Os católicos e os tribunais modernos: Igreja nos EUA processa administração Obama

closeAtenção, este artigo foi publicado 5 anos 2 meses 27 dias atrás.

Várias dioceses e organizações católicas americanas estão processando em massa a administração Obama, acusando o presidente de violar a liberdade religiosa e pretender forçar cidadãos americanos a agirem de modo contrário à sua Fé. Especificamente, os processos gravitam em torno da «regulamentação que a Secretária de Saúde e Serviços Humanos Kathleen Sebelius anunciou em Agosto passado e concluiu em Janeiro[,] que solicitava a virtualmente todos os planos de saúde dos Estados Unidos a cobrirem esterilização e anticoncepcionais aprovados pela “Food and Drug Administration”, incluindo aqueles que podem provocar abortos». O site (em inglês) que reúne estas informações é o Preserve Religious Freedom, mantido pela Arquidiocese de Washington

A notícia é curiosa. Em primeiríssimo lugar, merece destaque e é digna de aplausos a iniciativa dos católicos americanos de procurarem fazer alguma coisa para frear as imoralidades que o presidente mais abortista que já pisou nos Estados Unidos da América está tentando impôr a um povo que em sua maioria considera o aborto moralmente incorreto. E, acto contínuo, isto serve para cobrir de vergonha os católicos desta Terra de Santa Cruz, onde a nossa Conferência age – tantas vezes! – de modo apático diante do governo anti-cristão ao qual estamos sujeitos – isto quando não lhe é subserviente. Ó bispos do Brasil, aprendei com os vossos irmãos de báculo e mitra da América do Norte!

Mas é também impossível não guardar um pouco de temor a respeito dessas ações judiciais. Isto porque o Estado não tem potestade para oferecer obstáculos à pregação do Evangelho da Igreja de Cristo; mas, num tribunal revolucionário, a gente não sabe ao certo o que pode acontecer. É possível que juízes iníquos decidam ilegitimamente a favor do presidente anti-cristão. O que aconteceria neste caso?

Certa feita alguém comentava sobre as paróquias e as leis municipais, e argumentava que os párocos de cidades pequenas deveriam realizar nos seus templos as reformas que fossem necessárias ao desempenho de seu ministério, sem se preocupar com burocracias de prefeituras. E citava um causo de um sacerdote que, certa feita, aporrinhado pelo prefeito da cidade a respeito de umas obras na igreja matriz, simplesmente respondeu: “a minha Igreja estava aqui antes da tua prefeitura”.

E neste caso, sim, antigüidade é posto. Pombas, nós construímos as catedrais medievais muito antes do CREA sonhar em existir! Tampouco o órgão burocrático tem credenciais para fazer frente às da Igreja Católica. É óbvio que existem regulamentações necessárias, mas estas não podem vir de cima, como um machado aleatório sufocando as necessidades humanas. Se a administração pública atual fosse transportada à Paris dos séculos XII-XIII, nós não teríamos hoje Notre Dame ou a Sainte-Chapelle.

Igualmente, no caso dos planos de saúde americanos, foi a Igreja quem inventou a saúde pública quando os EUA ainda eram terra de Apaches. O governo americano, portanto, não tem legitimidade para dizer como as organizações caritativas e os hospitais católicos devem prestar os seus serviços. E isto independe completamente de qualquer resultado de qualquer tribunal moderno, porque se trata simplesmente do dado factual: nós estávamos aqui antes. É digna de louvor, repito, a atitude dos católicos americanos. Fazem falta ações análogas aqui no Brasil. Mas não podemos perder de vista quem somos e nem tampouco abraçar com entusiasmo as teses modernas que são incompatíveis com a doutrina católica e até mesmo com a realidade elementar.

Afinal, nós e eles enxergamos o papel dos tribunais de formas irredutíveis entre si, e isto precisa ficar claro. Não é nos tribunais que está a nossa última esperança, e sim no Justo Juiz que é Senhor da História, a Cuja Providência confiamos o governo da Sua Igreja. Isto não significa que não devamos nos utilizar dos meios humanos contingentemente disponíveis; mas significa, sim, que estes devem ser sempre colocados em perspectiva.

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12 thoughts on “Os católicos e os tribunais modernos: Igreja nos EUA processa administração Obama

  1. Jairo

    Queira você ou não, os tribunais, graças a Deus, tem a palavra final e a igreja é obrigada a cumprir a determinação. Com relação ao “dado factual: nós estávamos aqui antes”, é tão furada essa idéia, que a igreja mesmo não segue(senão teria que considerar todas as instituições que vieram antes dela como soberanas), e aí acho que ela está certa, não por ser a igreja, mas sim como qualquer instituição deve fazer.

  2. Jorge Ferraz

    Não, a Igreja (e nem ninguém) é obrigada a cumprir coisa alguma que seja injusta.

    Quanto às instituições que estavam aqui antes da Igreja e que ainda perduram, pode apresentá-las com suas reivindicações, que vou ouvi-las com muito prazer.

  3. MANOEL CARLOS

    “A diversidade, quando colocada à serviço da comunhão, é uma riqueza”
    O convite é para que todos os cristãos possam entrar num processo permanente de conversão, trabalhando pela vitória de Cristo, que começa com a promoção da unidade entre os cristãos. Este é o desejo da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, promovida pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) com o apoio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

    A Semana de Oração ocorre no período que antecede a celebração de Pentecostes, este ano de 20 a 27 de maio. A temática proposta sempre busca indicar o caminho de conversão que todos os cristãos são chamados a fazer, como explica o presidente da Comissão Episcopal para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-Religioso da CNBB, dom Francisco Biasin. “Queremos seguir o exemplo de Jesus, que não impôs a unidade, mas orou por ela”.

    O bispo recorda que os vinte séculos do cristianismo tem muitas marcas de divisão, e que isto é obra humana. “A obra de Deus é a comunhão e a unidade”. Por este motivo, Biasin lembra que cada cristão deve rezar pela unidade e trabalhar por ela, apesar das dificuldades e resistências que possa estar no coração de cada um.

    O tema proposto para a Semana de Oração 2012 – “Todos seremos transformados pela vitória de Nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Cor 15,51) – leva os cristãos a uma meditação sobre a ação constante da oração de Jesus. “Muitas vezes ele usou esta palavra. ‘Que todos sejam um’ (Jo 17,21); ‘Quando eu serei levantado da terra, atrairei todos a mim’ (Jo 12,32). Ele invoca o Pai e implora a unidade para todos os seus discípulos. E a unidade, de fato, é um dom. O próprio Deus vive a comunhão nas três divinas pessoas. A unidade das igrejas, dos discípulos de Jesus, deve se espelhar nesta comunhão da Trindade”, explica dom Biasin.

    Mas quando se pensa na unidade dos cristãos, surgem questionamentos sobre como ela deve ocorrer de forma concreta. Dom Biasin explica que para sermos “um só rebanho e um só pastor”, não é preciso estar na mesma igreja, mas valorizar a riqueza de cada uma. “Que todas as igrejas façam um esforço de conversão ao Senhor Jesus e assim possam convergir, do local onde estão para Jesus. Mais próximas d’Ele, cada uma com o seu caminho feito, seremos discípulos de muitas faces, mas não de uma cara só”.

    O principal subsídio para reflexão durante a Semana de Oração é um caderno de oração, que foi inicialmente elaborado pelas igrejas da Polônia. “País marcado por histórias de sofrimento, mas também por muita coragem e resistência. Testemunhando a sua firmeza na fé este povo venceu inúmeros desafios”, avalia o tesoureiro do CONIC, pastor Altemir Labes, na carta da entidade por ocasião da Semana de Oração. Depois de adaptado, o subsídio foi publicado em conjunto pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos do Vaticano e pela Comissão de Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas, de Genebra. No Brasil, a publicação foi traduzida pela CNBB e adaptada para a realidade brasileira pelo CONIC.

    Para o presidente da Comissão para o Ecumenismo, um aspecto forte da Semana de Oração e do constante diálogo ecumênico é o encontro com a diversidade. “Quando ela é colocada a serviço da comunhão, ela se torna uma riqueza. Uma vez unidos, esta diversidade colocada em comunhão, enriquece a todos”.

    Mais que uma ação institucional, o ecumenismo deve ser uma atitude pessoal, que exige de cada um a disponibilidade para abrir-se ao outro, como explica dom Biasin. “Quando a gente se abre ao outro, a gente por um lado perde, e por outro se enriquece muito. Na medida em que você se esvazia de sua riqueza para acolher o outro, então este perder se torna um grande enriquecimento. É um perder pra ganhar, não com a intenção do ganho, mas na dinâmica trinitária, quem perde, se esvazia, está disposto a acolher a riqueza do outro, sem perder a própria, pois a doa também a quem se aproxima”.

    Fonte: CNBB

  4. nanda

    Talvez nao entendido seu ponto. A Igreja esta processando o governo primeiro por que vai contra a constituição americana sobre liberdade religiosa.
    Se o tribunal decidir à favor de Obama, as insituições católicas vão fazer o que alguns já começaram a fazer – não oferecerão plano de saúde aos empregados – os empregados terão que pagar sozinhos se quiserem algum seguro.
    Tiro o chapéu….sem contar que estão unidos outros cristãos a essa ditadura disfarçada.

  5. Jorge Ferraz

    O meu ponto é que a Primeira Emenda da Constituição Americana é uma coisa contingente. Poderia perfeitamente não estar lá **e nem por isso o Estado teria legitimidade para obrigar a Igreja a nada**. O direito da Igreja de pregar o Evangelho precede a própria existência do Estado Moderno e, portanto, aquele não pode ser uma concessão deste (como os modernos interpretam). Afinal de contas, à exceção do Deus Altíssimo, o que é posterior na ordem cronológica não pode ser precedente na causal.

  6. Guga

    Os religiosos querem agora misturar procriação com pregação e acabam fazendo muita confusão. Assim não da mais não, querem controlar o utero de toda uma geração. Eles apelam pra ditadura da tradição, forçando todos de uma nação a seguir todo os seus sermãos.

  7. alvaro

    Jorge,

    Sei que não tem nada a ver com o post,mas tenho que falar,pois sou leigo em informática e não consigo ,ás vezes,acessar o Deus lo vult!

    Não teria um jeito de deixar um site “mais leve”?

    Eu tenho uma internet ultra-velox e ainda tenho problemas para entrar no site…

    Pax Christi!

  8. Jorge Ferraz

    Alvaro,

    O Deus lo Vult! é leve :)

    Concretamente neste momento, estou com um problema com alguma TELECOM americana que provê o redirecionamento do site do servidor americano onde ele se encontra hospedado para a GVT (que redireciona para os usuários brasileiros que acessam internet pela GVT). Isto já faz uns dois ou três dias (que eu identifiquei em um insight absurdo, porque para mim era alguma intermitência devido a manutenção no servidor), eu já abri chamado para o pessoal do BlueHost, mas até agora nada.

    O resultado prático disso é que, neste momento, quem usa GVT **não consegue acessar o Deus lo Vult!**. Dá “Falha no carregamento”.

    Estou aguardando que eles arrumem.

  9. Alexandre Magno

    Jorge Ferraz:

    Se a administração pública atual fosse transportada à Paris dos séculos XII-XIII, nós não teríamos hoje Notre Dame ou a Sainte-Chapelle.

    E a Torre de Pisa! (?)

    Não é nos tribunais que está a nossa última esperança, e sim no Justo Juiz que é Senhor da História

    Concordo.