Site da revista Vila Nova está no ar!

closeAtenção, este artigo foi publicado 5 anos 7 meses 17 dias atrás.

2012 começou bem! Já está no ar o site da Revista Vila Nova, sobre a qual eu já havia falado aqui e a cuja cerimônia de lançamento (com o príncipe Dom Bertrand) eu tive a honra de estar presente no final do ano passado. É uma revista cultural católica produzida em Campina Grande; será de circulação bimestral e, no presente momento, encontra-se em fase de estruturação logística para que possa no futuro ser assinada por leitores de todo o Brasil.

Hoje é possível adquiri-la em Campina Grande ou ler a edição digital que está disponível no site já indicado. Nesta primeira edição há matérias sobre política, saúde, arte e gastronomia, entre outros assuntos variados. Não deixem de ler.

Os nossos parabéns – mais uma vez – aos amigos campinenses que conceberam e realizaram este tão importante projeto. Que a Virgem Santíssima os faça perseverar nesta empreitada!

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5 thoughts on “Site da revista Vila Nova está no ar!

  1. Fabiana

    Oi!

    Segui o link e li algumas mátérias da revista. Conteúdo diversificado, com qualidade e de agradável leitura.
    Muito bom!

  2. Sem. Rafael

    OFFTOPIC

    Em minha faxina de fim de ano estava eu como sempre olhando aquele monte de papéis para jogar fora. No meio deles encontrei alguns que não mereciam ser jogados, – meditações de um retiro, entre outras coisas – e como eu não queria acumular mais e mais folhas, resolvi procurar os textos na internet e salvar no meu computador.

    Dois desses textos bem interessantes e que nos fazem refletir qual é afinal a vocação do sacerdote: em primeiro lugar a santidade, e em segundo, ser sal e luz! E apesar de não ser o tema principal, acabam por retratar cada um à sua maneira a crise vocacional pós-conciliar e a “perda de sentido” do que é se consagrar a Deus. Eis os links:
    O mosteiro pode acabar?
    Por que não deixei o sacerdócio

    No entanto, um dos textos que eu tinha, fotocópia de uma velha folha datilografada na máquina de escrever, não havia em parte alguma da rede. Resolvi então digitá-la, e como achei uma pena não estar disponível na rede, tomo a liberdade de publicar o texto aqui, tornando-o disponível para quem quiser repercuti-lo em seus blogs.

    Eis uma bela meditação, testemunho da verdadeira conversão de um monge trapista, e talvez tão necessária para tantos frades e sacerdotes dos dias de hoje… Bom proveito:

    Homilia do Revmo. D. Fidèle Sauvageau O.C.S.O., Abade da Trapa de Oka (Canadá), nos funerais de Frère Léandre, monge do mesmo Mosteiro, a 06 de Fevereiro de 1977

    Eu escolhi especialmente como texto da primeira leitura uma passagem de Isaías, os versículos 18 a 22 do capítulo 30, pois a meu ver, eles nos dão a chave do acontecimento que estamos vivendo hoje. Isaías diz no versículo 21: “Ouvirás com teus ouvidos essas palavras retumbarem atrás de ti: ‘É aqui o caminho, andai por ele’, quando te desviares quer para a direita, quer para a esquerda.” Esta palavra inédita, Irmão Léandre ouvira há algumas semanas, de duas maneiras. No dia de Ano Novo, depois de apresentar minhas congratulações aos monges, acrescentei que neste ano, como no ano passado, teríamos entre nós defuntos e, os religiosos, aqui presentes, se lembram que eu pedi a cada um que oferecesse alguma coisa, por menor que fosse, mas que lhe custasse, que oferecesse alguma coisa pelo primeiro dentre nós que o Senhor viesse buscar.
    Poucos dias depois desta sugestão, Irmão Léandre apareceu na Comunidade com a cabeça raspada, sem mais aquela abundante cabeleira que ele usava (tratava-se de uma peruca) e que constituía seu orgulho. Estava de tal modo irreconhecível que vários Irmãos não o reconheceram à primeira vista. Era o sacrifício que resolvera fazer pelo primeiro monge que iria morrer. Foi ele que Deus veio buscar.
    Que se passou entretanto? Quem lhe deu a força para tomar essa decisão? “Ouvirás com teus ouvidos essas palavras (dizia Isaías): É aqui o caminho, andai por ele.”
    Esta palavra de Deus, nosso irmão, como aliás nós também, a tínhamos ouvido de uma maneira ainda mais decisiva. Nosso retiro anual fora em janeiro, pregado pelo Padre Nottebaert O.M.I., que se revelou um homem de profunda espiritualidade, amadurecida no silêncio, na doença, na oração, e este retiro caiu sobre nós – para usar uma expressão do próprio Padre Nottebaert – como uma torrente do Espírito Santo.
    Esta Palavra se tornou irresistível para nosso Irmão Léandre. De repente, ele compreendeu coisas que nunca compreendera, ou em todo caso, que nunca tivera coragem de mudar em sua vida. “Eis aqui o caminho”, dizia a voz, “andai por ele, quando te desviares quer para a direita, quer para a esquerda.” E precisava ainda: “Acharás imundo o revestimento de prata de teus ídolos esculpidos e as aplicações de ouro de tuas estátuas fundidas: arrojá-los-ás como imundícies, gritando-lhes: Fora daqui!”
    À luz do Espírito Santo, Irmão Léandre se deu conta de que estava cercado de ídolos. Tirou sua cabeleira para expiar, dizia-me, o escândalo permanente que dava àqueles que viam nisso uma falta contra a pobreza.
    Ele tinha adquirido roupas finas para as suas raras saídas à cidade, de acordo com sua vaidade. Entregou-as ao Irmão roupeiro, com uma palavra de agradecimento. Na Contabilidade, certa manhã encontrou-se o dinheiro que sobrara a nosso Irmão de suas viagens anteriores. E o despojamento iria continuar.
    Uma hora depois de sua morte, o Porteiro me comunicou que Irmão Léandre tinha deixado um envelope cheio de bilhetes dirigidos aos amigos que viessem procurá-lo no Parlatório. Eis o conteúdo de um desses bilhetes: “Logo após nosso retiro anual, para grande suspresa minha, fui subitamente fulminado pela graça e derrubado de meu cavalo, a exemplo de Paulo de Tarso. É uma transformação que qualifico assim: libertação e morte para sempre ao mundo exterior.” E continuava: “Tenha a bondade de aceitar, por amor de Deus e do pobre monge que sou, o sacrifício de não me chamar mais ao Parlatório, mas sobretudo de ter um caridoso pensamento para comigo em suas orações.” Fui então à cela do Irmão Léandre e encontrei sobre sua mesa de trabalho a seguinte carta: “La Trappe, 2 de fevereiro de 1977. É na festa da Apresentação do Senhor no Templo que lhe escrevo esta carta. Escolhi esta festa porque ela representa para mim a oferta total de toda a minha pessoa ao Senhor. Quinze anos se passaram desde que…” Segue um parágrafo sobre a vida monástica que termina com esta advertência solene: “O monge será sempre um ser misterioso; ele o será para com os seus irmãos em religião, para com seus parentes, e mesmo para com seus melhores amigos”. Vem então o aviso de que ele não receberá mais seus amigos (o texto que li há pouco). Depois acrescenta: “A partir de hoje, quero aproveitar os poucos anos que o Senhor haverá por bem me dar, para vivê-los num completo apagamento e ignorado dos homens. Esta sede de absoluto cresce cada dia em mim, e a vida escondida de Jesus em Nazaré me parece ser a mais significativa”. E como prova de que suas renúncias procediam de uma vontade resoluta, estabeleceu seu plano de ação: “Isso me levou a decisão que coloquei em prática: 1) Não deixar mais meu Mosteiro para saída alguma. 2) Cessar toda correspondência com o exterior. 3) Não aceitar mais convites. 4) Não aparecer mais no Parlatório nem na Hospedaria.”
    Restava esvaziar sua cela dos quadros, das inúmeras fotografias, dos enfeites, de seus instrumentos musicais. “Teus ídolos, dizia Isaías, arrojá-los-ás como imundícies, gritando-lhes: Fora daqui!” Sobre sua mesa de trabalho, encontrei algumas notas de leituras, entre as quais uma citação do Beato Cláudio de la Colombière: “Quando se quer pertencer a Deus a qualquer que seja o preço, é fácil compreender como se possa desejar meios os mais estranhos quando parecem os mais seguros.” Dir-se-ia que por meio dessas palavras, ele tentava nos explicar seu gesto.
    Meus irmãos, só há uma explicação para a morte prematura de um monge de 35 anos: o Senhor se comoveu com a generosidade de seu servo e quis apertá-lo ao coração, enquanto ele ainda tinha as suas oferendas nas mãos. A leitura de Isaías nos dizia há pouco: “O Senhor se ergue para perdoar-vos. Quando Ele vos tiver dado o pão da angústia e a água da tribulação. Aquele que te instrui não se esconderá mais, e tu verás com teus olhos Aquele que te ensina.” O verdadeiro pregador que Irmão Léandre escutou não foi o padre Nottebaert, não foi um homem, foi o Espírito Santo. “Aquele que te instrui não se esconderá mais…” O Senhor decidira intervir na vida de Irmão Léandre, para convertê-lo e convertê-lo profundamente, a ponto de Ele mesmo vir completar seu desapego. “O Senhor se ergue para perdoar-vos… Ele não se esconderá mais, e tu verás com teus olhos Aquele que te ensina.” Como essas palavras têm sentido hoje! Dir-se-ia que foram escritas para interpretar o acontecimento que estamos vivendo.
    “Se o grão de trigo caído na terra não morrer, ficará só; mas se morrer, dará muito fruto.” Meus irmãos, eu disse que há somente uma explicação para a morte repentina de Irmão Léandre. Haverá outras, talvez muitas outras. O Senhor quer nos fazer compreender o que significa SEGURAR a graça quando ela passa e não esperar! Aqui há pessoas que precisam se converter. Entre nós, há alguns que são mundanos! Nós tínhamos necessidade do exemplo de um dentre nós que levou a sério seu retiro! Nós tínhamos necessidade de saber como se faz quando alguém se quer converter…
    O trigo caído na terra dará muito fruto. É sua glorificação que toma impulso. Era preciso que o trigo morresse. Que faremos para viver a mensagem do trigo que morre?

    Tradução de D. Matias Fonseca de Medeiros OSB.
    Mosteiro de São Bento

  3. Augusto

    Vc não sabe como me ajudou essa homilia, tomei a liberdade de transcrever o conteúdo e enviarei as amigos…’ela diz por si mesma…’

    ´é algo de uma profundeza admirável…’

    e hoje pela manhã após ter contato com esse texto tal sublime, tive a notícia do falecimento de um religioso da diocese em que resido, e que foi tbm um pouco polêmico para quem o conheceu…mas, com certeza, vejo como semelhante ao irmão Leandro, e em sua busca para ir ao encontro de Deus,