RCC: a apologia necessária

closeAtenção, este artigo foi publicado 6 anos 3 meses 21 dias atrás.

Pediram-me os meus comentários sobre o vídeo do pe. Fortea aqui publicado recentemente (e, mais especificamente, sobre os assim chamados “dons carismáticos” da RCC). Trago-os à consideração.

Antes de mais nada, é preciso dizer ser verdade que há elogios dos Papas à Renovação Carismática. Nestes, no entanto, há pouca (ou nenhuma) menção específica aos carismas extraordinários. Vale lembrar que os “carismas”, na Doutrina Católica, não se confundem com os dons extraordinários pregados pela RCC. Ensinar é um “carisma”, a vocação à vida comunitária é um “carisma”, etc. Em poucas palavras: existem muitos “carismas” perfeitamente naturais e ordinários e, quanto a estes, não imagino haver nenhuma controvérsia. O problema são os “carismas” entendidos como dons sobrenaturais e (teoricamente) extraordinários.

A RCC me parece ser uma coisa bastante diversificada mundo afora. Em 2008 estive em Roma e fiquei hospedado na casa de uma família que fazia parte da Renovação Carismática; e juro que eu não teria percebido se isto não me tivesse sido contado expressamente. Creio (e aqui é apenas a minha impressão) que existe um “modus vivendi” carismático que é próprio do Brasil (e talvez – não sei – de outros países da América Latina), o qual infelizmente às vezes se confunde (muito) com o de um protestante pentecostal. E este “modus vivendi” não é, de nenhuma maneira, referendado por Roma.

Eu já vi os papas louvarem, por diversas vezes, muitas coisas na RCC que são sem sombra de dúvidas louváveis. A oração particular e em grupo, a tomada de consciência da própria vocação batismal, a devoção ao Espírito Santo, a Lectio Divina, etc. Estas coisas – repito – não me parecem ser objeto de controvérsias entre os católicos. Por outro lado, há um outro grupo de coisas (como a bagunça litúrgica e má formação doutrinal, o sentimentalismo exacerbado, etc.) que, ao contrário, não me parecem ser defendidas nem mesmo pelos carismáticos. Aqui, também há consenso. Onde há discordância parece ser quase exclusivamente com relação à existência e ao uso dos carismas extraordinários. Vamos, portanto, a eles.

Quanto aos carismas extraordinários, sinceramente, eu não lhes consigo dar crédito da maneira como eles são apresentados e praticados. Fiquemos tão-somente no (assim chamado) “dom de línguas”, que me parece ser o mais massificado e o mais controvertido. É um dom extraordinário ou ordinário? Se é extraordinário, por qual motivo acontece ordinariamente nas reuniões da RCC? Se é ordinário, por que foi que deixou de ser extraordinário e, depois de vinte séculos de Cristianismo, começou a aparecer em profusão exatamente em um dos momentos mais críticos da História da Igreja e – isto é o fundamental! – sem dar os frutos de conversão e santidade que seriam esperados? Afinal, no Pentecostes “original”, o Espírito Santo provocou conversões profundas e verdadeiras aos borbotões. Por qual motivo, agora, o “Novo Pentecostes” já existe há décadas e não vemos nada parecido com o que aconteceu em Jerusalém da primeira vez?

Mais: estes dons são sobrenaturais ou são naturais? Se são sobrenaturais, por que motivo eles parecem acontecer (de novo, fico somente no “dom de línguas”) de acordo com a vontade de quem reza, e não como um fenômeno espontâneo? Se são sobrenaturais, por qual motivo eles podem ser ensinados?

Se, ao contrário, forem naturais – e eu já vi alguém defender que a oração em línguas seria, na verdade, não “o dom das Línguas” do Espírito Santo da maneira como ele foi historicamente conhecido, e sim apenas uma “modalidade de oração” -, então é urgente parar de apresentá-los como se houvesse uma identidade entre eles os fenômenos relatados no Novo Testamento. E, ainda neste caso, caberia perguntar: que espécie de oração natural é esta onde ninguém sabe o que se está rezando [afinal, em sendo natural, é preciso abandonar a explicação de “língua dos anjos que Deus entende” (uma vez que isto seria claramente sobrenatural) e considerar que se estão apenas balbuciando sons sem significado algum], e por qual motivo isto deveria ser incentivado?

Enfim, as perguntas são muitas. É óbvio que, em teoria, Deus (que, afinal de contas, é Deus) poderia perfeitamente Se manifestar de forma extraordinária também nos dias de hoje, e não me parece nem mesmo ser possível excluir a priori que estas manifestações possam se tornar ordinárias. O que elas não podem, de nenhuma maneira, é serem irracionais e sem propósito. É a este ponto que, parece-me, a apologia dos carismáticos precisa se dirigir, caso acreditem sinceramente naquilo que pregam e estejam imbuídos de verdadeiro amor à Verdade, e não às próprias opiniões.

Há pessoas que defendem a veracidade dos dons (supostamente) presentes na Renovação Carismática? Sim, há. Mas não me consta que estas pessoas tenham alguma vez respondido a questionamentos como os que eu coloquei acima, que considero bastante justos e pertinentes. Sem uma explicação satisfatória sobre estes alegados dons, causa porventura alguma surpresa que eles sejam recebidos (no mínimo) com desconfiança por alguns católicos? Os que alegam possuírem dons extraordinários do Espírito Santo precisam responder em sua defesa e corrigirem as suas práticas naquilo que for necessário. Caso contrário, não poderão se surpreender com a estranheza e incredulidade que provocam em católicos não pertencentes à RCC.

Gostou? Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Email this to someonePrint this page

32 thoughts on “RCC: a apologia necessária

  1. Renan Prats

    SINCRETISMOS RELIGIOSOS, SEITAS PENTECOSTAIS PROTESTANTES OU RCCs?
    Havia 1 grupo supostamente RCC agindo como seita neo-pentecostal evangélica, ou centro espírita disfarçado de Igreja Católica, praticando pretensos exorcismos e outras digressões religiosas, por sinal denunciado à Cúria 3 vezes; os dirigentes chamaram-nos à atenção por 3 vezes e saíram de lá “por estarem serem perseguidos por forças ocultas” e sem querer fornecer endereço para o novo destino.
    Sabe-se que Satanás tem predileção especial por subverter os católicos transformando-os em cismáticos ou hereges, sem citar os inúmeros de fé mal formados ou deformados, coadjuvados por alguns leigos e sacerdotes apostasiados e da herética TL, infestando ainda mais a Igreja de dissensões, ex.: ex freis Boff, Betto e o famoso Pe Fábio de Melo, defensor de “cristificação”, “evolução dogmática”, CEBs repletas de “gente boa”, frei Betto, “homem fabuloso”, veja-o Natal Globo 2011 etc., talvez, junto a outros show-padres “campeão” nacional de relativismo doutrinário teológico, ou membro disfarçado da apóstata TL e mais outros relativistas.
    No complexo quadro, as seitas evangélicas pentecostais, todas doutrinário-relativistas às centenas em galpões, com um culto semelhante a centros espíritas, quase todas com gritaria geral, expulsão de supostos maus espíritos para curas, pessoas caindo ao chão, outras em aparentes transes, bem semelhantes a certos supostos grupos RCCs hilariantes, procedendo como cismáticos, rebeldes às instruções da Igreja, fantasiados de católicos. Veja bem: até entre os protestantes tradicionais há questionamentos dos próprios irmãos por tais comportamentos, tachando-os de “espíritas disfarçados de evangélicos”! Veja bem o absurdo: todos são sectários, porém acusando a irmãos de herejes…
    É bom notar que a Igreja está infiltrada desde a década de 30 por Stálin, comunistas e outras sociedades secretas, insuflando a confusão em movimentos eclesiais, como a perversa TL. Por ex., a “Bíblia. Edição Pastoral” da Editora Paulus, por ex., dos pes Ivo Storniolo e Euclides M Balancin é versão socializada para a TL, devidamente subvertida, com poucas diferenças de sentido, enganando facilmente os não possuidores de conhecimento mais acurado das S. Escrituras; assim como as interpretações fraudulento-sectárias do V II para adicionam mais celeumas na Igreja na difícil missão de evangelizar.
    A situação é complexa: ela é tolhida por grupos em seu núcleo a conspirar contra ela, como os eventuais RCCs dissensos, privilegiando o espalhafatoso, os enlevos espirituais, podendo confundir fenômenos psicológicos com dons do Espírito Santo; os grupos RCCs são válidos quando devidamente orientados , sob rígidas normas às reuniões, caso contrário, assumirão protestantismo pentecostal. Ao invés de ficar à cata de dons especiais carismáticos individuais que sugeririam orgulho, vaidade ou auto enlevamento, como o falar em línguas, diz S Paulo 1 Cor 14,9… prefiro dizer cinco palavras com minha inteligência que mil em línguas, pois é difícil saber se provém do animador com o grupo reunido; empenhe-se com mais esforço em aperfeiçoar-se na caridade que é perene. Veja 1 Cor 12,31 e 13+.
    Idem e muito mais atenciosamente evitar-se o “repouso no Espírito” em reuniões por necessitar de aprofundamento, estudo e discernimento; quanto aos exorcismos, atentando-se ao estabelecido no cânon 1172, reservado apenas às autoridades eclesiásticas competentes para discernir com perícia e objetividade o caso.
    Por outro lado, o S Padre Bento XVI em viagem a Benin, África, criticou as liturgias atraentes, emotividades e manifestações culturais e semelhantes às celebrações litúrgicas como anti eclesiais, instando-nos a um cristianismo mais simples, profundo, compreensível, sob normas oficiais da Igreja, evitando-se os sentimentalismos, afirmando que tais manifestações emotivistas provêem de seitas pentecostalistas aparentemente compreensivas e atraentes, que não passam de “sincretismo religioso e pentecostalismo protestante”, advertindo-nos a não os imitar; caso contrário, a Igreja perderia seu caráter de catolicidade, permitindo ser instrumentalizada em palco de manifestações de culturas locais, aparentando inclusive sincretismo oriundo da própria Igreja.
    Convém notar que há seitas autonomeadas RCCs sem vínculos com a Igreja; mais um esquema de enganação.

  2. Sérgio

    Bom dia.

    Renan, a Igreja do Brasil sofre das particularidades tanto em respeito a RCC quanto a TL. Na America Latina, tanto uma quanto a outra são mais romanizadas, ou seguem que mais firmeza os ditames de Roma, o que é bom, justo e o certo. A Igreja do Brasil, que é adepta do vale-tudo para ter fieis e ai acontece os desvios tanto de um lado quanto do outro.

    Mas creio que o maior problema dessa Igreja, não são os carismáticos (com o aumento das novas comunidades, o número deles vem reduzindo) e nem os TLs (estão se transformando num gueto dentro da própria Igreja), mas os aproveitadores – bispos, padres e leigos que aproveitam do prestigio, da história e da posição da Igreja para satisfazer seus desejos pessoais, ao invés de serem instrumentos de conversão das pessoas.

    São essas pessoas que minam a fé do povo simples e levam a procurar outras formas de viver a fé. E são essas pessoas, que na maioria das vezes, levam o nome da Igreja para a lama com seus atos errados.

    Pense nisso.