“Cegueira Plúmbea” – Dom Aloísio Oppermann

closeAtenção, este artigo foi publicado 6 anos 11 meses 29 dias atrás.

[Reproduzindo, só para garantir. Está já há quase quinze dias no site da CNBB, por impressionante que seja. Acho que a censura CNBBêica é burra; lembram-me as histórias sobre as músicas de Chico Buarque que, para burlar a censura militar, trocava “Cale-se” por “Cálice” e ficava tudo muito bem. Para bom entendedor, meia palavra basta: afinal, todo mundo sabia que “amanhã vai ser outro dia” é uma crítica política, e não uma canção de amor. E todo mundo sabe que o artigo de Dom Oppermann é uma dura crítica política, e não um ensaio histórico.

Fonte: CNBB.]

Cegueira Plúmbea

O fascismo chauvinista alemão se estabeleceu, entrando pela porta da frente. Hitler manipulou a alma alemã, com recursos de encantamento irresistível. Seu nome estourou nas urnas. Estava tão certo da vitória que não ocultou nenhum de seus tenebrosos pensamentos. Todos conheciam suas pregações imperialistas, seu gosto pelo uso da força, sua arrogância diante dos judeus, sua presunção de superioridade da raça ariana. Um observador, colocado a certa distância, poderia prever a colisão inexorável que aconteceria entre o bem do povo alemão, e o programa foguetório do regime político, que deveria arrostar todas as conquistas civilizatórias. É a história do passarinho encantado, que fica à disposição da cobra que o engole sem escrúpulos.

Não sou daqueles que consideram a Revolução de 31 de março, como um mal absoluto. As intenções foram boas, tendo recebido o firme apoio da opinião pública. Os nobres ideais foram obumbrados, progressivamente, pelo uso abusivo do cerceamento das liberdades. Com o correr do tempo, as lideranças socialistas, em vez de se converterem, entraram na clandestinidade. Mas posteriormente retornaram, entre aplausos, e ocuparam tranquilamente quase todos os escalões da República cripto-socialista. Certíssimos do sucesso, já se tem como garantida a execução de alguns programas antiqüíssimos: a interrupção violenta da gravidez; o enfraquecimento da vida familiar, pelo apoio a outros tipos de “família”; a redução à obediência de veículos de comunicação através de prêmios e castigos; a insegurança dos direitos constitucionais;  a subserviência do poder judiciário; a impossibilidade de manifestação religiosa em  público; a descaracterização do país de qualquer sinal cristão, depois de termos passado ao povo, durante séculos,  os ensinamentos de Cristo…Será que se avizinha o tempo em que precisamos ocultar que somos católicos? A vitória desse programa “moderno” parece ser tão evidente como o pôr do sol antes da noite escura. O nosso veículo tem freio e tem direção. Enxergamos o perigo que se avizinha? “Eis agora o dia da salvação”  (2 Cor 6, 2 ). Ainda podemos evitar o grande mal.

Dom Aloísio Roque Oppermann

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14 thoughts on ““Cegueira Plúmbea” – Dom Aloísio Oppermann

  1. Carlos Eduardo

    Ora, Jorge. A CNBB como um todo é burra, não só seus censores. Geaças a Deus!

  2. Antonio

    É bom ver que ainda temos bispos dignos do ministério… D. Manoel Pestana nos enche de esperança, D. Oppermann nos mostra que nem todos estão “cegos”.

    Fico feliz por saber que o novo bispo (nomeado, Msgr. Antonio Braz Benevente) da cidade onde moro (Jacarezinho – PR) era vigário de D. Aloísio Oppermann.

    A Diocese de Jacarezinho brilhou no Concílio na pessoa de D. Geraldo Sigaud, um dos líderes da Coetus Internationalis. Precisamos de mais bispos como ele, urgentemente. Basta de TL por aqui.

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  4. Rafaela

    Jorge,

    Agora que você “revelou” isso, é capaz da CNBB retirar o artigo do site!

  5. Karina

    Tão bom ler coisas assim, nos enchem de esperança em meio a tanta coisa errada.

  6. Sérgio

    Desculpe família, mas acho que o Sr.Bispo gosta de holofotes e afagos, e por isso escreve direcionado a gente. Aliás, dos bispos que prestam atenção na gente, ele é o que captou com mais inteligência os nossos sentimentos e as nosss angustias.
    Procure saber se na diocese dele existe estudo de Doutrina Social da Igreja e Missa segundo o Motu próprio para saber a verdadeira face dele.

  7. Dionisio Lisbôa

    Algo meio off topic, mas que tem relação intrínseca com tudo o que está ocorrendo:

    http://fratresinunum.com/2010/08/20/foto-da-semana-4/#comments

    É por causa de coisas como estas que a Igreja Católica no Brasil está uma “casa de mãe Joana” e quando alguns bispos obedientes ao papa se levantam e tentam reconduzir o rebanho, são censurados por seus irmãos em episcopado…

  8. Renato Lima

    Dionisio Lisbôa, pode reparar que esses escândalos na grande mairia das vezes vem daqueles que estão “em plena comunnhão” com a Igreja Católica.

  9. Renato Lima

    A circunstância da recusa às evidências

    Sidney Silveira

    Em Teologia Moral, chama-se “circunstância” ao que literalmente circunscreve o ato humano — denotando com isto ser algo extrínseco a ele. Noutras palavras, moralmente a circunstância é acidental e, por isso, muitas vezes não especifica o ato. Assim, nada muda se alguém mata pelas costas uma pessoa vestida de branco ou de azul, nesta rua ou naquela, pois tais circunstâncias não alteram a espécie hedionda do ato. Noutras vezes, porém, embora o seu influxo seja ab extrinseco, a circunstância não apenas muda a espécie do ato, mas o piora. Assim, quem atira num coelho e mata um homem, mesmo sem intenção de fazê-lo, comete homicídio (culposo), e quem subtrai para si um objeto sagrado por causa do ouro comete não apenas furto, mas também sacrilégio. No De Malo (q, II, art. 8, sed contra), afirma Santo Tomás que a circunstância está para o pecado assim como o acidente está para o seu sujeito, e, em resumo: ela pode ser agravante ou não; pode especificar o ato ou não.

    O ato propriamente humano, realizado pelas duas potências superiores da alma (inteligência e vontade), pode ser bom, mau ou indiferente. Isto dependerá tanto do objeto que o move, como das circunstâncias em que esse movimento se dá. Fazer exercícios regularmente para preservar a boa saúde, embora seja algo intrinsecamente bom para o homem, moralmente é um ato indiferente, pois o não fazê-lo de forma regular, sobretudo se as circunstâncias de vida não permitem, não é em nenhum sentido condenável. No entanto, fazer exercícios em quantidade exagerada para tornar-se sexy muda a espécie do ato por duas razões: tanto pelo objeto que move à ação, como pela circunstância (no caso, material) que faz uma pessoa ficar horas e horas exercitando hedonisticamente o corpo. A propósito, muitas vezes esses tipinhos fortões têm os neurônios esquálidos, por falta de uso…

    A coisa, como se vê, é complexa. Há incontáveis matizes que especificam os atos humanos, mas também há as circunstâncias que os agravam ou atenuam, que os fazem melhores ou piores.

    Pois muito bem. No plano moral, a atitude dos católicos em relação à crise doutrinal que hoje acomete a Igreja pode ser boa, má ou indiferente (falaremos apenas das duas últimas). Depende não apenas do que os move a agir desta ou daquela maneira, mas também das circunstâncias — e uma em particular: o grau de conhecimento com que se leva a ação a cabo. Por exemplo: um católico que não teve a oportunidade de adquirir boa formação básica (refiro-me à doutrina tradicional) certamente não tem culpa moral disto — neste caso, a culpa é dos homens da Hierarquia eclesiástica —, embora esteja ele na mesma circunstância dos que tiveram alguma formação e preferiram embarcar no modernismo: ambos estão correndo risco maior de perder-se por não darem anuência à integralidade da fé, pois o veneno não muda a sua eficácia se alguém o toma pensando que é remédio ou se o toma querendo matar-se. Mas o fato é que a adesão de cada um deles ao modernismo é, do ponto de vista moral, muito distinta.

    Por sua vez, o católico a que chamamos neoconservador, que estuda o Magistério, que estuda filosofia e algo de teologia (esta última, desde que não agrida a susceptibilidade liberal-ecumenista contemporânea), mas ainda assim prefere dizer que nada mudou essencialmente — o chamado “hermeneuta da continuidade” —, comete um ato moralmente mau na medida em que não quer aceitar algo evidente, mesmo quando a inteligência o demonstra eloqüentemente ao aplicar o indeclinável princípio da não-contradição.

    Muitas vezes, o neoconservador tem dois discursos: um externo, em que afirma que nada mudou; e outro interno (dentro do grupo católico a que pertence, seja qual for), em que fala abertamente dos absurdos atuais, mas sem querer ver a sua relação com a mudança no essencial da doutrina.

    É o sujeito que possui todas as evidências, tem todas as premissas, mas recusa-se a completar o silogismo. Prefere a atitude do “não quero saber e tenho raiva de quem sabe”.

    P.S. Fiz menção acima ao De Malo e informo o seguinte: graças às pessoas que, nestas duas semanas, adquiriram alguns livros da Sétimo Selo, estamos fazendo a reimpressão desta obra, e na próxima semana voltaremos a atender aos pedidos por ela. É claro que falta muito, muitíssimo, para o projeto ter a velocidade que a sua importância civilizatória exige. Por isso reitero: continuem comprando os livros, amigos católicos, para que esta iniciativa não morra por inanição…

    http://contraimpugnantes.blogspot.com/2010/08/circunstancia-da-recusa-as-evidencias.html

    Evidência segundo Tomás de Aquino

  10. Dionisio Lisbôa

    É verdade, Renato Lima…

    Nosso bispo alega estar em “Plena Comunhão” com Roma, mas não ouve ao Papa, veta a Missa Tradicional, despreza os católicos ligados à Tradição ao mmesmo tempo em que permite descalabros como este cujo link eu fiz menção e que foi destaque no Fratres in Unum.

    Infelizmente nosso pastor é um MODERNISTA, um homem que se rendeu às novidades, ao ecumenismo herético e aos abusos litúrgicos…

    Peço orações pelo sofrido rebanho de Salvador, tão espezinhado e pelo novo bispo que há de vir, para que seja um pastor que entre pela porta e, mais que isto, ame as ovelhas do aprisco do Senhor!

    Peço orações também pela Arquidiocese de Salvador, Primaz do Brasil e que tanto fez pela evangelização da Terra de Santa Cruz…

  11. André Luíz Araújo Magalhães

    O problema é muito grave. A Igreja Católica Apostólica Romana perece de Bispos e sacerdotes compromissados em resgatar a tradição, Bispos no poder. Porque infelizmente, os padres e bispos da Fraternidade São Pio X, tão criticados, perseguidos quando heroicamente mantém-se em comunhão com a Santa Sé, ainda que resistindo às reformas litúrgicas e novidades. Como o Concílio, ainda que indiretamente não é responsável por tais coisas? As provas foram colocadas pelos ilustres comentaristas acima. Cada dia que passa, sinto-me mais afastado do ideal de Igreja. A IGREJA FRUSTROU-ME, DECEPCIONOU-ME. Nasci dezenas de anos após o Concílio, ainda assim, apavora-me este panorama. Quando criança, sempre ouvia dizer que a Missa era celebrada em latim. O padre ficava voltado para o altar, e, não para os fiéis. O sacrário ficava no altar mór. Eu imaginava, quando adentrava com meus pais numa igreja belíssima e antiquíssima no Centro do Rio de Janeiro (Igreja Nossa Senhora do Terço e Senhor dos Passos), no Saara e percebia claramente que a arquitetura não combinava com os cânticos, com a forma de celebrar, com o violão. Simplesmente não combinava. Mais tarde, tive a graça de conhecer a Missa Tridentina, obter bons livros católicos antigos como Missal, livros de canto gregoriano, vade-mecum, etc.. Encontrei a verdadeira paz. Mas, ainda assim, não me sinto confortável com este panorama mesmo estando longe destas coisas. Seria necessário um verdadeiro milagre. Não creio mesmo que coisas assim terminarão. Veremos ainda estas coisas tão horríveis acontecerem. Porque o que antes era norma, agora além de leve é opcional. A criatividade, a encarnação das culturas no culto romano, tão pedido pelo concílio são as responsáveias por este panorama ignominioso. Precisamos rezar para que, ao menos, surjam nos grandes centros urbanos e porque não em meios rurais sacerdotes dispostos a celebrar a Missa Tridentina e ensinar o catecismo de São Pio X. Pelo apostolado da boa imprensa, porque das livrarias católicas atuais quase nada se salva para aquisição do povo tradicional. As pessoas já se acostumaram, na grande maioria com as novidades. Pequenos grupos, infelizmente, nutrirão gosto e terão acesso a Missa de sempre, AOS LIVROS e ao Catecismo de Pio X. A summorum pontificum não é uma bula, mas, ás vezes parece, pois é restritiva demais. Já é um pequenino avanço, sem dúvida. Mas quem pode contra a fúria de um “príncipe” da Igreja, como este que veta missa tridentina e permite sincretismo religioso? Vejo medidas palheativas que podem amenizar, mas corrigir tudo o que está errado e que a grande massa já asimilou, é difícil…

  12. Jorge Ferraz Post author

    Caríssimos, um erro não justifica o outro.

    Não é por conta da evidente falta de comunhão – se não canônica, pelo menos factual – com a Igreja de alguns prelados que, outros, àqueles opostos, passam a ser modelos de católicos, quase uma hipóstase da natureza humana com a Igreja.

    Abraços,
    Jorge