“Comecei a achar o ateísmo aborrecido”

closeAtenção, este artigo foi publicado 6 anos 1 mês 11 dias atrás.

Várias pessoas já leram (e escreveram sobre) a interessantíssima entrevista que o Pondé concedeu recentemente à VEJA. Eu também quero dar os meus dois tostões sobre o assunto. Desnecessário dizer que vale a leitura na íntegra.

É bem verdade que – como disse o frei Rojão – “[u]m filósofo que conclui a existência de Deus é realmente um filósofo, não estes garotinhos mimados de classe média que leram Dawkins, que nem é cientista, nem filósofo”; e, nos tempos de indigência intelectual nos quais vivemos, isto é digno de ser mencionado e celebrado. Ainda mais quando o filósofo em questão – o Luiz Felipe Pondé – não é um cardeal católico, nem um piedoso padre católico, nem um renomado teólogo católico. Não é nem sequer um católico. Que, aliás – para horror dos livres-pensadores modernos -, foi ateu por muito tempo, até começar “a achar o ateísmo aborrecido”.

“Aborrecido”! É talvez dos mais elegantes adjetivos que eu vi serem usados recentemente para se referir – com propriedade – ao ateísmo. A miséria intelectual auto-elevada – ridicularmente – ao patamar de única posição socialmente aceitável, provocando os maçantes jantares aos quais o Pondé se refere com tanto bom humor. Como se fossem uma decrépita cerimônia ritual onde os velhos fiéis de uma religião sem fé bajulam-se mutuamente, em um mecanismo de auto-afirmação que é a antítese perfeita dos cultos religiosos onde os fiéis confortam-se uns aos outros. Nem mesmo nisso eles são originais. O diabo só faz mesmo tocar cover das canções do Céu.

E o ateísmo é aborrecido, porque auto-limitado. Porque pobre, raso, estéril. Incapaz de satisfazer aos anseios humanos mais profundos – insistindo em ficar às margens e negar a existência do oceano que se descortina diante dele. Um bufão que se julga rei, emitindo ordens disparatadas em sua estultície e rasgando as vestes, espantado, ao perceber serem bem poucos os que o levam minimamente a sério para além das mesas dos “jantares inteligentes”.

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97 thoughts on ““Comecei a achar o ateísmo aborrecido”

  1. Assis Utsch

    Não sou defensor da obra de Tom Harpur, muito menos de sua crença – ele é teísta – mas além de sua própria obra ela cita dezenas e talvez centenas de autores que professam o mesmo pensamento de que o cristianismo é uma cópia de mitos mais antigos. Autores que não são ateus nem agnósticos e, consequentemente, são religiosos; mas não são também muçulmanos.
    Um dos argumentos poderosos de Tom Harpur, entretanto, é justamente um baluarte do cristianismo, Santo Agostinho, cujos trechos de Retratações e A Cidade de Deus são citados no livro. Um exemplo:
     “A própria ideia do que atualmente se chama de religião cristã existia entre os antigos também, e nunca deixou de existir … até a vinda de Cristo em pessoa, e nesse momento a verdadeira religião, que já existia, começou a ser chamada de cristã”. (p.41) Santo Agostinho in Retratações.

  2. Jorge Ferraz

    Pois é, e usar Sto. Agostinho para “comprovar” a tese disparatada de que o Cristianismo é uma cópia de mitos antigos tem um nome: empulhação intelectual, falsificação grosseira do pensamento de outrem, coisa de gente calhorda que não merece mesmo outra coisa que não o submundo da pseudo-intelectualidade.

    Cadê o Sermão da Montanha no Egito Antigo???

  3. Assis Utsch

    A existência do Universo. Quem admite Deus como Primeira Causa de Tudo apenas cessa o pensamento, capitula-se. Pois, se há um Ente sem Causa – Deus – por que o próprio Universo não poderia também existir sem causa? E se não se pode tirar Algo do Nada, uma vez existindo o Algo – o Universo – este está condenado a existir desde sempre – eternamente. Mas se fosse possível existir Algo a partir do Nada, então o Universo poderia também ter surgido desse Nada, e mais uma vez não precisaríamos de um Criador.

  4. Alexandre Magno

    Assis, sem pretender lhe dar uma resposta, quero apenas deixar algo para pensarmos. O Universo é material. Deus não é. A natureza de Deus é diferente de qualquer outra. Tanto o próprio Deus quanto seu agir são assumidos de fé, não diferentemente de qualquer outra explicação alternativa que se diga “científica” ou não. Não foi a toa que alguns já identificaram Deus e o Universo. A opção por uma e outra fé depende dos sensos de completude que o sujeito tem a cerca delas, e do sincero querer ou não aceitar/creditar algumas coisas. Toda teoria é uma teoria de fé; em algo ela não pode ser verificada, apenas acreditada. E é claro, eu não tenho como provar isso mesmo que afirmo. No fundo, todos apostamos que algo é verdade e que algo é mentira. Sim, tudo que afirmo aqui não passam de apostas.

  5. Wilson Ramiro

    Caro Assis Utsch

    Você deveria ler Santo Anselmo. Concordando ou discordando, seria um desafio.

  6. D. R.

    Ao Assis Utsch.

    Sobre a alegação de alguns pseudo-intelectuais de que Jesus é uma fusão de mitos antigos tão difundida pelo famoso pseudo-documentário ZEITGEIST, não passa de pura especulação sem nenhum fundamento histórico. Mesmo porque, se você pesquisar os artigos da Wikipedia sobre Ísis, Horus, Osíris e outros deuses, dá para ver que são personagens totalmente fantasiosos (a maioria derivado do sol, da lua e das constelações) que mudam totalmente de acordo com o tempo e o lugar onde são cultuados; e até da interpretação de cada historiador. Por isso, tais mitos após Cristo podem ter sido muito influenciados pelo cristianismo e não o contrário.

    Basta ver a refutação do Prof. Cris Forbes à primeira parte do filme ZEITGEIST (legendado em português)

    “… Doutor em história do Novo Testamento e membro do Sínodo da diocese de Sydney, o Dr. Chris Forbes, professor da Universidade Macquarie (Sydney, Austrália), criticou severamente em uma entrevista a primeira parte do filme, como carente de base no mundo acadêmico sério. Forbes também afirma haver vários erros e trechos que não são verdadeiros.

    Dr. Chris Forbes lembra que Rá, não Hórus, é o deus egípcio do Sol, e que não há nenhuma prova nas fontes egípcias que a deusa Ísis, mãe de Horus, ser uma virgem. Igualmente, Krishna (o oitavo filho), Dioniso (cuja mãe tinha dormido com Zeus) e Átis, não teriam nascido de virgens. Assinala que o jogo de palavras inglesas “son” (filho) e “sun” (sol) não funciona nem em latim, nem na antiga língua egípcia, nem em grego (koiné), e que a data 25 de dezembro não é parte de nenhum dos mitos, incluindo o de Jesus, para o qual no dia do Natal foi instituído como feriado já com conhecimento pleno de que a data real do nascimento deste, era desconhecida.

    Também critica a forma manipulada no uso das fontes romanas para sugerir que Jesus não existiu, afirmando que a longa lista mostrada rapidamente de historiadores supostamente contemporâneos, que não mencionavam a Jesus é, na realidade composta de geógrafos, escritores sobre jardinagem, poetas e filósofos, dos quais não se espera que o mencionassem. A alegação de que a citação de Flávio Josefo sobre Jesus foi acrescentada mais tarde, é criticada como falsa. Flávio Josefo, na realidade, menciona Cristo duas vezes, e somente uma das referências é tomada pelos eruditos como acrescentada na Idade Média, para mudar uma menção dele já existente.

    Argumenta que o filme apresenta erroneamente Constantino, ao mostra-lo como aquele que tornou o cristianismo a religião obrigatória (quando apenas a legalizou) e de ser o criador do Jesus histórico, quando os antigos registos da igreja mostram que a historicidade de Jesus tem sido um elemento determinante na fé desde o princípio da crença.

    Sobre o filme diz:

    “É extraordinário quantas coisas ele afirma que simplesmente não são verdadeiras.”

    A principal base desta afirmação do Dr. Chris Forbes, é que o livro “Conspiração Cristo” de Acharya S (pseudônimo de D. M. Murdock), é um semi plágio do livro “The World’s Sixteen Crucified Saviors” (Os 16 Redentores Crucificados) do autor mesmerista Kersey Graves.

    Por sua vez, o livro “The World’s Sixteen Crucified Saviors” é um semi-plágio do livro “Anacalypsis” do autor maçom Godfrey Higgins, que o próprio Kersey Graves afirmou a “cópia quase total” na explanação inicial de seu livro.

    E por sua vez, “Anacalypsis” é o livro base da teoria do Pandeísmo, considerado heresia grotesca pelos cristãos por ser a fusão entre Panteísmo e Deísmo. Helena Blavatsky, também citada no livro “A Conspiração Cristo”, ela também teria plagiado “Anacalypsis” para escrever os livros Ísis sem Véu, e A Doutrina Secreta, obrigando a Sociedade Teosófica se posicionar oficialmente sobre o assunto, admitindo a cópia, mas não o plágio. …”

    FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Zeitgeist,_o_Filme

    Obs.: O artigo da Wikipedia também informa sobre a refutação dos argumentos do Prof. Forbes; mas, pelo texto acima, dá para ver que ZEITGEIST é um documentário de teoria da conspiração sensacionalista e pseudo-histórico, no estilo de Código Da Vinci.

    ——–

    Não caia no erro de estudar somente “um lado da moeda”, uma única versão dos fatos e da história sem estudar os argumentos da versão oposta. Mesmo porque, sobre o passado histórico, qualquer um pode especular e deturpar o que quiser. Veja que até na história recente, embora muitos atos do Nazismo foram registrados até mesmo em filme, ainda há quem tente negar o Holocausto!

    Por isso, mandei você estudar a fundo os grandes milagres permanentes da Igreja (que estão aí para todo mundo ver e são provas objetivas da existência de Deus e da autenticidade da Igreja de Cristo); pois, meu raciocínio é muito lógico e simples:

    Se Jesus Cristo foi um mito ou não era Deus e, portanto, não fez nenhum milagre e nem ressuscitou; então, TODOS (repito: TODOS) os milagres da Igreja fundada por Ele, necessariamente, têm de ser falsos. Caso contrário, não há porque duvidar dos milagres bíblicos e é bom ouvir o quê a Igreja de Cristo tem a dizer ao mundo…

  7. Assis Utsch

    Que Felicidade !!
    Nós poderíamos não existir, nosso Planeta poderia ser tão inóspito quanto os demais. E no entanto aqui estamos, numa Terra borbulhante de vida. Tudo porque o arranjo cosmológico aleatoriamente estabelecido permitiu que na Terra moléculas pré-biológicas se tornassem biológicas e depois evoluíram.
    No caos movido por suas próprias forças imanentes, nichos do Cosmos se organizaram; leis físicas se estabeleceram; elementos químicos se formaram; a rotação e translação de nossa Terra, sua inclinação que propiciou as estações, tudo foi essencial: o verão, o outono, o inverno e a primavera, além da providencial presença da água. Nossa distância do Sol, nossa Lua por perto, as estrelas distantes, que coincidência feliz! E a Terra, com sua posição no Sistema Solar e no Cosmos, ficou protegida da radiação mortífera e pouco vulnerável às chuvas de meteoros, graças à nossa protetora camada atmosférica.
    Deveríamos festejar todos os dias de nossa vida, por não sermos apenas rochas, gases ou pó. Seres viventes que então nos tornamos, adquirimos consciência e agora podemos pensar, criar, sorrir, amar.
    Cada um de nós poderia nem ter nascido; entre milhões de concepções possíveis, fomos nós os afortunados.
    Celebremos a vida!
    (Assis Utsch, autor de O Garoto Que Queria Ser Deus)