Curtas: neurônios a partir de células-tronco, yorkshires e bebês e inversão de valores, resposta da FSSPX ao preâmbulo doutrinal

closeAtenção, este artigo foi publicado 5 anos 7 meses 28 dias atrás.

– Simplesmente fundamental este texto da dra. Lenise Garcia (presidente do Movimento Brasil Sem Aborto) sobre células-tronco. Fala sobre uma pesquisa do Instituto de Química da USP que conseguiu produzir neurônios a partir de células-tronco adultas. Com a palavra, a Dra. Lenise:

Evidentemente, não pude deixar de me lembrar de meus debates públicos com a Dra Mayana Zats, quando se discutia a inconstitucionalidade de se destruírem embriões humanos, para deles retirar células-tronco embrionárias. O maior argumento dela para justificar a “necessidade” dessas células para a pesquisa era o mesmo que está publicado aqui e copio abaixo:

“Uma das grandes limitações das células-tronco adultas é a sua incapacidade de formar neurônios. Elas conseguem se diferenciar em células musculares, adiposas, ósseas, cartilagens e até células nervosas com aspecto de neurônios mas que infelizmente não são funcionais. Não transmitem o impulso elétrico. Esse foi um dos principais motivos que nos levou a lutar para ter a permissão de poder pesquisar as células-tronco embrionárias (CTE), pois elas, sim, conseguem formar todos os tecidos inclusive neurônios”.

E eu sempre dizia que talvez ainda não tivessem sido descobertas, mas que certamente existiriam as células-tronco adultas capazes de formar neurônios, pois eles não surgem do nada, e já estava demonstrado que são produzidos ao longo de nossa vida.

Assim, enquanto a empresa Geron desiste das pesquisas com células embrionárias, 15 anos e 150 milhões de dólares depois, aí estão as células-tronco adultas gerando neurônios.

Dispensa comentários.

* * *

Hipocrisia do nosso tempo: a enfermeira de Goiás e os anencéfalos do Brasil. «Diante da morte de um bebê, acoado, tremendo no útero materno, o que é a morte de um cachorro? É razoável levantarem bandeiras e ações contra a morte de um cão e calarem sobre a morte de seres humanos? Não há nada de perigoso nessa inversão de valores?»

Ao mesmo tempo, leio esta lacônica nota – dois parágrafos!! – sobre uma dupla de lésbicas que espancou e matou um bebê de nove meses no Rio de Janeiro. Uma das poucas informações que temos: «Segundo o delegado titular da 21ª DP, Aguinaldo Ribeiro, a criança estava com o braço quebrado há cerca de um mês, mas não havia sido encaminhado para um hospital».

Onde está o clamor popular? Onde o rasgar de vestes escandalizado? Onde a repercussão do crime bárbaro? Acaso os bebês não são dignos da mesma indignação que devotamos aos yorkshires assassinados? Ou existe outro motivo para esta absurda desproporção entre crimes e reações populares?

Deus nos ajude. E ainda dizem que estamos evoluindo, que o progresso moral é inevitável e outras besteiras mais! Reconhecer os problemas é o primeiro e fundamental passo para que se busquem soluções. Enquanto o mito de que estamos sempre melhor do que no passado vigorar, nós continuaremos caminhando rumo ao abismo.

* * *

I Lefebvriani rispondono senza rispondere, via Vatican Insider. Ao que parece, a FSSPX respondeu ao preâmbulo doutrinal… sem responder se o aceitava ou se o rejeitava! Arriscando uma tradução bem livre de alguns trechos que julgo mais relevantes:

Já era esperada por estes dias, e a resposta dos lefebvristas ao «preâmbulo doutrinal» proposto pelas autoridades vaticanas chegou na última hora. No entanto, com uma certa supresa, [notou-se que] a resposta… não responde. Não se trata daquela resposta que a comissão Ecclesia Dei esperava (positiva, negativa ou com pedidos de esclarecimentos ou modificações de pontos específicos do texto do preâmbulo). O texto que chegou da Fraternidade será estudado pela comissão presidida pelo Cardeal William Levada e pelo secretário Guido Pozzo.

[…]

[Mons.] Fellay, mesmo não publicando o texto (provisório) do preâmbulo, em pelo menos duas ocasiões – uma entrevista e uma homilia – antecipou as dificuldades que os lefebvristas viam no preâmbulo. Disse abertamente que, assim como estava, o texto não podia ser aceito. Muitos, dentro ou fora de Roma, consideraram as palavras do superior [da FSSPX] como um indício das dificuldades internas da Fraternidade: a linha de Fellay estava, de fato, sendo objeto de fortes críticas e aberta dissidência por parte dos superiores de vários distritos, contrários ao acordo com a Santa Sé.

[…]

É inegável que uma forte dissidência interna, contrária ao acordo com Roma, cresceu nestes [últimos] anos no grupo lefebvrista. Agora é necessário esperar para saber como a Santa Sé reagirá à «resposta que não responde».

Que a Virgem Santíssima, Sedes Sapientiae, interceda por estas negociações que parecem não ter fim. Que as leve a um bom termo, e o quanto antes, ad majorem Dei gloriam.

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13 thoughts on “Curtas: neurônios a partir de células-tronco, yorkshires e bebês e inversão de valores, resposta da FSSPX ao preâmbulo doutrinal

  1. lucas

    Especulando … acho que os lefebvianos estão mostrando o seu verdadeiro problema que é «professione di fede».

    ” Professo, pois, de modo firmíssimo, o que foi infalivelmente definido pelo Concílio Ecumênico Vaticano I: Que a Sé de Pedro permanece imune de todo erro e que a verdade e a fé nunca faltarão na Cátedra de Pedro e de seus sucessores.”

    Especulando …

    abraços,
    lucas

  2. Jorge Land

    Mas estamos evoluindo. A informação é o caminho e com a internet podemos acessar e analisar diversas correntes de pensamento sem nos prendermos a uma linha editorial de imprensa ou a doutrinas religiosas e/ou políticas. A evolução atualmente está no poder de acessar e interpretar a informação, inclusive analisando suas fontes e o quanto estas são isentas de interesses próprios.

    Entre os primeiros alvos de instituições ditatoriais estão a censura à imprensa, antigamente aos livros, hoje em dia à internet.

    O fato que relatou sobre a menina agredida por duas mulheres é gravíssimo e possivelmente se houvesse sido registrado em vídeo a repercussão seria maior do que o caso do yorkshire. Entretanto as reações coletivas estão muito ligadas a imagem. O fato deve ser punido gravemente não porque eram lésbicas já que a escolha sexual não tem nada a ver com a violência exercida e sim porque é um caso de assassinato.

    Ainda acredito que a situação melhorou e o abismo está ficando para trás – apesar de que não existir abismo. Se comparar o Brasil de 1980 e o atual crescemos em várias áreas – defesa do consumidor, ecologia, democracia, economia. Moralmente? Entendo que talvez para os católicos não, para os não religiosos sim, já que temos conceitos morais estruturados de forma diferente.

    um abraço.

  3. manoel carlos

    Jorge eis a nova mensagem de Dom Saburido para o Natal! Achei muito “libertadora”, e pouco religiosa.
    Mensagem de Natal 2011
    “Quando a noite ia no meio do seu curso e um silêncio profundo envolvia o universo, a tua palavra todo-poderosa desceu do seu trono real para a terra” (Antiga antífona de intróito do domingo dentro da oitava do Natal baseada no livro da Sabedoria 18, 14- 15).

    Queridos irmãos e irmãs,

    O Natal é a festa da Palavra. Nós, cristãos, acreditamos que uma Palavra revelou: o mundo está ‘grávido’ de Deus. O nascimento de Jesus é a manifestação desse mistério da presença divina na história. Atualmente, nossa sociedade está inflacionada por muitas palavras e imagens. Tende a tornar a comunicação uma mera publicidade comercial. Por isso, mais do que nunca, nós que cremos que a Palavra Divina se fez carne somos chamados/as a testemunhar a importância e a centralidade desta Palavra em nossas vidas e na nossa fé.

    O mundo atual se debate em uma grave crise econômica, ética e cultural. Em vários países, setores da juventude têm ido às ruas e praças para pedir outra forma de organizar o mundo que não seja a partir do mercado e do lucro privado de minorias, ao custo do desemprego e do sofrimento de multidões. É uma situação de escuro, na qual não se vislumbra um futuro promissor. Como na noite do Êxodo bíblico da qual fala o livro da Sabedoria e a noite na qual nasceu Jesus em Belém, a Palavra de Deus pode ser luz e servir de orientação para que o mundo resolva seus conflitos no diálogo e no respeito ao direito de todos.

    Hoje, o Natal vai além da sua importante dimensão religiosa. Serve também de ocasião para que as pessoas se confraternizem e expressem umas às outras o seu bem-querer. Isso é bom e humano. Mesmo como festejo popular e simplesmente civil, o Natal pode ser uma feliz ocasião de vivermos um encontro com as outras pessoas e isso está dentro do espírito da celebração. Afinal, damos presentes uns aos outros porque recebemos de Deus o primeiro e maior presente. Podemos viver essa troca de presentes e de cartões desejando feliz Natal sem ceder ao comercialismo que tenta fazer da festa mera ocasião de mais lucro e consumismo. O Natal pode ser uma excelente contribuição do cristianismo para toda a humanidade, se esta festa puder ser ocasião para se celebrar o diálogo e a amizade humana, sinais privilegiados de que, em cada pessoa humana, há uma dimensão divina.

    Celebramos este Natal de 2011, às vésperas do início das comemorações do 50º aniversário do Concílio Vaticano II que trouxe à Igreja e ao mundo, como disse o papa João XXIII, um novo Pentecostes. Neste cinquentenário do Concílio, a nossa arquidiocese está vivendo um momento novo e fecundo. Os seis Vicariatos e as doze Comissões Arquidiocesanas de Pastoral estão elaborando para nossa Igreja particular um novo Plano de Pastoral que aplicará à nossa região as diretrizes pastorais da CNBB (DGAE) e nos ajudará a sermos cada vez mais uma Igreja discípula de Jesus e missionária, no testemunho do reino de Deus no mundo. O objetivo desse plano é assegurar que nossa palavra seja expressão da Palavra Divina que nos foi dada no Natal. O Plano de Pastoral deve fazer com que a nossa palavra seja, como diz o Evangelho, acompanhada pelos sinais concretos que realizamos (Cf. Mc 16, 20).

    A encarnação de Jesus em nosso mundo aparecerá hoje se nos tornarmos, cada vez mais humanos e capazes de dialogar e de viver em comunhão. O mundo reconhecerá essa presença de Jesus no meio de nós se nossas vidas se tornarem sempre mais a serviço da humanidade. Assim, testemunharemos que, dentro de nós mesmos e nesse mundo que jaz na escuridão, há um presépio, no qual descansa não mais o menino Jesus e sim o Cristo ressuscitado, na forma dos rostos concretos das pessoas com as quais convivemos e que encontramos no hoje de nossas vidas.

    Que a luz do amor divino rompa todas as escuridões, de nossos corações e das estruturas do mundo. Com este desejo imenso de viver o idioma do diálogo como cântico universal do Natal, saúdo de coração a todos os fiéis da nossa arquidiocese, a todos os irmãos e irmãs de outras Igrejas cristãs que, conosco celebram que o Verbo Divino se fez carne e a todas as pessoas de boa vontade.

    A todos/as, desejo um Feliz Natal!

  4. Karina

    Jorge, a notícia do bebê morto pelo par de lésbicas não vai ganhar a mídia por um simples motivos: toda a população GLBTXYZ está acima do bem e do mal. Alguma desculpa esfarrapada elas devem ter para isso…

  5. Evandro Monteiro

    Sou absolutamente contra a agressão e tortura dos animais, mas jamais poderia concordar com esse carnaval todo que estão fazendo por causa daquela enfermeira.
    Com tanta roubalheira, com tanto mensalão, tanta coisa errada que acontece, e o povo se omite.
    Achei de uma falta de humanidade o pouco destaque dado à morte da criança, não sei se pelo fato de ser “só” uma criança, ou porque foram duas lésbicas que cometeram o crime. Sabe como é, o gueyzismo está de vento em popa.
    Fosse um padre que tivesse matado o bebê, a imprensa estaria caindo em cima – sobretudo a TV Recópia do Ma$$edão.

  6. Fabiana

    Hoje eu vi no site http://humanitatis.net/ a foto de um bebê abortado. Meu Deus que coisa horrível! E nem por isso nós que defendemos a vida desde a sua concepção estamos pedindo pena de morte ou desejando o inferno para quem comete um crime bárbaro como este. Na verdade nós desejamos que quem já praticou este mal se arrependa e se converta e lutamos para que isso não seja legalizado, por qualquer motivo que seja, em nosso país.
    E depois nós é que somos os fundamentalistas.
    Vai entender…

  7. Eduardo Araújo

    Fabiana, aí quando você menciona essas imagens os defensores do aborto tergiversam dizendo ser sensacionalismo. Veja só aonde leva a ausência de valores cristãos: a imagem da verdade pura e simples, sem mais nem menos, é rotulada de sensacionalismo.

  8. Sem. Rafael

    Sobre a resposta da FSSPX, ‘prevejo’ uma reconciliação em breve, mais alguns poucos anos… mas não sem racha na Fraternidade. Por mais que certos grupos tradicionalistas defendam ardorosamente da boca pra fora sua ortodoxia, é inegável que há muitos sedevacantistas e afins no meio disso tudo, infelizmente.

    O gesto da Santa Sé de colocar na mesa até mesmo a discussão justa e crítica do Concílio é de uma ousadia ímpar, e se isso ainda não é suficiente, o que seria? Uma negação formal do CVII por parte da Igreja? Apesar que, no meu modo de ver, já tarda um documento oficial da Doutrina da Fé explicando os pontos chaves dos documentos conciliares e condenando os principais erros de interpretação de forma mais ampla e com mais autoridade que tem feito até agora – o que já foi proposto há algum tempo.

    Agora, se não ocorrer uma reconciliação Roma-FSSPX – o que é bastante possível – acredito num eventual retorno de grupos independentes à Igreja, apesar de não tão significativos quanto desejado.

    Rezemos.

  9. manoel carlos

    é e será u mero a fraternidade se “unir” a Roma modernista. O catolicismo esta na fraternidade. o que Roma defende é uma mistura de crenças.

  10. manoel carlos

    jorge fiquei sabendo por alguns amigos que a arquidiocese está em polvorosa (um grupinho) pelas denuncias feitas à Roma sobre o simpósio gay na universidade católica de pernambuco (?).
    falam punições a um padre fundador de uma Fraternidade, e criticam a atitude de alguns católicos que lá protestaram… engraçado ninguém fala em punir os jesuítas que permitiram tal coisa, tais abusos…
    inclusive que os seminaristas lá estudam e são submetidos a todo tipo de heresias.
    sobre os seminaristas a um forte comentário que tiveram que assistir um vídeo “imoral”(?)esses dias.
    Dom Vital nos proteja!

  11. Sem. Rafael

    Roma modernista ou romanos modernistas? Urge fazer essa diferenciação, mais que por uma questão política, por uma questão de fé (a não ser que a infalibilidade tenha sido transferida pelo Espírito Santo de Roma a Lefèbvre e que sobre sua Igreja – de Lefèbvre, e não de NSJC – jamais prevelecerão as forças do inferno).

    A propósito, apesar de toda a crise modernista da Igreja Católica, as portas do inferno não prevaleceram – talvez para o desgosto de muitos fiéis da ‘Tradição’, por mais difícil que seja definir o termo -, o que se prova pelo atual movimento que acontece dentro da Igreja, dos pejorativamente chamados neotrads.

    Mas afinal, o que queremos? Defender a Verdadeira Fé, o que inclui a própria Santa Igreja; ou os nossos grupos autointitulados donos da verdade revelada?

    A Igreja só tem a ganhar com uma possível união, e também a Fraternidade. E também o mundo, afinal, devemos ser um para que o mundo creia. Não sermos um a qualquer custo, mas, por outro lado, também não tentando mantermo-nos convictamente separados, não importando o que aconteça.

    Rezemos.

  12. lucas

    Caro Jorge e a todos seus leitores,

    Desejo um Santo Natal e um feliz 2012 !

    grande abraço,

    lucas