Os escombros da ideologia: sobre o abandono das CTEHs

closeAtenção, este artigo foi publicado 5 anos 3 meses 9 dias atrás.

Agradeço ao Alien por me ter mostrado esta auspiciosa notícia: USP vai desenvolver banco de células-tronco [adultas, naturalmente] para pesquisar doenças crônicas e novas drogas. Praticamente quatro anos após o iníquo julgamento do STF que autorizou a destruição de seres humanos em pesquisas científicas (eu já estava aqui), não dá mais para esconder que as tentativas de se encontrar alguma aplicação terapêutica para as células-tronco embrionárias humanas resultaram em um fragoroso fracasso. Como nós dissemos e cansamos de repetir à época, as promessas de revoluções medicinais eram quimeras enganosas (até a dra. Zatz já pulou fora do barco furado que ela se esforçou por vender). Como nós dissemos e nunca deixamos de repetir, o verdadeiro objetivo por detrás da aprovação da lei de Biossegurança era minar a inviolabilidade da vida humana e abrir caminho para a aprovação do aborto.

Desde o surgimento das células-tronco pluripotentes induzidas (iPS) a discussão sobre o uso de embriões para obtenção de células-tronco se tornou anacrônica. A tecnologia já era conhecida quando o STF julgou, em 2008, pela destruição dos embriões humanos criopreservados – o que só vem dar mais um testemunho a respeito do viés político-ideológico (e nada científico) que pautou aquela decisão. Hoje, a debandada dos que apostaram nas CTEHs é geral – mas a que preço? Perdeu-se tempo, energia e dinheiro com pesquisas imorais fadadas ao fracasso. Foi arranhada a proteção jurídica à vida humana, e a rachadura produzida então resultou em consideráveis sangrias futuras – como a recente decisão em favor do aborto de fetos deficientes. Mas, principalmente, incontáveis seres humanos foram destruídos em lamínulas e  placas de Petri, como um holocausto silencioso e invisível oferecido a algum ídolo moderno irracional cuja voracidade é crescente e que, desde então, só faz exigir sacrifícios cada vez maiores. Agora que o monstro está criado não é suficiente criar banco de iPSCs. Os escombros da ideologia falida ainda se fazem presentes, ameaçadores, tornando a caminhada penosa e cheia de perigos. O horror está longe de ter terminado e, a despeito do lampejo de esperança que hoje reluz, é enorme a quantidade de sujeira que ainda precisa ser limpa.

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9 thoughts on “Os escombros da ideologia: sobre o abandono das CTEHs

  1. Ronaldo

    Pra onde vão esses seres humanos? Para o Inferno, para o Céu ou para o Purgatório?

  2. Rodrigo

    Jorge e Ronaldo, segundo o ensinamento da Igreja eles vão para o limbo, só que limbo quer dizer indefinido.
    Segundo Bento XVI gloriosamente reinante (no entanto o ensinamento em questão não goza do privilegio da infalibilidade, foi apenas uma opinião pessoal do papa) eles permanecem por algum tempo em um estado indefino(no limbo) até que Deus encontre um meio de po-los a prova para que então, como todo ser humano, eles possam definir seu destino final.

  3. Jorge Ferraz

    O limbo é o “primeiro dos círculos do Inferno” (na imagem que Dante faz na Divina Comédia): é o lugar para onde (supostamente – é assunto controverso) vão as almas das crianças mortas sem batismo, para sofrer pena de dano (= perda da visão beatífica) mas não pena de sentido (= sofrimentos corporais), uma vez que aquela é devida ao Pecado Original (que não foi apagado nas crianças mortas sem Batismo e, portanto, elas não podem entrar no Céu) e, este, é devido aos pecados atuais (que uma criança antes da idade da razão não cometeu e, portanto, não pode ser punida por eles).

  4. Marcos Arthur Viana

    Perdão, eu posso estar enganado, mas Bento XVI não disse que o Limbo era só uma hipótese? E que a misericórdia de Deus se estenderia a todas as almas não batizadas, não? Claro, eu vi sobre isso na Wikipédia, por isso estou querendo saber se o Limbo continua a existir, para ter certeza XD

  5. Jorge Ferraz

    Não existe isso de “continuar a existir”: ou o limbo das crianças existe desde sempre ou ele nunca existiu.

    Ele sempre foi uma hipótese. Ninguém sabe se ele existe ou não, a Igreja nunca definiu (e talvez nunca definirá).