Variedade Litúrgica: a Divina Liturgia

closeAtenção, este artigo foi publicado 6 anos 8 meses 28 dias atrás.

Por um inusitado encadeamento de coincidências, quis a Providência Divina que eu assistisse, hoje, à Divina Liturgia de São João Crisóstomo celebrada na Igreja Ortodoxa Antioquenha. Nunca havia assistido a nenhuna celebração litúrgica diferente do Rito Romano (em suas duas formas). Sempre tivera vontade de conhecer a liturgia oriental. Hoje, o Altíssimo me atendeu.

A celebração deixou-me com uma curiosa e incômoda sensação: por um lado, o rito é extremamente diferente do Rito Romano. Por outro lado, mesmo com todas as diferenças, é enormemente mais parecido com uma Missa do que algumas aberrações litúrgicas que, infelizmente, no Rito Romano mesmo somos obrigados a presenciar. Sim, penso particularmente na “missa pré-balada” de Maringá sobre a qual tanto já foi falado aqui nos últimos dias.

Na Divina Liturgia há mais ministros (eu mesmo não fui capaz de identificar todos), há mais litanias, há mais procissões. O mais curioso, contudo, foi ver as coisas todas “fora de ordem”, em comparação com o Rito Romano. A epiclese vem depois da Consagração; a procissão do Ofertório nāo ocorre ao mesmo tempo da coleta das ofertas. A homilia é no final da Missa, imediatamente antes da comunhão. No entanto, mesmo assim, salta aos olhos o caráter sagrado com o qual se executa todo o rito. Quem assiste a Missa tem a impressão de estar realmente assistindo um ofício sagrado! Coisa bem diferente do que acontece quando se fazem badernas no Rito Romano.

Os ortodoxos mudam os arranjos dos símbolos, mas eles são, em essência, os mesmos. A casula é diferente, mas é uma casula. O turíbulo é diferente, mas é indiscutivelmente um turíbulo. As estolas cruzam-se de modo diverso, mas são estolas. Os candelabros são distintos dos usados no Rito Romano, mas são candelabros. Aliás, sobre estes últimos, são interessantes: os que são segurados pelos acólitos e levados em procissão têm, um deles, duas velas e, o outro, três. Não sabia disso, mas provavelmente significam, um, humanidade e divindade de Cristo e, outro, Trindade de Deus. Símbolos diferentes dos usados no Rito Romano: mas um mesmo objetivo, uma mesma harmonia, o mesmo caráter sagrado saltam aos olhos.

Já na “missa pré-balada” (e em todas as balbúrdias litúrgicas em geral), a ordem (cronológica) de cada uma das partes da Missa é mantida. No entanto, a ordem maior, a ordem da Liturgia (que tem seu fim em Deus) é totalmente destruída pela irreverência, pela profusão de elementos profanos, pela desarmonia, pelo ambiente descaracterizado. Na Divina Liturgia a ordem cronológica dos acontecimentos é outra, mas a ordem maior permanece inalterada: a Missa é Santa, dirige-se a Deus, a Ele conduz. Aos que querem “inovar” na Liturgia e que estão preocupados com as “mesmices” do Rito Romano, bem lhes faria bem procurar aprender sobre Liturgia Católica, antes de pôr as próprias idéias malucas em prática. Em particular, deveriam aprender a (farta) variedade litúrgica que já existe, desde sempre, na Igreja de Deus.

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16 thoughts on “Variedade Litúrgica: a Divina Liturgia

  1. Rafael Vitola Brodbeck

    Meu caro Jorge,

    Assisti uma Missa em rito bizantino (Divina Liturgia) com a Aline, certa vez. Não foi com ortodoxos, mas com católicos ucranianos, na sua Catedral, em Curitiba.

    Também já assisti, umas cinco ou seis vezes, Missa em rito maronita, em Porto Alegre, e mais uma em Pelotas (desta feita celebrada pelo falecido Eparca, S. Excia. Revma., D. Joseph Mahfouz, OLM).

    É de uma riqueza impressionante a nossa liturgia oriental!

    No Salvem a Liturgia tens várias postagens sobre os ritos orientais: http://www.salvemaliturgia.com/search/label/ritos%20orientais

    Saludos en la fiesta de Cristo Rey!

  2. Rafael

    Eu bem que gostaria de ter teu privilégio. Até hoje só conheço o Rito Romano na forma ordinária (não encontrei ainda a forma extraordinária em um raio de uns 150km daqui). Mas graças a Deus a liturgia de minha paróquia é bastante razoável, que pode ser chamada de Missa sem nenhuma dúvida.

    Sobre os candelabros diz o Salvem a Liturgia:

    A bênção patriarcal com o trikírion e o dikírion – candelabros que possuem respectivamente três e duas velas cruzadas, representando, um, a unidade da Trindade, e o outro, a unidade das duas Naturezas de Cristo. Nessa bênção, que é realizada três vezes consecutivas, para diferentes direções, formando uma cruz, dois clérigos ladeiam o Bispo ou o Patriarca e sustentam nos intervalos seus braços, remetendo aos companheiros de Moisés que mantinham seus braços em posição de oração, a fim de vencer, com a ajuda de Deus, os guerreiros amalecitas, apesar de sua exaustão.

  3. Alex

    Por que os católicos orientais chamam a missa ou a Eucaristia de DIVINA LITURGIA?!

    Não quero dizer que seja errado, apenas gostaria de entender o porquê do nome!

  4. Rafael Vitola Brodbeck

    Para “diferenciar” das demais liturgias. Ofício Divino, celebração dos sacramentos e dos sacramentais, procissões, são liturgias (isso no Oriente ou no Ocidente). Mas a Missa é mais do que uma liturgia: é uma liturgia DIVINA. É um superlativo, não uma indicação que as demais não se refiram a Deus.

    Mas podemos chamá-la Missa, assim como eles podem chamar a Missa romana de Divina Liturgia também.

  5. Leonardo

    Prezado irmão, porque lhe prezo é que lhe peço: fique com os santos doutores, pelos quais falou e ensinou o Espírito Santo na Igreja e os quais nos proíbem de assistir a qualquer culto ou celebração fora da Igreja Católica Tradicional, fiel à Doutrina de sempre. Peça perdão a Deus e se confesse. E nunca mais volte a fazer isso. Falei humildemente no amor. Porque amo a Deus, amo aqueles que Ele deseja salvar. “Quem reza com hereges, herege é”, São Roberto Bellarmino.

  6. Lúcio Clayton

    Caro Leonardo,

    nem todas as liturgias orientais pertencem a igrejas cismáticas, muitas Igrejas católicas orientais estão submetidas ao Papa, portanto, é de se crer que o que está sendo posto aqui trata-se dos ritos orientais ligados a tradição da Igreja Católica Apostólica Romana que como um todo compreende inclusive as Igrejas Orientais.

    se eu não tiver me expressado bem, ou não me feito entender, peço humildemente que alguém que tenha maior conhecimento que eu (que confesso, são pífios)nos ensine a respeito.
    tenho muita curiosidade sobre esse assunto, e assim como o Jorge, também tenho muito desejo de conhecer um Rito Oriental, gostaria de saber se alguém tem algum conhecimento de alguma Paróquia de rito Oriental, não cismatica aqui em Braília.

    obrigado e abraços a todos.

  7. Augusto

    A liturgia romana parece mais sóbria do que as demais, característica desse povo, aliás.
    Um ponto importante que você falou é esse: antes de ficar inventando missas de todo tipo, seria bom aprender toda a riqueza litúrgica que a Igreja tem. Quantos hinos, símbolos e ritos a Igreja tem que nem suspeitamos?! Mas tudo isso é descartado para se ter uma missa-pré-balada, missa-afro-jovem-pop… que, na parte “artística” não são mais que imitações mal feitas as coisas do mundo.

  8. Robson Oliveira

    Certa vez também assisti à Divina Liturgia de São João Crisóstomo, em São Paulo. Se não me engano, foi em uma Igreja Maronita. No meu caso, foi fácil identificar o ministro, pois só havia um. Fiquei impressionado com a riqueza nos paramentos litúrgicos e com a quantidade de ícones em todas as partes. E dourado e pedras precisosas! Muitas pedras! Lembrança do Apocalipse, na qual Jerusalém Celeste tem suas estradas calçadas por estas pedras. A liturgia lembra que, naquele momento, já não estamos na Igreja Militante, mas participamos da Igreja Triunfante.

    É triste quando ministros fazem com que esqueçamos do caráter atemporal da liturgia e importam os erros do nosso tempo para dentro do Templo.

  9. Francisco de Castro

    E o mais importante a Divina Liturgia é celebrada Versus Deum, ou seja de frente para o altar. Eu freqüento alguns domingos a Divina Liturgia em Fortaleza na Igreja Católica Greco – Melquita unida a Roma e levei familiares e amigos para a Divina Liturgia. O que causa mais surpresa a eles é que o padre celebra de “costas para o povo”. Estes ainda pensavam que isto era só coisa da missa antiga. Importante observar como os orientais não fizeram nenhum concilio com a intenção de modernizar o rito litúrgico deles. Manteve a posição Versus Deum. Já a Igreja latina alterou por completo o rito litúrgico, criou nova orações eucarísticas, permitiu missas temáticas, missas pre-baladas, dos vaqueiros e de tantas outras coisas e nisto acabou perdendo bastante da sacralidade da missa. Até quem nunca conheceu outros ritos já disse para mim que não consegue ver na missa de minha paróquia a ambiente do sagrado, da presença do culto a Deus. A missa em quase todas as paroquiais esta centrada no padre ou no povo. Quando é dia das mães as mães são o centro, dias da consciência negra, os negros são o centro, dia dos leigos os leigos e por e tem dia pra quase tudo. Missa do dizimista e outras…dessa forma acaba acontecendo que para cada dia e cada padre há um novo rito dentro do rito latino.

  10. Thiago

    “Por outro lado, mesmo com todas as diferenças, é enormemente mais parecido com uma Missa do que algumas aberrações litúrgicas que, infelizmente, no Rito Romano mesmo somos obrigados a presenciar.”

    Divina Liturgia e Missa são expressões sinônimas; a Divina Liturgia é Missa (e vice-versa).

  11. Evaldo Tartas

    Lá vem o Senhor novamente a fazer a tarefa do Capeta. O rito ortodoxo é lindo, mas isso não lhe dá nenhuma razão para sair semeando discórdia e divisões com suas críticas azedas às pessoas que pensam de modo diverso do seu. O Senhor deveria ler mais as Escrituras e admitir que o Espírito Santo suscita diversos e diferentes dons dentro da Igreja. É na diversidade de dons do Espírito Santo que está a riqueza da Igreja. Querer que todos pensem do mesmo modo e que todas as celebrações litúrgicas sejam exatamente iguais é cercear a ação do Espirito Santo dentro da Igreja.
    Não sei se o Senhor lembra, mas no Evangelho está escrito que o unico pecado que não tem perdão é o pecado contra o Espírito Santo. Cuidado com esse zelo exagerado para você não se julgar mais importante que o Espírito Santo

  12. Evaldo Tartas

    “E o mais importante a Divina Liturgia é celebrada Versus Deum, ou seja de frente para o altar. ” Eis aí uma grande aberração desses retrógrados que estão a fazer o trabalho de Satanás semeando a discórdia e desunião na Igreja.
    Toda e qualquer liturgia, seja para que lado o celebrante estiver virado, será sempre “versus Deum”. Ou será que os senhores não lembram o que nos ensina o Catecismo da Igreja Católica: Deus está em toda parte.
    E se Deus está em toda parte não pode existir nada no mundo, nem mesmo uma missa clelebrada numa simples mesa no meio de uma praça que não seja “versus Deum”.
    Então porque dar tanta importância à posição do padre de costas para os fieis se ele sempre está diante de Deus como nos ensina o Catecismo da Igreja Católica.
    Não é bem melhor que o padre esteja “versus Deus” e voltado para os fieis ao invês de dar as costas ao fieis como se eles não tivessem a mínima importância.
    Em tempo: A missa é celebrada também para a conversão e santificação dos fieis. Então porque o padre deveria ficar de costas para esses fieis? Já imaginou se eu o convidadasse para uma jantar em minha casa e me sentasse de costas para você? Pois é exatamente isso que os senhores neste atrazo de idéias estão propondo.
    Enquanto houver gente como os senhores Satanás pode se dar ao luxo de tirar férias bem prolongadas…

  13. Rafael

    Sr. Evaldo Tartas,
    se incomodaria de responder apenas a uma questão?

    O que é a Missa?

  14. Lúcio Clayton

    Sr. Evaldo, o Sr é burro, doido ou tá se fazendo?

    Vesus Deum, é a posição em que o sacerdote está virado para o Sacrário onde o Senhor´Jesus está presente. ou em certos Casos, de frente a um crucifixo!

    vá estudar um pouco de liturgia e depois volta aqui para debater de forma decente.

    obs: se eu tiver me expressado mal, ou mesmo errado na forma com expliquei o versus Deum, peço que por caridade alguém explique melhor a mim e ao sr, Evaldo.

    a paz.

  15. Marcos Cruz

    Carissímos,

    Salve Maria,

    Quem não teve a oportunidade de participar de uma Santa Missa Romana no seu rito extraordinário, que o faça, pois é de uma riqueza, sacralidade e divindade extrema. Infelizmente a maioria dos Bispos não divulgam este rito, e a maioria dos cristãos nem sabem de sua existência.
    É interessante ressaltar que a única Igreja Católica que alterou radicalmente sua rito litúrgico foi a Romana, e fato marcante que caracteriza isto é o fato do sacertote ter passado a celebrar de frente para os fiéis.
    Faz-se interessante também pesquizar a respeito de como era a Igreja antes desta mudança e como é hoje, até alguns sociologos impaciais, no que compete à religião, que percebem uma Igreja antes e uma depois desta mudança, que na realidade se deu a partir do Concilio Vaticano II.
    É emblemático, por parte de alguns Bispos e clérigos, a disposição viva na divulgação de Missas cada vez mais a tipo “carismáticas” e ou “shows”, do que as do rito extraordinário, que por vezes é omitida e não divulgada nas paróquias.
    Um exemplo de selo para com a Santa Missa temos também em São Pio de Pietrelcina, que vivel em nossos tempos, e que nunca celebrou a Santa Missa em seu no rito. Até mesmo pediu permissão para não o fazer, pesquisem sobre ele.
    Então, porque não temos mais as missas, pelo menos uma paróquia pelo menos, celebradas em rito extraordinário?

    Em Cristo Nosso Senhor