“Se encontrares o Direito em oposição à Justiça, luta pela Justiça!”

A turma de 2011.2 da Facvldade de Direito do Recife se auto-impôs um nome interessante. Era algo como “o teu dever é lutar pelo Direito; mas se algum dia encontrares o Direito em oposição à Justiça, luta pela Justiça”. O nome é longo e, por conta disso, perde um pouco da sua força de moto; no entanto, é sucinto o suficiente para ser lembrado e expressa uma verdade que deveria estar bem gravada na mente dos bacharéis de direitos que saem das nossas faculdades.

Se o Direito estiver em oposição à Justiça, luta pela Justiça! Pode existir um direito que seja injusto? De acordo com Santo Tomás, a lei positiva que esteja em desacordo com a lei natural já não é lei, e sim corrupção da lei (Summa, I-IIae, q. 95, a.2, resp.); e (mormente no ordenamento jurídico brasileiro) isto me parece infelizmente acontecer com alguma freqüência, nos nossos tempos em que Direito e Justiça foram desvinculados um do outro. Aliás, também sobre este nome da turma discorreu o orador; e terminou o seu discurso bradando que Direito e Justiça devem ser uma coisa só sim. E o brado teve particular importância porque, como fui informado, a primeira coisa que os alunos da FDR aprendem quando entram na Faculdade e estão pagando a cadeira de introdução ao estudo do Direito é, precisamente, que Direito é uma coisa e Justiça é outra, não devendo ser ambos confundidos. Ao final do curso, um aluno “rebelde” se insurgia contra este ensino dos seus primeiros mestres; e afirmava, ousadamente, que o Direito deve refletir a Justiça ao invés de tratá-La como uma estranha – como parecem querer alguns.

A coordenadora do curso lembrou da responsabilidade que estes novos bacharéis tinham para com a sociedade, que lhes proporcionara uma universidade “pública, gratuita e de qualidade”. À parte o chavão abusado pelos esquerdopatas que hoje se encontram no poder, eu senti um certo alívio ao vislumbrar os efeitos benéficos que uma turma de bacharéis com estas “idéias revolucionárias” (se é que o teor das palavras da cerimônia reflete a mentalidade da maior parte dos alunos da turma) pode provocar em uma sociedade. Que Deus os abençoe e os mantenha no reto exercício de sua profissão – tão necessário nos dias de hoje! E que o Justo Juiz ponha fim ao terrível divórcio entre Justiça e Direito que tanto mal já causou à nossa sociedade.

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Leia também:

  1. Debate sobre o aborto – Facvldade de Direito
  2. Justiça feita contra a Playboy
  3. Gayzistas entram na Justiça contra a Democracia
  4. Mais sobre justiça e pena
  5. Convite – II Congresso Internacional pela Verdade e pela Vida (SP)

Antes de comentar, por favor leia a política de comentários do Deus lo Vult!.

  • Álvaro Fernades

    Muito bem elaborado o post!

    Parabéns a turma!

    O Judiciário brasileiro,”lobbysta”,corrupto,moroso,elitista e arbitrário necessita urgentemente de novos profissionais que façam o exercício constante da ética.

    Para os cristãos de um modo geral que lutem ,acima de tudo, por um “laicismo saudável”.

    Pax Chirsti!

  • Victor Picanço

    Eu estudei na UFPA e quem costumava utilizar essa frase (que é do jurista Eduardo Couture) eram os estudantes/militantes ligados ao PT. Essa justiça que eles dizem entrar em confronto com o direito é relacionada às bandeiras deles (aborto, união homoafetiva etc.). Para eles, o direito é que impede que essas causas (que eles consideram justas) sejam vitoriosas.

  • Gustavo

    Esse post é muito bom mesmo, pois o direito têm que estar ligado a justiça.

  • admin

    Victor,

    Ih! E o Eduardo Couture a empregava neste sentido dos petistas?

    Ontem, na colação, saí com a forte impressão de que o sentido era o “bom sentido” no qual empreguei a frase…

    Abraços,
    Jorge

  • Durval

    Já que no post foi citado Tomás de Aquino, completo que na Suma Teológica ele instrui que qualquer lei ofensiva à lei natural deve ser desobedecida pelos Cristãos. Como ensinou São Pedro: “É melhor seguir a Deus do que aos homens.”

  • http://convite-a-castitate.blogspot.com/ Erminea

    Durval, ainda acrescento: não apenas São Pedro defendia isso, como também os pagãos! vide Antígone.

  • Carlos

    Confirmando o que disse o Victor Picanço, hoje em dia são os juristas de esquerda que se dizem jusnaturalistas e antipositivistas, mas apenas com a intenção de propagar a igualdade material entre todos (comunismo).
    Há um livro de um tal Rui Portanova (salvo engano no nome) jurista gaúcho (salvo engano de novo), que defende pura e simplesmente que numa causa envolvendo um rico e um pobre o juiz deve necessariamente decidir a favor do pobre. O juiz vira, assim, um Robin Hood de toga e nada mais. É isso o que eles chamam de “justiça”.
    E de jusnaturalistas eles não têm nada, pois defendem tudo o que é contra o direito natural, como o casamento gay e o aborto.
    A frase escolhida para homenagear a turma é bonita e verdadeira. Resta saber o sentido que eles dão à palavra “justiça”.

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    Salve Maria
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    PAZ E BEM

  • Victor Picanço

    Pois é, Carlos, como as nossas universidades estão abarrotadas de marxismo, duvido muito que a frase tenha o “bom sentido” que desejamos.

  • Rodrigo

    É por isso que aos representantes do judiciario compete lutar pelo cumprimento das leis e não o seu questionamento.
    Afinal quem define quando a justiça e o direito estão em lados opostos?
    É um mal do relativismo moderno acreditar nisso, afinal a Fonte de toda a lei deve ser o Criador!

  • http://www.deuslovult.org/?fcsite=16206585395395589017&fcprofile=14690860373072496381 Wilson Ramiro

    Concordo Rodrigo

    O Judiciário é formado e preparado para fazer valer o direito, quando em qualquer instância ele se mete a fazer justiça, faz o que não sabe, e faz mal.

    Nossos juízes, mesmo os do STF, são formados em faculdades de direito e profundo conhecedores de leis e direitos e quando se detêm em seus limites são bons. Mas quando se outorgam poderes para defender a justiça, apenas defendem a visão deturpada do ambiente em que vivem.

    A constituição Federal NÃO pode ser alterada em seus princípios básicos de forma simples e isto evitaria que dementes esporádicos destruissem-na. Isto deveria proteger a constituição de qualquer bando de insidiosos mesmo os supremos.