O cartunista no banheiro feminino

closeAtenção, este artigo foi publicado 5 anos 6 meses 21 dias atrás.

[A coluna do Carlos Ramalhete de hoje – sobre o recente lamentável episódio do Laerte querendo usar o banheiro feminino de uma pizzaria em São Paulo – está tão bem escrita e é tão adequada às absurdas situações modernas com as quais nós deparamos hoje em dia que eu me permito reproduzi-la aqui na íntegra. Tentei escolher algum trecho para destacar, mas não consegui: o texto é coeso de uma ponta a outra e é assim que deve ser lido.

A razão da separação dos banheiros entre os sexos tem a ver com a preferência sexual de cada um, sim, mas tem também – e principalmente – a ver com o dado objetivo (biológico e psicológico) das evidentes diferenças entre os homens e as mulheres. É claro que não dá para saber se o homem que entra no banheiro masculino é gay e vai se aproveitar daquele ambiente para se excitar com o seu distorcido objeto de desejo; e, contanto que ele não vá bolinar ou constranger os demais usuários do espaço público, isto não interessa. No entanto, é injusto obrigar uma senhorita ao constrangimento de dividir a sua intimidade com um marmanjo, ainda que este marmanjo não tenha interesse sexual nenhum por ela. O mundo não se resume aos interesses sexuais dos indivíduos. Isto, aliás, não tem nenhum interesse objetivo e não pode ser usado para conferir novos direitos aos possuidores de parafilias, ao contrário do que os gayzistas gostam de alardear.

Um amigo, muito sagazmente, apontou que este caso do Laerte é emblemático para demonstrar que o Movimento Gay reivindica, sim, privilégios extras que mais ninguém tem. Um homem normal, vestido de homem e não-gay, seria obrigado a usar o banheiro masculino ainda que estivesse sujo. O Larte, pelo simples fato de estar de saias, quer ter o direito de usar tanto o banheiro masculino quanto o feminino. Isto é evidentemente um privilégio, pois se trata de um “direito” que os heterossexuais obviamente não possuem e ninguém jamais pretendeu que eles tivessem.

São revolucionários inimigos do gênero humano, que estão se transformando em uma casta de incriticáveis e violando cada vez mais os espaços dos que não compartilham com o seu estilo de vida. Hoje o Larte quer violar os direitos das mulheres; o que mais não irão querer? É urgente que o bom senso possa tomar o lugar do politicamente correto que invadiu a nossa sociedade. Já foram longe demais.]

Napoleão ou Tartaruga Ninja?

O escritor inglês Ches­terton dizia que o louco é quem perdeu tudo, menos a razão. Um louco que esteja convencido de ser um cachorro andará de quatro, comerá ração e lamberá as pessoas que ama. E teria toda a razão do mundo em fazê-lo se fosse realmente um cachorro. O que não é razoável é sua crença inicial de ser um cachorro, mas o comportamento que dela decorre faz todo sentido.

Um ser humano que esteja convencido de ser um cachorro terá mais dificuldade em viver em público que um que esteja convencido de ser Napoleão, por exemplo. Um chapeuzinho de três pontas e uma mão dentro do casaco podem ser consideradas excentricidades toleráveis, até que o sujeito resolva chicotear o balconista da padaria por demorar a trazer a média e o pão com manteiga.

Os familiares de alguém com esse tipo de problema, evidentemente, devem procurar evitar que esse tipo de situação ocorra. Infelizmente, semana passada, caso semelhante ocorreu com um dos maiores nomes da arte brasileira. O genial desenhista Laerte, já um senhor de idade, decidiu andar vestido não de Napoleão, mas de senhora bem comportada, com saia abaixo do joelho, sandálias abertas com unhas suavemente pintadas e cabelos com um penteado feminino.

Quando, no banheiro feminino de um restaurante, uma menininha encontrou aquele senhor, fantasiado de senhora como se estivesse vestido de Napoleão ou Tartaruga Ninja, ela reclamou ao dono do restaurante, que, com tato, pediu ao artista que usasse o banheiro apropriado. Como não há ba­­nheiro específico para Tarta­rugas Ninja, foi a sua fantasia – em ambos os sentidos – que o fez convencer-se de que poderia usar aquele toalete.

Ao invés de sua família tentar poupar este grande nome da arte dessas situações constrangedoras, contudo, o que aconteceu foi o contrário: o dono do restaurante é que foi ameaçado de processo por constrangimento ilegal, como se o uso de marias-chiquinhas e saiotes fizesse com que homens devam dividir banheiros com menininhas.

A mania atual de resumir a identidade das pessoas a suas preferências sexuais ou – no caso – de vestuário, mais uma vez, se choca com o bom senso mais elementar. Banheiros são separados para evitar situações constrangedoras; se um senhor de idade está com dificuldades em perceber algo tão evidente, compete a seus familiares protegê-lo de seu próprio desatino, não ao Estado forçar a aceitação do absurdo e punir quem zela pela boa ordem de um estabelecimento. Só assim pode ser preservado o justo renome desse grande artista.

Gostou? Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Email this to someonePrint this page

124 thoughts on “O cartunista no banheiro feminino

  1. Eduardo Araújo

    “que tal este texto, eduardo?”

    Sim, bobalhão. E …

    Não quero acreditar que você traz um texto que comprova o que escrevi: NÃO havia dúvida dentre os Bispos e os Padres da Igreja quanto aos EVANGELHOS CANÔNICOS, exceção de hereges, caso do mencionado Marcion.

    Agora me responde: você é um homem ou um rato? Rato é que foge do navio prestes ou já afundando e é o que parece suceder-se com o senhor, aqui.

    O senhor, astuta e pilantramente, desviou o assunto para a história de formação do Cânon, incluindo até o Vetero-testamentário.

    Ocorre que não é o histórico do Cânon, neo e muito menos vetero-testamentário, que está em questão aqui E, SIM, A SUA CALÚNIA ESTÚPIDA, que mais uma vez reproduzo:

    “dos próprios evangelhos que são lido e relidos nas Igrejas todos os dias e por todos os católicos em suas respectivas casas, quem, como, quando e aonde estes mesmos evangelhos foram adulterados, interpolados, fraudados e forjados”

    Pois bem, seu Quintas: pedi a PROVA dessa sua alegada fraude dos EVANGELHOS CANÔNICOS e aí você, numa amostra impressionante de estupidez asinina e/ou vigarice intelectual, responde com a menção a discussões de formação do Cânon. Só se for na tua porcaria de paganismo que discutir = fraudar.

    Cadê os versículos adulterados, seu caluniador barato de quintas categorias?

    Como eles estão no original? Afinal, para se alegar fraude é preciso conhecer o original e então comparar as traduções posteriores, coisa que você não fez até porque sabe que NÃO PODE FAZER.

    Você não quer admitir, mas caiu feio na sua própria armadilha de exigir dos outros as referências para as afirmações feitas num blogue, um típico caso de pedantismo bobo, irracional, sem interesse sincero no conhecimento da verdade, apenas com o intuito de jogar o oponente contra a parede, tornando-o desprovido de base. Para se certificar que o ardil dará certo, ainda condiciona o tipo de fonte que sua presumida autoridade aceitará como válidas. Pateta.

    No mais, as mesmas asneiras de sempre, sem o menor fundamento histórico e ainda enunciadas sob formas dos mais bobos sofismas, como o óbvio ululante de que a Igreja só lia o que interessava. Pois não é! Na concepção dos bobões, a Igreja devia ler o que NÃO interessava (rs). Você é uma coleção de piadas ambulante, Quintas.

  2. Eduardo Araújo

    Caro conterrâneo Álvaro, você está certíssimo.

    Já estou até levando as baboseira quínticas na esportiva.

    E a você e aos demais, Sidnei, Leniéverson, Alien:

    Não caiam na saidinha de conveniência do Quintas. Ele está interpolando o assunto do Cânon, para fugir do questionamento de sua calúnia, segundo a qual a Igreja teria fraudado os evangelhos.

    Por isso, meus caros, na medida em que voltamos nossa atenção para as tolices dele a respeito da história do Cânon, a gravidade dessa calúnia ficará mais e mais esquecida, ajudando-o a não ter que responder pelas mentiras que profere neste e noutros blogues.

  3. Por um pensamento mais desenvolvido.

    Esse artigo é tão ridiculamente reacionário que poderia fazer perfeita companhia à Veja e seus bodes, artigo lançado novembro do ano passado.
    Se for pra ser reacionário, que escreva algo mais desenvolvido e respeitável que isso – em suma, que estude e pense a questão um pouco mais antes de vomitar suas convicções em artigos sem argumentos.