Rascunhos sobre a conferência de Dom Bertrand no Círculo Católico

closeAtenção, este artigo foi publicado 4 anos 7 meses 2 dias atrás.

Ontem à noite eu fui ao Círculo Católico para assistir à palestra de Dom Bertrand. O tema originalmente previsto era a «Psicose Ambientalista», título do seu livro cujo lançamento ocorrera na véspera, na Livraria Saraiva do Shopping RioMar; mas Sua Alteza, orador valoroso, com muita graça discorreu também sobre diversos outros assuntos, brindando a platéia com os seus vastos conhecimentos sobre temas gerais de história, catolicismo, civilização.

Sobre o tema do ambientalismo em si, ele teve o cuidado de separar o – necessário! – cuidado do planeta do lobby moderno que, imbuído de um forte viés ideológico anti-cristão, intenta produzir nas pessoas um sentimento de pânico e de paranóia ante um alegado cataclismo global climático iminente. Deus Nosso Senhor criou a Natureza para o homem e, este, foi colocado pelo Altíssimo no Jardim do Éden para o cultivar e guardar, como lemos nas Escrituras Sagradas. É óbvio que não podemos dilapidar a Criação do Todo-Poderoso; mas é preciso ter bem claro que o catastrofismo corrente não nos ajuda a preservar melhor o planeta que Deus nos deu. Em particular, os brasileiros não somos os irresponsáveis poluidores que uma superficial leitura da nossa mídia pode nos levar a crer: embora sejamos o quinto maior país do mundo, a nossa “contribuição” para a poluição atmosférica é de menos de 2%. Ficamos (muito) atrás de países como a China (esta sim a grande poluidora, responsável por cerca de 20% da emissão global de gases poluentes), os Estados Unidos, a Índia e a Rússia. Em números absolutos, somos o décimo-alguma-coisa; se os colocarmos em termos proporcionais à população e considerarmos a poluição per capita, ficamos para lá do centésimo lugar: o que, bem dito, significa que somos um dos países que menos poluem atualmente.

Citando estudos (se a memória não me trai) da Embrapa, Dom Bertrand opôs ao terrorismo midiático alguns dados bem menos apocalípticos. O nosso bioma amazônico ainda está em sua esmagadora maior parte intacto, e a relativa derrubada da Mata Amazônica necessária para abrigar (e sustentar) as nossas cidades é um preço bem razoável a ser pago para que tenhamos hoje uma civilização que Cabral não encontrou quando atracou nesta então chamada Ilha de Vera Cruz. A temperatura média global ao longo dos últimos cem anos variou menos de um grau centígrado; e, se as calotas polares do Pólo Norte estão de fato reduzindo, as geleiras do Pólo Sul (substancialmente mais densas do que as árticas) ainda estão crescendo. Lembrando alguns dados históricos que os eco-terroristas soem esquecer, Sua Alteza falou-nos da Groenlândia – hoje praticamente só gelo -, que tem o nome derivado justamente de “Green Land”, “Terra Verde”: na Idade Média, o clima lá era muito mais quente do que hoje em dia, o que possibilitava a existência de plantações e campos tão vastos que batizaram o território com a cor de sua vegetação. E, sobre emissões de CO2, o Príncipe lembrou-nos o singelo fato [p.s.: decerto mais retórico-ilustrativo do que estatisticamente rigoroso] de que uma única erupção vulcânica é capaz de lançar na atmosfera mais gás carbônico do que toda a atividade humana acumulada da Revolução Industrial até hoje. Obviamente, nada disso nos exime do cuidado com o planeta e não pode ser usado como desculpa para o mau uso dos recursos naturais: mas serve para que as coisas sejam colocadas em perspectiva e para nos ajudar a distinguir os fatos das ideologias.

Aproveitando o espaço e a receptividade do público, Dom Bertrand falou-nos ainda de diversas amenidades. Cito duas. Uma: a idéia de se construir a estátua do Cristo Redentor (que hoje pode-se encontrar embelezando o Rio de Janeiro) partiu da Princesa Isabel após a assinatura da Lei Áurea: diante da euforia do povo que a queria homenagear com um monumento em sua honra pela remissão da escravatura, a monarca disse que eles deviam era erigir uma estátua em honra de Cristo, o verdadeiro Redentor da humanidade. Outra: na época da Colonização, havia na Patagônia uma tribo de índios bem peculiar. Monoteístas e monogâmicos, havia entre eles uma lenda antiga – passada de pai para filho – de que, um dia, viriam uns homens de preto que lhes instruiriam a respeito das coisas do Céu. Quando os missionários (salesianos, se a memória não me falha) chegaram, os índios os receberam com grande júbilo e docilidade, e abraçaram maciçamente a Fé Católica que aqueles sacerdotes tinham atravessado o oceano para lhes transmitir.

A conferência foi edificante, a noite foi bastante agradável, o evento foi deveras proveitoso. Os nossos agradecimentos ao Círculo Católico de Pernambuco, que proporcionou este encontro, e a Sua Alteza Dom Bertrand, que tão generosamente aceitou falar-nos ontem à noite. Que a Virgem Santíssima os possa recompensar. E a nós, nutridos pelas palavras que ontem ouvimos, cumpre fazermos a nossa parte nesta luta pela Civilização Cristã: guardando, defendendo e transmitindo o que de nossos pais recebemos. É um combate no qual temos a ajuda dos Céus! Que Deus nos faça, a cada dia, menos indignos do papel que Ele nos reservou neste mundo.

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12 thoughts on “Rascunhos sobre a conferência de Dom Bertrand no Círculo Católico

  1. Fides et Ratio

    Segundo a Wikipédia Inglesa, o nome “Greenland” foi uma espécie de propaganda. Foi um nome agradável para atrair colonos. http://en.wikipedia.org/wiki/Greenland#Etymology

    Segundo o Hawaiian Volcano Observatory, os vulcões emitem 100 vezes menos CO2 do que o homem. http://hvo.wr.usgs.gov/volcanowatch/archive/2007/07_02_15.html

    Eu reafirmo o que disse em outro post: a grande maioria dos cientistas competentes acredita no aquecimento global antropogênico. É razoável reduzir moderadamente a emissão de gases de efeito estufa.

    Os progressistas estão errados em alardear um alarmismo, e em propor medidas estúpidas como a redução da população humana.
    Mas os conservadores também estão errados quando negam a existência do problema e quando acreditam em teorias de conspiração.

    Eu defendo medidas razoáveis para frear o aquecimento global como:
    1) Subsidiar o etanol eficiente e sobretaxar os combustíveis fósseis*
    2) Subsidiar a pesquisa e a implementação de fontes limpas de energia

    Com todo respeito a Dom Bertrand, eu acho que ele se deixou levar por um conservadorismo exacerbado e alienado, tipo Olavo de Carvalho.

    Abraço

    * Isso tem o excelente efeito colateral de prejudicar os países exportadores de petróleo – incluindo Venezuela, Arábia Saudita e Irã.

  2. Gustavo BNG

    Fides et Ratio et Melancia?
    (verde por fora e vermelho por dentro)

  3. VR5

    Gustavo BNG: desculpe-me, mas acho que você está meio que “radicalizando”: conforme lhe expliquei no artigo anterior do Jorge sobre este assunto: acho que as vezes o governo tem sim que gerir nesses assuntos. Leu o que eu falei sobre os arrozeiros? E note que eu NÃO SOU de esquerda… abraço!

  4. Fábio

    Não existe preocupação algum com o meio ambiente, a questão ambiental em todos os aspectos é somente meio para controle de produção dos países e consequentemente controlar sua economia e crescimento principalmente nos países subdesenvolvidos, ou seja, é a maneira mais fácil da elite mundial continuar em sua posição.

    Tudo além disso é verborragia.

  5. VR5

    Pois é… e novamente caimos na “teoria da conspiração”… vale para ETs, OVNIs, iluminatis, controle das mídias pelos judeus, etc.

  6. Fábio

    Isso não é teoria do conspiração meu caro, isso é evidente. Vê quem não quer ou é ignorante. O que não falta são pessoas graduadas na área desconstruindo toda a argumentação a favor. Me responda por qual motivo os países ricos não estão se submetendo a um controle/compromisso efetivo enquanto que o ônus de “salvar” o planeta está sendo empurrado para os países subdesenvolvidos emergentes?

    Só não vê quem não quer.

    Olha, estamos vivendo uma bolha imobiliária e de crédito e você está vendo isso sendo noticiado?

    Você sabe que vivemos inflação da década de 90 já?
    Você sabe que depois da Copa talvez viveremos uma crise sem precedentes na história?
    Você sabe que a indústria hoje praticamente já está em recessão?

    Por que a mídia não está mostrando que as mesmas medidas adotadas pelo nosso governo são as mesmas medidas que levaram a Espanha para a crise?

    Existe uma elite global econômica-política que tem controle e poder e forte influência nos países. Tudo é manipulado. Tudo faz parte de uma engenharia social.

    Você não acredita, ou melhor, desconhece, pois não deve acompanhar economia, se acompanhasse veria que tudo é uma farsa e que tudo se resume em dinheiro que consequentemente gera poder.

    Aliás, a bolha imobiliária já estourou, imóveis no Brasil já estão caindo de preço em supostos descontos de 30%. Quem financiou casa nos últimos vai ver o preço da sua cair e a sua dívida continuar a mesma. Vai pagar pelo que não vale. Isso os que vão dá conta de pagar. Estamos vendo Bull Trap (armadilhas) nesse mercado e poucos são os que percebem.

    E tem alguém noticiando?

    Não! Pelo contrário, a mídia é toda comprada. Nos últimos anos houve a maior transferência de renda para essa elite através da facilidade do crédito fácil.

    Infelizmente tem gente que acredita em iluminatis e infelizmente tem o cético também, o qual desconsidera até o evidente.

    “Não acredito em bruxas, mas lá que elas existem, existem!”

  7. VR5

    Prefiro fazer a MINHA parte e TENTAR salvar o planeta… assim como existem pessoas a minha volta que roubam, sonegam iompostos, etc. EU não! Pelo menos a noite consigo dormir com a consciência tranquila… não se trata de ler isso ou aquilo: eu estou VENDO, estou SENTINDO na MINHA região os efeitos climáticos… estou seguindo MEUS instintos, MINHAS impressões… mas respeitosamente aceito sua opinião em contrário… abraço!

  8. Gustavo BNG

    VR5, continue fazendo sua parte. Minha fazenda está à venda, quem sabe você a compra e planta algumas sibipirunas no lugar! O preço é de mercado.

  9. VR5

    Obrigado, vou continuar sim!
    Por curiosidade: você planta arroz em sua fazenda? Qual sua opinião sobre aquela problema que relatei em outro tópico do Jorge?

  10. Ygor

    Fábio,

    Você disse: “Existe uma elite global econômica-política que tem controle e poder e forte influência nos países. Tudo é manipulado. Tudo faz parte de uma engenharia social.”

    É exatamente o que me parece e acrescentaria uma informação: Desconfio que esta elite global é oriunda dos antigos fariseus, inimigos de Cristo. Digo que “desconfio” porque evidências nem sempre servem como provas.

  11. Fides et Ratio

    Eu não sou melancia de jeito nenhum.
    Eu sou católico e tenho um imenso amor pela Igreja (tenho grandes dificuldades em colocar o ensinamento em prática, mas continuo tentando). Tenho grande respeito pelo Papa. Para mim todos os papas recentes, pelo menos desde Pio XII, foram homens santos.
    Sou totalmente pró-vida e pró-família.
    Eu odeio o marxismo, inclusive o marxismo cultural de Gramsci e Marcuse.
    Eu nunca voto em PT, PV, PSOL, PCdoB, PSTU, PCO, PDT ou outros partidos anti-cristãos.

    Agora, não é porque os marxistas são anti-cristãos, que os conservadores estejam sempre certos. Não se deve confundir catolicismo com conservadorismo. O próprio João Paulo Magno foi contra a guerra do Iraque, por exemplo. E a Pontifícia Academia das Ciências acredita no aquecimento global antropogênico.

    Nós não devemos nos deixar prender a uma única ideologia política. Devemos escolher o que é bom em cada ideologia, e às vezes inventar a nossa própria. Às vezes os progressistas estão certos, às vezes os conservadores estão certos, às vezes estão ambos errados e a solução está no meio termo. Ou talvez a solução seja algo totalmente diferente de ambos os lados.

    Como dizia Chesterton: “The whole modern world has divided itself into Conservatives and Progressives. The business of Progressives is to go on making mistakes. The business of Conservatives is to prevent mistakes from being corrected. Even when the revolutionist might himself repent of his revolution, the traditionalist is already defending it as part of his tradition. Thus we have two great types — the advanced person who rushes us into ruin, and the retrospective person who admires the ruins.”

    Abraço