Quanta coisa foi perdida…

closeAtenção, este artigo foi publicado 6 anos 9 meses 6 dias atrás.

“Primeiramente mando e encomendo a minha alma a Deus Nosso Senhor que a fez e remiu por seu precioso sangue”. Assim começavam os testamentos de antigamente, em uma época em que as pessoas tinham consciência de que a alma que se vai apresentar diante de Deus é mais importante do que os bens que ficam nesta terra. Alguém pode dizer que isso era a formalidade da época, e que os todos os testamentos tinham, por padrão, cláusulas similares a esta; bom, que seja. Se de fato for assim, não muda o fato objetivo de que esta prática, de certo modo, obrigava o doente a pensar na sua salvação eterna, quando precisasse escrever o seu testamento. A mera formalidade não é a melhor coisa do mundo, mas é melhor do que nada.

Hoje em dia, as coisas mudaram. No Reino Unido, uma igreja (Metodista) foi fechada e, em seu lugar, foi aberta uma loja de conveniência. Triste é a conclusão à qual chega um entrevistado que mora perto: “Eu suponho que isso representa as prioridades das pessoas nos dias de hoje – a conveniência de poder comprar o seu pão alguns quilômetros mais perto é mais importante que a oração e da religião”.

Comprar pão mais perto é mais importante do que a oração! Talvez nem seja, mas a frase não deixa de ser impactante. Talvez o triste simbolismo da caixa registradora defronte a um vitral não tenha realmente este significado para todas as pessoas que moram nos arredores da antiga Igreja; mas é um símbolo. E, como o simbolismo das clásulas de encomendação da própria alma a Deus nos testamentos de antigamente, ilustra as linhas gerais de uma cultura.

É assustador considerar quanta coisa foi perdida de lá para cá. O século XVII sabia que encomendar a alma a Deus é mais importante do que lavrar escrituras de inventário e determinar heranças patrimoniais. Já o século XXI, acha mais importante ter por perto um lugar onde se venda pão do que uma igreja onde se possa rezar.

Gostou? Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Email this to someonePrint this page

7 thoughts on “Quanta coisa foi perdida…

  1. Rafael

    Ah meu caro, talvez não seja só uma frase impactante, o que eu vejo é que muitos realmente preferem comprar o pão mais perto que orar. Por esses dias deixei cair meu terço do bolso e já recebi uma dúzia de olhares estarrecidos. Um me perguntou, como que não acreditando: “Que é isso, um rosário?”
    Ser cristão hoje é difícil, ser católico então, mais ainda. Só não enfrenta dificuldades aqueles adeptos de religiões da moda. Veja as reportagens na TV mostrando as maravilhas da meditação budista e os escândalos da inquisição e da pedofilia católicas.
    Isso sem falar quando nossos próprios irmãos não nos chamam de ‘quadrados’ quando nos ajoelhamos na Missa, quando chegamos mais cedo na igreja para rezar um pouco ou quando respeitamos o Papa (!). Pois já ouvi várias vezes pessoas dizendo que o Papa está lá em Roma e não entende o que se passa por aqui, ou está falando para a Europa, por isso não precisamos dar muita bola para o que ele diz.

  2. Lampedusa

    Se não me engano, Ratzinger escreve em um de seus livros que um dos mais claros sinais da descristianização do mundo moderno é que se alguém passa mal na rua as pessoas apenas se recordem de chamar um médico… nunca um sacerdote.

    Nesse sentido, sempre me chamou a atenção um costume americano – que às vezes se vê em filmes – que o sujeito ande com uma correntinha que tem a informação de seu tipo sanguíneo e sua religião.

  3. Ricardo

    Longe já é ruim, imaginem perto… o melhor seria que todas as igrejas fossem transferidas para a Lua, eh, eh

  4. Evaldo Tartas

    Meu caro amigo,

    Há certas igrejas que seria muito melhor fossem fechadas. Mesmo aqui em nosso país algumas Igrejas, religiões e seitas não passam de um simples comércio do sagrado: um verdadeiro pecado contro o segundo mandamento.
    Há Igrejas em que se ouve mil vezes mais as palavras dízimo e dinheiro do que o nome de Deus, Evangelho, Biblia, Pecado, Perdão, Salvação,Jesus…
    Até em algumas comunidades católicas há uma isistência exagerada nas questões financeiras onde um desavisado pode até se imaginar estar dentro de um templo dessas igrejas dizimeiras.
    Se for para anunciar a boa nova do Senhor Jesus e pregar a unidade toda a Igreja tem razão de existir. Porém quando passa a valorizar o dízimo e o dinheiro mais do que o próprio Deus melhor seria que nem existisse.

  5. Tamyres

    Isso se vê muito por aqui, Jorge, mas de forma diferente. Diversas pessoas usam como desculpa o fato de não morar tão perto de uma igreja para não frequentar a santa missa. Mas na verdade mesmo que morassem ao lado de uma igreja, ainda assim, não iriam. E se fossem sinceras diriam a mesma coisa que esse homem.

    É triste, mas é assim.
    Por isso é importante dar testemunho da grande graça que é poder orar na casa de Deus.

    Salve Maria