Dilma Rousseff e o aborto no debate da Folha/UOL

closeAtenção, este artigo foi publicado 7 anos 6 dias atrás.

Assisti, hoje pela manhã, a um pedaço do debate online, promovido pela Folha/UOL, entre três dos presidenciáveis: Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva. Ainda não está disponível na íntegra no site da Folha.

Não gosto deste tipo de “debate”. É óbvio que não dá para levá-lo a sério – e, ao final, acaba sendo muito mais uma exibição de argumentos ad populum e de retórica sentimental, do que um confronto verdadeiro e honesto entre idéias e propostas. É claro que, em dois minutos, ninguém consegue articular um raciocínio decente, corretamente embasado, sobre qualquer assunto minimamente sério. Não sei quem foi que disse certa vez que, em “igualdade de condições” (leia-se: com limites arbitrários igualitariamente aplicados), a mentira sempre ganha da verdade. Eu concordo totalmente. Uma pergunta mal-intencionada, que leve somente alguns poucos segundos para ser formulada, pode exigir muito esforço para ser respondida a contento. Não é enrolação. É, simplesmente, porque a verdade tem compromissos – a mentira, não, qualquer coisa que diga, de qualquer jeito, se servir aos seus propósitos, está muitíssimo “bem dita”. Dois minutos para cada uma delas simplesmente não é justo: a verdade, nestes casos, está em uma tremenda desvantagem.

Este debate, no entanto, teve uma coisa interessante: a participação dos internautas, com perguntas gravadas em vídeo. Lá para as tantas – quarto bloco, se a memória não me falha -, uma pergunta feita pela @jufragetti foi exibida. Era para a Dilma Rousseff, e sobre o aborto.

Em dois minutos, como eu disse acima, ninguém consegue articular uma resposta séria sobre absolutamente nada. Mas o tempo reduzido tem outro gravíssimo inconveniente: por dois minutos, qualquer pessoa consegue dar voltas e enrolar, para não ter que responder de modo direto a uma pergunta inconveniente. E foi exatamente o que fez a sra. Rousseff.

Começou dizendo que nenhuma mulher gosta de abortar – coisa que, embora discutível, absolutamente não vem ao caso. Não faz a menor diferença se as mulheres “gostam” de assassinar os próprios filhos ou se “não gostam”: o que interessa é saber, com clareza, se elas podem fazê-lo ou se não o podem! A pergunta, como qualquer pessoa que tenha dois neurônios é capaz de perceber, era esta e não outra.

Disse que, pessoalmente, era contrária ao aborto. De novo: não faz a menor diferença se ela, em assunto que considera “de foro íntimo”, é contrária ou é a favor: o que interessa é o que ela vai fazer enquanto presidente. Mais uma vez, isto estava mais do que evidente na pergunta que foi feita, pois o que estava sendo transmitido era um debate entre presidenciáveis, e não uma entrevista para a Tititi.

Então veio, finalmente, com a conversa mole de que o aborto é “questão de saúde pública”. Ora, como todo mundo que está acostumado com a novilíngua política sabe muito bem, isso significa que o aborto vai deixar de ser crime para passar a ser exigência de saúde. Como está no famigerado Plano Nacional de Direitos Humanos do Governo. Como, aliás, é compromisso histórico do PT, e só não vê quem não quer.

A sra. Rousseff enrolou, enrolou, enrolou, mas deixou escorrer a baba peçonhenta, o veneno por debaixo do doce das palavras: a candidata petista é abortista sim. Caso não fosse, poderia ter dito – como teve chance – de dizê-lo claramente. Portanto, e mais uma vez: como os católicos não podem apoiar uma candidata abortista, não podem conceder o seu apoio, de nenhuma maneira, à sra. Dilma Rousseff (ouviu, @ver_josenildo?). A cada dia que passa, isto fica mais e mais claro. É sinceramente lamentável ver as pessoas imolarem a própria consciência no altar da partidolatria.

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42 thoughts on “Dilma Rousseff e o aborto no debate da Folha/UOL

  1. Sonia maria mendes

    O que ninguém fala é que o aborto, com legalização ou sem legalização ele existe e mata muitas mulheres neste Brasil, e você sabe! Portanto isso é hipócrita, agora, numa campanha eleitoral os defensores da Vida decidem discutir o que é bom ou não para as mulheres. Isso é “papo” eleitoreiro. Caso realmente se preocupam com a nossa saúde deveriam discutir isso em outros períodos também, não achas? A quem estão servindo? a qualquer um, menos a luta pela vida, pela família. Esta está baseada na educação para que possamos prevenir as gravidezes não planejadas e, muitas vezes aborots em péssimas condições.
    Sonia Maria Mendes, Assistente Social de Unidade Básica de Saúde

  2. Jorge Ferraz Post author

    Dona “Sonia Maria Mendes, Assistente Social de Unidade Básica de Saúde”,

    Este blog não foi criado agora, no período das eleições. O Deus lo Vult! está no seu Ano III, desde o início falando sobre temas de interesse católico, entre os quais o aborto. Ao lado do Deus lo Vult! (e inclusive mais antigos do que ele), existem outros tantos blogs e sites na internet afora que tratam sobre o assunto o tempo inteiro, e não somente “numa campanha eleitoral”. Portanto, arranje outra desculpa esfarrapada para defender o assassínio de inocentes.

    Abraços,
    Jorge

  3. Karina

    Ai, ai, Dona Sônia Assistente. Aborto nunca é, nunca foi nem nunca será a favor da vida. Muito menos da família.

    Fora que esse papo de (algumas)”mulheres morrem” é muito bla-bla-bla pro meu gosto.

    Sim, mulheres morrem. Não porque o aborto é ilegal. Mulheres morrem nos EUA, com o “aborto limpinho e seguro”.

    As mulheres morrem pelo fato de que ABORTAR NÃO É NEM NUNCA SERÁ UM PROCEDIMENTO DE BAIXO RISCO!!!! Até na China, grande potência abortista, estão a rever a política do filho único pois o elevado número de abortos têm trazido a morte de muitas mulheres, além de esterilização permanente.

    Vale lembrar que, na China, grande parte dos abortos é de meninas. E viva o direito das mulheres!!

    Mas o que a senhora nem os abortistas vêem é que, pra uma mulher das 100 que fazem aborto morrer, houve 100 crianças (ou mais) que morreram. Quer dizer, ou não. Gianna Jessen que o diga.

  4. thiago

    não sou petista ……não carrego bandeira de nenhum partido …mas sou totalmente a favor da legalização do aborto sim ….principalmente em casos de estúpros e incestos.mas é claro que a posição da igreja a respeito do aborto não leva em conta detalhes da biologia,assim como não leva em conta a realidade do sofrimento humano.como biologo que sou, vou tentar resumir aqui um pouco sobre esse tema.já foi estimado que 50% de todas as concepçoes humanas termimam em aborto espontaneo, em geral sem que a mulher perceba que estava grávida. na verdade 20%de todos os casos de gravidez reconhecidos terminam em aborto espontaneo.existe aqui uma verdade obvia e gritante: se deus existe, ele é o mais prolifico de todos os praticantes de abortos.afinal de contas “ELE” não é onisciente? ou não é ?

  5. Jose Roberto

    Acho que este tema está sendo usado como uma máscara para campanha do candidato paulista, o assunto está muito politizado. Existe tantos coisas a serem analisadas, generalizar as críticas, julgar e condenar as pessoas que pensam diferente não é o caminho. O caminho nao é o da evangelização? Não é discutir o assunto e convencer que estão erradas? O tempo da inquisição já se foi ou não?

  6. VALTER SANTOS

    Monica Serra fez aborto de 4 meses: http://correiodobrasil.com.br/monica-serra-ja-fez-um-aborto-e-sou-solidaria-a-sua-dor-afirma-ex-aluna-da-mulher-de-presidenciavel/185824/

    Em 2005, na revista TRIP de nº 41, Soninha declarou que já tinha feito aborto, e que era favorável à descriminalização. (link aqui: http://revistatpm.uol.com.br/41/aborto/01.htm )

    SERÁ QUE O SERRA MANDOU ABORTAR, MATAR O PRÓPRIO FILHO? SERÁ QUE É UM ASSASSINO?
    E O FILHO QUE A SUA SECRETARIA (AMANTE) COORDENADORA DA CAMPANHA ABORTOU, TAMBÉM ERA DO SERRA?

  7. Carlos

    Muita hora nessa calma…
    A petralhada está desesperada e vai atacar feito loucos.
    Vão espalhar calúnia a rodo, que é a única arma que têm.
    Católicos: Agora o momento é de defender o Serra e responder tudo, principalmente mostrando o lado abortista e gaizista do PT. E, melhor ainda, boquear os comentários petralhas. Vamos ganhar essa eleição e depois vamos para cima do Serra.

  8. Cibele

    O que eu queria saber é o seguinte:
    1)Se algum de vcs aí que defendem tanto a não-legalização do aborto tivessem uma filha estuprada e dessa violência surgisse uma gravidez (totalmente indesejada), como vcs agiriam, hein?
    2)Se vcs, mulheres, estivessem grávidas de um feto sem cérebro, CUJA ÚNICA CERTEZA É A MORTE assim que sair de seu ventre, vcs gostariam de manter a gravidez?

    Além do mais, concordo com alguém aí em cima que disse que não é pela falta de legalização que as mulheres deixarão de abortar e também não engravidarão “de propósito” só porque tem a opção de abortar caso queiram! Parem com essas bobagens! Abram suas cabeças!

  9. Ricardo

    Quando eu começo a ficar irritado com algumas “coisinhas” dos Estados Unidos, leio sempre alguma posição corajosa dos líderes daquele país que me faz admirá-los.

    http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/obama+reitera+compromisso+para+proteger+direito+das+mulheres+ao+aborto/n1237965558926.html

    Destaco:

    “protege a saúde e a liberdade reprodutiva das mulheres, e afirma um princípio fundamental: que o Governo não deve se envolver em assuntos familiares privados”

    “…que o Governo (estenderia isso para “e as igrejas…”) não deve se envolver em assuntos familiares privados”

    Perfeito! E fim de papo!!!

  10. Jorge Ferraz Post author

    Ricardo,

    O direito à vida do ser humano em estágio fetal está, obviamente e para além de qualquer discussão, acima da “liberdade reprodutiva” das mulheres, uma vez que o direito à vida é o primeiro e mais fundamental de todos os direitos.

    Quando a vida é ameaçada e a família – que lhe devia proteger – passa a atentar contra a vida das crianças, é óbvio que cabe ao Estado intervir. Pela tua lógica débil-mental, maus tratos infantis não deveriam receber atenção nenhuma do Estado, sob pena deste estar se envolvento “em assuntos familiares privados”.

    E eu não vejo nenhuma surpresa em que o abortista Obama venha defender o assassinato de crianças. Não há nenhuma novidade nisso.

    – Jorge