A Dios rogando y con el mazo dando

No dia de Santo Antonio María Claret (conforme o Vetus Ordo; no calendário reformado, a festividade do santo é celebrada amanhã, 24 de outubro), julgo bastante oportuno compartilhar este pequeno trecho (abaixo) de uma autobiografia do santo que foi enviado hoje mesmo à lista “Tradição Católica”. O título deste post é uma das frases mais famosas do santo espanhol, e sintetiza de uma maneira extraordinária a vida cristã: oração e luta, graça e livre-arbítrio, ora et labora. Este labor incansável foi bem característico do grande Confessor da Fé hoje celebrado.

À sua época, o campo propício para o apostolado – e, simultaneamente, o terreno pantanoso de onde surgiam os mais insidiosos ataques contra a Fé – era a imprensa. Nos dias de hoje, é bem fácil notar que este papel é desempenhado pelos novos meios de comunicação, máxime pela internet. Se vivesse hoje, é bem provável que o santo se lançasse com todo o seu vigor a este apostolado virtual que cada vez mais se revela tão necessário aos dias atuais. E a nós, a quem aprouve à Providência que vivêssemos à época da internet, cabe colhermos os sábios conselhos de Santo Antonio María Claret e aplicarmo-los à nossa realidade. Porque a Doutrina Cristã não precisa hoje de menos defesa do que à época do Arcebispo de Santiago de Cuba. Mudaram-se os tempos, mas os homens continuam igualmente necessitados do Evangelho de Deus. E cabe-nos empregar com diligência todos os meios ao nosso alcance para que esta Boa Nova alcance a todos os homens.

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Da Autobiografia de Santo Antonio Maria Claret

CAPÍTULO 21
Sexto meio: Livros e folhetos.

310. A experiência me ensinou que um dos meios mais poderoso para a propagação do bem é a imprensa, ao mesmo tempo que é a arma mais poderosa para se propagar o mal, quando dela se abusa. Por meio da imprensa pode-se produzir muitos livros bons e folhetos para o louvor de Deus. Nem todos querem ou podem ouvir a divina palavra, mas todos podem ler ou ouvir a leitura de um bom livro. Nem todos podem ir à igreja ouvir a palavra divina, porém o livro irá à sua casa. Nem sempre o pregador pode estar pregando, porém o livro sempre estará repetindo a mensagem, sem nunca se cansar, sempre disposto a repetir a mesma coisa, quer seja lido pouco ou muito, lido ou deixado uma ou mil vezes, não se ofende por isso, permanece o mesmo, sempre se acomoda à vontade do leitor.

311. Sem dúvida, a leitura de bons livros sempre foi considerada de grande utilidade, hoje, porém, é de suma necessidade. Digo isto porque vejo que há como que um delírio para ler e, se as pessoas não têm bons livros, lerão os maus. Os livros são alimento para a alma. Se ao corpo faminto se oferece uma comida sadia será nutrido, mas se a comida está deteriorada, prejudicará o organismo. O mesmo ocorre com a leitura. Os que lerem livros bons e oportunos, adequados a si e às próprias circunstâncias, se sentirão nutridos e fortalecidos. Porém, se nutridos com livros perniciosos, periódicos e folhetos heréticos, verão corrompidas suas crenças e pervertidos seus costumes, extravia-se o pensamento, corrompe-se o coração e, do coração corrompido, saem os males, como disse Jesus, até chegar à negação da verdade primeira e do princípio de toda verdade, que é Deus: Dixit insipiens in corde suo: non est Deus: Disse o insensato em seu coração: Não há Deus.

312. Em nossos dias há uma dupla necessidade de fazer circular bons livros; estes, porém, devem ser pequenos pelo fato de as pessoas andarem apressadas e com mil e uma coisas para fazer por toda parte e, como a concupscentia oculorum et aurium: concupiscência dos olhos e dos ouvidos aumentou ao extremo, todos querem ver e ouvir tudo, além de viajar. Assim o livro volumoso não será lido, servirá unicamente para sobrecarregar as estantes das livrarias e as das bibliotecas. Por isso, convencido dessa verdade importantíssima e ajudado pela graça de Deus, publiquei inúmeros livretes e folhas volantes.

313. O primeiro livrete que publiquei contém conselhos ou avisos espirituais, dirigido às monjas de Vic, a quem acabara de pregar os exercícios espirituais; para que recordassem melhor o que lhes havia pregado, pensei deixar-lhes por escrito o conteúdo. Antes de entregar o escrito às monjas, para que cada uma o copiasse, mostrei-o ao querido amigo doutor Jaime Passarell, cônego penitenciário daquela catedral. Ele sugeriu que o imprimisse e assim evitaria às monjas o trabalho de copiar e seria utilizado por elas e por outros mais. Acatei a sugestão desse que tanto respeitava e amava por sua virtude, e o livro foi impresso. E assim foi que veio à luz meu primeiro livro.

314. Percebendo os bons resultados do primeiro livro, decidi escrever o segundo: Avisos às moças. Depois escrevi Aos pais; Às crianças; Aos jovens e outros, como se pode ver no catálogo.

315. À medida que ia missionando, percebia as necessidades e, conforme o que via e ouvia, escrevia um livrinho ou um folheto. Se na povoação houvesse o costume de cantar cantos desonestos, fazia imprimir logo um folheto com um cântico espiritual ou moral. Por isso quase todos entre os primeiros folhetos que imprimi eram de cânticos.

316. Desde o começo, publiquei um folheto contendo receitas contra as blasfêmias. Naqueles dias em que comecei a pregar era coisa horrorosa a quantidade e a gravidade das blasfêmias que se ouvia por toda parte. Parecia que os demônios do inferno se haviam disseminado pela terra a fim de provocar os homens a blasfemarem.

317. Também a impureza já ultrapassara seus limites e por isso resolvi escrever mais duas receitas. Como a devoção a Maria Santíssima é remédio muito poderoso contra todos os males, escrevi no início do folheto aquela oração que assim se inicia: Ó Virgem e Mãe de Deus… que se acha em quase todos os livros e folhetos. Estas duas palavras, Virgem e Mãe de Deus, coloquei-as porque ao escrevê-las lembrava que, quando estudante, nas férias de verão, li a vida de São Filipe Néri, escrita pelo padre Conciencia, na qual dizia que o santo gostava muito que se juntassem sempre estas duas palavras, e que com elas se honra muito e se obriga a Maria Santíssima. As demais palavras são uma consagração que se faz a Nossa Senhora.

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