Guerra ideológica e grupos de risco

closeAtenção, este artigo foi publicado 4 anos 1 mês atrás.

Na esteira da recente decisão do Conselho Nacional de Justiça de obrigar os cartórios de todo o Brasil a realizarem casamentos gays, há duas notícias que merecem ser melhor divulgadas.

A primeira delas é esta do IPCO, que faz uma sóbria leitura do que está acontecendo no país a respeito desta onda de concessão de falsos direitos (cada vez mais exagerados) ao vício contra a natureza. Ainda, apresenta uma iniciativa (foi a primeira vez que eu a vi) que tem potencial para se tornar interessantíssima: uma página para “contato com a imprensa”, contendo os endereços de email de diversos veículos de comunicação a nível nacional e estadual, bem como um breve texto sobre «Como aumentar o efeito de sua carta à imprensa» que merece uma leitura.

O grande problema do Brasil contemporâneo é a enorme discrepância que existe entre as posições ideológicas dos Quatro Poderes e as dos demais cidadãos, meros mortais. Quanto mais estes puderem se fazer ouvir, melhor, e neste sentido é muitíssimo bem-vinda qualquer iniciativa que se proponha a tirar o tal “povo brasileiro” dos discursos demagógicos e trazê-lo para o protagonismo da vida social verdadeira. Há uma guerra ideológica em curso, e simplesmente não faz sentido nos omitirmos de lutá-la.

A segunda notícia é esta d’O Estado de São Paulo, replicada por Zero Hora: HIV ainda desafia saúde pública. Vem da imprensa laica, portanto. Os dados apresentados nela são os seguintes:

Nos dados mais recentes do Ministério da Saúde, de 2012, homens que fazem sexo com homens aparecem como de maior vulnerabilidade: 10,5% estão infectados [com o vírus da AIDS]. Na população em geral, a incidência é de menos de 0,5%.

A desproporção salta aos olhos: na população em geral, nós só encontramos um soropositivo a cada 200 pessoas. Entre os tais «homens que fazem sexo com homens»gays, portanto, por mais que os homossexuais “puros” aparentemente não queiram ser contados entre eles e vice-versa -, é um a cada dez! Por mais que o tempo passe, os grupos de risco continuam existindo, e mudar a forma como se lhes denomina («Não é mais uma questão de se falar em grupo de risco — como ocorreu no começo da epidemia e criou estigmas até hoje dolorosos —, mas entender quem está mais vulnerável», fala Alexandre Naime Barbosa, infectologista entrevistado na matéria) é somente uma tentativa cômoda de mascarar o problema. É óbvio que não o resolve, e nem muda o fato de que há proporcionalmente muito mais soropositivos entre os que vivem como em Sodoma do que entre os que vivem como a Igreja prega! Que aos olhos de muitos Ela seja culpada pela epidemia da AIDS no mundo ao mesmo tempo em que se exalta nas alturas o homossexualismo é somente outro sintoma das loucuras e contradições do mundo moderno.

Tem mais um detalhe. Essa notícia não é muito diferente de outra que eu comentei há quase cinco anos aqui no Deus lo Vult!; na verdade é praticamente igual. Em meados de 2008 eu disse aqui: «Os “[h]omens que fazem sexo com homens são 19 vezes mais propensos a contraírem o vírus HIV do que a população em geral”, como diz o GLOBO» – os dados eram a nível mundial. A matéria de então d’O GLOBO ainda está lá.

Cinco anos, toneladas de camisinhas e milhões gastos com campanhas anti-homofobia depois, os gays em questão ainda são 20 vezes mais propensos a contraírem o HIV do que a população em geral! A realidade não tem compromissos ideológicos. E, depois de fracassos acumulados sobre fracassos, é espantoso que aparentemente ninguém nunca se pergunte se estão de fato fazendo a coisa correta para combater a AIDS. Mas a ideologia fala sempre mais alto: questionar o establishment é pecado mortal, e é incompreensível que os nossos dados epidemiológicos ainda insistam em ser tão obscurantistas.

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24 thoughts on “Guerra ideológica e grupos de risco

  1. Gustavo

    Fica evidente que a monogamia é uma maneira segura de combater o HIV, desde que ambos não sejam portadores do vírus. Por isso o casamento gay é importante para que os homossexuais larguem da promiscuidade e tenham apenas um parceiro para a vida toda.

  2. Karla Cruz

    Regularizar o instituto jurídico do casamento para duplas do mesmo sexo exerce um caráter pedagógico moralizante para os mesmos?

    Isto soou tão… Careta.

  3. Lucio

    Ué, Gustavo, a proporção de homossexuais a nível mundial era de 19 para 1… incluso países que já haviam adotado o casamento homossexual.

    E você fala em um parceiro para a vida toda, enquanto isso o divórcio corre solto… damned if you do, damned if you don’t.

  4. lucas

    A tempos distantes,condenava-se o doente de lepra lançando maldições,culpas e castigos,quando se sabe que a doença é causada por um bacilo.Com a tuberculose,doença de artistas,boemios,prostitutas…mas que também é causada por um bacilo.Hoje,parece que os homossexuais,foram escolhidos,amaldiçoados,por uma doença que é causada por um vírus.A doença é democrática,naõ escolhe ninguem.

  5. Wilson Ramiro

    Lucas, quem amaldiçoava os leprosos ????? Gente bobinha! O mal era a lepra e não o leproso.

    A lepra “nos tempos antigos” já era contagiosa e não se conhecia cura para ela, portanto quem tinha lepra era afastado do convívio para a prevenção de contágio. Creio que você preferiria um convívio mais íntimo, não?

    Hoje em dia mesmo a bicha mais pederasta sabe o mal que representa o HIV.
    A Igreja católica aceita com amor ao homossexual CASTO.
    O homossexualismo facilita o contágio do HIV, e nem precisa ser religioso para aceitar o fato. Será que o HIV está afetando o cérebro e é também responsável por tanta asneira ditas pelos gays?

  6. Álvaro

    O Senador Malta e o PSC entraram com um Mandado de Segurança contra a resolução do CNJ e o relator é o Luís Fux.O resultado com certeza vai ser a favor do lobby gay,mas pelo menos há quem nos represente..

  7. Pingback: Guerra ideológica e grupos de risco | Deus lo Vult! | Via Media

  8. Rafael

    O autor desse blog incorre num problema de falsa generalização. Os dados que ele trás sobre HIV são sobre homens que fazem sexo com homens – podem ser tanto homens gays, quanto bissexuais ou homens que tiveram uma experiencia homossexual esporádica. O autor então faz um dedução equivocada que homossexuais são mais propensos a contrair HIV, quando na realidade a leitura correta dos dado diz que são HSH que são mais propensos a contrair HIV. Os dados apresentados não falam nada sobre mulheres homossexuais, mulheres bissexuais ou mulheres que ocasionalmente tiveram relações sexuais homo.

    Na realidade o problema maior não reside na sexualidade, mas sim no gênero. A cultura ocidental encoraja grandemente a promiscuidade masculina, enquanto que as mulheres são incentivadas a ter poucos parceiros. Haja visto os adjetivos existentes na Língua Portuguesa para caracterizar homens promíscuos – geralmente positivos – e mulheres promíscuas – geralmente negativos. Outro indicador, a Industria pornográfica, basicamente produz para o homem, seja ele gay, seja ele heterossexual. Nesse contexto, sendo os homens tão encorajados a fazerem sexo, não se admira que homens que busquem sexo com homens se exponham mais a DST e por conseguinte se contaminem. Por outro lado, dados do Sistema Nacional de Antedimento Médico, para o período de 1980 a 2012 (vide link abaixo na pagina 28) indicam que 88,7% dos casos de HIV em mulheres, notificados, foram para as heterossexuais. O que nos permite deduzir que mulheres lésbicas e bissexuais provavelmente tem um risco muito baixo de contração do virus.

    Em resumo, o fator de risco é o gênero masculino, não a homossexualidade. Homens são mais promíscuos, logo uma relação sexual em que um homem esteja envolvido há mais risco de contaminação, estatisticamente falando;

    http://www.aids.gov.br/sites/default/files/anexos/publicacao/2012/52654/boletim_jornalistas_pdf_22172.pdf

  9. Vítor

    É bom saber que a realidade (enquanto não está mascarada) é um balde de água fria naqueles que se dizem vanguardistas e construtores da nova civilização

  10. Jorge Ferraz (admin) Post author

    Os dados que ele trás sobre HIV são sobre homens que fazem sexo com homens – podem ser tanto homens gays, quanto bissexuais ou homens que tiveram uma experiencia homossexual esporádica.

    Na verdade, não me parece que os «homens que tiveram uma experiencia homossexual esporádica» (grifo meu) possam ser contados entre os HSHs. Se eles esporadicamente têm relações com outros homens, aí sim, mas neste caso eles são gays ainda que chamem o Wanderley em sua defesa. Como gays são os bissexuais.

    Em todo caso, não se entende a retrucação do comentarista. Eu disse explicitamente que os HSHs tinham proporcionalmente 20 vezes mais chances de serem soropositivos (o que é verdade), e ele vem citar as lésbicas; ora, onde foi que elas entraram nessa discussão? Em quê elas minimamente mudam o fato de que, em termos proporcionais, o homossexualismo masculino é estatisticamente responsável pelo maior índice de contaminação com o vírus da AIDS (vinte vezes maior do que na população em geral)?

    Em resumo, o fator de risco é o gênero masculino, não a homossexualidade.

    O fator de risco (que faz com que os homossexuais masculinos tenham um número tão desproporcionalmente maior de aidéticos do que o resto da população) é duplo: por um lado a promiscuidade e, por outro, o ato contra a natureza. Exatamente as bandeiras defendidas pelo movimento gay.

    Abraços,
    Jorge

  11. Renan

    POR DETRÁS DE TUDO ISSO A CULPA EM GRANDE PARTE É DOS ELEITORES DO PT!
    Se os católicos fossem melhor instruídos, houvesse interesse da alta hierarquia, salvo as exceções, como o saudoso falecido bispo D Bergonzini, comunismo passaria longe do Brasil e todas as mazelas de suas propostas nem existiriam, como esse caso. A CNBB ao invés de convidar pessoas com frei Susin e correlatos para ouvir suas preleções, perfeitamente dispensáveis, deveria instruir o povo em defesa do Evangelho e não os deixarem adentrar o marxismo, recomendando restrições a partidos satanistas, como o PT.
    Tudo isso aconteceria também por causa de as autoridades eclesiásticas não incentivarem a formação de bancadas católicas na Câmara e Senado para defenderem os interesses da Igreja e do povo católico!
    Os relativistas e mesmo dissensos entre si protestantes são um exemplo a se seguir nesse sentido!
    Para os hierárquicos eclesiásticos católicos, e mesmo pessoas assumidas, uma vergonha todos estarem sob as patas dos marxistas!
    Os católicos, de modo geral, seriam acomodados, desinstruídos, desinteressados, sem compromisso com Cristo e a Igreja, só de tradição e, nessa alienação, ainda conspiram contra si mesmo ao elegerem comunistas.
    Vamos, católicos, parar de dormir em berço esplêndido pois no Juízo Final seríamos muito questionados de nossa inercia, o mal proliferando à nossa volta e … Coniventes com o erro!

  12. Lampedusa

    Bissexuais não são “homens que fazem sexo com homens”? Ou, de outra forma, bissexuais não praticam atos homossexuais? E quem pratica atos homossexuais (ao menos raramente)) não é homossexual?

    Além disso, não é difícil imaginar que uma parte razoável das mulheres infectadas o foram por parceiros bissexuais que se infectaram em relações homossexuais. E, dado que mulheres lésbicas , no mínimo, tendem a fazer menos sexo com homens (inclusive os infectados), é natural que tenham um índice menor de contaminação.

    E a famosa explicação evolutiva para o fato de as mulheres tenderem a ter menos parceiros que os homens foi “para o saco”? Isso virou “cultural”?

    Quanto à indústria pornográfica ser mais dirigida para o público masculino encontra explicação no fato de o homem se excitar mais facilmente com imagens do que as mulheres que, por sua vez, tendem a se excitar mais facilmente com descrições.. Basta passar por uma banca de jornal e olhar as capas de revistas femininas: a imensa maioria delas têm artigos do tipo “como agradar seu gato na hora da transa” ou ” como atingir o orgasmo múltiplo”, etc.

  13. Wilson Ramiro

    Conselho Nacional de Justiça (CNJ), “Casamento” homossexual e o fim da democracia
    Dr. Glauco Barreira Magalhães Filho
    Professor de Hermenêutica Jurídica da UFC


    Não adianta dizer que o STF e o CNJ estão “legislando” por causa da omissão do Congresso Nacional. A omissão do Congresso é uma manifestação de vontade, no caso, da vontade de manter a legislação vigente, que não contempla o casamento homossexual. A omissão do Congresso é o reflexo da vontade popular, que não deseja mudar o conceito de família.

  14. lucas.

    A igreja ama a castidade,chega a impor aos seus sacerdotes o celibato obrigatório.Mas muitos naõ conseguem,cumprir seus votos.Somos seres dotados pela natureza,de aparelho reprodutor,hormonios…impedir a sexualidade,naõ é um ato contra à natureza?

  15. Jorge Ferraz (admin) Post author

    Sim lucas, «impedir a sexualidade» [a sadia, lógico] seria uma barbaridade injustificável. É por isso que a Igreja nunca proibiu e nem a pode jamais proibir. Os padres são celibatários porque querem.

  16. Wilson Ramiro

    Rafael… tente pensar … … 3 … 2 … 1… calma não é teu hábito.

    As pessoas mais propensas a contrair um vírus são as que recebem para dentro de si o vírus, no caso de HIV as pessoas que recebem o esperma contaminado.
    Portanto…

    (vide link abaixo na pagina 28) indicam que 88,7% dos casos de HIV em mulheres, notificados, foram para as heterossexuais. O que nos permite deduzir que mulheres lésbicas e bissexuais provavelmente tem um risco muito baixo de contração do vírus.

    Perfeita dedução quanto às lésbicas, elas e os homens não recebem esperma contaminado em nenhuma hipótese. Na espécie humana homem em nenhuma hipótese recebe esperma.

  17. Lampedusa

    Wilson

    Não entendi porque você diz que “homem não recebe esperma”. Os gays “passivos” não ‘recebem’ esperma?

  18. Wilson Ramiro

    Lampedusa, como os próprios gays preferem, nem os confundo nem os chamo de homens, quando me refiro a que homens não recebem esperma não há ambiguidade, não podemos chamar gays de homens. A palavra heterossexual creio desnecessária ou se é homem ou não se é.

  19. lucas

    Wilson Ramiro, seu universo parece muito estreito e reduzido.Na natureza encontramos,seres sexuados,assexuados,hermafroditas e todas as formas de diversidade,vivendo em harmonia.Muita doutrina e pouco amor,certamante naõ é a religiaõ de Jesus.

  20. Wilson Ramiro

    Caro Lucas a questão, neste caso, nem é doutrinal. O ataque contra a doutrina sempre foi apenas pelo cometimento de pecados. Agora o problema é um ataque contra o vocábulo e contra a lógica.

    O sexo sempre foi o meio de procriação e tem como subproduto desejado o prazer obtido pelo contato, pela intimidade e pelo orgasmo. Duvido que alguém possa discordar disto sem parecer retardado. É claro que falo de humanos, discussões sobre animais não me interessam. O sexo e a procriação decorrente deve prever a proteção da prole e portanto deve ser feito dentro do casamento.

    O ser humano conhece o prazer o busca sempre. Quando o orgasmo é obtido fora do sexo damos o nome de masturbação, a masturbação é apenas a excitação buscada de forma artificial e sem o risco de gerar uma vida. Para compreender isto não me parece ser necessário profundo conhecimento da doutrina católica!

    A “pedra de toque”, é chamar masturbação de sexo e conceder a quem apenas se masturba o mesmo reconhecimento de quem faz sexo.

    O sexo entre dois seres humanos do sexo masculino(ou dois feminino) é tão impossível que é risível ser proibido.

    Os legisladores do STF não foram contra a constituição, eles estão abolindo leis da natureza. As leis da gravitação universal, são definitivas, enquanto nosso STF assim o desejar.

    Não sei que demônios movem as pessoas, nem mesmo sei se estas pessoas acreditam que podem ser movidas por demônios, mas movem-se nas trevas com a desenvoltura do mal, e já desejam tanto o mal quanto o santo deseja o bem.

    “Se o estado fez uso de sua competência constitucional para alterar a natureza das coisas, andou mal, pois não se altera mediante norma jurídica a natureza das coisas.”
    A 5.ª Turma do TRF da 1.ª Região/Processo n. 0000108-79.2011.4.01.4300/TO

    ” …nenhuma lei tem a força de alterar a natureza das coisas (Liebman)” (Instituições de Direito Processual Civil, Vol. III, Malheiros, São Paulo, 2001, pág. 259).

    A vontade do Poder Executivo ou de quem quer que seja não tem o condão de alterar a natureza das coisas. RELATOR: MIN. GILMAR MENDES

  21. Jorge Ferraz (admin) Post author

    Não vou permitir trollismo sem sentido, JBC. Como disse em outra ocasião, o teu mau-caratismo intelectual é aqui tolerado com o único objetivo de esclarecer os leitores do site e desmascarar a pseudo-intelectualidade ateísta. Se quiser o direito inalienável de tagarelar, sugiro que crie um blog para você (prometo que não passo perto dele).

    Dar uma de sonso e ignorar tudo o que foi discutido até então para reabrir em outro ponto discussões recém realizadas (com o objetivo de multiplicar os pontos de proselitismo ateu, de vencer pelo cansaço, de tumultuar, ou alguma coisa parecida ou tudo isso e mais um pouco junto – ver também aqui e aqui) simplesmente não será permitido. Vá procurar o que fazer.

    – JF