Nota da CNBB contra a “união homoafetiva” do STF

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[Enfim, foi publicada. Original no site da CNBB. Todos os grifos são meus.]

Nota da CNBB
a respeito da decisão do Supremo Tribunal Federal
quanto à união entre pessoas do mesmo sexo.

Nós, Bispos do Brasil em Assembleia Geral, nos dias 4 a 13 de maio, reunidos na casa da nossa Mãe, Nossa Senhora Aparecida, dirigimo-nos a todos os fiéis e pessoas de boa vontade para reafirmar o princípio da instituição familiar e esclarecer a respeito da união estável entre pessoas do mesmo sexo. Saudamos todas as famílias do nosso País e as encorajamos a viver fiel e alegremente a sua missão. Tão grande é a importância da família, que toda a sociedade tem nela a sua base vital. Por isso é possível fazer do mundo uma grande família.

A diferença sexual é originária e não mero produto de uma opção cultural. O matrimônio natural entre o homem e a mulher bem como a família monogâmica constituem um princípio fundamental do Direito Natural. As Sagradas Escrituras, por sua vez, revelam que Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança e os destinou a ser uma só carne (cf. Gn 1,27; 2,24). Assim, a família é o âmbito adequado para a plena realização humana, o desenvolvimento das diversas gerações e constitui o maior bem das pessoas.

As pessoas que sentem atração sexual exclusiva ou predominante pelo mesmo sexo são merecedoras de respeito e consideração. Repudiamos todo tipo de discriminação e violência que fere sua dignidade de pessoa humana (cf. Catecismo da Igreja Católica, nn. 2357-2358).

As uniões estáveis entre pessoas do mesmo sexo recebem agora em nosso País reconhecimento do Estado. Tais uniões não podem ser equiparadas à família, que se fundamenta no consentimento matrimonial, na complementaridade e na reciprocidade entre um homem e uma mulher, abertos à procriação e educação dos filhos. Equiparar as uniões entre pessoas do mesmo sexo à família descaracteriza a sua identidade e ameaça a estabilidade da mesma. É um fato real que a família é um recurso humano e social incomparável, além de ser também uma grande benfeitora da humanidade. Ela favorece a integração de todas as gerações, dá amparo aos doentes e idosos, socorre os desempregados e pessoas portadoras de deficiência. Portanto têm o direito de ser valorizada e protegida pelo Estado.

É atribuição do Congresso Nacional propor e votar leis, cabendo ao governo garanti-las. Preocupa-nos ver os poderes constituídos ultrapassarem os limites de sua competência, como aconteceu com a recente decisão do Supremo Tribunal Federal. Não é a primeira vez que no Brasil acontecem conflitos dessa natureza que comprometem a ética na política.

A instituição familiar corresponde ao desígnio de Deus e é tão fundamental para a pessoa que o Senhor elevou o Matrimônio à dignidade de Sacramento. Assim, motivados pelo Documento de Aparecida, propomo-nos a renovar o nosso empenho por uma Pastoral Familiar intensa e vigorosa.

Jesus Cristo Ressuscitado, fonte de Vida e Senhor da história, que nasceu, cresceu e viveu na Sagrada Família de Nazaré, pela intercessão da Virgem Maria e de São José, seu esposo, ilumine o povo brasileiro e seus governantes no compromisso pela promoção e defesa da família.

Aparecida (SP), 11 de maio de 2011

Dom Geraldo Lyrio Rocha
Presidente da CNBB
Arcebispo de Mariana – MG

Dom Luiz Soares Vieira
Vice Presidente da CNBB
Arcebispo de Manaus – AM

Dom Dimas Lara Barbosa
Secretário Geral da CNBB
Arcebispo nomeado para Campo Grande – MS

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30 thoughts on “Nota da CNBB contra a “união homoafetiva” do STF

  1. R. B. Canônico

    Apenas gostaria de comentar para ‘assinar embaixo’ da nota da CNBB. Excelente.

  2. Saulo

    Acho uma ignorância achar que leis como essas ameçam a formação da família. As famílias continuarão a serem famílias, homens continuarão a casar com mulheres e terem filhos. Leis como essa não transformam a sociedade em gays. Respeito a opinião da igreja, fundamentada nas suas leis seculares e que devem ser levadas em conta. O que sou contra e totalmente, é à perseguição, marginalização e violência moral e física a grupos que, como os homoafetivos, sofrem por causa de posições intolerantes e unilaterais. A igreja devia se lembrar que já houve uma inquisição – motivo de vergonha, acredito eu – pra nossa história. Promover a segregação de grupos por causa de seu gênero afetivo é reviver esse passado negro. A constituição foi feita para proteger seus cidadãos, que trabalham, pagam seus impostos e também tem o direito de serem comtemplados por suas linhas. A vossa posição apenas coloca os homoafetivos como ameaças às famílias. O que nos ameaça hoje em dia é a intolerância, que no mundo inteiro causa vítimas diariamente. Deixar à margem nossos irmãos, que tem o mesmo direito à salvação concedito pela expiação de Cristo é o mesmo que só colocar em uma posição superior simplesmente por pertencer a uma determinada segmentação religiosa. Jám vimos isto antes, e se chamou Holocausto.

  3. Jorge Ferraz Post author

    Ignorância é achar “normal” as duplas gays serem tratadas como Famílias.

    Os sodomitas vão para o Inferno. Ignorância é não saber disso. Criminoso é não o o divulgar.

    Abraços,
    Jorge

  4. Saulo

    Muito importante e bem fundamentada sua opinião, Jorge. Mas temos ideias diferentes sobre inferno. Pra mim, inferno é dividir a sociedade com algumas pessoas associam o ódio animalesco ao cristianismo. Mas não os culpo: Há uma longa história de atrofia mental ligada ao fanatismo. Os livros comprovam isso.

  5. Jorge Ferraz

    “Os sodomitas vão para o Inferno. Ignorância é não saber disso. Criminoso é não o o divulgar.”

    Isso é probelma deles com DEUS!

    Já pensou se as leis fosse redigidas em conformidade com a religião?

    No nosso país a liberdade de religião é ampla e irrestrita.

    Não pode haver uma lei baseada em religiosidade, qualquer que seja ela.

    Até bem pouco tempo a mulher que vivia maritalmente com um homem não tinha direito nenhum. Hoje ela é equiparada à mulher casada. ( não confundir com amante, pois essa não tem direitos )

    O homem casado não podia registrar filho fora do casamento, a criança não tinha direito ao nome do pai.

    A punição era pra criança! Olha o absurdo!

    Saindo do juridico e indo pro religioso até pouco tempo

    a Igreja não batizava a criança nascida de casal não casado ou de casal de segundo casamento.

    Hoje, graças a Deus, elas tem direito a todos os Sacramentos.

    Você não concordar com a vida que o outro vive é uma coisa, mas cercear seu direito de cidadão é outra completamente diferente.

  6. Cristiane Pinto

    Saulo
    “Acho uma ignorância achar que leis como essas ameçam a formação da família. As famílias continuarão a serem famílias, homens continuarão a casar com mulheres e terem filhos. Leis como essa não transformam a sociedade em gays.”
    Não se trata de transformar a sociedade em gays ou não. Se trata de que não é certo legitimar o erro, e o homossexualismo é errado.
    “Respeito a opinião da igreja, fundamentada nas suas leis seculares e que devem ser levadas em conta. O que sou contra e totalmente, é à perseguição, marginalização e violência moral e física a grupos que, como os homoafetivos, sofrem por causa de posições intolerantes e unilaterais. A igreja devia se lembrar que já houve uma inquisição – motivo de vergonha, acredito eu – pra nossa história. Promover a segregação de grupos por causa de seu gênero afetivo é reviver esse passado negro.”

    Até hoje não vi nenhum cristão verdadeiro perseguir homossexuais. Quem faz isso pode até se dizer cristão, mas na verdade está mentindo, porque não é. Nem todo mundo que se diz cristão o é de fato. E ninguém aqui está defendendo ódio ou perseguição a homossexuais. E você conhece muito pouco sobre a Inquisição. Aposto que nunca leu um livro sério sobre isso, só sabe repetir esta lenda negra de que todo mundo fala, mas que na verdade não passa de um monte de mentiras, que muitos historiadores atuais já não levam em conta. E olha que esses historiadores não são necessariamente católicos. Você não sabe da verdadeira história. Sugiro que leia o livro a Inquisição em seu mundo, de João Bernardino Gonzaga, que é Professor da Faculdade de Direito da USP. Aí você vai ver que não é nada disso que você falou. Não temos que nos envergonhar da Inquisição, ela foi justa. Não havia apenas pena de morte na fogueira, isso era para casos extremos, gravíssimos. Tanto que não morreu tanta gente assim na fogueira. Não morreram milhares de pessoas coo todo mundo fala. Senão a europa inteira teria sido destruída. Na Inquisição — ao contrário do que se fazia em todas as partes, a tortura só podia ser aplicada uma vez, sem derramamento de sangue, só com a aprovação do Bispo e com a assistência de um médico. Os papas sempre preveniram os inquisidores de que eles eram pastores e não torturadores nem carrascos.
    Nas prisões de todos os países, toda pena capital era precedida de torturas punitivas. Por isso os acusados preferiam ser julgados pela inquisição, onde o tratamento era sempre muito menos cruel.
    Na Inquisição visava-se a conversão e não a punição do acusado. Por isso, a Inquisição era o único tribunal do mundo que começava dando um prazo de perdão: quem se acusasse de ter agido contra a Fé dentro de um prazo de 15 a 30 dias estava perdoado. O acusado, em qualquer fase do processo, pedindo perdão, estava perdoado.
    O livro do Professor João Bernardino Gonzaga menciona muitas outras situações que mostram como a Inquisição era misericordiosa em relação aos outros tribunais da época, e como ela foi caluniada.
    Por exemplo, o condenado à prisão podia sair para cuidar dos pais ou parentes doentes. Permitia-se mesmo ao condenado tirar … FÉRIAS !!! da prisão em que estava, gozando de um período de liberdade.
    A Inquisição da Igreja, diferentemente da Inquisição Espanhola, do Estado, não existia para os judeus, muçulmanos ou não cristãos.
    Ela só julgava quem fosse católico e tivesse traído a Fé.
    Há textos de historiadores judeus que confirmam isso. George Sokolsky, editor judeu de Nova York, em artigo intitulado “Nós Judeus”, escreveu:
    “A tarefa da Inquisição não era perseguir judeus, mas limpar a Igreja de todo traço de heresia ou qualquer coisa não ortodoxa. A Inquisição não estava preocupada com os infiéis fora da Santa Igreja, mas com aqueles heréticos que estavam dentro dela (Nova York, 1935, pg. 53).
    O Dr. Cecil Roth, especialista inglês em História do Judaísmo, declarou num Forum sionista em Bufalo, (USA):
    “Apenas em Roma existe uma colonia de judeus que continuou a sua existência desde bem antes da era cristã, isto porque, de todas as dinastias da Europa, o Papado não apenas recusou-se a perseguir os judeus de Roma e da Itália, mas também durante todos os períodos, os Papas sempre foram protetores dos judeus.
    (…) A verdade é que os Papas e a Igreja Católica, desde os primeiros tempos da Santa Igreja, nunca foram responsáveis por perseguições físicas aos judeus, e entre todas as capitais do mundo, Roma é o único lugar isento de ter sido cenário para a tragédia judaica. E, por isso, nós judeus, deveríamos ter gratidão ” (25 de Fev de 1927).
    Como pode ver, não temos que ter vergonha de nada.

  7. Jorge Ferraz Post author

    Sandra [?]

    [Antes de qualquer coisa… por que você está comentando sem nome, nem foto, nem nada? Aliás, como você está fazendo isso? Deve ser algum bug. Tente, por gentileza, dar signout no Google Friends Connect (barra lateral do Deus lo Vult!) e depois logar novamente. Obrigado.]

    “Os sodomitas vão para o Inferno. Ignorância é não saber disso. Criminoso é não o o divulgar.”

    Isso é probelma deles com DEUS!

    E cadê a caridade, dona Sandra? A gente vai deixar as pessoas irem a passos largos para o Inferno sem fazer nada, achando tudo isso “muito bonito”, apoiando e aplaudindo os pecados públicos dos outros?

    TODO HOMOSSEXUAL TEM O DIREITO DE SABER QUE, COM SEUS ATOS, VAI PARA O INFERNO. Este direito – agora, sim, verdadeiro e fundamental – está sendo violentamente negado pelo Gayzismo.

    Já pensou se as leis fosse redigidas em conformidade com a religião?

    Isto já acontece. “Não matarás” é um mandamento e assassinato é crime; “Não furtar” é um mandamento e o roubo é crime; etc. Se as leis fossem redigidas em conformidade com a Igreja – ou seja, da maneira como devem ser -, o mundo seria muito melhor.

    Não pode haver uma lei baseada em religiosidade, qualquer que seja ela.

    Não só pode como . É a totalidade do ordenamento jurídico clássico da Civilização Ocidental.

    Até bem pouco tempo a mulher que vivia maritalmente com um homem não tinha direito nenhum. Hoje ela é equiparada à mulher casada. ( não confundir com amante, pois essa não tem direitos )

    E desde quando isso é bom, dona Sandra? O que é bom é que quem vive “amancebado” possa casar-se. Isto é, aliás, o que está literalmente na Constituição Federal: a “união estável” só existe com vistas ao Matrimônio. É do Matrimônio que emanam os direitos e deveres dos cônjuges, e não de outro lugar.

    Saindo do juridico e indo pro religioso até pouco tempo a Igreja não batizava a criança nascida de casal não casado ou de casal de segundo casamento.

    Considerando que isto seja verdade, seria a mesma coisa da “união estável”: a idéia é regularizar a situação.

    Você não concordar com a vida que o outro vive é uma coisa, mas cercear seu direito de cidadão é outra completamente diferente.

    Nem existe um “direito de cidadão à sodomia” e ainda que existisse o Estado não tem nada que se meter com isso.

  8. Saulo

    Quem é sodomita vai para o inferno. Quem é pedófilo vai pra onde? Pro Vaticano. Cansei de demagogia, amigo. Você devia pregar diante de um espelho. Talvez conseguisse algum eco.

  9. Jorge Ferraz Post author

    Senhor Saulo, deixe de ser palhaço. Qual a razão desta alfinetada gratuita? Pensa que me assusta?

    Quem é pedófilo vai para o inferno também, é óbvio. Se o sujeito for, além de pedófilo, padre, vai para o Inferno mais fundo ainda. A Igreja nunca ensinou diferente.

    Agora me diga o senhor o que isto tem a ver com o fato da sodomia ser um pecado gravíssimo, que clama aos Céus vingança, que nem os demônios suportam olhar?

    o senhor pregar o seu pseudo-anti-moralismo na frente do espelho, seu mané.

    -Jorge

  10. Benjamin Bee

    Ferraz

    “TODO HOMOSSEXUAL TEM O DIREITO DE SABER QUE, COM SEUS ATOS, VAI PARA O INFERNO. Este direito – agora, sim, verdadeiro e fundamental – está sendo violentamente negado pelo Gayzismo.”

    Não é verdadeira essa sua afirmação.

  11. Pingback: A posição da Igreja é contrária à posição da Igreja [?] | Deus lo Vult!

  12. Gustavo Jobim

    Os homossexuais ja constituem uma entidade bem similar a familia, que ja é reconhecida pelo judiciário e pela sociedade em sua maioria.
    Deve ser duro para igreja ver seus valores imutáveis sendo posto em xeque pela sociedade, mas vai ter que se acostumar a isso mesmo.
    Ainda bem que o estado é laico!

  13. Cristiane Pinto

    Gustavo
    Ainda bem coisa nenhuma. Seria muito melhor se o estado não fosse laico, e melhor, que o estado fosse católico. Assim, a sociedade não estaria o caos que está. E mesmo que a socidade em sua maioria e o judiciário reconheçam os homossexuais como família, eu não reconheço, nenhum cristão reconhece. Nem Deus reconhece. Não cabe à sociedade nem ao judiciário decidir o que é família.

  14. Nick

    @Cristiane

    Ainda bem coisa nenhuma. Seria muito melhor se o estado não fosse laico, e melhor, que o estado fosse católico.

    Calma lá, Cristiane!
    Eu não sei o que você quer dizer com “estado católico”. Mas se for uma fusão de autoridade civil com autoridade sacra, pode não ser uma boa ideia. Leia

    “Why Church and State Must Be Separate

    by Benedict XVI (Joseph Cardinal Ratzinger)”
    http://www.lewrockwell.com/orig6/ratzinger2.html

    O problema recente do foi justamente uma FALTA de democracia.

    Os EUA por exemplo são muito mais cristãos do que a Europa. E um dos motivos disso é a radical liberdade de expressão e religião dos EUA. Outro motivo é que o governo dos EUA é próximo do povo. As decisões são tomadas em nível estadual, não federal. Os deputados têm mandato de apenas 2 anos; os senadores, 6 anos.

    Decisões contrárias ao povo, como o gaymônio, são muito difíceis mais difíceis de se tomar nos EUA do que na Europa.

    O Papa já elogiou o modelo americano.

  15. Benjamin Bee

    Ferraz

    Não é verdade que o “gayzismo” negue o direito de expressão religioso de afirmar que os homossexuais vão para o inferno.

  16. Pingback: Homossexualismo: A posição da Igreja é contrária à posição da Igreja [?]

  17. Aldrovando Cantagalo

    Prezado Nick

    A Cristiane está certa. A Igreja condenou como errôneas, no famoso Sílabo do Bem-aventurado Pio IX, as seguintes proposições:

    “55. A Igreja deve ser separada do Estado e o Estado da Igreja.”
    “77. No nosso tempo não é mais conveniente ter a religião católica como única religião de Estado, com exclusão de todos os cultos.”
    http://books.google.com.br/books?id=GHbekht0_ToC&pg=PA638

    A mesma doutrina foi confirmada pelo Concílio ecumênico Vaticano II:
    “A liberdade religiosa, que os homens exigem no exercício do seu dever de prestar culto a Deus, diz respeito à imunidade de coação na sociedade civil, em nada afeta a doutrina católica tradicional acerca do dever moral que os homens e as sociedades têm para com a verdadeira religião e a única Igreja de Cristo.”
    http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_decl_19651207_dignitatis-humanae_po.html

    Ou seja, ensina o Concílio que não apenas os homens considerados individualmente, mas também as sociedades (e o Estado é uma espécie de sociedade) têm deveres para com a verdadeira religião e a única Igreja de Cristo. E o primeiro desses deveres é reconhecê-las como tais. Assim, devemos defender o Estado confessional católico, isto é, um Estado que reconheça oficialmente a autoridade espiritual da Igreja, como o ideal.

    Qualquer coisa que um teólogo tenha escrito numa publicação particular, em seu próprio nome, mesmo que esse teólogo posteriormente vire papa, não pode sobrepor-se àquilo que a Igreja ensina oficialmente, por seus órgãos magisteriais.

  18. Aldrovando Cantagalo

    Mais

    O sítio eletrônico http://www.lewrockwell.com/ defende o liberalismo. Mas o liberalismo é uma ideologia política, econômica e social condenada pela Igreja.

    Os EUA por exemplo são muito mais cristãos do que a Europa.

    Os Estados Unidos são, cultural e historicamente, uma nação protestante. E o protestantismo foi o primeiro movimento revolucionário de massas a voltar-se contra a Igreja católica. Além disso, os Estados Unidos organizaram o primeiro Estado laico do mundo, ou seja, o primeiro Estado organizado como se Deus não existisse. Plinio Corrêa de Oliveira, de quem o dono do blogue gosta mais do que eu, apelidava os Estados Unidos de “filho primogênito da Revolução” (se bem que os tefepistas devem pensar hoje diferente, pela grana americana que entra na sua organização).

    E um dos motivos disso é a radical liberdade de expressão e religião dos EUA.

    Uma “radical liberdade de expressão” também é condenada pela Igreja. Na encíclica Mirari vos, o papa Gregório XV chamou essa liberdade de “monstruosidade”:
    http://www.divinoespiritosanto.org/mirari_vos.htm

  19. Sabrina Moraes

    Estou fazendo um trabalho sobre homofobia no âmbito das religiões cristãs e muito obrigado, CNBB. Vcs me foram ótimos como fonte de pesquisa. A igreja se diz legalzinha, q ama a todos, q ama os homossexuais, mas q eles não podem ser levados a sério. Essa cartinha da CNBB é puro preconceito. As famílias vão continuar acontecendo, pessoas. É cada argumento tosco q eu li q dá até dó. Caridade agora é colocar o dedo na cara do cidadão e falar q ele vai pro inferno. Esse tipo de caridade eu dispenso. Não sei qual o medo q os religiosos têm de homossexuais. É medo de virar gay? Meus pais são católicos e tem medo de entrar numa igreja protestante porque eles vão “lavar as nossas mentes….” uuuuuhhh q medo. Essa dinâmica provavelmente tbm funciona com homossexuais, não é isso? Não adianta falar pra um gay q se ele continuar gay ele vai pro inferno. Desejo é desejo, não se escolhe a quem desejar. Simplesmente se deseja. E outra, nada a ver essa cartinha criticando o STF. Podem criticar agora q os mensaleiros vão escapar da condenação. Isso é um fato social q afeta a todos. Agora, sabe o q acontece quando um país aprova o casamento homossexual? Homossexuais se casam. Só isso. Vc não vai ser obrigado a casar com um gay. Vc vai continuar podendo escolher a pessoa de sua preferência. De verdade, juro. Pode confiar em mim. Eu não tô falando casamento com véu e grinalda na igreja. Tô falando de casamento no cartório, ambiente civil público onde a religião não tem vez. Isso não vai interferir no modo como vcs rezam suas missas. É um fato social importante só pra quem é homossexual, nada mais. Não sei pq vcs ficam querendo meter o bedelho num assunto que não ultrapassa os muros das suas igrejas. Façam assim: sejam igreja do jeito q vcs quiserem. Sejam homofóbicos, ou sexistas, ou o q for. Mas o sejam dentro das dependências das suas igrejas. Do portão pra fora, vcs são cidadãos. Assim como todos somos com todas as nossas diferenças. E viva a diversidade.

  20. Ronaldo

    Sobre a homossexualidade

    Não há nada de errado com a homossexualidade. A homossexualidade é perfeitamente respeitável. A forma como ela vem sendo retratada, por várias tradições religiosas, como pecaminosa e prejudicial, origina-se da ignorância. Não há nada de errado em se sentir atraído por pessoas do mesmo sexo. Na verdade, a preferência pelo mesmo sexo ou pelo sexo oposto não é tão fixa e rigidamente dividida, como muitas pessoas pensam. Uma pessoa pode ser heterossexual e ser atraída por pessoas do seu próprio sexo. Existe uma escala móvel entre heterossexualidade e homossexualidade, e não uma fronteira fixa. A sexualidade está na alma, e não no corpo. Não é o corpo que direciona a sexualidade da pessoa.
    O ser humano é bissexual por natureza. Há muitas teorias espiritualistas que afirmam isso, inclusive alguns estudiosos da psicologia também afirmam que o ser humano possui os dois sexos dentro de si, ou seja, que ele é andrógino. Porém, o grau de masculinidade e de feminilidade no ser humano varia. Um homem, por exemplo, pode ter dentro de si (em sua alma) uma porcentagem feminina bem maior do que a masculina. Nesse caso, a tendência de ele vir a se interessar por homens tem uma probabilidade bem maior. Mesmo um homem que tenha uma porcentagem feminina pequena dentro de si pode vir a ser homossexual. Basta que surjam oportunidades, experiências, educação, etc. É por isso que se veem homens másculos, mas homossexuais, ou seja, porque dentro de todo ser humano existem as duas sexualidades, e cada uma delas pode se sobressair por algum motivo.
    Até mesmo no reino animal existe homossexualidade. Pesquisadores afirmam que o comportamento homossexual é bastante comum na natureza, e não é restrito a mamíferos; aves e insetos também o apresentam. E quem nunca viu um cão transando com outro cão? Alguém chamaria dois animais do mesmo sexo transando de imorais? Será que eles têm consciência da moral e dos bons costumes? Não. Faz parte da natureza. E quem criou essa natureza foi Deus. Ou alguém acha que os animais são conscientes dos seus atos?
    Deus não criou apenas seres heterossexuais, criou também homossexuais, bissexuais, assexuados, hermafroditas, etc. Tudo é natural, e nada está errado.
    As pessoas precisam ser respeitadas pelo que são, e não pelo que fazem da sua vida sexual. Há homossexuais que são pessoas maravilhosas, verdadeiros seres humanos, pessoas valiosas, que ajudam muitas pessoas com seu trabalho e solidariedade. Há heterossexuais que são assassinos, ladrões, estupradores, traficantes… e que se autodenominam “homens”, “heteros”. O que é mais importante? Está aí uma prova de que preferência sexual não tem nada a ver com moral.
    É uma bobagem e perda de tempo combater a homossexualidade, porque é uma realidade da natureza que sempre existiu e que sempre existirá. Quem não tem um homossexual na família? Quem não tem, logo terá. E essa pessoa merece o desprezo, a rejeição, a crítica, a condenação?
    Os grandes mestres da humanidade, sabiamente, não se pronunciaram sobre a homossexualidade. Eles sabiam que Deus não está preocupado se a pessoa é homo, hetero ou bi. Assim como Ele não está preocupado se a pessoa é feia ou bonita, rica ou pobre, casada ou solteira, tem curso superior ou não, etc. O que interessa para Deus é o aprimoramento moral. É tornar-se bondoso, tolerante, paciente, calmo, alegre, solidário, honesto, justo, etc.
    Do ponto de vista espiritual, o que importa nos relacionamentos sexuais é como um se conecta com o outro de alma para alma. Sempre que existe uma conexão profunda, marcada por uma parceria verdadeira e respeito mútuo, o fato de o relacionamento ser entre homem-mulher, homem-homem ou mulher-mulher realmente não importa.

    Autores diversos

    Todos têm direito a ser felizes, independentemente de suas crenças ou opiniões. As pessoas confundem ‘incomum’ com ‘anormal’. Tudo é normal, embora nem tudo seja comum. Ser contra a união homossexual é andar na contramão da evolução humana e social.

  21. Jorge Ferraz (admin) Post author

    Ronaldo,

    A libido tem a função biológica de conduzir o ser humano ao ato sexual, necessário para a perpetuação da espécie. Assim como o apetite tem a função de levar o indivíduo a comer (e, assim, adquirir a energia necessária para a sua sobrevivência individual), do mesmo modo a libido tem a função de levar os indivíduos a se unirem sexualmente (e, assim, (eventualmente) reproduzirem-se).

    Um apetite que fizesse o ser humano a ter ojeriza a comida e a gostar de ingerir detritos seria uma evidente disfunção. Do mesmo modo, uma libido que faz o ser humano ter repulsa ao ato sexual sadio e a querer relacionar-se com alguém do mesmo sexo (ou com animais (bestialismo), ou com cadáveres (necrofilia) etc.) está, evidentemente, desvirtuada. A tendência homossexual é uma patente disfunção da libido.

    O homossexualismo pode ser compreendido de duas maneiras: como a tendência (= a disfunção da libido, i.e., o instinto sexual direcionado para uma pessoa do mesmo sexo) ou como a prática (= a realização de ato sexual com alguém do mesmo sexo). Como tendência, ela não é passível de valoração moral, é lógico. A pessoa pode ter um instinto assassino e não cometer pecado nenhum enquanto não matar ninguém (ou, pelo menos, enquanto não consentir com o desejo de matar ninguém).

    Não é o sentir desejo por uma pessoa do mesmo sexo o que é pecaminoso. Pecado é o ato humano – livre e consciente – de relacionar-se sexualmente com uma pessoa do mesmo sexo.

    Uma pessoa pode sentir-se atraída sexualmente por indivíduos do mesmo sexo e, recusando-se à prática homossexual, ser uma santa. Uma outra pessoa pode sentir-se atraída sexualmente pela mulher do vizinho e, não dormindo com ela, viver virtuosamente. Por outro lado, o sujeito que dormir com a esposa do vizinho ainda que não tenha nenhuma atração particular por ela comete o gravíssimo pecado do adultério, e o sujeito que resolvar ter relações homossexuais “apenas para experimentar” comete o nefando pecado da sodomia.

    Os cães têm relações sexuais com suas irmãs de ninhada e filhas, e se um homem tiver relações sexuais com suas irmãs e suas filhas cometerá um ato evidente e grosseiramente imoral. Os roedores comem os próprios filhotes de ninhada, e se um homem cozinhasse e comesse o próprio filho seria um monstro. Do fato de uma coisa repugnante acontecer na natureza não segue que os seres humanos estejam livres para as realizar. Só falta, mesmo, os homossexuais quererem eleger os hábitos sexuais dos cães de rua como padrão de moralidade…! Isso só mostra o ridículo a que se chega na tentativa de justificar o injustificável.

    As pessoas são respeitadas pelo que são e pelo que publicamente fazem, é óbvio. Um sujeito publicamente conhecido por ladrão não pode ser tratado do mesmo jeito do que outro que leve em público uma vida exemplar (por exemplo, um funcionário que sabidamente roube o patrão não receberá jamais a mesma confiança do que outro, leal e fiel – e isso é óbvio e não pode ser de outra maneira). Desconhecer isso – ou pretender que seja diferente – é, agora sim, uma ignorância atroz.

    Sim, há homossexuais que ajudam os pobres e há pais de família fiéis às suas esposas que são terrivelmente arrogantes. Também há políticos corruptos que tratam os seus familiares de maneira exemplar, ou ditadores sanguinários extremamente liberais com os mais pobres da população. Há muita coisa nesta vida, meu caro, e é por isso que i) os atos devem ser analisados em si mesmos, e não em relação com as demais coisas outras todas da vida; e ii) as pessoas devem ser tratadas com dignidade, independente dos defeitos que porventura tenham.

    As demais bobagens sobre almas com características sexuais, estabelecimento de conexões “de alma para alma” como fim precípuo dos relacionamentos sexuais e congêneres são, apenas, o que a tua religião aleatória tem a dizer sobre o assunto – e, portanto, não me interessa nada, obrigado.

    Abraços,
    Jorge