Curtas

closeAtenção, este artigo foi publicado 6 anos 3 meses 5 dias atrás.

– Adoraria saber com qual autoridade o Stephen Hawking pontifica que a vida após a morte é um “conto de fadas”. Que eu saiba, o ilustre físico britânico não morreu ainda, para nos contar o que existe “do lado de lá”. Trata-se de uma flagrante intromissão indevida do dr. Hawkings em campos que, data maxima venia, não são de sua alçada. A física teórica pode ter muitas aplicações neste mundo, mas não serve para falar absolutamente nada sobre o outro. Qualquer afirmação neste sentido é, portanto, anti-científica por definição.

* * *

– Um tal de “van Dijck”, em um acesso de irracionalidade que eu até agora não consegui entender, resolveu me explicar um (suposto) crime já tipificado… cometendo-o contra mim! Vejam:

A lei 7716, por exemplo, é um lei que JÁ proíbe que em função de raça, etnia, procedência nacional e RELIGIÃO (tá lendo com atenção crente pentelho? tá lendo direitinho chatólico beato?) pessoas sejam recusadas em escolas ou faculdades ou sejam sobretaxadas em hospedarias ou sejam impedidas de tomar posse em cargo público. Mas em tese se o administrador de  um hotel  se negar a aceitar uma pessoa como hóspede apenas por ela ser homossexual tudo bem. Se uma academia quiser se negar a aceitar um cliente apenas por ele ser homem, ela pode (inclusive já existe academia deste tipo). O que esta modificação na lei faria é incluir discriminações de gênero e de sexualidade dentro do rol as discriminações já tipificadas.

Ora, se a lei 7.716 proíbe (art. 20) “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”, como o sujeito vem dizer isso a mim e a um protestante apodando-nos de, respectivamente, “chatólico beato” e “crente pentelho”?!

Fora isto, resta explicar 1) qual o problema com uma academia de musculação só para mulheres; e 2) como todo este blá-blá-blá pode servir para fazer uma apologia (por mínima que seja) da Lei da Mordaça Gay.

* * *

– Muito bom o artigo do dr. Ives Gandra Martins publicado n’O Estado de São Paulo. Vale a leitura. Destaco:

A Corte Constitucional da França, em 27/01/2011, ao examinar a proposta de equiparação da união homossexual à união natural de um homem e uma mulher, declarou: “que o princípio segundo o qual o matrimônio é a união de um homem e de uma mulher, fez com que o legislador, no exercício de sua competência, que lhe atribui o artigo 34 da Constituição, considerasse que a diferença de situação entre os casais do mesmo sexo e os casais compostos de um homem e uma mulher pode justificar uma diferença de tratamento quanto às regras do direito de família”, entendendo, por consequência, que: “não cabe ao Conselho Constitucional substituir, por sua apreciação, aquela de legislador para esta diferente situação”. Entendendo que só o Poder Legislativo poderia fazer a equiparação, impossível por um Tribunal Judicial, considerou que “as disposições contestadas não são contrárias a qualquer direito ou liberdade que a Constituição garante”.

* * *

– Vale também a pena ver o artigo do John Allen Jr. que o pe. Demétrio publicou ontem em seu blog. Fala sobre o Magistério Eclesiástico e sobre a extensão da infalibilidade da Igreja, abordando os fatos dogmáticos. Excerto:

Nos anos 1980, esses pontos de vista conflitantes estavam no centro de um intercâmbio entre Ratzinger e o Pe. Charles Curran, teólogo moral norte-americano demitido em 1987 da Catholic University of America, em Washington, após uma longa investigação por parte do dicastério de Ratzinger. Em diversas correspondências com Ratzinger, Curran defendeu o direito de dissidência diante do que ele chamou de “ensinamento hierárquico não infalível e autoritativo”.

Ratzinger respondeu que essa restrita visão da autoridade magisterial da Igreja deriva da Reforma Protestante e leva à conclusão de que os católicos são obrigados a aceitar apenas alguns princípios dogmáticos fundamentais – a Trindade, por exemplo, ou a ressurreição do corpo –, enquanto todo o resto é discutível. De fato, disse Ratzinger, o Concílio Vaticano II (1962-1965) usou a frase sobre o “objeto secundário da infalibilidade” para se referir a uma ampla gama de ensinamentos sobre fé e moral que está intrinsecamente ligada à revelação divina e, portanto, é infalível.

Gostou? Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Email this to someonePrint this page

9 thoughts on “Curtas

  1. José Renato

    Jorge, paz de Cristo!

    Tentei mandar um e-mail para vc, mas não consegui. Veja que absurdo o modo como tratada a Liturgia da Igreja no link abaixo:

    http://www.domtotal.com/noticias/comentarios.php?id=328292#comments

    Pode abrir, não é vírus. Mas caso fique em dúvida, digite “Padre Jesuíta retoma missa tridentina” no Google e clique no link do site Dom Total.

    É inadmissível que um site ligado aos Jesuítas tenha tal baixeza ao tratar de um tema tão caro à Igreja: a Santa Missa!

  2. Jorge Ferraz Post author

    José Renato, eu vi este texto no Fratres in Unum. É, de facto, de uma cretinice escandalosa.

    Só pra ficar na primeira frase do artigo, dizer que “[a] missa tridentina foi inventada pelo Papa Pio V” é um absurdo histórico tão gigantesco que o sujeito deveria ter vergonha de o ter escrito. Se o jornal fosse sério, isto merecia uma demissão sumária.

    No entanto, os filhos de Santo Inácio parecem estar empenhados em renegar o seu fundador e envergonhar a Companhia de Jesus. Infelizmente.

    Abraços,
    Jorge

  3. Pe. Francisco Ferreira

    Até que eu gostava de Stephen Hawking, mas depois que ele começou a falar do que não lhe compete, fiquei decepcionado. Pensei que ele faria diferente e não seguiria o padrão absolutista pelo qual a ciência enveredou.
    Ultimamente ele falou de oscilações quânticas que estariam na origem do universo. Oscilações de que? das possibilidades? Colapso de universos paralelos? Já que não quer admitir uma força criadora primeira e fora do criado, esperava que também não se conformasse com simplificações hipotéticas tão fracas e já tão repetidas.
    Lembrei agora de um conto de Isac Asimov que mostrava que a origem do universo tinha sido uma instabilidde no vazio, provocada por uma nave espacial que teria voltado no tempo ao instante zero. :-)

  4. van Dijck

    Expliquemos assim, caríssimo Jorge:
    1- eu não estou fazendo apologia da PLC122/06, como eu disse bem claramente no post: eu também tenho pontos contra ela, um deles é exatamente o fato de o projeto propor a criminalização de “ofensas” com referência à sexualidade de um indivíduo.

    Neste ponto eu compartilho da idéia de Helio Schwartzman (que não é só dele, mas que ele costuma defender brilhantemente) exposta nos dois artigos abaixo:
    http://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/899247-uma-defesa-de-bolsonaro.shtml
    http://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/777922-os-ateus-e-o-mal.shtml

    Isto é: se a liberdade de expressão prevista na constituição não serve para se dizer o que se pensa seja sobre os homossexuais, os crentes, os ateus ou seja lá quem ou o que for, então ela não serve para nada.

    Na minha opinião ninguém deveria ser levado á Justiça por emitir opiniões, seja contra ateus, evangélicos, homossexuais ou seja lá quem for. Na minha opinião o Datena não deveria ser punido quando disse o que pensava dos ateus (que éramos todos ladrões) nem eu deveria ser punido quando disse o que pensava de você especificamente (que és um chatíssimo católico, um chatólico) nem você deveria ser punido por dizer o que pensa sobre ateus, protestantes e gays a torto e a direito em seu blog.

    2- a minha crítica é ao fato de que os “privilégios” que viriam a ser concedidos aos gays (se aprovada as alterações propostas pela PLC em debate) já são aplicados (ao menos em tese, na prática eu duvido que um tribunal fosse prender alguém pelo emprego do termo chatólico) em prol de religiosos e neste caso vocês, os críticos religiosos da PLC122, não os parecem considerar abusivos.

    O discurso de liberdade de opinião que eu e o Hálio Schwartsman e tantos outros defendemos não vale só a nosso favor, não é só para as coisas que queremos dizer.

    Simples assim, a não ser que você faça algum esforço para não entender.

  5. van Dijck

    Reexplicando e ampliando, caso não tenha ficado claro ainda: eu tenho pontos contra e pontos a favor das alterações propostas pela PLC122/06.

    Nos casos da garantias propostas pelo projeto e em relação às quais eu sou contra eu serei contra sejam tais garantias sugeridas a favor dos ateus (eu sou ateu), dos religiosos, dos negros (eu sou negro) ou dos gays.

    E de igual modo, em relação às garantias que eu sou favorável eu sou favorável seja ela a favor dos religiosos, dos não religiosos, dos brancos, dos homens, dos argentinos ou dos gays.

    Exemplo: um dos pontos da PLC122 é proibir um empresário da iniciativa privada de deixar de contratar um funcionário (ou o inverso: dar preferência a um candidato) EM FUNÇÃO DE sua sexualidade ou gênero.Eu sou contra este ponto, acho que um empresário deveria ter direito de PREFERIR CONTRATAR este em detrimento daquele por qualquer razão que imaginasse: a sexualidade, a religião, a etnia, o clube de futebol, a nacionalidade.

    Por outro lado um outro ponto do projeto é PROIBIR que se rejeite um consumidor por conta de sua sexualidade: isto é, um restaurante não poderia botar um cliente pra fora pelo fato de ele ser gay. NESTE CASO EU SOU A FAVOR (sei que parece contraditório ser contra a proposta acima e se a favor desta, vou me poupar do esforço de explicar), mas sou a favor em todos os níveis: um estabelecimento não poderia rejeitar clientes por conta de sexualidade ou gênero ou etnia ou religião ou cor do bigode ou clube que torce.

    Aliás, eu acho, e creio que você vá concordar comigo neste ponto, que um problema desta PLC é vir num pacotão. Não sei se ajudaria muito, mas seria legal que cada um dos artigos em discussão pudessem ser discutidos isoladamente, não é provável que se faça assim, mas seria bom.

  6. Pe. Francisco Ferreira

    “Devido à existência de uma lei como a da gravidade, o Universo pode e vai criar a si mesmo do nada”, afirma Hawking no novo livro.
    Parece que nosso amigo Hawking achou alguma lei que explique efeito sem causa. Mas a lógica natural, que nega tal possibilidade, não é invenção e sim uma percepção da humanidade. Está nas coisas, saibamos ou não.
    A gravidade, por sua vez, não é uma causa primeira, mas um efeito, resultado da proximidade entre dois corpos. Se nada existia, como pode ter existido algo que deu partida ao mecanismo?