicionalista, isto é, um verdadeiro católico apostólico romano, da Igreja de sempre de Nosso Senhor.

    (Padre Fernando Arêas Rifan – Ontem Hoje Sempre; Campos, abril-maio de 1999, nº 52)

  5. Flávio

    Não concordo quando pensam que não é preciso entender o que é dito e feito.”Só se ama aquilo que se conhece”, já disse alguém…

  6. Jorge Ferraz Post author

    Flávio,

    Há dois extremos: um diz que não é preciso entender absolutamente nada e basta “sentir” a “presença de Deus” – e aqui temos um sentimentalismo irracional condenável – e, o outro, diz que é fundamental entender cada uma das partes do rito, cada gesto, cada oração – e, aqui, temos um racionalismo também condenável.

    Claro que é necessário entender alguma coisa (no caso, que Cristo Nosso Senhor faz-se real e substancialmente presente no Altar, em Sacrifício oferecido ao Pai em favor de nós). Mas, para isso, não é necessário que os fiéis sejam todos eles experts em liturgia.

    Abraços,
    Jorge

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