Notícias do fim do mundo: casos de família

closeAtenção, este artigo foi publicado 4 anos 11 meses 29 dias atrás.

1. Viúva terá de dividir pensão do marido com a amante, decide juiz em GO. “O juiz da 3ª Vara da Fazenda Pública de Goiás, Ary Queiroz, decidiu que uma viúva de um funcionário público do estado terá de dividir a pensão que recebe com a amante do falecido marido. A ‘outra’ entrou na Justiça para ter direito ao benefício. Cabe recurso da decisão”.

2. Amante é condenada a pagar US$ 9 milhões por ‘roubo de marido’. “A diretora de escola Anne Lundquist, de 49 anos, se envolveu com Allan Schackelford, de 62, mesmo sabendo de seu casamento de 33 anos. Cynthia, a mulher traída, resolveu levar a amante para os tribunais e venceu a ação num julgamento que durou dois dias”.

3. Escritura Pública reconhece união afetiva a três. “Ela [a tabeliã de notas que lavrou a escritura] conta também que se sentiu bastante a vontade para tornar pública essa união envolvendo três pessoas, já que havia um desejo comum entre as partes, se tratava de pessoas capazes, sem envolvimento de nenhum menor e sem litígio. Internamente não havia dúvida de que as três pessoas consideravam viver como entidade familiar e desejavam garantir alguns direitos”.

O que dizer? Uma vez perdida a referência moral que sustenta a entidade familiar, esta se esfacela em mil pedaços: sendo arrastada para lá e para cá, ao sabor das arbitrariedades individuais. Ora se confundem e se igualam a legítima e a concubina, ora se quantifica monetariamente um adultério, ora se institucionaliza o ménage à trois. Privada de suas sólidas bases, a sociedade adoece e caminha, em vertiginosa velocidade, em direção ao abismo que se recusa a enxergar.

Lembro-me de Santo Agostinho nas suas Confissões (que cito de memória): “senti e experimentei não ser para saber que o pão, agradável ao paladar sadio, é repugnante ao doente, e que a luz, desejada pelos olhos sãos, é odiosa aos enfermos”. Isto que vale para os indivíduos também se aplica às sociedades: basta  uma simples mirada ao redor, basta olhar para a nossa civilização decadente para o constatar com triste clareza.

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16 thoughts on “Notícias do fim do mundo: casos de família

  1. Álvaro

    Quando eu sustentei aqui em outro post que essa de “somente o afeto rege a família criaria um precedente perigoso” os secularistas,ateus,gaysistas e destruidores da ordem natural me atiraram todas as pedras que tinham nas mãos.Primeiro foi a “homoafetiva”;agora “poliafetiva”…eu quero saber quais serão os próximos termos…”zooafetiva”…”petafetiva”…Uma palhaçada mesmo…pelo menos os meus prognósticos se confirmaram!!!

  2. Gustavo

    O certo seria o marido pagar indenização a mulher que ele traiu e depois abandonou.
    Já no caso da viúva dividir pensão com a amante do marido, isso é um absurdo total e sem fundamento.
    Álvaro nem vêm colocar a culpa na união estável de pessoas do mesmo sexo pelo reconhecimento de uma união poligâmica. Seria o mesmo que colocar a culpa nos fiéis quando um pastor se apropria indevidamente de uma porcentagem do dízimo. Não sou contra o dízimo, desde que ele seja usado para as despesas e manutenção da Igreja. O que sobrar deve ser aplicado em obras da caridade e não para ficar comprando Jatinhos particulares ou outras mordomias desnecessárias.

  3. Wilson_Ramiro

    É necessário lutar para que “casamento” continue sendo apenas uma relação natural entre um homem e uma mulher, esta é a única barreira de proteção da sociedade, derrubada esta barreira qualquer outra luta sobre união simples ou múltipla de humanos, animais, coisa, etc é perda de tempo.

    Logo teremos passeata de bichas para evitar a legalização da união estável de seus bofes com vacas(ou outra coisa que nem ainda imagino), e pelo “inaceitável da situação, algum católico poderá lhes dar apoio.

    Quando vejo uma “amante” desejando os bens do adúltero, fica muito similar com igreja protestantes tentando colocando colocar Cristo como adúltero e desejando sua parte na herança.

  4. Álvaro

    Gustavo,

    Cidadão! Eu disse que os que sustentaram que “somente o afeto rege a família” me taxaram de fanático e de exagerado quando eu falei que isso era um precedente perigoso …agora não sei se você compartilha dessa ideia e eu nem estou falando em casamento homossexual apesar de ser contra e sei que você é a favor,mas não tem bons argumentos ou se tem prefere ficar aporrinhando com anacronismos e analogias descabidas…

  5. Gustavo

    Wilson

    Você é um bom exemplo de cris-tão.

    Álvaro

    Eu não fiz nenhuma analogia descabida … eu sempre critiquei os evangélicos pelo dízimo, mas eu estava errado, não há nada de errado em pagar ou cobrar o dízimo. Mas ele precisa ser gasto com ética e responsabilidade.

  6. vanderley

    Essa de legitimas a “união a três” é dose. Essas pessoas não tem o menor respeito consigo mesmo. Poligamia à vista!!

  7. Álvaro

    Gustavo,

    A minha argumentação é a mesma do Wilson.

    “É necessário lutar para que “casamento” continue sendo apenas uma relação natural entre um homem e uma mulher, esta é a única barreira de proteção da sociedade, derrubada esta barreira qualquer outra luta sobre união simples ou múltipla de humanos, animais, coisa, etc é perda de tempo.”

    Se você sustenta que somente o afeto rege a família ou não apresente a sua argumentação.Quanto ao dízimo eu discuto contigo em outro post..

  8. Gustavo

    Um dos motivos de eu ser favorável a união de pessoas do mesmo sexo é porque os homossexuais são uma minoria, oprimida por uma maioria (cada vez menor) de pessoas que são contra.
    Vou te dar um exemplo: Se você ver uma mulher gravida apanhando do marido na rua, você vai ajudar a mulher (acho eu), tendo em vista que ela é a parte frágil. Jesus ensinou a defender os fracos e oprimidos.
    Quanto ao dizimo eu já reconheci que é necessário, mas que deve ser gasto com responsabilidade. Acho que você também concorda com isso,

  9. Wilson_Ramiro

    Interessante Gustavo, tua forma de pensar é correta.

    Quando pensamos no ser humano, homossexual ou não, devemos sempre socorrer os que precisam de ajuda.

    Não conheço nenhuma maioria que pretenda causar prejuízo físico ou moral a quem quer que seja, algumas vezes vemos notícias de grupelhos de deformados que vomitam suas impotências sobre pessoas mais frágeis.

    Na nossa sociedade já há muito tempo, a minoria sendo atacada e sendo carregada para a extinção, são os valores morais que na longa data apoiavam-se nos valores naturais. Mesmo que não seja agradável, o homem não foi feito para ter prazer. Os prazeres existem para induzir o homem de forma calma a executar o básico para a manutenção da vida, e para que esta sustentação não seja penosa.

    Todos os prazeres são mundanos e apenas tocam o sagrado, quando tem como objetivo O Sagrado.

    Todos os prazeres não passam de reações químicas, que cedo ou tarde estarão disponíveis em forma de comprimidos ou ampolas. Se antes cantava-se que “os meus heróis morreram de over-dose”, logo serão meus amigos, meus irmãos, meus filhos… quando justificamos o direito ao prazer sem uma contrapartida moral natural, deixamos de ter como limitar os comprimidos que nossos amigos possam engolir de uma vez.

    Quando lançarem as ampolas de orgasmo, é provável que eles não venham nas versões feminina e masculina, desta forma o homossexualismo será a única forma intravenosa de prazer sexual.

    Ter “uns motivos” para ser favorável a união de pessoas do mesmo sexo pode ser prejudicial a estas mesmas pessoas se isto não fizer delas seres humanos completos e naturais.

  10. João Frazão

    Com relação à união civil de pessoas do mesmo sexo, para mim, ela abrange dois aspectos, diferenciados, apenas, pela primeira vogal das palavras que os adjetivam – o ético e o ótico -, ambos de fundo moral.
    Sob o aspecto ético, é com relação ao que muita gente quer dar o tratamento de um “casamento”, palavra que identifica a união civil (ou religiosa) de pessoas de sexo diferente, ainda que uma delas seja bissexual, e ninguém argua isso como impedimento ao matrimônio.
    Já sob o aspecto ótico, por este envolver o interesse econômico, é aí que complica a questão, face ao interesse dos herdeiros nos bens dos participantes das uniões estáveis, principalmente das não oficializadas, pois, quando eles estão vivos, os relegam, chamando-os de ovelhas negras da família, vergonha da família e outros que tais, deixando-os à míngua até em doenças.
    Entretanto, quando descobrem que deixaram herança, os herdeiros caem em cima dos seus bens, como urubu em carniça, como aconteceu com dois rapazes que moravam em uma casa em frente à minha, em que um deles adoeceu e o outro tomou conta dele como se fora uma mãe, porque dedicado mais do que uma boa esposa.
    Conto isso porque, logo em seguida à morte de um deles, a “família” caiu de pau em cima da herança, querendo botar o que cuidou dele para fora da casa onde eles moravam (porque tinha sido adquirida em nome do defunto), fato esse não consumado porque um irmão do defunto armou um barraco junto à família e conseguiu que o sobrevivente continuasse na casa até quando quisesse alegando, justamente, o fato de ninguém da família ter-se “candidatado” a ficar com ele no final da sua vida.
    Embora o seguro de vida tenha ficado com o fiel amigo, a pensão ficou para a mãe (que não cuidou dele) porque o pôs para fora de casa, por não admitir “esse tipo de gente” em sua família; mas na hora dela receber a pensão ele passou a ser o “filhinho querido”.
    Agora, um esclarecimento: essa união entre pessoas do mesmo sexo vale apenas para efeitos civis, assegurando os mesmos direitos ao outro contratante como é assegurado ao outro parceiro, na sociedade civil chamada de casamento, como todo sócio em uma sociedade, quanto à disposição dos bens, quando da dissolução da sociedade, igualando os direitos dos participantes dessa sociedade como se fora uma sociedade conjugal.
    O resto é problema de cada indivíduo, dentro do princípio de que o cidadão é responsável pelos seus atos, inclusive nos casos de não respeitar o direito do outro, em relação à liberdade de crença, de opinião, de expressão e outros direitos individuais assegurados no artigo 5º da Constituição Federal; não é isso que sempre se alega aqui e em outros sites religiosos?
    Agora, a pergunta sob a ótica econômica, que é a que mais está preocupando a todos os que são contrários ao “casamento” homossexual: se os bens do morto fossem para a sua família, alguém daqui estaria preocupado com a vida do “sócio” supérstite, como se diz em relação ao cônjuge sobrevivente no inventário?
    Abraços. Frazão

  11. Álvaro

    Caro Frazão,

    O Código civil e o Constituinte originário,aliás ambos os legisladores,adotam um padrão de moralidade no Código.Padrão este que é implícito em alguns artigos,mas explícito em outros,pois o nosso Código possui expressões como:”bons costumes”,dentre outras e se tu quiseres eu mostro aqui os artigos.Não se trata de ingerência no âmbito privado(argumento utilizado amiúde pelos favoráveis),pois cada um faz o que quer com o orifício anal e nem tampouco de cerceamento de direitos,pois é possível que os seus direitos patrimoniais sejam mantidos sem a “revolução” no conceito de família e nem tampouco de influência da religião,pois não nego que exista,mas não aceito que a discussão seja levada para este viés e não aceito que os religiosos não possam opinar sob o “argumento” do Estado “laico” como afirmam alguns ativistas.

    Se o Estado não adota um padrão de família,então por que o incesto é um ilícito civil?*Incesto entre maiores,quero deixar claro,pois entre menores é também um ilícito penal,pois o Estado através do “jus puniendi” tutela a o bem jurídico da integridade da sexualidade do menor.

    Se o Estado não adota um padrão de moralidade,então por quê existem expressões como “bons costumes” no Código para ficar apenas com este exemplo?

    Até mesmo os juspositivistas mais kelsenianos não adotam mais a ideia de que a moralidade não existe na norma jurídica.

    É verdade que somente o afeto rege a família? Ou somente o afeto e estabilidade,como sustentam alguns juristas atuais?

    Um polígamo pode alegar cerceamento de direitos?Um casal incestuoso também pode?Qual o padrão que o Estado deve adotar? Ou não existe um padrão e conceito de família?

    O desenvolvimento e estabilidade das famílias interessa ao Estado?Sim? Não?

    Um homem com 3 ou mais mulheres ou vice-versa não interessa ao Estado,mas a partir do momento que o mesmo deseja uma legalização ou um amparo e tutela estatal,então aí já é da alçada do Estado.

    Um homem com milhares de mulheres sem condição de criar os filhos levando -os marginalização não trará gastos ao Estado? A união a 3 ou como disse o Danilo gentili(me perdoe Jorge ferraz!) ou a famosa suruba deve ser legalizada?

  12. Leniéverson Azeredo

    Não, Gustavo a maioria continua contra, vc está TOTALMENTE equivocado.kkkkOs defensores da descriminalização da maconha, por exemplo, costuma dizer que em Portugal e na Holanda a política de ‘liberação”, deu certo.Mas veja isso:
    http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/uso-precoce-de-maconha-piora-a-memoria-xiii-a-turma-do-viva-o-posto-9-vai-ficar-brava/#comments

    O liberar está incentivando isso: essa desordem, essa balbúrdia.
    É verdade que o charlatanismo ideológico, é algo típico dos relativistas. O Papa Bento XVI chama isso de ditadura do relativismo, cada um quer interpretar as coisas a sua maneira. Eu já te disse em outro post que existem pessoas birrentas, que não aceitam certa VERDADE, pois não existe VERDADES, só há UMA e nenhuma outra. Essa questão de Jesus apoiar Fracos e Oprimidos é uma característica de Jesus, mas não era unica, jesus repreendia, denúnciava estruturas de pecado, corrigia, dentre outras. Sola Scriptura aqui não, ok?Agora, Gustavo, vamos cá com os botões. Eu, se eu não te contei sou negro, mas conheço índios, mendigos, ciganos, viúvas, dentre outras coisas. Já imaginou se criasse leis específicas para todos?Não dá, meu caro? Pela constituição todos são iguais perante ela. E, depois, o conceito de fragilidade e opressão só é restrita a homossexuais?O que é fragilidade para vc?O que é opressão?Não sei, mas vc, tem uma deficiência de compreensão etimológica e apologética grave. Prometo dar um desconto, tu és espirita, né?

  13. João Frazão

    Oi, Vanderley.
    Você esquece que cada um é responsável pelas consequências dos seus atos?
    O que tem isso a ver com o resto da sociedade, se a lei assegura todos os direitos dos descendentes, sejam eles filhos de uma relação legal ou de uma relação espúria?…
    Além do mais, sendo uma relação decorrente de declaração expressa de vontade das partes, seguindo todos os trâmites legais, o que as demais pessoas, estranhas à relação, têm a ver com a declaração de vontade das partes contratantes?
    Você gostaria que alguém interferisse no direito de você dispor dos teus bens, ou sobre o que você deve ou não fazer?
    É isso o que ocorre com a união homoafetiva, em relação à qual a decisão da Suprema Corte de Justiça resguardou o direito do companheiro ou da companheira sobrevivente.
    Abraços. Frazão

  14. Gustavo

    Na verdade Leniéverson, você não intendeu o que eu disse. Eu falei que a maioria era contra, mas que o percentual vinha diminuindo. Pega as pesquisas hoje e de 20 anos atrás, por exemplo, com certeza a porcentagem dos que eram contra era maior.
    Eu não defendo uma legislação diferente para cada minoria, mas têm que haver uma que impeça o preconceito. O que acontece hoje é que o racismo é mascarado, porque existe leis que punem quem discrimina uma pessoa pela cor da pele. Sinceramente eu não entendo como alguém pode ser racista, somos todos irmãos independente das características genéticas.
    Sim eu sou espírita, mas eu tenho muita fé nos santos católicos e respeito pelas obras sociais que a Igreja faz. Acredito que a Igreja católica represente um caminho para chegar a Deus.

  15. João Frazão

    Caro Álvaro
    Não sei se você notou, mas no meu comentário limitei-me a abordar o aspecto de declaração de vontade e de disposição de bens; quanto ao padrão de moralidade, este muda de acordo com os princípios da sociedade em cada momento. Veja a defesa dos direitos do companheiro na união estável, mesmo exercida sem o cumprimento das formalidades legais; bastando, apenas, a existência de atitude demonstrando a vontade, como uma nota fiscal de móvel em nome do companheiro no endereço onde residem os dois, independentemente do tempo de vida em comum.
    Com relação aos “bons costumes”, esse, então, o seu conceito varia mais do que maré, pois há quanto tempo o beijo na boca, em público, deixou de atentar contra os “bons costumes”? Há quanto tempo andar de minissaia deixou de ser uma atitude de mulher atoa.
    O que está acontecendo é que alguns representantes do Estado estão querendo ser mais realistas do que o rei e estão fazendo tudo para ter os seus “cinco minutos de fama” e estão dando foros de casamento a uma simples escritura de declaração de vontade entre as partes, como uma escritura de compra e venda de um imóvel, deslocando-se a locais onde se realizam cerimônias, como se casamento fossem; nada mais.
    Agora, com base nisso, pretender coibir um ato de exercício de direito individual, você não acha que é muita prepotência?! E você mesmo prova isso quando diz “pois cada um faz o que quer com o orifício anal”; qual a diferença, perante a lei, se é ou não aceita por determinados grupos sociais ou religiosos, uma vez que a finalidade é assegurar direitos individuais, cuja previsão está na Constituição (art. 5º)?
    Agora, quanto ao que você denomina “revolução” do conceito de família, é bom que se esclareça que o que você entende como sendo “revolução”, é aceito como evolução por aqueles que, ainda que não tenham fé religiosa se preocupam com crianças desamparadas e estão aceitando que essas sejam adotadas por pessoas homossexuais que tenham condições materiais e psicológicas de serem consideradas como uma família, independentemente de fé religiosa.
    Veja, que a finalidade não é a de restringir direitos ou liberdade do cidadão, criança ou adulto, mas expandir o leque desses direitos, assegurando melhores condições de progresso ao cidadão, independente do seu sexo.
    Agora, seguindo esse teu entendimento, pessoas solteiras não poderiam adotar crianças, pois uma pessoa só, dentro do princípio de que a família é constituída por um homem ou uma mulher que tenha descendentes carnais, isto é, que tenham fornecido material genético para obtenção do ser humano dele resultante; é esta a forma de Estado que os seguimentos religiosos, ditos cristãos, pretendem? E depois se acham no direito de criticarem os estados islâmicos, em que o Estado é gerido por dirigentes religiosos, em que cada seita quer demonstrar mais força do que a outra… Será que, do jeito que as religiões ditas cristãs estão pretendendo, não vai acontecer neste querido Brasil, o mesmo que está acontecendo em alguns países islâmicos, onde o Estado é regido por dirigentes religiosos? Se assim for, qual a seita cristã que vai brigar para assumir o poder visando impor a sua doutrina?
    Da maneira como os seguimentos religiosos estão pretendendo interferir nas relações civis do cidadão comum, por que não tomam as mesmas providências contra seus membros (nos dois sentidos) que praticam atos de homossexualismo, agravados pelo fato de serem praticados com crianças e adolescentes?
    Ou vão pretender negar as notícias publicadas em todos os meios de comunicação, dizendo tratar-se de boato ou de parcialidade da mídia?
    Com relação à tua colocação “Se o Estado não adota um padrão de moralidade, então por quê existem expressões como “bons costumes” no Código para ficar apenas com este exemplo?”, faço uma outra: a tua concepção de “bons costumes” em relação ao casamento é igual à de um cidadão que aceita a poligamia? E mais: onde está definido qual o sentido de “bons costumes”, se costume é um conceito dos mais voláteis, já que cada comunidade tem os seus costumes? Veja: andar pelado na rua, atenta contra os “bons costumes”. Já andar em locais destinados ao nudismo não… Em aldeias indígenas, também não; então, meu caro, o problema da união homoafetiva, mais cedo ou mais tarde vai se transformar em coisa normal, o que já está acontecendo, pois o noticiário sobre esse tipo de “solenidade” está cada vez menos acontecendo. A não ser que se refira à união homoafetiva de alguma celebridade, como Sir Elton John que até recebeu da Rainha Elizabeth II o título de cavaleiro.
    Quanto à pergunta se a união homoafetiva deve ser legalizada, respondo com outra: há lei proibindo? Ora, meu caro, se não há lei proibindo a ninguém cabe proibir; não é isso o que se deduz do ditado jurídico que diz “onde a lei não distingue a ninguém cabe distinguir.”? Assim, se não proíbe, pode ser realizada, principalmente levando-se em conta que é uma ação de proteção ao cidadão que contribui para a construção de um patrimônio comum.
    Fico por aqui, para não tornar enfadonha a nossa discussão.
    Abraços. Frazão