Sábado Santo

closeAtenção, este artigo foi publicado 4 anos 7 meses 25 dias atrás.

É imenso o vazio do dia de hoje; incomensurável a tristeza dessas horas que Deus passou no Sepulcro frio. Sim, aprendemos no Credo que Ele desceu à Mansão dos Mortos, ouvimos no Catecismo que Ele foi aos Infernos para libertar os cativos, e muitos pregadores já nos ensinaram que, hoje, o Bom Pastor foi à busca de nossos Primeiros Pais, foi atrás das primeiras Ovelhas a se desgarrarem do aprisco do Senhor, foi encontrar-Se com Adão e Eva dos quais herdamos a mancha do Pecado Original. No entanto, nós não vemos nada disso. Temos diante dos olhos apenas o Sepulcro lacrado, em cujo interior depositamos há não muito tempo – ontem ainda! – o Santíssimo Corpo de Jesus, dilacerado por nós, assassinado por nossas próprias mãos.

Hoje o mundo inteiro está mais vazio porque o Rei do Mundo até ontem estava aqui, e agora não está mais. Até há bem pouco tempo Ele comia e bebia conosco, ensinava-nos com autoridade, curava os doentes e expulsava os demônios; hoje estamos privados da sua Alegria, que diríamos para sempre lacrada no Túmulo de um rico. Num túmulo anônimo, preparado às pressas – nem sequer a um funeral decente Ele teve direito! Praticamente desceu direto da Cruz ao Sepulcro. Expulsamo-Lo do nosso mundo sem Lhe dar o direito de Se despedir. E talvez agora, só agora que atingimos o nosso intento, estejamos notando o quão pouco realizados nos encontramos. Expulsamos o Filho de Deus para que tivéssemos paz, e tudo o que conseguimos foi esse Vazio enlouquecedor. Tudo fala d’Ele, pede por Ele, clama por Ele – mas Ele não está aqui.

Ela ficou conosco, é verdade. Ela ficou conosco e, n’Ela, nós conseguimos não nos desesperar. Ela nos consola porque, por incrível que pareça, tudo n’Ela fala de Cristo mais do que qualquer outra coisa que exista no mundo; Ele está mais vividamente presente n’Ela do que nas nossas melhores lembranças de quando – ainda ontem! – O ouvíamos falar. Foi nos braços d’Ela que, ontem, depositamos o Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo; mas o luto d’Ela é sereno e, por incrível que pareça, consegue nos deixar em paz. O Seu olhar é mais de misericórdia do que de acusação; mais de compaixão do que de sofrimento vazio. No rosto d’Ela nós O vemos ainda!

E de repente parece que a história não vai terminar assim. De repente, parece que a serenidade d’Ela é um pouco mais do que resignação: parece que se trata de uma esperança que nós ainda não conhecemos. De repente, olhando para Ela, parece que tudo vai terminar bem. De repente, nós olhamos para o Sepulcro e ele parece diferente; como se se parecesse mais com um início do que com um fim. De repente, olhamos para o Túmulo e começamos a nos perguntar se não estamos prestes a presenciar um acontecimento extraordinário. Deitamos no colo da Virgem e nos perguntamos como o nosso mundo seria de agora em diante se, por um milagre, aquele Túmulo estivesse vazio.

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