Bento XVI em Assis: “O «não» a Deus produziu crueldade e uma violência sem medida”

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[Publico a íntegra do primeiro discurso do Papa Bento XVI no III Encontro de Assis, proferido hoje na Basílica de Santa Maria dos Anjos. Todos os grifos são meus.

Alguns podem estranhar que este discurso não se assemelhe tanto a uma defesa da Fé Católica diante dos que recusam a Religião Verdadeira. Isto é verdade. Mas nem todos os discursos papais precisam ser tratados de apologética, e nem os não-católicos só podem ser abordados sob a alcunha explícita de inimigos de Cristo. O dia é “pela Paz e a Justiça no Mundo”, e não diretamente “ut inimicos Sanctae Ecclesiae humiliare”. Há um tempo para cada coisa debaixo dos Céus.

O que não significa que não seja possível extrair coisas boas de uma abordagem distinta. Entre outras coisas, o Papa consegue, neste discurso, i) criticar o terrorismo islâmico; ii) demonstrar que são improfícuos os esforços naturalistas por paz; iii) defender abertamente a santidade da Igreja a despeito dos erros dos católicos; iv) criticar o Iluminismo; v) chamar os cristãos à conversão e ao aperfeiçoamento moral; vi) acusar o ateísmo assassino; e vii) separar os agnósticos (imensa maioria dos incrédulos) dos ateus fanáticos radicais (Dawkins et caterva), privando estes últimos do “número” que alegam ter.  É bastante coisa. Que as pessoas o possam perceber. E que este dia possa dar bons frutos.

Fonte: Discurso do Papa Bento XVI, Assis, 27 de outubro de 2011.]

DISCURSO DO PAPA BENTO XVI

Assis, Basílica de Santa Maria dos Anjos
Quinta-feira
, 27 de Outubro de 2011

Queridos irmãos e irmãs,
distintos Chefes e representantes das Igrejas
e Comunidades eclesiais e das religiões do mundo,
queridos amigos,

Passaram-se vinte e cinco anos desde quando pela primeira vez o beato Papa João Paulo II convidou representantes das religiões do mundo para uma oração pela paz em Assis. O que aconteceu desde então? Como se encontra hoje a causa da paz? Naquele momento, a grande ameaça para a paz no mundo provinha da divisão da terra em dois blocos contrapostos entre si. O símbolo saliente daquela divisão era o muro de Berlim que, atravessando a cidade, traçava a fronteira entre dois mundos. Em 1989, três anos depois do encontro em Assis, o muro caiu, sem derramamento de sangue. Inesperadamente, os enormes arsenais, que estavam por detrás do muro, deixaram de ter qualquer significado. Perderam a sua capacidade de aterrorizar. A vontade que tinham os povos de ser livres era mais forte que os arsenais da violência. A questão sobre as causas de tal derrocada é complexa e não pode encontrar uma resposta em simples fórmulas. Mas, ao lado dos factores económicos e políticos, a causa mais profunda de tal acontecimento é de carácter espiritual: por detrás do poder material, já não havia qualquer convicção espiritual. Enfim, a vontade de ser livre foi mais forte do que o medo face a uma violência que não tinha mais nenhuma cobertura espiritual. Sentimo-nos agradecidos por esta vitória da liberdade, que foi também e sobretudo uma vitória da paz. E é necessário acrescentar que, embora neste contexto não se tratasse somente, nem talvez primariamente, da liberdade de crer, também se tratava dela. Por isso, podemos de certo modo unir tudo isto também com a oração pela paz.

Mas, que aconteceu depois? Infelizmente, não podemos dizer que desde então a situação se caracterize por liberdade e paz. Embora a ameaça da grande guerra não se aviste no horizonte, todavia o mundo está, infelizmente, cheio de discórdias. E não é somente o facto de haver, em vários lugares, guerras que se reacendem repetidamente; a violência como tal está potencialmente sempre presente e caracteriza a condição do nosso mundo. A liberdade é um grande bem. Mas o mundo da liberdade revelou-se, em grande medida, sem orientação, e não poucos entendem, erradamente, a liberdade também como liberdade para a violência. A discórdia assume novas e assustadoras fisionomias e a luta pela paz deve-nos estimular a todos de um modo novo.

Procuremos identificar, mais de perto, as novas fisionomias da violência e da discórdia. Em grandes linhas, parece-me que é possível individuar duas tipologias diferentes de novas formas de violência, que são diametralmente opostas na sua motivação e, nos particulares, manifestam muitas variantes. Primeiramente temos o terrorismo, no qual, em vez de uma grande guerra, realizam-se ataques bem definidos que devem atingir pontos importantes do adversário, de modo destrutivo e sem nenhuma preocupação pelas vidas humanas inocentes, que acabam cruelmente ceifadas ou mutiladas. Aos olhos dos responsáveis, a grande causa da danificação do inimigo justifica qualquer forma de crueldade. É posto de lado tudo aquilo que era comummente reconhecido e sancionado como limite à violência no direito internacional. Sabemos que, frequentemente, o terrorismo tem uma motivação religiosa e que precisamente o carácter religioso dos ataques serve como justificação para esta crueldade monstruosa, que crê poder anular as regras do direito por causa do «bem» pretendido. Aqui a religião não está ao serviço da paz, mas da justificação da violência.

A crítica da religião, a partir do Iluminismo, alegou repetidamente que a religião seria causa de violência e assim fomentou a hostilidade contra as religiões. Que, no caso em questão, a religião motive de facto a violência é algo que, enquanto pessoas religiosas, nos deve preocupar profundamente. De modo mais subtil mas sempre cruel, vemos a religião como causa de violência também nas situações onde esta é exercida por defensores de uma religião contra os outros. O que os representantes das religiões congregados no ano 1986, em Assis, pretenderam dizer – e nós o repetimos com vigor e grande firmeza – era que esta não é a verdadeira natureza da religião. Ao contrário, é a sua deturpação e contribui para a sua destruição. Contra isso, objecta-se: Mas donde deduzis qual seja a verdadeira natureza da religião? A vossa pretensão por acaso não deriva do facto que se apagou entre vós a força da religião? E outros objectarão: Mas existe verdadeiramente uma natureza comum da religião, que se exprima em todas as religiões e, por conseguinte, seja válida para todas? Devemos enfrentar estas questões, se quisermos contrastar de modo realista e credível o recurso à violência por motivos religiosos. Aqui situa-se uma tarefa fundamental do diálogo inter-religioso, uma tarefa que deve ser novamente sublinhada por este encontro. Como cristão, quero dizer, neste momento: É verdade, na história, também se recorreu à violência em nome da fé cristã. Reconhecemo-lo, cheios de vergonha. Mas, sem sombra de dúvida, tratou-se de um uso abusivo da fé cristã, em contraste evidente com a sua verdadeira natureza. O Deus em quem nós, cristãos, acreditamos é o Criador e Pai de todos os homens, a partir do qual todas as pessoas são irmãos e irmãs entre si e constituem uma única família. A Cruz de Cristo é, para nós, o sinal daquele Deus que, no lugar da violência, coloca o sofrer com o outro e o amar com o outro. O seu nome é «Deus do amor e da paz» (2 Cor 13,11). É tarefa de todos aqueles que possuem alguma responsabilidade pela fé cristã, purificar continuamente a religião dos cristãos a partir do seu centro interior, para que – apesar da fraqueza do homem – seja verdadeiramente instrumento da paz de Deus no mundo.

Se hoje uma tipologia fundamental da violência tem motivação religiosa, colocando assim as religiões perante a questão da sua natureza e obrigando-nos a todos a uma purificação, há uma segunda tipologia de violência, de aspecto multiforme, que possui uma motivação exactamente oposta: é a consequência da ausência de Deus, da sua negação e da perda de humanidade que resulta disso. Como dissemos, os inimigos da religião vêem nela uma fonte primária de violência na história da humanidade e, consequentemente, pretendem o desaparecimento da religião. Mas o «não» a Deus produziu crueldade e uma violência sem medida, que foi possível só porque o homem deixara de reconhecer qualquer norma e juiz superior, mas tomava por norma somente a si mesmo. Os horrores dos campos de concentração mostram, com toda a clareza, as consequências da ausência de Deus.

Aqui, porém, não pretendo deter-me no ateísmo prescrito pelo Estado; queria, antes, falar da «decadência» do homem, em consequência da qual se realiza, de modo silencioso, e por conseguinte mais perigoso, uma alteração do clima espiritual. A adoração do dinheiro, do ter e do poder, revela-se uma contra-religião, na qual já não importa o homem, mas só o lucro pessoal. O desejo de felicidade degenera num anseio desenfreado e desumano como se manifesta, por exemplo, no domínio da droga com as suas formas diversas. Aí estão os grandes que com ela fazem os seus negócios, e depois tantos que acabam seduzidos e arruinados por ela tanto no corpo como na alma. A violência torna-se uma coisa normal e, em algumas partes do mundo, ameaça destruir a nossa juventude. Uma vez que a violência se torna uma coisa normal, a paz fica destruída e, nesta falta de paz, o homem destrói-se a si mesmo.

A ausência de Deus leva à decadência do homem e do humanismo. Mas, onde está Deus? Temos nós possibilidades de O conhecer e mostrar novamente à humanidade, para fundar uma verdadeira paz? Antes de mais nada, sintetizemos brevemente as nossas reflexões feitas até agora. Disse que existe uma concepção e um uso da religião através dos quais esta se torna fonte de violência, enquanto que a orientação do homem para Deus, vivida rectamente, é uma força de paz. Neste contexto, recordei a necessidade de diálogo e falei da purificação, sempre necessária, da vivência da religião. Por outro lado, afirmei que a negação de Deus corrompe o homem, priva-o de medidas e leva-o à violência.

Ao lado destas duas realidades, religião e anti-religião, existe, no mundo do agnosticismo em expansão, outra orientação de fundo: pessoas às quais não foi concedido o dom de poder crer e todavia procuram a verdade, estão à procura de Deus. Tais pessoas não se limitam a afirmar «Não existe nenhum Deus», mas elas sofrem devido à sua ausência e, procurando a verdade e o bem, estão, intimamente estão a caminho d’Ele. São «peregrinos da verdade, peregrinos da paz». Colocam questões tanto a uma parte como à outra. Aos ateus combativos, tiram-lhes aquela falsa certeza com que pretendem saber que não existe um Deus, e convidam-nos a tornar-se, em lugar de polémicos, pessoas à procura, que não perdem a esperança de que a verdade exista e que nós podemos e devemos viver em função dela. Mas, tais pessoas chamam em causa também os membros das religiões, para que não considerem Deus como uma propriedade que de tal modo lhes pertence que se sintam autorizados à violência contra os demais. Estas pessoas procuram a verdade, procuram o verdadeiro Deus, cuja imagem não raramente fica escondida nas religiões, devido ao modo como eventualmente são praticadas. Que os agnósticos não consigam encontrar a Deus depende também dos que crêem, com a sua imagem diminuída ou mesmo deturpada de Deus. Assim, a sua luta interior e o seu interrogar-se constituem para os que crêem também um apelo a purificarem a sua fé, para que Deus – o verdadeiro Deus – se torne acessível. Por isto mesmo, convidei representantes deste terceiro grupo para o nosso Encontro em Assis, que não reúne somente representantes de instituições religiosas. Trata-se de nos sentirmos juntos neste caminhar para a verdade, de nos comprometermos decisivamente pela dignidade do homem e de assumirmos juntos a causa da paz contra toda a espécie de violência que destrói o direito. Concluindo, queria assegura-vos de que a Igreja Católica não desistirá da luta contra a violência, do seu compromisso pela paz no mundo. Vivemos animados pelo desejo comum de ser «peregrinos da verdade, peregrinos da paz».

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158 thoughts on “Bento XVI em Assis: “O «não» a Deus produziu crueldade e uma violência sem medida”

  1. roberto quintas

    “Sim, está certo, Cristo é a Verdade, o Caminho e a Vida. Acontece que a Igreja Católica é de Cristo, e a Igreja é coluna e o sustentáculo da verdade. Está na Bíblia:

    “E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.” (Mateus, 16,19)”

    Não obstante, não há como comprovar [biblicamente] que esta Igreja a que Cristo se refira e a quem Pedro foi instituido erguer seja a Igreja Católica. Na carta de Inácio de Antioquia fala-se do conceito do katholikos, da Igreja enquanto comunidade pastoreada regionalmente pelos bispos, não por um Papa, de uma central mundial.

  2. Cristiane Pinto

    Acontece, senhor Quintas, que Inácio de Antioquia reconhecia a primazia de Roma. Só o senhor não quer ver isso. Havia vários bispos sim, mas ele reconhecia a primazia de Roma. Isto está bem claro aqui:

    “”Segui ao Bispo, vós todos, como Jesus Cristo ao Pai. Segui ao presbítero como aos Apóstolos. Respeitai os diáconos como ao preceito de Deus. Ninguém ouse fazer sem o Bispo coisa alguma concernente à Igreja. Como válida só se tenha a Eucaristia celebrada sob a presidência do bispo ou de um delegado seu. A comunidade se reúne onde estiver o Bispo e onde está Jesus Cristo está a Igreja católica. Sem a união do Bispo não é lícito Batisar nem celebrar a Eucaristia; só o que tiver a sua aprovação será do agrado de Deus e assim será firme e seguro o que fizerdes”.[10]
    Inácio também afirma em suas cartas o primado da Sé de Roma: “Roma preside a Igreja na caridade.” (Carta aos Romanos Prólogo).
    Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/In%C3%A1cio_de_Antioquia
    Você acha o que, que o patriarca foi chamado de Papa sempre? Claro que não, só depois passou a ser chamado de papa. Pedro foi o primeiro papa. Está claro, porque Pedro era o líder, era ele quem ligava e desligava.

    Inácio falava em eucaristia. A única Igreja que celebra eucaristia é a Igreja Católica, meu caro. Seja a de rito latino, ou de rito oriental, ou até mesmo as Igrejas Ortodoxas, as que NÃO ESTÃO em comunhão com o Papa. A verdadeira Igreja só pode ser a de Roma, porque Igreja Ortodoxa antes não existia, só depois que ela se separou de Roma no século XI, quando se deu a Cisma do Oriente. E o protestantismo só foi existir a partir do século XVI, com Martinho Lutero.

  3. Eduardo Araújo

    Roberto Quintas disse:

    “Não, não era. O Partido Nacional Socialista flertou com o pan-germanismo, com o arianismo e sociedades secretas [sociedade de thule] porque forneciam à causa um suporte nacionalista, militarista, patriota e quase místico/sagrado. Não obstante, isso não impediu do PNS firmar acordos com tua Igreja.”

    Primeiro de tudo, Quintas: você não refutou minha afirmação sobre o paganismo declarado do líder da SS, Heinrich Himmler.

    Segundo: o NSDAP, partido nazista, não teve um simples “flerte” com o paganismo, em todas as suas manifestações visíveis na sociedade alemã da época. O (neo) paganismo era o próprio fundamento do nazismo e impregnava todas as instituições ligadas ao regime, não apenas o partido, como também a Juventude Hitlerista, as Forças Armadas, a Gestapo e a SS, do pagão Himmler. Foi ele, aliás, que declarou em discurso a líderes da SS, Berlim, a 9 de junho de 1942:

    “Devemos acertar as contas com o Cristianismo, o maior dos flagelos que poderia ter acontecido a nós em nossa história, que enfraqueceu-nos em todos os conflitos”

    Essas palavras também têm eco na concepção nazista do super-homem ariano, baseada nas idéias de Nietzsche e diametralmente oposta ao ideal cristão. A síntese foi firmada na obra “filosófica” do nazismo, “O Mito do Século XX”, de Alfred Rosemberg. Tanto Rosemberg, o “filósofo do III Reich”, quanto Himmler, o líder da SS, odiavam o Cristianismo e viam nele, talvez até mais que nos judeus, a consagração da fraqueza e do obscurantismo.

    Rosemberg também foi o autor de “A Religião do Sangue”, em que defendia a substituição da “Igreja da Crença” pela “Igreja do Sangue”, e a substituição da Bíblia pelos antigos mitos nórdicos, convenientes à “espiritualidade guerreira” da raça ariana.

    Claro, Quintas, você pode continuar espernear e berrar à vontade dizendo que não era, não era, não era … Fazer o quê, né? É o que dá apontar o dedo sujo para acusar a Igreja e ser pego de calças curtas. Aposto que você, na sua peculiar mediocridade, nem sonhava com a base pagã do nazismo. Muito pior do que um acordo entre estados, de que falarei adiante, é ser a própria essência espiritual de um dos regimes mais sanguinários da história: o nazismo, o paganíssimo nazismo.

    Quintas continua

    “Não obstante, isso não impediu do PNS firmar acordos com tua Igreja.”

    Mentira sua.

    O NSDAP NUNCA fez acordo algum com a Igreja Católica.

    O único pacto envolvendo indiretamente a Igreja foi a Concordata celebrada por dois ESTADOS, não pela instituição religiosa e um partido político.

    A Concordata foi firmada pelo ESTADO DO VATICANO com o então democrático ESTADO DA ALEMANHA e visava assegurar a libertade religiosa para os católicos no país.

    Vale dizer que mal foi assinado, o acordo foi sumária e acintosamente desrespeitado pelo ESTADO alemão, quando o governo nazista assumiu as feições ditatoriais e uma de suas primeiras medidas foi ordenar a destruição de todas as prensas católicas no país, em retaliação à oposição da Igreja aos programas de esterilização compulsória (financiado pela Fundação Ford, a mesma que financia grupos abortistas atualmente) e de eutanásia.

    Independente disso, percebi a sua insinuação desonesta querendo sugerir uma “face católica” do regime. Não adianta, PAGÃO Quintas, o nazismo era, todo ele, PAGÃO até à medula de suas instituições.

    Coincidentemente, os PAGÃOS nazistas também detestavam a Igreja Católica.

  4. roberto quintas

    cristiane, primazia não é autoridade suprema. e o cisma das igrejas orientais e ocidentais deu-se exatamente porque não havia consenso sobre Roma ou seu bispo ser a autoridade suprema.
    eduardo, eu o refutarei quando e se o sr primeiro comprovar que Himmler declarou ser ou era neopagão.

    eduardo:
    “O NSDAP NUNCA fez acordo algum com a Igreja Católica.

    O único pacto envolvendo indiretamente a Igreja foi a Concordata celebrada por dois ESTADOS, não pela instituição religiosa e um partido político.”

    primeiro não fez, depois fez…nem nisso o sr consegue ser coerente, não estranho sua incapacidade de discernir a diferença entre o que é neopagão e nazismo.

    estude um pouco as circunstâncias históricas da Alemanha e do surgimento do NSDAP. seus ideários eram o nacionalismo, o patriotismo, o racismo, o anti-semitismo. em sua ascenção ao poder usaram e se infiltraram em qualquer coisa que lhes servissem, como a sociedade de thule, arianismo e até a Igreja alemã. a intenção é evidentemente política e ultradireitista. apenas houve a utilização de idéias que eram pregadas pelo pan-germanismo, o que incluía bravatas sobre estirpe, sobre preservar o ideário identitário, sobre preservar a cultura e tradições locais e isto parece ser neopaganismo, mas não é, pois parte de premissas históricas e antropológicas equivocadas e erradas.
    a questão, portanto, é que o NSDAP usou esses ideais para ascender ao poder, o que é bem diferente de declarar-se neopagão ou ser neopagão. assim que tomou o poder, como o sr diz, o NSDAP descumpriu com seus acordos e desfez todas suas associações. O nazismo era contra o cristianismo por causa desse empréstimo ideológico e por encarar o cristianismo como uma religião anti-nacional, anti-patriótica e alienígena à “verdadeira” cultura e tradição local. por isso que o sr, enganosamente, o identifica como neopagão. erro comum de interpretação, mas que insistentemente o sr usa desonestamente.

  5. Eduardo Araújo

    “primeiro não fez, depois fez…nem nisso o sr consegue ser coerente, não estranho sua incapacidade de discernir a diferença entre o que é neopagão e nazismo”

    Quintas, você não desiste, não é mesmo?

    Não desiste de mostrar a todos aqui, por A+B, que você é um analfabeto funcional com recalque doentio contra a Igreja Católica.

    E é porque eu ainda escrevi em maiúsculas, destacando que a concordata foi um acordo assinado por dois ESTADOS, não por um PARTIDO POLÍTICO (NSDAP) e um ESTADO (VATICANO). Quem sabe tivesse colocado umas luzinhas de pisca-pisca …

    Ainda assim, você não teve suficiente capacidade intelectual – quiçá, mental – para compreender; depois, ainda vem me acusar de incoerência. Ridículo! Patético!

    Você consegue ser tão ridículo, com esse seu analfabetismo funcional, que sequer atentou para o recente acordo firmado também pelo Vaticano com o Brasil. Um acordo entre ESTADO e ESTADO, entendeu, anta? A menos que você pense que foi entre o Vaticano e o PT.

    Todo o resto dessa sua resposta acima não passa de lixo. A começar pela estupidez asinina (com escusas aos asnos, seres bem mais inteligentes) de insinuar que eu sustentei a afirmação de que o nazismo tinha base pagã a partir do anti-Cristianismo do regime. Ora, pois! Não vou perder meu tempo repetindo “ad nauseam” para um analfabeto funcional: aproveito seu indicativo para que estudasse “as circunstâncias históricas da Alemanha e do surgimento do NSDAP”, para dizer-lhe que estude, VOCÊ, as circunstâncias desta própria caixa de comentários. Acima, explico as raízes pagãs do nazismo.

    Também nem vou perder meu tempo com essa FARSA de nazismo regime de direita. Até hoje, pago para que me convençam disso e só vejo “argumentos” idiotas que longe de comprovar essa alegada orientação política do regime acabam por municiar o ponto de vista contrário.

    Finalmente, quanto a isto:

    “eduardo, eu o refutarei quando e se o sr primeiro comprovar que Himmler declarou ser ou era neopagão”

    Tudo bem, Quintas. Mas você está me devendo, também:

    ““o revisionismo histórico está aí, estão tentando “contextualizar” a Inquisição, o Santo Ofício, a “permissão papal” para a escravidão, a “legitimidade” das Cruzadas”
    É mesmo, Quintas????
    FONTES?
    Cite UM, somente UM autor sobre o qual ao menos paire alguma suspeita de revisionismo nos temas citados”

    Então, fazemos assim: informa aí a tua fonte e eu te atendo depois.

    Veremos, então, quem é desonesto, aqui.

  6. Álvaro Fernandes

    Senhor Quintas ! O fato de tu ter dito que Cristo é a verdade me deixou tão alegre!!!!!!!!!!!!!!
    Glória a Deus !!!!!!!!!!!!! Glória ao Rei dos reis !!!!!!!!!!!!!!Glória ao SENHOR dos Exércitos!!!!!!!!!!pois até os pagãos reconhecem que Cristo é a verdade e isto já é um começo!!!!!!!!!!!

    BOM!!!!

    Não irei discutir e nem me intrometer,pois sou suspeito de falar ,pois sou evangélico e não pretendo mais discutir sobre o catolicismo romano AQUI….porém Sr Quintas!!!!!!Eu estou orando por você!!!!!! Tu tens o comportamento parecido com o de Saulo que perseguia a “nova seita”(cristianismo)….mas um dia ocorreu um mudança e este tornou-se Paulo….eu creio na sua mudança!!!!!

    Que Deus te abençoe!

    A Paz de Cristo!

  7. roberto quintas

    eduardo:
    “a concordata foi um acordo assinado por dois ESTADOS, não por um PARTIDO POLÍTICO (NSDAP) e um ESTADO (VATICANO)”

    oquei, esperto, então me diga quem eram os autores do lado alemão que fizeram tal concordata, senão a NSDAP?

    “Em 30 de janeiro de 1933 Adolf Hitler foi nomeado chanceler, até então o governo ainda era democrático e pluripartidário, Hitler desejando os votos do Partido do Centro Católico do Reichstag, afirma desejar uma “aproximação” com a Santa Sé, [2] embora Hitler nunca tenha desejado de fato respeitar os direitos católicos ou religiosos na Alemanha, conforme se observaria posteriormente.

    Em Abril, Hitler enviaria o seu vice-chanceler Franz von Papen, de orientação católica a Roma a fim de oferecer negociações sobre uma Reichskonkordat. O Cardeal Pacelli, e Ludwig Kaas, o ex-presidente do Partido do Centro Católico, iniciaram as negociação dos termos da concordata com Papen, inicialmente as negociações demonstraram-se difíceis pois o próprio Cardeal Pacelli demonstrava-se hostil ao nazismo. A concordata foi finalmente assinada por Pacelli em nome do Vaticano e von Papen em nome da Alemanha em 20 de Julho, pouco antes a Alemanha assinou acordos semelhantes com as igrejas protestantes alemães, culminando na Igreja do Reich.” [wikipedia]

    ou seja, a concordata foi referendada e assinada TAMBÉM pelo NSDAP.
    boa tentativa, eduardo, pena que não funcionou.

    alvaro:
    “O fato de tu ter dito que Cristo é a verdade me deixou tão alegre”

    bom para você, mas eu lido com fatos e argumentos. eu apenas lembrei en passant com a cristiane que a verdade é cristo, não que eu creia nisso.

  8. Alexandre Magno

    Foi ontem, ou antes de ontem, enfim, no final dessa semana, que me foi apresentado o vídeo “Benedicto XVI explica quienes fueron los Tres Reyes Magos“, com o extrato de texto que está anexado à página. De fato, hoje é celebrada a “Epifania do Senhor”, e a leitura do Evangelho é sobre os Três Reis Magos (Mt 2, 1-12). Então motivei-me a buscar os originais no site vatican.va, e encontrei muito mais! Através do programa da XX Jornada Mundial da Juventude que aconteceu em Colônia (2005), pude identificar as datas dos discursos pronunciados pelo Papa. Entre eles, identifiquei aquele que havia me interessado inicialmente, e outro que também trata dos Reis Magos. Lendo-os, lembrei do que havia sido comentado neste tópico meses atrás, e vim compartilhar algumas citações com vocês.

    Acabo de me referir, por exemplo, a 31 October 2011 at 7:48 pm (Alexandre Magno – eu), 31 October 2011 at 9:09 pm (Olegario) e 8 November 2011 at 12:48 am (Cristiane Pinto) – quando respondíamos a roberto quintas.

    Vamos ao Papa.

    Na vigília de oração com os jovens, em 20 de Agosto de 2005, o Papa Bento XVI (com destaque meu):

    Podemos criticar muito a Igreja. Nós sabemo-lo, e o próprio Senhor no-lo disse: ela é uma rede com peixes bons e peixes maus, um campo com trigo e erva daninha. O Papa João Paulo II, que nos numerosos beatos e santos nos mostrou o verdadeiro rosto da Igreja, pediu também perdão por tudo o que ao longo da história, devido às acções e às palavras dos homens de Igreja, aconteceu de mal.

    Se eu não me engano, o Papa falava especialmente a seminaristas, sobre “o chamado”, a vocação. Mesmo assim, a leitura não deixa de poder ser muito proveitosa a pagãos. Logo no início do discurso, Bento XVI afirma, por exemplo, que os três reis magos – “pagãos” – «tinham a certeza de que Deus existe e que é um Deus justo e benigno», e continua dedicando praticamente todo o discurso a lembrá-los.

    E vale muito atentar para quando o Papa fala de “poder”, ali mesmo, naquele discurso.

    No dia anterior, já linkando o testemunho desses pagãos, Bento XVI falava diretamente a seminaristas e sacerdotes – encontro de 19 de Agosto de 2005. Deste, achei especialmente curioso o seguinte:

    Para encontrar o Salvador, é preciso entrar na casa que é a Igreja. Durante o tempo de seminário na consciência do jovem seminarista acontece uma maturação particularmente significativa: ele não vê mais a Igreja “por fora”, mas a sente por assim dizer “por dentro”, como a sua “casa” porque é casa de Cristo, onde habita “Maria sua mãe”.

    E o que chamou minha atenção?

    O Papa está imensamente mais preocupado com se o jovem seminarista encontra Jesus no ambiente que presumidamente deve estar especialmente preparado para isso, do que com se entra na Igreja potenciais “inimigos”. Ou seja, importa muito mais fazer amigos (unidos em Cristo) do que identificar “inimigos”. Aliás, a segunda abordagem nem mereceu qualquer atenção do Papa naquele contexto. Até por que todos somos muito limitados para pretendermos evitar algumas coisas como aquelas; apesar de haver, sim, alguns cuidados mínimos que podem e devem ser tomados.

    Espero que hoje (2012) – “Epifania do Senhor” – todos façamos bom proveito destes discursos papais de 2005. Lembramos mais uma vez os três Reis Magos, os reis pagãos que reconheceram o Rei.