Os bispos, a CNBB e o Papa

closeAtenção, este artigo foi publicado 3 anos 9 meses 15 dias atrás.

As Conferências Episcopais não fazem parte da hierarquia essencial da Igreja Católica. Elas devem servir apenas como órgãos de assessoria, para facilitar a colaboração entre os bispos. Nunca podem estar acima dos bispos. Isto, aliás, foi dito recentemente até mesmo pelo presidente da CNBB, Dom Geraldo Lyrio Rocha, quando da polêmica envolvendo Dom Luiz Gonzaga Bergonzini e a sua santa denúncia do abortismo do Partido dos Trabalhadores:

“Tenho uma admiração muito grande por Dom Luiz Gonzaga Bergonzini e os seus procedimentos estão dentro daquilo que a Igreja espera. Ele tem o direito e até o dever de, de acordo com sua consciência, orientar seus fiéis do modo que julga mais eficaz mais conveniente. Ele está no exercício de seus direitos como bispo diocesano de Guarulhos e cada instância fala só para o âmbito de sua competência, tanto que ele não se dirigiu à nação brasileira. Este procedimento está absolutamente dentro da normalidade no modo como as coisas da Igreja se encaminham”, afirmou o presidente da CNBB.

“Acima do bispo no governo da Igreja só existe uma autoridade: o papa”, destacou.

Ao contrário do que pensa o brasileiro médio, acima dos bispos está somente o Papa, e não as Conferências Episcopais. A CNBB não está acima dos bispos. Ela, portanto, não fala em nome de todos os bispos (e nem muito menos em nome de uma inexistente “Igreja Brasileira”), não pode impôr absolutamente nada a nenhuma das dioceses do Brasil, nem é uma instância intermediária entre estas e a Santa Sé.

Essas coisas voltaram a ser ditas na última segunda-feira, mas agora na voz do Papa Bento XVI. Em discurso aos bispos da Regional Centro-Oeste, o Vigário de Cristo foi incisivo:

Assim sendo, a Conferência Episcopal promove a união de esforços e de intenções dos Bispos, tornando-se um instrumento para que possam compartilhar as suas fatigas; deve, porém, evitar de colocar-se como uma realidade paralela ou substitutiva do ministério de cada um dos Bispos, ou seja, não mudando a sua relação com a respectiva Igreja particular e com o Colégio Episcopal, nem constituindo um intermediário entre o Bispo e a Sé de Pedro.

[...]

Ao mesmo tempo, é necessário lembrar que os assessores e as estruturas da Conferência Episcopal existem para o serviço aos Bispos, não para substituí-los. Trata-se, em definitiva, de buscar que a Conferência Episcopal, com seus organismos, funcione sempre mais como órgão propulsor da solicitude pastoral dos Bispos, cuja preocupação primária deve ser a salvação das almas, que é, aliás, a missão fundamental da Igreja.

É claro que o Papa está preocupado com a situação da Igreja no Brasil; e é claro que esta situação é calamitosa. Por exemplo, para a próxima Campanha da Fraternidade, a CNBB escolheu um hino abertamente herético, onde diz que a maior obra de Deus foi a Terra, e não o homem (créditos ao Frei Cleiton). É claro que as coisas estão fora dos eixos já há bastante tempo, e precisam ser reorganizadas. Bendito seja Deus pelo Papa Bento XVI, que olha pelo Brasil. Que a Virgem Aparecida Se compadeça desta Terra de Santa Cruz.

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11 comentários em “Os bispos, a CNBB e o Papa

  1. Davi

    É, o Papa está realmente preocupado com o Brasil…

    Prece que eu tô é vendo, ele sem dormir, sentado na cama papal, retirando a coroa (que agora ele usa), coçando a cabeça e pensendo: “esse Brasil véi não tem jeito mesmo… que é que eu tenho que dizer mais, hein?”

    Acorda, Jorge!

  2. Laura Queiroz

    Caríssimo Jorge,

    Sou leitora assídua do Deus lo vult, desde a época do polêmico caso Alagoinhas, via Jornada Cristã,

    Hoje vim aqui para saber se a notícia que ouvi na rádio, procede, se tem algum fundamento.

    Ouvi, se não me engano, na Rádio Olinda, o locutor tecendo os maiores elogios a Dom Fernando por ele ter convidado a Dilma para a comemoração dos 100 anos da Arquidiocese.

    Outro dia já tinha visto em um carro o adesivo da Dilma, no vidro traseiro de um carro onde havia uma plotagem da comemoração dos 100 anos. Achei uma incoerência, apesar de saber que, infelizmente, Dilma foi eleita também, graças aos votos de muitos católicos(?). Mais daí ela fazer parte da comemoração dos 100 anos da Arquidiocese, é de estarrecer.

  3. Alexandre Magno

    No discurso que o Papa Bento XVI dirigiu segunda-feira, 15 de novembro de 2010, aos bispos do Regional Centro-Oeste do Brasil que se encontraram em Roma em sua visita ad limina apostolorum, ele afirmou:

    [... a Conferência Episcopal deve] evitar de colocar-se como uma realidade paralela ou substitutiva do ministério de cada um dos Bispos, ou seja, não mudando a sua relação com a respectiva Igreja particular e com o Colégio Episcopal, nem constituindo um intermediário entre o Bispo e a Sé de Pedro. [...]

    É necessário lembrar que os assessores e as estruturas da Conferência Episcopal existem para o serviço aos Bispos, não para substituí-los. [...]

    Essa função doutrinal [que corresponde aos Bispos, quando eles se reunem em suas Assembléias] será desempenhada nos termos indicados por meu venerado predecessor, o Papa João Paulo II, no Motu Próprio “Apostolos suos“, também ao abordar as novas questões emergentes, para depois poder orientar a consciência dos homens para encontrarem a reta solução para os novos problemas suscitados pelas transformações sociais e culturais.

    A preocupação primária [da Conferência Episcopal, com seus organismos] deve ser a salvação das almas [...]

    Leiam o discurso do Papa na íntegra.

    Eu penso que também é muito oportuna, para todos nós interessados em entender essas questões, a leitura do Motu Proprio Apostolos suos, do Papa João Paulo II.

    Mas, infelizmente, depois de ler esse Motu Proprio, eu estou ainda com muita dificuldade para entender que as coisas são tão simples como ter que “ao contrário do que pensa o brasileiro médio, acima dos bispos está somente o Papa, e não as Conferências Episcopais“, como afirma Jorge Ferraz.

    Não está claro para mim como ter o exercício da colegialidade dos Bispos (que penso, também existe nas Conferências Episcopais – e talvez o erro que esteja me confundindo seja encontrado aqui) e a jurisdição de cada Bispo.

    Talvez a CNBB não esteja acima de um Bispo “somente” dentro da diocese dele. Tanto que Dom Geraldo Lyrio Rocha, naquela ocasião referenciada pelo Jorge, disse que “[Dom Dom Luiz Bergonzini] está no exercício de seus direitos como bispo diocesano de Guarulhos e cada instância fala só para o âmbito de sua competência, tanto que ele não se dirigiu à nação brasileira“. Acontece que, depois, no final das contas, foi feito o Apelo a Todos os Brasileiros e Brasileiras, e a solução que eu encontro para entender esse desfecho é: que, “no final das contas”, foi feito apenas um apelo. Pois eu acredito (talvez apenas por intuição) na licitude e validade da ação de Dom Bergonzini.

  4. Daniel

    Pax Christi!

    Jorge,

    "Ela [CNBB] [..] não pode impôr absolutamente nada a nenhuma das dioceses do Brasil"

    Concordo com tudo o que você disse, mas nesse trecho, acredito que o ‘absolutamente’ é muito forte aí.

    O Cân. 455 § do CDC diz:
    1. A Conferência dos Bispos pode baixar decretos
    gerais somente nas questões em que o direito universal o
    prescrever, ou que um mandato especial da Sé Apostólica o
    estabelecer por própria iniciativa ou a pedido da Conferência
    mesma

    Ou seja, ela só pode impor algo em questões bem específicas e designadas como tal pela Santa Sé. E, para obrigar, além da aprovação de 2/3 dos membros, demanda revisão da Santa Sé (cf. §2)

    Como exemplo cito o Rito da Paz do Missal Romano. Se não me engano na Instrução Geral do Missal está promulgado que tal rito deve ser regulado pelas Conferências Episcopais, de acordo com o costume de cada país.

    A partir do momento que a Conferência regulou e a Santa Sé aprovou – e precisa sempre é realizada nova tradução do Missal -, é lei e precisa ser obedecida por todas as dioceses e fiéis.

  5. Rafael

    Daniel, justamente porque a Santa Sé precisa aprovar que a Conferência não tem autoridade para estabelecer nada. Se for analisar o problema de forma mais técnica o que ocorre é que a Conferência sugere algo, mas quem determina é Roma. Geralmente Roma acata a sugestão da Conferência, mas nem sempre, e está ficando mais rígida recentemente (veja as novas traduções do missal em diversos países por exemplo).

    Alexandre, exatamente. Vejo que o apelo a todos os brasileiros foi feito pelo cidadão e eleitor D. Luiz Bergonzini. Tanto é que não tem nenhuma autoridade canônica, nada. Seria como um bispo escrever e lançar um livro. Há como lançar um livro somente dentro da diocese? O presidente da CNBB tem de fazer aquele tipo de ressalvas por causa de um certo episcopado que tem por aqui que reclama de tudo, para evitar mais problemas portanto. Mas ele foi claro o suficiente para os de boa-fé entenderem o que ele queria dizer.

  6. manoel carlos do nacimento silva

    Senhora Laura Queiroz acredito que o nosso Arcebispo se afina com a abortista Dilma Roussef: haja que o memso titubeou sobre a questão do aborto, lembra-se? relativizou a questão, e depois viu a porcaria que disse e se “retratou”; Dom Fernando não é nem o ratro do que foi Dom José Cardoso Sobrinho na defesa da fé católica!
    O atual Arcebispo quando recebe alguma denúncia sobre comportament de algum padre (tipo ser gay) faz ouvidos de mercador (digo isso por que sei e nada é feito) de diversas pessoas que estão denunciando um PAdre que vive de “amores” com um seu motorista!
    A situação na Arquidiocese é ruim: o ex- Paroco do Morro da Conseição pediu votos na Missa para o atual Governador (que é abortista) e para sua Mãe (que é aboertista), e ainda foram acompanhados pela corja do PT: tipo Isaltino nascimernto! Pode? A imprenssa divulgou bastante essa notícia.
    O Corpo Mísitco de Cristo pode comungar com assassinos de crianças? Defensores do gayzismo? Wnfim deixar que seus inimigos penetrem em suas muralhas?
    Estamos diante de um Arcebispo fraco na fé.
    Que Nossa Shenhora nos defenda sempre.
    Dominus Vobiscum!!!

  7. Eleutério Gasspodin

    DEUS Não precisa de religiões, nem de padres, pastores, bispos e muito menos papas, ele esta aparecendo aqui no RGS em Palmitinho, norte do Rio G. do Sul, todas as sextas feiras na linhaBoa vista dentro da capela, quem não acredita que venha ver na proxima sexta feira 7 de janeiro de 2011 as 7 horas da manhã, mas não venham com nem um padre ou pastor de nem uma igreja porque dai ele não aparece, só aparece para pessoas humildes e pobres, venham e não se arependerão.

  8. Sandra

    manoel carlos do nacimento silva

    Não te entendo, se os Padres e Bispos que foram CONTRA a candidatura da Presidente Dilma puderam se manifestar, por que os Padres e Bispos que foram à favor não poderiam?
    Como diz o ditado popular, “pau que dá em chico dá em francisco”

  9. Alexandre Magno

    Sandra, ditados populares são usados de qualquer jeito, com frequência. No entanto, talvez cada um de todos eles tenha surgido em situações muito “específicas”.

    Eu nem li o histórico dos comentários, para saber exatamente como você e Manoel Carlos têm interagido. Mas posso me ater a seu comentário.

    A questão não deve ser se padres e bispos podem (ou devem) se manifestar a favor de político A ou político B, de pessoas. A questão é que eles devem se pronunciar a favor do que for verdadeiro – sempre! – e nunca a favor de noções ou valores falsos. Porque é papel deles orientar consciências, começando por zelar suas próprias consciências.

  10. Sandra

    Alexandre Magno

    A “verdade” é subjetiva.

    A sua verdade pode não ser a minha.

    Eu entendo que NÃO se deve, durante a Missa, “orientar” politicamente os fiéis.

    O Padre, freira, Bispo, Cardeal, etc pode sim se manifestar em momentos não liturgicos.

    Afinal eles são homens e mulheres com suas convicções pessoais e normalmente pertencem a uma ordem que segue a mesma linha política.

    Agora, fora da Missa um integrante do Clero pode fazer EM SEU NOME ( nunca em nome da Igreja ) panfletos a favor de seu candidato e até mesmo ser subsidiado pelo PROPRIO candidato.

    Veja o caso de Guarulhos. Um Bispo colocou SUA opinião em panfletos pagos pelo PSDB, como se falasse em nome de todo o clero.

    Muitos padres e Bispos, que não concordaram com a atirude dele, se manifestaram nas paróquias de todo o Brasil.

    Então acredito que o tiro saiu pela culatra, pois aqueles que estavam quietos se manifestaram e condenaram o apoio politico que o Bispo deu a seu candidato.

    Moral da história, o Bispo teve sua imagem desgastada, por falar com patrocinio, seu candidato perdeu as eleições e ele virou piada no clero paulista.

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