A bênção que serve como confissão

closeAtenção, este artigo foi publicado 5 anos 10 meses 18 dias atrás.

Recebi o relato a seguir pela internet. Contou-mo uma pessoa idônea, que tinha um vôo para pegar num destes aeroportos do nosso Brasil. E mais importante que o relato – que, ainda se não fosse vero, seria benissimo trovato – é o que ele ilustra. Após a história, alguns rápidos comentários.

* * *

A fiel católica está no aeroporto um pouco apreensiva. Está prestes a pegar um vôo. Não conseguira se confessar antes da viagem, pois somente na véspera fora avisada de que precisaria viajar; temia que algum acidente aéreo a fizesse morrer sem confissão.

Angustiada, pára a fim de tomar um café. Neste instante, sentam-se três homens na mesa ao lado. Um deles é um bispo, outro um padre; o terceiro ela não consegue identificar. A senhorita dá graças a Deus; crê que a Virgem Maria lhe enviou um sacerdote a fim de que ela pudesse receber o Sacramento da Penitência e viajar tranqüilamente.

Espera que os homens se acomodem. Logo após, aproxima-se e os cumprimenta, expondo a sua situação:

– Sabe, eu estou viajando agora a trabalho e, por conta de alguns afazeres, pelo fato da viagem ter sido de última hora, não consegui me confessar. Gostaria de saber se um dos senhores pode me dar a absolvição.

O bispo olha para ela com estranheza e lhe pergunta, perplexo:

– Você quer uma confissão AQUI?!

Um pouco desconfortável, a senhorita diz que sim:

– Se for possível. Eu estou preocupada, e preciso de uma absolvição.

O bispo declina. Diz que não é possível fazer uma confissão ali no meio do aeroporto. A católica fica sem reação.

Neste momento o outro sacerdote se adianta. Dá uma piscadela para o bispo (como quem diz “deixa isso comigo”) e diz para a fiel:

– Eu te dou uma bênção que serve como confissão.

A senhorita quedou boquiaberta. No momento, não conseguiu fazer nada. Agradeceu – “muito obrigada, padre! Agradeço a intenção. Sua bênção!” – e se retirou. Ao dar as costas, começou a chorar. De tristeza. De vergonha. De preocupação, ao pensar nos fiéis que podem morrer e perder as suas almas sem que consigam se reconciliar com Deus.

Ainda pensou que o padre talvez quisera – com a melhor das boas intenções – dar-lhe uma bênção para a acalmar… no entanto, isto não justificava negar um sacramento. Isto não justificava “mentir por uma boa causa”. Seguiu em direção ao portão de embarque.

Pegou o vôo e, após uma viagem desconfortável, graças a Deus chegou ao seu destino.

* * *

Sério, o que é isso? Sacerdotes negando sacramentos? Mentindo e tentando passar “gato por lebre” a um fiel, propondo-lhe uma bênção quando ele lhe pede uma absolvição sacramental? Quase me lembro daquela passagem do Evangelho onde Nosso Senhor pergunta que pai daria uma pedra ao filho que lhe pede um pão. Desgraçadamente, parece que este pai existe – e é sacerdote do Todo-Poderoso…

Suponhamos que a católica em questão fosse um pouco mais ignorante. Suponhamos que ela aceitasse a tal “bênção” no lugar da Absolvição Sacramental. Em que situação lastimável ela não estaria, com pecados mortais não confessados e sem saber que os precisaria confessar?

Suponhamos mais! Suponhamos que o avião caísse – e que estivessem, no mesmo vôo, a católica, o padre e o bispo. Talvez Nosso Senhor tivesse misericórdia daquela que buscou confessar-se antes de morrer. Com que rigor, no entanto, o Justo Juiz não trataria os ministros Seus que se negaram a absolver os pecados de uma pecadora penitente que viera até eles?

Para quê, afinal de contas, algumas pessoas se fazem sacerdotes? Para quê se fazem ministros do Altíssimo, dispensadores das graças de Deus… se se recusam a administrar os sacramentos?  Sério, o que se passa pela cabeça dessas pessoas? Acaso não entendem que não existe lugar certo para que as almas precisem se reconciliar com Deus? Acaso não têm consciência de que eles, como médicos de almas, são infinitamente mais importantes do que os médicos dos corpos?

Que Deus tenha misericórdia de nós! E nos conceda santos sacerdotes. Porque às vezes nos deparamos com cada coisa que nem acreditamos. Nas quais até mesmo gostaríamos de não acreditar. Não deveria haver ministros assim na Igreja de Deus…! Mysterium Iniquitatis. Senhor, salvai-nos. Sem Vós, perecemos.

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21 thoughts on “A bênção que serve como confissão

  1. Felipe Koller

    Pe. Luis Ferraris, LC, sobre padres que negam confissões: “Como posso negar aquilo que nem sequer é meu – mas que recebi de Cristo em favor de seu povo?”

  2. manoel carlos

    querido jorge quando os que lhe escrevem vão tomar vergonha na cara e dizer a Dom Fernando SAburido que ele errou de novo em não proibir o simposio gay na catolica?

  3. Alexandre Magno

    Com certeza, objetivamente analisando, se não há realmente detalhe(s) subjetivo(s) importante(s) no ocorrido que é relatado nessa história, a postura daqueles senhores foi errada.

    No entanto…

    Suponhamos que a católica em questão fosse um pouco mais ignorante. Suponhamos que ela aceitasse a tal “bênção” no lugar da Absolvição Sacramental. Em que situação lastimável ela não estaria, com pecados mortais não confessados e sem saber que os precisaria confessar?

    Se ela realmente fosse ignorante dessas coisas, e de uma maneira não culposa, na medida que só o Justo Juiz conhece, então provavelmente tais pecados – ainda que “mortais” – nunca mais confessados seriam “desculpados”.

    Esta é uma hipótese razoável, que remete a Lc 12,48 (Bíblia Sagrada):

    A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido»

    Acredito que Pe. Paulo Ricardo, quem escreveu tese de mestrado falando de “culpabilidade”, trabalharia com ela. Ele fez exposição relacionada a isso, referindo-se à ignorância de alguns protestantes, na aula AO VIVO n.º 4 sobre o “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria“, em 27/09/2011.

  4. Sávio Breno

    Aqui na minha paróquia, no curso para Ministro Extraordinário da Comunhão Eucarística, tive que aguentar ouvir o padre dizendo que quando um idoso ou doente (que os ministro visitam para levar o Viático)requisita a confissão, o Padre muitas vezes não consegue ouvi-lo direito (e vice-versa)em virtude do débil estado de saúde, então dá “só uma bênção” e fica por isso mesmo.

    O pior foi ele dizer com todas as letras que isso “é muito melhor” do que ficar se prolongando numa confissão demorada demais em virtude das dificuldades de comunicação.

  5. Anne Caroline Gomes

    Hoje é muito difícil confessar-se. Digo isso porque todas as paróquias que eu já procurei para confessar na minha cidade só tem confissão no “horário comercial”. Sei que isso não é desculpa para não confessar-se, mas custava ter um horário mais acessível, pelo menos em 1 dia da semana, para que os trabalhadores pudessem se confessar sempre?
    Só conheci um padre até hoje que se dispunha a confessar todos que viessem pedi-lo.

  6. Alexandre Magno

    Sávio, talvez como você, penso que: se o fiel, débio de sáude, quer insistir numa longa confissão, deve ser ouvido até quando ele quiser e puder, com os cuidados e as pausas possíveis e indicados. Até quando ele quiser e puder. Pois será – “talvez”, senão “provavelmente” – o momento mais importante para a alma daquela pessoa que se prepara para O Grande Encontro. Em outro caso, se o fiel, débio de saúde, esmorece ou se satisfaz ele mesmo com o que já disse (confessou), não penso que facilmente caiba ao confessor insistir, segundo seus próprios critérios, no prolongamento de uma assistência a um exame de consciência. Com felicidade, os dois poderão perceber que a própria Misericórdia já concorda com a continuação do rito até a “absolvição”. Comento isso por que ficou até parecendo – um pouquinho, pelo menos – que por você (eu “subentendendo um pouquinho”, admito), um moribundo deveria ser expremido como uma laranja, numa “assistência” a um exame de consciência. Com certeza uma “benção” não substitui o sacramento da penitência; e por outro lado, um sofredor é um sofredor, e provavelmente não é demais, em tais circunstâncias, presumir (para o bem) que ele tem sido especialmente preparado pelo próprio Deus, para O Grande Encontro deles, no caso.

  7. Jorge Ferraz Post author

    Gente, é previsto que o fiel não possa se confessar por estar incapacitado (inconsciente, em agonia, etc.). Neste caso, dá-se a absolvição (não uma “bênção”) em atenção à vontade de se confessar do fiel moribundo (pelo menos presumida: se ele levou uma vida cristã, etc.).

    Abraços,
    Jorge

  8. Rogério

    O mesmo problema ocorre na minha cidade (Confissão só em horario comercial).
    Só ocorre confissão 1 vez por mês na primeira sexta do mês das 14:30 ás 17:00

    Vou te falar viu. DEPENDER DA BOA VONTADE DOS OUTROS É F.#*$%$
    Só me confesso 1 vez por ano no multirão de confissão da Semana Santa onde tem vários sacerdotes de outros locais atendendo das 19:00 às 22:00
    Confessar-se 1 vez por mês ou de 15 em 15 dias como é recomendado por vários Santos ????
    Só no sonho

  9. Lamivudinária Violácea Madeira de Ley

    Confiteor Deo omnipotenti! De que adiantaria tanta confissão sacramental, se muitas pessoas são incapazes de acercarem-se ao trono da graça qual confessionário de madeira donde há um padre revestido de sobrepeliz e estola com o ritual na mão pronto a perdoar em nome de Jesus nossos pecados?
    SUB GRAVI, afirmo que duas pessoas da paróquia Nossa Senhora das Dores em Inhaúma no Rio de Janeiro vestem roupas de “santo” – entidades de umbanda e candomblé – incorporam, cambonam pombogiras e exús toda segunda feira no terreiro de LEMBADILÊ na rua João Ribeiro 696 no Bairro Tomás Coelho e aos domingos cantam no coro, paraninfam, são engajados em pastoral, da paróquia ut supra, e apesar de terem sido acusados ao arcebispado do RIO DE JANEIRO, inda continuam engajados na IGREJA E NA MACUMBA?

    ATÉ QUANTOS AINDA VAMOS CHORAR?

    NOLI FLERE MARIA???

  10. Alien

    Não sou versado em tradição católica, mas o “correto”, o “justo” não seria existir um confessor disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana, dentro de um templo católico também aberto 24X7? Notem que não estou dizendo que isso é PRATICAMENTE possível, mas que isso não seria o TEORICAMENTE ideal?

  11. Cristiane Pinto

    Concordo com você, Alien, seria realmente o ideal. Mas infelizmente não é assim. Eu, por exemplo, só me confesso uma vez por ano, infelizmente. Porque eu trabalho de dia e à noite estudo na faculdade, não tenho tempo quase para me confessar.

  12. Ricardo

    Faz muito tempo que não me confesso e acredito que eu tenha cometido muitos pecados mortais, os quais prefiro não relatar…

    Sabe, eu me esforço pra ser bom e agir corretamente, de acordo com o que acredito ser correto, mas me afastei dos sacramentos por discordar de algumas coisas da Igreja.

    Mas sempre tive medo de ir pro inferno e outro dia fiquei bem pensativo quanto a isso… Se eu morrer agora, iria para o inferno?

  13. Miguel Carqueija

    Ricardo, a Igreja nunca declarou que uma pessoa foi para o inferno, isso é um mistério de Deus. Mas você deve confessar, sim. Não se preocupe com a vergonha, a humildade é necessária, e o padre, na hora da confissão, representa o Cristo. Você sairá bem aliviado. E converse com um bom padre sobre suas dúvidas em relação à Igreja.

  14. Ricardo

    Miguel, nem é questão de vergonha, é que não acho necessário eu contar meus pecados para outro pecador. Mas tenho medo de, por causa dessa discordância, acabar perdendo minha alma…

  15. Luiz Augusto Freire da Silva

    Ricardo, o sacerdote perdoa não em seu próprio nome, mas sim no “nome do Pai, do Filho e Espírito Santo”, em virtude do poder que foi conferido pelo próprio Cristo aos seus apóstolos: “a quem perdoardes os pecados, os pecados serão perdoados; a quem não perdoardes os pecados, os pecados não serão perdoados”.

    Pense que está ali não o padre Fulano, mas sim o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo.

  16. Lúcio Clayton

    graças a Deus eu não tenho problemas com a confissão,
    aqui em Brasilia temos sempre confissão quase diariamente em quase todas as paróquias.

    talvez o maior problema seja quanto ao confessor, eu me confesso de 15 em 15 dias, ou no máximo de mês em mês, ou mais ainda, quando manda a necessidade.

    Ricardo,

    por favor se confesse, não espere mais,
    pois se tu estiveres em pecado mortal, se morrer hoje, vai sim pro inferno!

    olhe, o pecado nos afasta de Deus, tira de nossa alma a Graça posta pela misericórdia de Deus no nosso batismo, e essa Graça só é devolvida mediante sincero arrependimento e confissão sacramental.

    pense nisso.

    quanto ao Padre ser um ser como nós, de carne e sujeito ao pecado, Deus quis que fosse assim, e como dizia são João maria Vianney, depois de Deus, só o sacerdote!

    e por essa Graça especial, os Sacerdotes apesar de serem humanos e sofrem as tentações da carne, são seres superiores a nós, a eles foi dado esse “poder” de em nome de Deus perdoar os pecados sim!

    quero lhe deixar o link desse precioso e excelente livrinho que irá lhe tirar todas as suas dúvidas sobre a confissão sacramental, por favor leia-o, também faço votos de que todos aqui baixem esse livro e também além de ler, o divulgue, faz um grande bem para a alma em tempos como os nossos:

    http://www.saopiov.org/2009/08/confessai-vos-bem.html

    Que Deus nos conceda a graça de um verdadeiro arrependimento e de darmos frutos de verdadeira penitência.

    abraços.

  17. Ricardo

    “…são seres superiores a nós…”

    Desculpe, não posso concordar com isso. Isso é algo que me inquieta quanto aos padres. Muitos os veem como intermediários entre nós e Deus e não concordo com essa visão.

  18. Alexandre Magno

    Eu, como católico que quero ser, concordo que os padres intermediam nossa relação com Deus, quando exercem propriamente o ministério, especialmente quando agem in persona Christi. Não é o caso de pensar que o “padre amigo”, como meu amigo ou como alguém disposto a mim ajudar, esteja sempre agindo devidamente para nos levar a Deus. Por isso eu prefero evitar falar em “seres superiores”. Sabe-se que a dignidade deles foi elevada pela Ordem que receberam; mas o entendimento dessas coisas, para mim, não é simples. Apesar de boas histórias, assaltam-me dúvidas a respeito de direção espiritual ou paternidade espiritual. Quanto à moda dos padres psicologistas então…

  19. Lúcio Clayton

    Ricardo e Alexandre,

    Salve Maria!

    Qual outro ser humanos pode trazer Cristo para nossa Salvação?

    Qual outro Ser humano pode perdoar pecados?

    Qual outro Ser humano pode fazer que o filho de Deus desça dos Céus e se esconda num pedaço de pão e num pouco de vinho?

    Qual outro ser humano pode consagrar outros para os serviço sacerdotal?

    Qual outro ser humano pode há pelo menos 2000 mil anos carregar o mundo nas costas através do Ministério Petrino?

    Qual outro ser humano pode exercer o Ministério de expulsar demônios?

    e é justamente por isso, que São Pio de Pietrelcina, chorava e se engasgava nas Missas quando ele ia recitar as palavras da consagração.

    e quem dizia que o Sacerdote era superior ao homem comum, era nada mais nada menos que São João Maria Vianney, exemplo de vida sacerdotal!

    é por isso quem em muitos livros espirituais lemos que ao Sacerdote foi dado uma Graça que nem as anjos foram dadas.
    e que se os Anjos pudessem sentir inveja, certamente eles teriam inveja dos sacerdotes.

    ah, se todos os homens e também todos sacerdotes soubessem e tivessem o entendimento do que é esse dom do Sacerdócio, do simples homem que foi chamado e tirado por Deus do meio comum dos outros homens, para ser um ministro Seu!

    para ser diretor de almas, para perdoar as almas arrependidas, para curar… e trazer Jesus Cristo…

    ah, se todos tivessem esse conhecimento, nós beijaríamos as mãos de cada sacerdote que víssemos!

    mas infelizmente, hoje em dia, nem os Padres estão mais cientes do dom a qual eles possuem…

    amigos,

    amem os Padres, respeitem-os, façam isso e vcs não se arrependerão, busquem um bom e piedoso Sacerdote, e ponham-se humildemente em suas mãos, seja dóceis e verão que em pouco tempo sus desconfianças cessarão.

    abraços,

    Nossa Senhora Aparecida,
    rogai por nós.

  20. Ricardo2

    O que aconteceu no aeroporto não é comum, é regra geral! Ano passado (ou retrasado), em viagem, ao entrar na Catedral Metropolitana de POrto Alegre- RS fui falar com uma funcionária sobre horários de confissão (era um dia útil) por que pensei em comungar na Missa. Ela me olhou como se eu fosse um extraterrestre e se põs a quase me humilhar, me disse que lá não era assim, que existiam horários determinados pra isso, parece que 1x por semana (não sei se hoje isso mudou). Sinceramente, me senti um idiota sendo instruído por uma ignorante.
    Eu tenho uma teoria pra essa nossa época: Deus, de certa forma, permitiu que a Igreja fosse ferida, que tivesse maus padres, para que no dia da nossa morte, junto com nossos pecados, nós tivéssemos essa desculpa. Por que se a Igreja só tivesse bons padres, muitos homens e mulheres desse moderno podre mundo não teriam desculpa e iriam pro Inferno.

  21. Tamyres

    Fiquei pensando, será que não é por isso que os padres hoje gostam de se vestir como pessoas comuns? Para não atender (seja em confissão ou não) as pessoas que lhes procuram?
    Aqui em Recife confissão também é voltada para aposentado, pois é bem difícil encontrar confissão fora do horário comercial. Procurei muito até encontrar um local que tem confissão no fim de semana.