“Direito & Saúde: o caso de Alagoinha”

closeAtenção, este artigo foi publicado 7 anos 1 mês 23 dias atrás.

Em março passado, completou-se um ano do assassinato dos gêmeos de Alagoinha. Na época, o IPAS lançou um documentário sobre o caso, que foi comentado pelo William Murat. Agora, há uma semana, o documentário completo (30 min.) foi disponibilizado para ser assistido na internet.

Foi a primeira vez que vi “Direito & Saúde: o caso de Alagoinha”. Nada de inesperado: as mentiras de sempre (como, p.ex., que o aborto inseguro é uma das principais causas de mortalidade materna no Brasil), o apelo emocional (com algumas cenas e entrevistas na cidade natal da menor duplamente agredida), a cantilena “o-estado-é-laico-e-mimimi” perpassando o documentário de uma ponta a outra. Ninguém lembra que a laicidade do Estado implica também, por definição, que ele não pode privilegiar a fé dos ateus em detrimento da Fé dos católicos. E ninguém lembra que o assassinato de inocentes não é uma questão religiosa. No final, o documentário é mais um exemplo do modus operandi abortista: mente, distorce alguns fatos quando é conveniente e ignora outros quando são desagradáveis, e faz a caveira da Igreja Católica, pintando-a como a grande vilã da história. Nada de novo.

Mas duas coisas interessantes. Primeiro, a declaração de um médico aos 10m18s. In verbis: “Então a gente não sabe realmente (…) Ela [a menina de Alagoinha] teria um risco muito aumentado de pré-eclâmpsia, de parto prematuro, ruptura prematura das bolsas, hemorragia pós-parto ou de ruptura interina mas, eu não sei dizer qual é o risco. Eu sei que é muito maior; eu não sei se é 1%, 2%, 3%, não sei; mas que é muito maior do que a população geral, isso era”. Então, o artigo do Código Penal que não pune o aborto quando “não existe outra maneira de salvar a vida da gestante” foi evocado para assassinar duas crianças porque a mãe teria (atenção ao tempo verbal) um certo risco (de magnitude desconhecida) de sofrer algumas complicações no decorrer da gravidez? O fato é que, no momento do aborto, ela não tinha nada! “Aborto preventivo” agora também é “legal” no Brasil?

E, segundo, a narrativa do seqüestro da garota. A partir dos 11 min. “Nós fomos ao hospital [IMIP] (…) a direção do hospital estava sendo pressionada”. “Fomos, Curumim, SOS Corpo, (…) a secretária de políticas (…) e uma secretária adjunta dela, fomos (…) conversar com a diretoria médica do IMIP”. “Ligávamos para os promotores (…) [perguntando] aonde nós podemos atuar (…) para garantir que a lei seja cumprida?”; “Nós estamos falando de lei, e eu acho que o Brasil sendo um país laico (…)”; “contactamos outro serviço de atendimento ao aborto legal, perguntamos se eles receberiam a garota”. “Conversamos com a mãe dela, explicamos a situação (…) colocamos para ela todas as possibilidades que ela tinha para que ela tomasse uma decisão”. “Ali mesmo ela assinou o pedido de alta. (…) E a gente fez uma operação de guerra, pegamos as coisas da menina, botamos dentro das sacolas, uma sai com a menina, a outra sai com a mãe, a outra sai duas para disfarçar, e o carro vem pegar de um lado, vem pegar do outro”. “Ela chegou [no CISAM] num carro preto, com vidro fumê”. “Começou o tumulto, a imprensa, já tinha gente aí de todo o lugar (…) eu fui lá, e a gente tratou de isolá-la na enfermaria”.

Lamentável. No documentário, também uma médica residente “contra” o aborto, as declarações de Lula e de Temporão, e muitas outras besteiras que nem vale a pena comentar. Enquanto isso, padrasto engravida menina de 12 anos no interior de Pernambuco. Na semana passada. A gestação já está em seis meses e, por isso, provavelmente, a menina estará livre do lobby abortista (contextualizando: aqui)…

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4 thoughts on ““Direito & Saúde: o caso de Alagoinha”

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  2. Yuri

    Caros responsáveis do respeitado blog Deus lo vult:

    Sei que o meu comentário nao é em relação ao post, mas gostaria de fazer uma pergunta:

    Me deixa muito incomodado o fato de por que nenhum “blogueiro” católico se posicionou ou citou os recentes “ataques” ao grupo Arautos do Evangelho?

    Li coisas noticiadas pela mídia mundana em anos anteriores que revelam que o orlando não foi o primeiro.

    Infelizmente o que parece é que os “blogueiros” com medo de parecerem contrários ou fora da comunhão plena na Igreja, não citam nada, esperando alguem que tenha coragem para depois falar sobre.

    Não estou aqui criticando o blog nem ninguem, pois o mesmo é muito bom, com muito conteúdo interessante e edificador, mas sobre esse tema, se as denúncias forem verdadeiras, muita gente está indo para um lado muito errado.

    Não seria bom promover um debate aberto, onde pudessemos ter acesso a outras visões? Não seria bom para todos os católicos que tudo isso se esclarecesse?

    Desculpe as linhas mal escritas mas a pressa foi maior.
    A lan está quase fechando.

    Desculpe se pareci grosseiro, não foi a intenção.

    Que a Virgem Maria abençoe a todos.

    PS: Não sou montfort, não sou RCC, e nada. Sou apenas um Católico que quer esclarecimentos frente a acusações tão graves.

    Apenas uma amostra sobre o que a mídia ja dizia: http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,,EPT980649-1664,00.html

  3. Karina

    Jorge, e o padrasto da menina, alguém falou alguma coisa?? O verdadeiro culpado da história foi punido? Sim, porque dois inocentes foram condenados à PENA DE MORTE, e o cara, no máximo, vai pegar aí uns anos de cadeia, com direito à “bom comportamento”.

    Eita justiça abortista!!!

    Que a Virgem Maria interceda pelo bem estar desses inocentes nesse novo caso de Pernambuco.

  4. Jorge Ferraz Post author

    Yuri,

    Eu simplesmente não consegui ler o livro do Fedeli sobre a “gnose burlesca” da TFP. No formato que está no site, é absolutamente intragável. Por isso, não posso falar sobre o conteúdo das acusações que lá estão.

    Abraços,
    Jorge