A Igreja não pode impôr aos fiéis uma disciplina nociva

closeAtenção, este artigo foi publicado 5 anos 8 meses 4 dias atrás.

O Fratres in Unum publicou um interessante texto do Revmo. pe. Élcio sobre a infalibilidade da Igreja referente a decretos disciplinares e leis litúrgicas. Eu li o texto e, ao lê-lo, imediatamente me viera à mente o fato (aparentemente negligenciado pelo sacerdote) de que a Igreja não pode, absolutamente, impôr aos fiéis uma disciplina nociva. É este, em suma, o cerne do problema sobre o Novus Ordo: ele pode perfeitamente ser melhor ou pior ou do que o Missal anterior, mas não pode ser herético, heretizante, protestantizante ou coisa do tipo. É exatamente esta posição que eu venho mantendo há anos.

O Felipe Coelho expôs lá no Fratres esta distinção, com a qual não posso senão concordar [com a distinção, frise-se, e não com a posição sedevacantista tomada a partir dela] e que me permito citar: «Assim, uma liturgia pode ser mais ou menos prudente, claro, mas me parece que teólogo nenhum jamais disse que poderia ser imprudente; e, como quer quer seja quanto a isto, tenho certeza de que tanto os teólogos quanto o Magistério concordam em ensinar que uma liturgia universal não tem como ser nociva aos fiéis!». Como eu já disse antes, as discussões sobre o Vaticano II [e as reformas que se lhe seguiram, em particular a Missa de Paulo VI] são um problema inexistente: ou o Concílio é Concílio e, portanto, é ortodoxo (cabendo discutir a sua interpretação, mas partindo do pressuposto da sua ortodoxia); ou é herético e, portanto, não é Concílio e as pessoas que o convocaram, aprovaram e ratificaram incontáveis vezes não são Papas.

A Igreja, na verdade, atravessa uma crise terrível que só faz piorar quando potenciais bons católicos desperdiçam suas energias lutando em frentes erradas. Há incontáveis inimigos verdadeiros aos quais urge fazer guerra, ao invés de se atirarem pedras nos que – bem ou mal – estão ajudando na restauração católica (quando menos pelo fato de não lhe resistirem). Há uma diferença – que nem é tão sutil assim – entre discutir questões teológicas e autonomear-se arauto da Grande Apostasia eclesiástica. Os que tomam esta segunda opção deveriam repensar a sua própria atuação na Igreja. Porque, sinceramente, já temos problemas demais.

Gostou? Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Email this to someonePrint this page

32 thoughts on “A Igreja não pode impôr aos fiéis uma disciplina nociva

  1. Álvaro Fernades

    Prezada Senhorita Cristiane Pinto,

    Quanto ao “primado de Pedro” eu não irei dissertar aqui apesar do nexo deste assunto com o outro!

    Das “provas” Bíblicas da primazia jurisdicional romana.

    “Claro que não estava falando em Roma, mas aí está claro o dogma da infalibilidade papal.”(sic.)

    Não comentei depois que li esta citação….

    Destaco,respeitosamente, apenas o seu último comentário:

    “É a Romana[que Cristo fundou-acréscimos meus], a Ortodoxa só foi aparecer milhares de anos mais tarde devido à Cisma do Oriente. Cristo não fundou a Igreja Ortodoxa, fundou a Igreja Católica Romana.”(sic)

    Por favor,me responda:

    1-Se Cristo “fundou” a Igreja católica apostólica romana e todos os que não possuem a “verdadeira fé” padecerão no inferno…(posso comprovar essa “tolerância” nos escritos da própria Igreja), então os católicos ortodoxos “cismáticos” foram e serão condenados ao inferno caso não se “convertam” ?

    A Paz de Cristo!

  2. Cristiane

    Álvaro

    “1-Se Cristo “fundou” a Igreja católica apostólica romana e todos os que não possuem a “verdadeira fé” padecerão no inferno…(posso comprovar essa “tolerância” nos escritos da própria Igreja), então os católicos ortodoxos “cismáticos” foram e serão condenados ao inferno caso não se “convertam” ?”

    De fato, Cristo fundou mesmo a Igreja Católica. Ele deu a Pedro as chaves do reino dos céus. Ou seja, a Igreja verdadeira é aquela que foi revelada por Deus, aquela que tem a chave do reino dos céus. São Pedro foi bispo de Roma.

    Testemunho histórico de Pedro em Roma:

    Os historiadores atualmente acreditam que a tradição católica esteja correta; igualmente, muitas tradições antigas corroboram a versão de que Pedro esteve em Roma e que ali teria sido martirizado.
    Clemente, terceiro bispo de Roma e discípulo de Pedro, por volta de (96) d.C., em sua Epístola aos Coríntios, faz clara alusão ao martírio deste e de Paulo em Roma:
    “Todavia, deixando os exemplos antigos, examinemos os atletas que viveram mais próximos de nós. Tomemos os nobres exemplos de nossa geração. Foi por causa do ciúme e da inveja que as colunas mais altas e justas foram perseguidas e lutaram até a morte. Consideremos os bons apóstolos. Pedro, pela inveja injusta, suportou não uma ou duas, mas muitas tribulações e, depois de ter prestado testemunho, foi para o lugar glorioso que lhe era devido. Por causa da inveja e da discórdia, Paulo mostrou o preço reservado à perseverança. Sete vezes carregando cadeias, exilado, apedrejado, tornando-se arauto no Oriente e no Ocidente, ele deu testemunho diante das autoridades, deixou o mundo e se foi para o lugar santo, tornando-se o maior modelo de perseverança”. .[23]
    Inácio de Antioquia, bispo, mártir e também discípulo de Pedro, em cerca de (107) d.C., em sua Epístola aos Romanos, a qual fora dirigida à comunidade cristã lá situada, refere-se nos seguintes termos ao martírio de Pedro e Paulo em Roma:
    “Não vos dou ordens como Pedro e Paulo; eles eram apóstolos, eu sou um condenado. Eles eram livres, e eu até agora sou um escravo”.[24]
    Papias, bispo de Hierápolis, por volta de (140) d.C., ao tratar da origem do Evangelho de Marcos, atribui o relatado à João Marcos, companheiro de Paulo e Barnabé, a partir da convivência com os que haviam estado com Jesus, em especial, Pedro quando este estava em Roma:
    “Papias, bispo de Hierápolis, atesta a atribuição do segundo evangelho a Marcos, “intérprete” de Pedro em Roma. O livro teria sido composto em Roma, depois da morte de Pedro (prólogo antimarcionita de século II, Ireneu) ou ainda durante sua vida (segundo Clemente de Alexandria). Quanto a Marcos, foi identificado como João Marcos, originário de Jerusalém (At 12,12), companheiro de Paulo e Barnabé (At 12,25; 13,5.13; 15,37-39; Cl 4,10) e, a seguir, de Pedro em “Babilônia” (isto é, provavelmente, em Roma) segundo 1Pd 5,13.”[25]
    O bispo Dionísio de Corinto, em extrato de uma de suas cartas aos romanos (170) trata da seguinte forma o martírio de Pedro e Paulo:
    “Tendo vindo ambos a Corinto, os dois apóstolos Pedro e Paulo nos formaram na doutrina do Evangelho. A seguir, indo para a Itália, eles vos transmitiram os mesmos ensinamentos e, por fim, sofreram o martírio simultaneamente.”[26]
    Gaio, presbítero romano, em 199:
    “Nós aqui em Roma temos algo melhor do que o túmulo de Filipe. Possuímos os troféus dos apóstolos fundadores desta Igreja local. Ide à Via Ostiense e lá encontrareis o troféu de Paulo; ide ao Vaticano e lá vereis o troféu de Pedro.”
    Gaio dirigiu-se nos seguintes termos a um grupo de hereges: “Posso mostrar-vos os troféus (túmulos) dos Apóstolos. Caso queirais ir ao Vaticano ou à Via Ostiense, lá encontrareis os troféus daqueles que fundaram esta Igreja.”[27]
    Orígenes (185 – 253) responsável pela Escola Catequética de Alexandria afirmou:
    “Pedro, ao ser martirizado em Roma, pediu e obteve que fosse crucificado de cabeça para baixo”[28]
    “Pedro, finalmente tendo ido para Roma, lá foi crucificado de cabeça para baixo.”[29]
    Ireneu (130 – 202), Bispo de Lião (nascido em Izmir atual Turquia) referiu:
    “Para a maior e mais antiga a mais famosa Igreja, fundada pelos dois mais gloriosos Apóstolos, Pedro e Paulo.” e ainda “Os bem-aventurados Apóstolos portanto, fundando e instituindo a Igreja, entregaram a Lino o cargo de administrá-la como bispo; a este sucedeu Anacleto; depois dele, em terceiro lugar a partir dos Apóstolos, Clemente recebeu o episcopado.”
    “Mateus, achando-se entre os hebreus, escreveu o Evangelho na língua deles, enquanto Pedro e Paulo evangelizavam em Roma e aí fundavam a Igreja.”[30]
    Formado como jurista Tertuliano (155-222 d.C.) falou da morte de Pedro em Roma:
    “A Igreja também dos romanos pública – isto é, demonstra por instrumentos públicos e provas – que Clemente foi ordenado por Pedro.”
    “Feliz Igreja, na qual os Apóstolos verteram seu sangue por sua doutrina integral!” – e falando da Igreja Romana, “onde a paixão de Pedro se fez como a paixão do Senhor.”
    “Nero foi o primeiro a banhar no sangue o berço da fé. Pedro então, segundo a promessa de Cristo, foi por outrem cingido quando o suspenderam na Cruz.”[31]
    Eusébio (263-340 d.C.) Bispo de Cesareia, escreveu muitas obras de teologia, exegese, apologética, mas a sua obra mais importante foi a História Eclesiástica, onde ele narra a história da Igreja das origens até 303. Refere-se ao ministério exercido por Pedro:
    “Pedro, de nacionalidade galileia, o primeiro pontífice dos cristãos, tendo inicialmente fundado a Igreja de Antioquia, se dirige a Roma, onde, pregando o Evangelho, continua vinte e cinco anos Bispo da mesma cidade.”
    Epifânio (315-403 d.C.), Bispo de Constância (também foi Bispo de Salamina e Metropolita do Chipre) fala da sucessão dos Bispos de Roma:
    “A sucessão de Bispos em Roma é nesta ordem: Pedro e Paulo, Lino, Cleto, Clemente etc…”[32]
    Doroteu de Tiro:
    “Lino foi Bispo de Roma após o seu primeiro guia, Pedro.”[33]
    Optato de Milevo:
    “Você não pode negar que sabe que na cidade de Roma a cadeira episcopal foi primeiro investida por Pedro, na qual Pedro, cabeça dos Apóstolos, a ocupou.”[34]
    Cipriano (martirizado em 258), Bispo de Cartago (norte da África), escreveu a obra “A Unidade da Igreja” (De Ecclesiae Unitate), onde diz:
    “A cátedra de Roma é a cátedra de Pedro, a Igreja principal, de onde se origina a unidade sacerdotal.”[35]
    Santo Agostinho (354 – 430):
    “A Pedro sucedeu Lino.”[36]
    Logo, apesar das opiniões divergentes que surgiram a partir da Reforma Protestante, era constante, unânime e ininterrupta a tradição segundo a qual Pedro pregou o evangelho em Roma e lá encontrou o martírio, o que é robustecido pelos escritos dos Pais da Igreja e pela arqueologia.

    Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Pedro

    Não vou me alongar no assunto do primado de Pedro, porque além de eu não querer fugir do assunto do tópico, você já está discutindo com o Jorge sobre o assunto em outro tópico, portanto, o Jorge que trate de esclarecer as suas dúvidas.

    “Fora da Igreja não há salvação” é um dogma da Igreja Católica Apostólica Romana.

    Entretanto, significaria isso que uma pessoa que não tivesse tido a possibilidade material de conhecer a existência da Igreja — por exemplo, um índio da América, antes da chegada dos europeus — não tinha possibilidade alguma de salvar-se?

    É claro que afirmar a impossibilidade de salvação desse índio seria atribuir a Deus uma injustiça.

    Esse índio, como todos os que não tivessem nenhuma possibilidade material de conhecer a Igreja, poderiam, sim, salvar-se, pois estavam em situação de ignorância invencível.

    A Igreja Católica acredita que é o instrumento da redenção de todos os homens e o sacramento universal da salvação.[249] Por isso, a Igreja Católica ensina que fora da Igreja não há salvação. Esse ensinamento remonta aos primeiros séculos do Cristianismo, sendo já refletido por vários Padres da Igreja, como Santo Agostinho e São Cipriano.[250]. O Papa Pio IX (1846-1878) salientou também que:
    Fora da Igreja Apostólica Romana ninguém pode salvar-se.[…] Entretanto, também é preciso ter por certo que aqueles que sofrem de ignorância da verdadeira religião, se aquela é invencível, não são eles ante os olhos do Senhor réus por isso de culpa alguma.[251]

    Essa ignorância invencível, que muitos não-católicos sofrem, pode ser causada pela precariedade dos meios de comunicação, pela ineficiência da evangelização e por ambientes de restrição e de barreiras contextuais, intelectuais, psicológicas, culturais, sociais e religiosas, muitas vezes insuperáveis.[252] Isso significa que todos os não-católicos (mesmo os não-cristãos) também podem ser salvos, desde que, sem culpa própria, ignoram a Revelação divina e a Igreja, mas que “procuram sinceramente Deus e, sob o influxo da graça, se esforçam por cumprir a sua vontade”.

    Uma pessoa em situação de ignorância invencível com respeito à Igreja Católica pode salvar-se se respeitar a lei natural, que Deus inscreveu no coração de todo homem.

    Essa obediência à lei de Deus colocada na natureza possibilita a salvação dessa pessoa. Se ela não pertence ao corpo visível da Igreja, ela pertence, porém, à alma da Igreja, por um desejo, pelo menos implícito, de receber o batismo. Ela tem o chamado “Batismo de desejo”.

    Foi o que ensinou o Concílio de Trento:

    “Depois da promulgação do Evangelho, não pode dar-se [a justificação do ímpio] sem o lavatório da regeneração [Cânon 5, sobre o Batismo] ou por seu desejo, conforme está escrito: “Se alguém não tiver renascido pela água e pelo Espírito Santo, não pode entrar no reino de Deus”( Jo. VIII, 5) ( Denzinger, 796).

    Portanto, o Concílio de Trento ensinou infalivelmente que existe o batismo de desejo.

    Esse batismo de desejo, que, como dissemos, é o de uma pessoa que pratica a lei de Deus como está inscrita na natureza, não tem necessidade de ser explícito. Aliás, não poderia ser de outro modo, naturalmente, pois a pessoa em estado de ignorância invencível não pode conhecer que existe o sacramento do Batismo.

    Conclui-se, pois, que uma pessoa em estado de ignorância invencível pode possuir o batismo de desejo, ainda que simplesmente implícito, e, por esse batismo de desejo, ela pertence à alma da Igreja, embora não a seu corpo visível, e pode se salvar. Deste modo, o dogma que ensina que “fora da Igreja não há salvação” continua firme e válido, pois a pessoa em ignorância invencível, e que obedece à lei natural, pertence, de fato, à alma da Igreja Católica.

    Para concluir, a afirmação fora da Igreja não há salvação significa que “toda a salvação vem de Cristo-Cabeça por meio da Igreja, que é o seu Corpo”, independentemente de que a pessoa salva seja católica ou não.[238][253][259]

    Claro, se os Ortodoxos, caso saibam que a Igreja Católica Romana é a verdadeira e ainda assim se recusam a se converter, então não tem desculpa, padecerão no inferno. Agora, se eles são ignorantes e não sabem, podem ser salvos. Mas daí só Deus sabe quem é ignorante e quem não é.